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FRANCISCA VANDA SOUSA DO NASCIMENTO FERREIRA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS CURSO DE BACHARELADO EM HISTÓRIA

FRANCISCA VANDA SOUSA DO NASCIMENTO FERREIRA

BAIRRO MOCINHA MAGALHÃES TRAJETÓRIAS E LUTAS SOCIAIS (1986-2013)

RIO BRANCO - ACRE JUNHO DE 2014

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FRANCISCA VANDA SOUSA DO NASCIMENTO FERREIRA

BAIRRO MOCINHA MAGALHÃES, TRAJETORIA E LUTAS SOCIAIS (1986-2013)

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História (CBH) da Universidade Federal do Acre (UFAC), como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em História.

Área de Concentração: História Social;

História de bairros.

Professor Orientador: Dr. Airton Chaves

da Rocha

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FRANCISCA VANDA SOUSA DO NASCIMENTO FERREIRA

BAIRRO MOCINHA MAGALHÃES TRAJETÓRIAS E LUTAS SOCIAIS (1986-2013)

Monografia apresentada ao curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito básico para a obtenção do título de Bacharel em Historia.

Banca Examinadora

_________________________________________________________________ Prof. Dr. Airton Chaves da Rocha (Orientador) – CFCH/UFAC

_________________________________________________________________ Prof. Dr. Francisco Pinheiro de Assis (Membro Titular) – CFCH/UFAC

_________________________________________________________________ Profª. MSc Geórgia Pereira Lima Membro Titular) – CFCH/UFAC

Conceito: ___________(______________). Rio Branco – Acre, ______/______/______.

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DEDICATÓRIA

À toda minha família e todos os

moradores do bairro Mocinha Magalhães.

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar a Deus, pela minha boa condução ao longo do curso, dando-me capacidade para concluir este árduo trabalho.

Ao meu querido esposo companheiro, Adersando Silva que indiretamente esteve ao meu lado, em todos os caminhos percorridos, sempre com incentivos, compreensão que me proporcionou um caminho mais suave.

Aos meus filhos, Thalyson, Alek-Sander e Thayanny, motivo e razão nesta jornada.

A minha família em especial meu pai Romão Antônio e a minha querida mãe Raimunda Sousa que me ensinaram muito e que com certeza contribuíram para minha formação social.

A todos os professores do Curso de Historia Bacharelado em especial aos professores e Dr. José Dourado e Dr. Airton Chaves (orientador).

O Jefferson Saady pelo apoio dado quanto a formatação, acompanhamento e estruturação dentro das devidas normas para esta monografia, meus sinceros agradecimentos.

E por fim aos meus amigos e parceiros de tantas jornadas, Sandoval, Alessandra, Jonathas que me ensinaram muito; Katrine e Taís companheiras de orientação, enfim a todos os colegas que de uma forma ou de outra contribuíram como verdadeiros amigos dentro e fora da sala de aula para superação de obstáculos, através de palavras, gestos, incentivaram e ajudaram na conclusão desta odisseia chamada faculdade.

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RESUMO

A presente monografia tem como conteúdo uma análise do processo de ocupação e urbanização do bairro Mocinha Magalhães, buscando-se compreender através de memórias e representações de moradores, aspectos da História do referido bairro. A problematização das trajetórias de alguns dos primeiros moradores e de memórias de lutas que travaram por condições de vida mais dignas, se constituiu como fio condutor da pesquisa e da escrita do texto. A metodologia utilizada se consistiu na coleta e análise de uma documentação oficial, da realização de entrevistas e depoimentos com moradores antigos, leituras de monografias. Com os resultados alcançados percebeu-se com maior clareza as dificuldades encontradas pelos primeiros moradores na constituição do referido bairro.

PALAVRAS-CHAVE: Cidade, Mocinha Magalhães, Trajetórias, Lutas Sociais.

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ABSTRACT

This monograph is an analysis of the content of occupation and urbanization process of the district Young lady Mabel, seeking to be understood though memories and representations of villagers, aspects of the history of this neighborhood. The problematization of the trajectories of some of the first residents and memories of struggles waged by more dignified living conditions, if constituted as conductor of the search and writing of the text. The methodology used is consisted in the collection and analysis of official documentation, conducting interviews and testimonials with older residents, readings of monographs. As the achievements realized with greater clarity the difficulties encountered by the first residents in the constitution of that neighborhood etc.

