• Nenhum resultado encontrado

A DISPUTA PELA ÁREA E CONFLITOS DE INTERESSE

Em abril de 2002 o jornal a gazeta divulga que a prefeitura recebe oito milhões do BID para a urbanização do bairro Mocinha Magalhães, uma promessa tão esperada pelos moradores da comunidade, um projeto que beneficiaria 773 famílias. O tão sonhado projeto foi assinado pelo ex-prefeito Flaviano Melo em 2003, porém quem apresentou o projeto foi o prefeito Isnard Leite, que deu início às obras, que tinham o nome de projeto Bem Viver.

No início das obras houve muitos conflitos entre o poder público e os moradores. E com esses transtornos, restava aos moradores reivindicarem pela volta à obra do projeto, pois as estruturas deixadas pela empresa poderiam causar tragédias, pois existiam valas abertas com grandes profundidades, que poderiam causar acidente, principalmente para as crianças que brincavam ou tinham que passar pelas ruas. Se antes o bairro era intrafegável, com essa paralização tornou-se mais difícil o acesso para os moradores, pois além da lama tinham que conviver com os buracos, além de riscos de proliferar algumas doenças.

O bairro Mocinha Magalhães desde a sua formação já abrangia em seu contexto a luta pelo espaço de moradia, e mesmo com a possibilidade de estrutura, com uma mudança previa de melhorias no bairro, podemos perceber que muitos não aceitavam tal transformação, pois, se houvesse essa transformação alguns seriam prejudicados, porque como mostramos muitos tinham grandes lotes de terra e não queriam ceder uma parte para construção de casas e repartições que de um modo ou de outro iriam assistenciar a comunidade no que se refere à educação, saúde, e ate disponível mesmo para pessoas que viviam em área de risco ás margens do igarapé São Francisco que durante as enchentes passavam por muitas dificuldades, pois tinham que se deslocarem para outro lugar devido animais peçonhentos e porque suas casas eram cobertas pela as águas do igarapé.

Como podemos ver no decorrer de uma entrevista feita a um morador do bairro Mocinha Magalhães o senhor Carlos Augusto que relata as dificuldades ali encontradas por eles no período de chuvas que muitas das vezes tinham que sair de suas casas devido à alagação, e consequentemente perdiam seus móveis, pois às vezes a água cobria os telhados, e ao mesmo tempo podemos perceber a satisfação dele com o projeto de infraestrutura que trouxe muitas melhorias à comunidade.

[...]também a esse projeto trouxe muita melhoria para o nosso bairro e primeiro antes ali pra baixada havia uma boa população, um bom número de população prali, eles foram retirados dali porque toda vez que alagava antes perdiam suas coisas alagava as casas deles tinha casa que cobria o telhado e com esse projeto veio e alcançou aquelas pessoas dali próximo ao igarapé e com as construções dessas novas casas que receberam ganharam uma nova vida, um novo lar.Carlos Augusto.

Porém houve insatisfação em alguns casos no o decorrer do processo de urbanização e por este motivo ocorreram três paralizações nas obras de infraestrutura alguns conflitos, pois os moradores em disputa pela terra tentavam defender seus lotes impedindo que as máquinas entrassem através de manifestos, como também denunciavam a empresa e ameaçavam constantemente fechar as principais entradas do bairro para obterem solução para aqueles que perdiam seus terrenos para construções de casas, creches posto de saúde, centro comunitário, enquanto outros que não foram prejudicados já estavam cansados de esperar a retomada das obras, e o custo passou de 8 milhões para 12 milhões, segundo o jornal pagina 20 17 de julho de 2006.

Quando as obras foram retomadas, outra paralização aconteceu, a área que antes não tinha dono, se encontrava com um novo problema, o suposto dono apareceu e pretendia tomar suas terras, o empresário Paulo Weiss o proprietário a de 55,4 hectares, porém a prefeitura tenta negociar, e novamente as obras são paralisadas a pedido do ministério público. Os moradores já tinham perdido a esperança de um sonho que não podiam ser concluída pela paralizações noticiado no jornal pagina 20 do dia 16 de março 2006.