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LISTA DE IMAGENS

Imagem 1 - Apresentação regularização fundiária. Fonte: Brasília v2. P. 17 Imagem 2 – Depois da intervenção. Fonte: Francisca Vanda, 31/05/2014. P. 17

Imagem 3 - Crianças em situação difícil para irem à escola. Fonte: Reprodução TV Acre. P. 18

Imagem 4 – Antiga rua do bairro Mocinha Magalhães. Fonte: Reprodução TV Acre. Imagem 5 – Moradores denunciaram paralização das obras. Fonte: Página 20. P. 26 Imagem 6 – Antes. Fonte: SEDUOP. Rio Branco. P. 26

Imagem 7 – Depois. Fonte: SEDUOP. Rio Branco. P. 26

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO. . . 10

CAPÍTULO 1 PROCESSO DE OCUPAÇÃO E URBANIZAÇÃO DO BAIRRO. . . 12

1.1. NO INÍCIO NÃO HAVIA RUAS, SOMENTE CAMINHOS. . . 12

1.2. OUTRAS MEMÓRIAS, MUITAS HISTÓRIAS. . . 20

1.3. OS SUJEITOS SOCIAIS E SUAS MEMÓRIAS DE EXPERIÊNCIAS VIVIDAS. . . . . 28

CAPÍTULO 2 A INTERVENÇÃO DO PROGRAMA HABITAR BRASIL. . . . 31

2.1. A INTERVENÇÃO DO PODER PÚBLICO: O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO URBANÍSTICA. . . 35

2.2. A DISPUTA PELA ÁREA E CONFLITOS DE INTERESSE. . . 43

2.3. A REALIDADE SOCIOECONÔMICA DOS MORADORES. . . 49

CAPÍTULO 3 OS MORADORES VIVEM MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA HOJE? . . . 54

3.1. A VIOLÊNCIA DIMINUIU OU AUMENTOU APÓS A INTERVENÇÃO URBANÍSTICA? . . . 54

3.2. A SITUAÇÃO SOCIOECONÔMICA MELHOROU? . . . 56

3.3. AS CONDIÇÕES AMBIENTAIS MELHORARAM? . . . 58

CONSIDERAÇÕES FINAIS. . . 60

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INTRODUÇÃO

O objeto de estudo dessa monografia é o bairro Mocinha Magalhães, surgido a partir de 1986, no Município de Rio Branco-Acre, localizando-se no 1° distrito da cidade, próximo ao antigo Distrito Industrial, ao bairro Rui Lino e ao Conjunto Tucumã. A pesquisa realizada priorizou compreender aspectos da formação inicial do bairro, a intervenção governamental através do Projeto Habitar Brasil até o ano de 2013. O bairro Mocinha Magalhães iniciou-se, por grupos isolados que, percebendo um enorme espaço “desocupado”, denominado de capoeira, dando inicio ao processo de ocupação, com entradas em diferentes pontos de faixa de mata, que ficava as margens do Igarapé São Francisco. Alguns abriram caminho pelo o bairro Distrito Industrial, nas proximidades da fábrica da empresa municipal de urbanismo EMURB, outros pelo bairro Tucumã e Rui Lino. Em cada caminho foram se estabelecendo famílias, derrubando, brocando, divididos os lotes. Esses três caminhos hoje são as três estradas que dão acesso ao bairro, à rua da laranja, travessa Tucumã e a rua da melancia.

Quem visita hoje o bairro Mocinha Magalhães encontra um espaço com ruas asfaltadas, comércio bem estabelecido, atendimento em educação, saúde, água, esgoto, eletricidade, etc. Mas nem sempre foi assim. No passado recente foi um espaço disputado em que vários interesses entraram em conflitos, disputas. Pela pesquisa realizada o bairro surgiu a partir de 1986, período em que na cidade de Rio Branco existia um grande déficit habitacional e uma parcela da população bastante pobre. Período ainda muito próximo da migração de milhares de trabalhadores da floresta para a capital do Acre.

A opção por estudar este tema deve-se ao fato do processo ser de grande relevância para a cidade de Rio Branco, na qual nos permitirá conhecer a historia de lugares significativos à nossa trajetória, além de nos colocar na condição de sujeitos históricos de pertencentes a uma comunidade. É importante considerar também que o resultado da pesquisa proposta proporcionará uma contribuição para enriquecer a historiografia acreana. Além de possibilitar reflexões sobre alternativas de superação de violência urbana e transformações bruscas.

A problematização de estudo do bairro mocinha Magalhães, consiste em recuperar aspectos do processo de formação do bairro Mocinha Magalhães. Analisando

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de que forma ocorreu a expansão do mesmo e as mudanças estruturais ocorridas no período de 1986 a 2013, principalmente nos seus aspectos espaciais, dando ênfase às trajetórias de vida dos primeiros moradores e as lutas sociais travadas pelos mesmos, na busca de melhores condições de vida do referido bairro.