Nesse período que a obra foi embargada a gestão já tinha feito parte da infraestrutura, porém havia outro problema, a equipe social identificou que o grupo de resistência defendia apenas interesses próprios porque eram as pessoas que detinham as maiores áreas, pois a prefeitura com apoio do poder judiciário aos poucos se apossava dos terrenos baldios, sem nenhuma indenização, alegava que ninguém tinha direito de posse sobre área do bairro Mocinha Magalhães.

Segundo o jornal pagina 20 do dia 07 Março 2006, outro problema surgiu talvez um dos maiores, a resistência de um posseiro com 3,8 hectares, que morava ali á quinze anos, e a justiça determinou a reintegração de posse para Rio Branco, onde iriam construir 40 casas, que seriam ocupados pelos moradores do beco do ingá, que viviam em área de preservação ambiental na calha do igarapé São Francisco que eram constantemente atingidas pelas alagações. Usando um mandato judicial a prefeitura reiniciou as obras das casas, que foram derrubadas a mando de João Azevedo que construiu uma cerca para impedir o acesso João foi um dos moradores que recusou negociar, a maioria deles doaram as terras que haviam se apossado para beneficiar outras famílias do bairro. Segundo o economista Marcio Veríssimo, um dos coordenadores do Habitar Brasil.

João tenta se defender alegando que:

Eu não estou aqui para impedir a realização de nenhuma melhoria em nosso bairro, mas para refletir e defender a preservação da biodiversidade desta área de proteção ambiental do igarapé São Francisco. Além do mais esta área é alagável por isso as casa não podem ser construídas aqui.

á prefeitura como nos mostra a seguir uma matéria do jornal pagina 20:

Continua o impasse sobre o destino que será dado ao terreno de 3,8 hectares reclamado pelo posseiro João Azevedo na Rua da Laranja, no bairro Mocinha Magalhães, que a Justiça determinou reintegrar sua posse para a prefeitura de Rio Branco, que quer construir ali 40 casas. Após o debate, a prefeitura decidiu que vai continuar a obra. E essas unidades habitacionais serão destinadas a famílias que hoje vivem no Beco do Ingá e área de preservação ambiental da calha do igarapé São Francisco sempre atingido pela alagação.

Através de um mandado judicial de reintegração a prefeitura iniciou a construção de duas casas que foram derrubadas a mando de João Azevedo que reconstruiu a cerca para impedir que os funcionários da prefeitura tenham acesso à área. Uma das maiores dificuldade encontrada no processo de urbanização do bairro era os impasses que ocorriam constantemente entre a prefeitura que estava na autoridade de executar a obra e os posseiros que não queriam ceder seus lotes para melhoria do bairro já que os mesmos não eram indenizados pelos lotes é iremos ver a seguir numa entrevista cedida por um morador residente na travessa da melancia o senhor Antônio Dantas de oliveira:

Tudo isso ai foi uma grande melhoria ouve um grande conflito entre moradores e o poder público porque a maioria das pessoas aqui como tinha terrenos grandes a prefeitura exigia que aquele proprietário repartisse seu lote com outras famílias e nas maioria das vezes aquela ´pessoas não queria ceder seu terreno ,onde gerou brigas conflitos ,muito é foi pra justiça e também ouve um grande desvio de dinheiro porque na realidade o projeto habita Brasil aqui no bairro foi investido muitas verbas pra fazer um bairro com a infraestrutura melhor do que está hoje mas infelizmente é ouve desvio de dinheiro e por esse desvio a gente poderia tá morando num bairro até melhor com uma infraestrutura bem melhor mas isso é o poder público que vai responder por isso né, procurar saber o motivo do desvio desse dinheiro mais graças a deus da forma que a gente tá dá pra gente ir vivendo e morar ,porque antigamente aqui era só lama ,lama mesmo, E ouve um projeto ai de ressarcir essas famílias e até hoje pessoas esperam por este ressarcimento e nunca aconteceu .Eu pedir mais de oito metros quadrado de terra pro beneficiamento do projeto no termo de rua foi derrubado na minha área de terra vários pés de bananeiras abacate, laranjas ,e que nem eu falei ia ver um ressarcimento e nunca existiu por parte dos governantes.Antonio Dantas.