Assim o objetivo principal deste trabalho é analisar o processo de ocupação e expansão do Bairro Mocinha Magalhães, englobando aspectos sociais de uma comunidade que ao longo do processo se depararam aos poucos com um projeto estrutural, como econômico e social. Apresentando o padrão de vida de uma localização privilegiada que hoje possui acesso facilitado com a infraestrutura de pavimentações, transportes e comunicação.

E como objetivo especifico identificar as condições e as precariedades que levaria os sujeitos a estarem expostos as doenças aos conflitos com o poder público, e quais as lembranças dos atores sociais sobre este processo.

Esta pesquisa utilizará fontes bibliográfica e documental de caráter social, como o uso de pesquisa de campo por meio da observação direta intensiva e com entrevistas aos atores sociais que participaram diretamente ao processo de ocupação e expansão do bairro.

Encontrei nesta pesquisa a viabilidade de construir historicamente, como ocorreu e como hoje a comunidade se encontra perante tantas transformações. Espero também contribuir com esta pesquisa para futuras gerações.

Para melhor compreensão do estudo, este trabalho de conclusão de curso está devido em três capítulos. No primeiro capítulo apresenta um histórico de ocupação expansão do bairro Mocinha Magalhães, destacando as condições de moradias e suas precariedades, as moradias e as doenças. O segundo capítulo aborda a situação fundiária, a intervenção do poder público, e os conflitos entre os moradores verso poder público, como também discutir a violência social, economia. No terceiro são analisadas as lembranças e memórias da origem ao desenvolvimento, a atualidade, este também é uma análise dos dados obtidos nas pesquisas.

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CAPÍTULO 1

PROCESSO DE OCUPAÇÃO E URBANIZAÇÃO DO BAIRRO

O objetivo deste capítulo é compreender aspectos da participação efetiva de moradores na constituição do bairro Mocinha Magalhães, na condição de sujeitos sociais que interviram no processo de formação do bairro. Para tanto, problematizo três aspectos da formação do referido bairro a partir das memórias dos primeiros moradores: Quais são suas memórias sobre o início do Mocinha Magalhães? Qual a trajetória de vidas deles antes de chegarem ao bairro? Que participações tiveram nas lutas por melhores condições de vida no bairro?

1.1. NO INÍCIO NÃO HAVIA RUAS, SOMENTE CAMINHOS.

O deslocamento da população dos seringais para as cidades, sobretudo para Rio Branco, contribuiu na formação e expansão dos bairros de ocupação nas periferias de Rio Branco.

Segundo Evaldo Oliveira da Silva em a sobrevivência na periferia, um caso a parte bairro Santa Inês pg 3, diz que na década de 70, houve uma participação do processo de crescimento urbano em Rio Branco, impulsionando principalmente pela mudança na política econômica para o Estado do Acre. Para tal processo de crescimento, contribuiu também a política agrária-extremamente especulativa.

A progressiva desativação dos seringais nativos e a venda de seringais para grupos econômicos aumentou a concentração da população nas áreas urbanas. Tamanho movimento migratório que chegou a Rio Branco na esperança de conseguir emprego em poucos anos, “inchando a cidade sem condições de absorver a mão de obra vinda dos seringais”. Daí a multiplicação das famílias subempregadas, marginalizadas, em condições infra-humanas nas beiras dos rios e periferias de Rio Branco e cidades do interior (ORLANDO et alii, 1984, p.10).

De acordo com ALBUQUERQUE Famílias que chegavam aos centros urbanos enfrentavam dificuldades para adaptar-se ao novo Meio. Pois havia a preocupação com

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emprego, moradia, saúde, somava-se a necessidade de garantir um mínimo de infraestrutura: água, luz e inclusive um sistema de escoamento de água e esgoto. Essas pessoas traziam consigo, além da necessidade de sobreviver, todo um mundo de valores e um modo peculiar de viver no interior, que se chocava com a nova realidade.

A maioria das vezes as ocupações de grandes lotes de terra são feitas por pessoas ou famílias que residiam em bairros adjacentes, ou próximos do loteamento, e até mesmo por pessoas que residiam em outros bairros mais distantes. Inicialmente é formado um pequeno grupo, na maioria das vezes, se não todas, lideradas por um homem-cabeça, o homem cabeça é aquele que comando um grupo de pessoas alguém responsável para tomar iniciativa, e isso ocorre nas ocupações por existir pessoas analfabetas que não sabem se expressar caso haja necessidade de reivindicar algo para o local este se torna o porta voz do grupo.

Pedro Pereira de Souza Filho em sua monografia a luta pela Habitação em Rio Branco/AC, de 1998 a 2005: processo de reintegração de posse de uma área de terra urbana denominada de loteamento Jardim América na pg 22, diz que os integrantes do grupo são os que residem de aluguel ou em pequenos espaços cedidos em casa de parentes ou amigos (conterrâneos) nos bairros adjacentes, onde todos são conhecidos entre si, por residirem no mesmo bairro, alguns são vizinhos e se reúnem algumas vezes para especular de quem é a área, pois os terrenos são baldios e com muito mato alto, servindo como deposito de lixo e olhando para esse para esse contexto acreditamos que o bairro Mocinha Magalhães em alguns casos aconteceu o mesmo pessoas que moravam de aluguel e com parentes viram uma possibilidade de construir um lar para se livrar do aluguel entre outras situações (SOUZA FILHO, p. 22).

Ainda segundo Pedro na pg 22 havendo uma área disponível à ocupação então é decidido que a área será invadida e a primeira iniciativa é limpar o terreno e demarcar os lotes. E isso não ocorre de maneira padronizada, ficando a critério do ocupante o tamanho do seu. Podemos afirmar que todas as invasões são caracterizadas pelos mesmos atos, isso ocorreu no bairro Mocinha Magalhães durante o processo de ocupação e formação. Vale ressaltar que os melhores lotes acabam ficando com os integrantes do grupo que decidiram pela ocupação, os que residem na adjacência da área.

Na grande maioria são famílias constituídas por analfabetos, que migraram de outros bairros ou migrantes dos seringais ou ex-colonos, de municípios esses sujeitos

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que vivem na nos bairros de nossa capital, e que consideram a periferia uma representação do atraso, do ignorante, selvagens, simplesmente por causa da forma de se vestirem, de fazer cultura, os tipos de músicas, danças, alimentação, ou porque lá na periferia que está a maior concentração de casas construídas de madeiras.

Segundo (ALENCAR, 2005, p.54) o bairro Mocinha Magalhães originou-se a partir de grupos isolados que, percebendo um enorme espaço desocupado, formando uma grande “capoeira”, começaram o processo de ocupação, de maneira desordenados com entradas em diferentes pontos de faixa de mata, ficava às margens do igarapé São Francisco. O crescimento demográfico não ocorreu de imediato alguns abriram caminho pelo bairro Distrito Industrial, nas proximidades das fábricas da Empresa Municipal de Urbanismo – EMURB, outros vieram pelo bairro Tucumã e Rui Lino. Em cada caminho, foram-se estabelecendo famílias, derrubando; brocando; dividindo os lotes. Estes três caminhos, hoje são as três entradas de acesso ao Mocinha Magalhães: a rua da

Laranja; Travessa Tucumã e rua da Melancia. A ocupação teve início no ano de 1986, por alguns moradores de bairros

próximos, e por pessoas de outros municípios, onde alguns desses ocupadores visavam fins lucrativos, ou seja, muitos adquiriam grandes lotes para depois os venderem. De início construíam tendas de lona para garantir seus lotes, é tanto que hoje muitos depois da intervenção do poder público venderam e foram morar em outros locais outros fizeram plantios de hortaliças.

Numa entrevista cedida pelo senhor LEIDINILSON MOURA um dos primeiros presidentes de bairro e que migrou de Cruzeiro do Sul e encontrou no bairro uma oportunidade de moradia e que participou nos trabalhos de infraestrutura do bairro e que passou também por muitas dificuldades principalmente porque alguma reivindicação de melhorias no bairro partiu dele, hoje ainda mora no bairro é proprietário de uma Lan Hause na Travessa Tucumã podemos perceber as dificuldades que os moradores enfrentaram durante a ocupação:

Cheguei aqui no mocinha Magalhães em 99..., e ai então mocinha Magalhães, era praticamente caminho aqui, tinha o mercantil São Francisco, muita poeira, muita lama,...? Então é tinha tudo isso poeira, lama era caminhos intrafegáveis, fazia trafico do Mocinha Magalhães, daqui pra LÁ ( da casa dele ate Tucumã) daqui pra dentro era lama muito difícil de caminhar... No Mocinha Magalhães não tinha o ônibus chegar só ate o Tucumã e lá agente sai, pra ir a pé pra qualquer outro lugar no Mocinha

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lama ou não entrava porque tinha muito buraco quando estava seco, enfrentemos essa grande dificuldade, que agente enfrentava então é essa dificuldade era enfrentava por todos, sabe o pessoal limpava a casa de manha quando era a tarde estava só farelo de barro dentro das residência, a então passamos muita dificuldade. Quando não era muita lama, era poeira então essa era a situação que a gente passou.

Através desse relato feito pelo senhor Leidinilson ex-presidente de bairro do Mocinha Magalhães onde ele diz que quando chegou ao bairro em 1999, não existia ruas, existia muita lama e no período de verão muita poeira, quando ele fala dali pra lá é porque a casa dele é próximo à saída do bairro fica mais ou menos 220 km para o bairro do Tucumã, então pra ele era mais fácil se deslocar do bairro, no entanto ele percebia a necessidade da comunidade do bairro e ele já tinha sua visão em relação as dificuldade dos moradores, pois sua casa ficava na entrado do bairro.