A situações de conflitos e impasses que isso vinha gerando na imprensa fizeram com que ali se reunissem secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Leite e a promotora Ambiental do Ministério Público Estadual, Neri Cristina, representantes de entidades ambientais e João Azevedo para que houvesse uma solução para que a obra continuasse, pois enquanto havia impasse com o senhor João, ao mesmo tempo moradores ameaçavam fechar as principais entradas do bairro em virtude da lama e da poeira.

Portanto segundo o jornal pagina 20 do dia 16 de março de 2006 destaca a área de 55,4 hectares pertencente ao empresário Paulo Weiss foi comprada e paga pela prefeitura para poder realizar obras de urbanização e a regularização fundiária do Mocinha Magalhães. João Azevedo que mora na área há 15 anos havia entrado com uma ação na justiça requerendo o uso copião de seu sítio, contra Paulo Weiss que quando foi indenizado pelo município deixou depositado sub judice à quantia de R$ 10 mil pelo terreno ao invasor;

Desde que a prefeitura iniciou a execução das obras do Projeto Habitar Brasil, no Mocinha Magalhães, negociou com os proprietários de pelo menos dez áreas semelhantes àquela, sua transformação em lotes para assentar as 126 famílias que viviam em áreas de preservação e na margem do São Francisco como é o caso do beco da Ingá invadido pelas águas do igarapé São Francisco a cada chuva forte que cai em Rio Branco. “O único morador que se recusou a negociar foi João Azevedo. A maioria deles doou as terras que haviam se apossado para beneficiar outras famílias do bairro”, explica o economista Márcio Veríssimo, um dos coordenadores do Habitar Brasil.

João Azevedo alegou que:

Eu não estou aqui para impedir a realização de nenhuma melhoria em nosso bairro, mas para refletir e defender a preservação da biodiversidade desta área que serve de corredor para os animais e aves que vão à busca da Área de Proteção ambiental do São Francisco. “Além do mais, esta é uma área alagável, por isso as casas não devem ser construídas aqui”.

O presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre, Edgard de Deus desmente a afirmação de João Azevedo alegando que o projeto tem licenciamento ambiental desde 2001 e todas as suas pendências ambientais já foram resolvidas;

O que temos aqui é fundiário, ou seja, alguém que se apossou de uma grande área de terra que a justiça reconhece como pertencente à prefeitura que já pagou por ela. Ele alega que está defendendo um igapó, que para nós faz parte da área de proteção ambiental do São Francisco. Na verdade a prefeitura vai retirar 20 árvores para assentar 40 famílias neste terreno. A comunidade sai ganhando e a natureza não perde nada porque haverá o plantio de seis mil árvores na faixa de preservação do igarapé (Edgard de Deus).

Moradores desmentem posseira a alegação de João Azevedo de que as cheias do igarapé São Francisco cobrem a maior parte do terreno que está sendo retomado pela prefeitura foi desmentida pelos moradores da área.

A dona de casa Nívea Maria Maia, 31 anos, mãe de três filhos, e que mora na Rua da Laranja, a menos de 200 metros do lote de João, desde 1997, declarou que: “Estou morando aqui há vários anos e nesse, período até ocorreu àquela grande cheia quando o igarapé São Francisco invadiu muitas casas que nunca tinham sido alagadas, mas a água nunca chegou nem aqui perto. Isso é mentira (João Azevedo).

Ildefonso da Silva Borges, 36 anos, pai de quatro filhos, foi enfático. “Meu pai o Epitácio Borges foi um dos primeiros a pegar área aqui neste bairro, neste mesmo lugar, e eu sempre estive nesta terra por isso posso garantir que nesta área do bairro nunca houve uma alagação”.

A alegação de que seu sitio está dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do São Francisco também foi desmentida pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Leite que esclareceu: “A APA do São Francisco desce até a margem da BR-364 e passa longe deste terreno”.

O que vemos aqui é uma pessoa que usa o pretexto ambiental para adiar a reintegração de posse destas terras pela prefeitura a fim de beneficiar-se com um

Documentos relacionados