Quanto à divisão da área, aconteceu de qualquer maneira. Os primeiros ocupantes escolheram os melhores lotes, alguns chegaram a ficar com quadra inteira, e com essas sucessivas divisões os proprietários destes lotes começaram a vender parte de seus lotes, na qual deu início a expansão do bairro. Nessa mesma ocasião, houve a ocupação de lotes que não eram valorizados, nas áreas baixas, à margem do igarapé, que de início, foram rejeitados devido às enchentes.

O senhor Francisco Silva atual presidente de bairro no Mocinha Magalhães relatou em uma entrevista que quando a área estava totalmente ocupada houve a necessidade de ruas e energia elétrica, então os próprios moradores faziam suas ligações clandestinas, feitas com fios ligados diretamente à rede de luz mais próxima, geralmente nas vias de acesso ao bairro. Os próprios moradores conseguiam os materiais e realizavam a ligação clandestina. Também as ruas eram abertas pelos moradores e assim o bairro foi se estruturando com o trabalho das famílias que fundaram uma associação de moradores, para reivindicar melhorias para o bairro.

Na época o governador era Romildo Magalhães, e como estratégia de melhorias para o bairro, colocaram o nome da falecida mãe de Romildo a senhora Mocinha Magalhães com uma expectativa de benefícios para o bairro é que veremos a seguir em um trecho do jornal pagina 20 do dia 26 de julho de 2010:

Na década de 90, os invasores do local que corresponde hoje ao Mocinha, para tentar angariar a simpatia do então governador do Estado e não serem removidos denominaram a área “Mocinha Magalhães”, como era conhecida a mãe de Romildo Magalhães da Silva”, explica Francisco das

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Chagas Muniz Ribeiro, o “Professor Muniz”, Coordenador da Unidade Executora Municipal.

A ocupação do Bairro Mocinha Magalhães, segundo o relatório da UEM cedido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas-SMDUOP, aconteceu de maneira desorganizada, através de invasão de áreas públicas e privada, geralmente a margem do Rio São Francisco e área de preservação ambiental. A área ocupada torna-se uma área de risco, pois no período de chuvas as pessoas que ali estavam precisavam sair para outro local seguro até mesmo para evitar tragédias com crianças, foi o que aconteceu com duas crianças que foram brincar às margens do Igarapé e foram levadas pela correnteza, este que foram homenageados com seus apelidos em uma creche situada na rua da Melancia oficializada como MI E BINO.

Esta é visão do poder público, mas será que os moradores não tinha sua organização? Este questionamento é muito relativo, pois quando o poder público afirma que aconteceu de maneira desorganizada trata-se de não haver um planejamento estrutural e social, sem condições de moradia adequada para uma vida digna ao ser humano.

Segundo a UEM a maioria das casas era de madeira, em estado precário. As ruas e lotes eram irregulares em dimensão e forma. Não havia infraestrutura, saneamento básico, água potável, transporte, segurança e políticas públicas. Além de tudo a comunidade tolerava um gradativo aumento demográfico e sofria todos os anos com enchentes e alagações.

O resultado foi à formação de um bairro irregular encravado em miolos de quadras com acesso apenas por becos de circulação de pedestres, onde 821 famílias residiam sem as condições básicas para os desenvolvimentos humanos dados cedidos pelo relatório da UEM.

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Na imagem acima podemos ver com bastante clareza as dificuldades que aquela comunidade teve que enfrentar para se deslocar para outros locais, pois o acesso era bastante crítico, nesta imagem mostra as condições no período de verão na rua da manga próximo a EMURB, acesso que muitas das vezes impedia os moradores de se deslocar para outros locais como escolas, hospitais, faculdades entre outras. A imagem é caracterizada num período seco, no entanto já dá para ser ter uma ideia como seria essa

Imagem 1 - Apresentação regularização fundiária. Antes das mudanças. Fonte: Brasília v2.

Imagem 2 – Depois da intervenção. Fonte: Francisca Vanda, 31/05/2014. Imagem 1 - Apresentação regularização fundiária. Fonte: Brasília v2. p. 17

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imagem no período chuvoso. É o que podemos identificar na imagem esta foi tirada no dia 12 de Abril de 2005 e a seguir veremos como a rua da manga se encontra hoje.

Um exemplo da situação crítica no bairro é a ida para a escola de crianças na imagem acima vemos duas crianças sendo acompanhadas de um adolescente carregando uma bicicleta demonstrando muita dificuldade ao passar pela lateral da rua, ele precisa atravessar uma rua enlameada até chegar ao trecho pavimentado da via, será que essas crianças chegam limpas na escola? No mínimo elas chegavam com seus pés enlameados passando até por constrangimento perante seus coleguinhas de aula correndo o risco de ser

Imagem 3 - Crianças em situação difícil para irem à escola. Fonte: Reprodução TV Acre.

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picado por animais peçonhentos ou até mesmo por objetos cortantes já que o lixo era jogado nas ruas é o que veremos em algumas imagens a seguir.

As duas imagens mostradas em cima e embaixo foram retiradas do G1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/03comunidade-critica-condições-precárias-em-rio-branco.html reportagem feita por Duaine Rodrigues. Segundo a reportagem realizada pelo jornal G1 AC, mostra Moradores do bairro Mocinha Magalhães, reclamando de problemas de infraestrutura no local, a falta de limpeza e a condição precária de algumas vias causavam muitos transtornos à população que ali residiam, os lixos eram jogado no meio da rua dificultando mais ainda o acesso.

Até o ano de 2004 as ruas do Bairro Mocinha Magalhães em períodos chuvosos eram intrafegáveis, locais próximo aos igarapés inundavam, corriam o risco de doenças devido ao acumulo dessas águas que muitas vezes traziam a sujeira dos banheiros sanitários, que por sua vez não tinha fossa, e essas famílias acabavam expostas a esses perigos e também de animais peçonhentos. Podemos observar isso nas fotos acima.

Imagem 4 – Antiga rua do bairro Mocinha Magalhães. Fonte: Reprodução TV Acre.

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Em uma reportagem do página 20 do dia 14 de maio de 2006 o bairro que antes não tinha nenhum acesso passa a ter ruas asfaltadas entre outras melhorias a seguir veremos um trecho da reportagem que mostra a mudança da lama para o asfalto:

O Mocinha Magalhães, que até há bem pouco tempo era um dos bairros que ofereciam as piores condições de vida a seus moradores, hoje tem suas ruas principais asfaltadas, redes de água, esgoto e drenagem instaladas. Ganhou creche e centro de saúde e famílias que viviam em áreas de risco ou de proteção ambiental estão sendo removidas para casas novas.Página 20.

1.2. OUTRAS MEMÓRIAS, MUITAS HISTÓRIAS.

A maioria das vezes as ocupações de grandes lotes de terra são feitas por pessoas ou famílias que residiam em bairros adjacentes, ou próximos do loteamento, e até mesmo por pessoas que residiam em outros bairros mais distantes. Inicialmente é formado um pequeno grupo, na maioria das vezes, se não todas, lideradas por um homem-cabeça. Os integrantes do grupo são os que residem de aluguel ou em pequenos espaços cedidos em casa de parentes ou amigos (conterrâneos) nos bairros adjacentes, onde todos são conhecidos entre si, por residirem no mesmo bairro, alguns são vizinhos e se reúnem algumas vezes para especular de quem é a área, pois os terrenos são baldios e com muito mato alto, servindo como deposito de lixo.

A comunidade teve início em 1986, com a ocupação de pessoas vindos de colônias, municípios e até de bairros próximos, o ambiente era coberto por mata, quando chegaram, logo tiveram que adequar o ambiente para uso de residência. Assim os primeiros moradores como senhor Epitácio Borges, Carlos Guimarães, Manoel Altino e Raimunda Nonata, apesar de terem motivos que se diferenciavam em alguns pontos no final possuíam um mesmo anseio que refletia no desejo de possuir uma moradia, conforme entrevista concedida pelo Sr. Francisco atual presidente de Bairro.

Então é decidido que a área será invadida e a primeira iniciativa é limpar o terreno e demarcar os lotes. E isso não ocorre de maneira padronizada, ficando a critério do ocupante o tamanho do seu. Não podemos afirmar que todas as invasões são caracterizadas pelos mesmos atos, não por que cada sujeito tem sua historia de vida o processo de ocupação e formação .

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Entre esses grupos havia também os chamados “espertalhões”, que se aproveitavam da situação e se infiltravam no grupo e ocupavam lotes às vezes até maiores e melhores localizados, para posteriormente, antes mesmo de completar meses de ocupação, venderem o lote, ou até mesmo trocar por outro imóvel em outro local como ocorreu no bairro Mocinha Magalhães durante a ocupação.

Para esses sujeitos da história, realizar o sonho da casa própria não significa apenas um teto para se protegerem da chuva ou do sol. É preciso que o Estado lhes dê a tal falada dignidade mencionada na constituição federal.

O conceito de um entrevistado o senhor Rolando Santos Laurie-ocupante do loteamento Jardim América um pequeno trecho retirado de uma monografia que tem como tema A LUTA PELA HABITAÇÃO EM RIO BRANCO/AC DE 1998 a 2005: Processo de Reintegração de posse de uma área de terra urbana denominada de loteamento Jardim América (2000).

O bem estar social significa dignidade. Agora como é que é dignidade? Um bom emprego, moradia, isso é dignidade. Agora se é bem estar social como que eu vou estar com bem estar social, se eu não tenho moradia, não tenho empregou vou ser como, aonde é que eu vou tá? (2007).

Estas pessoas por estarem totalmente à margem de qualquer programa habitacional, e de forma desesperadora arriscam a própria vida ao ocuparem uma área de terra privada ou pública, ou constroem seus barracos, ou casas, em lugares inadequados como, por exemplo, as que são construídas sob ou à margem de bueiros que recebem esgoto de vários bairros, vivendo desta forma riscos constantes de serem acometidos por doenças, principalmente as crianças.

Numa ocupação de terra o clima é sempre tenso, pois o proprietário do imóvel para ver sua terra desocupada e de ter de volta seus direitos de posse não mede esforços financeiros de influência, e às vezes chega ao externo de usar da violência física, que é executada por pessoas contratadas por ele. O proprietário do imóvel utiliza de sua condição financeira começa fazer o uso da violência, ameaças, pressão psicológica sobre os ocupantes, e nessa perspectiva com base na minha experiência afirmo que o ocupante arisca sua própria vida ao ocupar a área de terra, sobretudo privada, pois na maioria das vezes noticiamos conflitos que acabam em morte entre o ocupante e proprietário.

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Mas semelhantemente os conflitos na zona rural, as ocupações de terras em áreas urbanas, geralmente são marcadas pelo uso da violência, por parte do proprietário, e por parte dos ocupantes, e quando ocorre á violência, não é pelo fato do ocupante está sendo retirado da área, e sim pelo modo que a mesma esta sendo tratada pelos oficiais de justiça e policiais, ou o modo como está desmontada sua casa (barraco) e trato com seus objetos. Quando falo em violência estou falando da violência física ou até mesmo da violência psicológica causada pelo constrangimento passado durante a desapropriação do local onde foi escolhido para construir uma vida, uma história.

A formação e expansão do espaço urbano de Rio Branco vão ser contemporâneas, surgindo às periferias urbanas, que abrigam a população de trabalhadores deserdados dos antigos seringais, colônias ou projetos de assentamentos recentes, ocupação urbana pautada basicamente na estratégia de invasão. No dizer de Santos (1979): “As mudanças históricas conduzem a mudança paralelas da organização do espaço”.

Em decorrência da localização, os bairros periféricos apresentam situação precária quanto à urbanização, encontrando-se completamente deficientes no que diz respeito à adoração de infraestrutura, equipamentos urbanos e serviços públicos. As ocupações por meio de invasão são a tônica na configuração urbana local, onde os desenhos espaciais destes bairros são delineados por edificações que vão surgindo, sem observar as normas básicas do plano diretor do município, em aspecto como: arruamentos, tamanho do lote, instalação de habitações em áreas não edificáveis que ao poucos.

A consequência de imediato é a formação de uma cidade sem mínimos padrões de urbanização, posto que a velocidade com que estes bairros se formam não é acompanhada pelo necessário provimento de infraestrutura física, bens e serviços públicos que proporcionam condições dignas. Em bairros periféricos podemos perceber que há uma deficiência inclusive nas vias de acesso. E com a grande concentração de pessoas de baixíssima renda, a solução encontrada para a falta de moradia foi à autoconstrução.

As ocupações são seguidas normalmente de uma favelização, já que os terrenos não dispõem de infraestrutura, equipamentos urbanos e serviços públicos e os ocupantes

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não dispõem de recursos para edificar moradias. E aos poucos as casas vão surgindo feitas de lonas plásticas, papelão, tabuas, entulho de construção.

As histórias contadas sobre a formação do bairro, a trajetória e inserção, revelam como os ocupantes se apropriavam do seu ambiente de vida e a capacidade criativa dos recém-chegados para enfrentar novas necessidades.

O bairro Mocinha Magalhães passou por uma trajetória não muito diferente de outros bairros no início não foram feitas casas de alvenarias e madeiras foram formadas aos poucos de lonas, pachiubas, palhas enfim foram construídas de materiais reaproveitáveis, até mesmo porque não tinha certeza de que iriam permanecer na terra já que existia um proprietário, mas isso falaremos, mas a frente. Veja o que o senhor Carlos Augusto fala em seu relato: “... Havia várias casinhas coberta de palhas, igrejas também que não tinha uma estrutura boa era coberta também de palha” (Carlos Augusto).

No início os lixos eram jogados nas ruas algum tempo depois houve uma necessidade de coletar o lixo já que o bairro tinha um crescimento bastante elevado de pessoas, foi ai que a prefeitura disponibilizou duas carroças de boi para coletar o lixo, e as pessoas que faziam as coletas eram dois moradores do bairro, proprietários de carroças, admitidos pela Prefeitura Municipal de Rio Branco. Na qual os mesmos alternavam os dias da semana, para garantir o atendimento. Ruas são abertas pelas máquinas, e a ocupação continuou crescendo e muitas famílias repetiam o mesmo processo das primeiras: abrindo ruas e instalando a luz por conta própria.

Em 1988 foi construída a escola Ilka Maria de Lima, para as crianças de 1ª a 4ª série, facilitando a situação dos que dependiam das escolas nas imediações. Para receberem assistência médica e dentária tinham que deslocar-se para os postos dos bairros vizinhos.

Nesta entrevista cedida por dona Maria Terezinha que relata com bastante alegria a escola do bairro e como foi a escolha do nome da escola, dona Terezinha foi presidente de bairro do Mocinha Magalhães e que foi uma das reivindicantes da necessidade de uma escola no local, por haver muitas crianças que tinha que se deslocar para outras escolas em outros bairros veja o que ela nos relata nesta entrevista:

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O sofrimento dos alunos dos pais, eu já dava aula para o paja, a noite eu já tinha parado de dar aula, logo levei o paja pra dar aula para os adultos,bem no primeiro mandato ai tinha sido criado o Paja ai nos voltamos quando chegamos à reunião, é ai é um lugar muito bom, só que é da COAB mais vamos ver o que nos fazemos o Alécio dias falou,ai não foi esse que foi comigo,vamos conversar com a COAB então ficou agora por conta deles né,mas em pouco tempo foi avisado que já iam começar as obras na escola ai já não era mais por nos feminino fizeram uma escola a coisa mas linda, mais foi a coisa mas linda ai haja pessoas atrás de mim pra colocar o nome das mães que tinham falecidas e quem colocava era o povo do bairro ou presidente do bairro ai uma jovem disse coloca o nome da minha cunhada que faleceu Ilka Maria que foi professora mulher do Ronaldo da policia do Tucumã I põe o nome dela Terezinha ,e outras lá da Bahia ,ai foi criado a escola.Fizeram uma escola a coisa mas linda, mais foi a coisa mas linda ai haja pessoas atrás de mim pra colocar o nome das mães que tinham falecidas e quem colocava era o povo do bairro ou presidente do bairro, ai uma jovem disse coloca o nome da minha cunhada que faleceu Ilka Maria que foi professora mulher do Ronaldo da polícia do Tucumã I.Maria Terezinha, 2014.

Quanto aos ocupantes, Estes também estão dispostos a tudo para realizar seu sonho de ter sua própria casa, resistindo ao máximo que podem.

Semelhantemente aos conflitos na zona rural, as ocupações de terras em áreas urbanas, geralmente são marcadas também pelo uso da violência, não por parte dos proprietários, mas por parte dos ocupantes, que usam a violência, para garantirem seu espaço e às vezes ocorre não pelo fato do ocupante está sendo retirado da área, e sim pelo modo que o mesmo está sendo tratado pelos oficiais de justiça e policiais, ou o modo como estão desmontado sua casa (barraco) e trato com seus objetos se sentem humilhados em verem aquilo que tentaram construir com muito esforço e suor.

As ruas não possuía o sistema de escoamento, as águas circulava através de valas nos próprios terrenos que vão diretamente para a rua ou córregos que cortam os bairros o que criam em muitos lugares, ambientes favoráveis á proliferação de doenças. No bairro havia atendimento médico, porém não havia um prédio próprio era alugado pela prefeitura municipal de Rio Branco, era uma casa residencial com três quarto que servia como consultório médico. Havia agentes de saúde para ajudar a comunidade, ao chegar ao bairro Mocinha Magalhães em 1986, fui beneficiada com o acompanhamento de um agente de saúde que passava regulamente em minha casa para me assistência.

No entanto nem sempre foram assim, as terras na qual hoje está situado o bairro, eram matas inexploradas, que não possuía estrutura nenhuma. Com a chegada dos primeiros moradores que dividiram os lotes entre si, e ali constituíram suas moradas, fazendo seus lotes e residências, esse espaço tornou-se para muitas famílias

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um tipo de chácara, no entanto não tinha aspecto de bairro, pois além da divisão ser enorme (100x100), as famílias para seu sustento tinha plantações hortifrutigranjeiras em seus quintais, como também criação de galinha, porcos entre outros.

As dificuldades eram maiores nos períodos chuvosos, pois as ruas tornavam-se intrafegáveis e com acúmulos de água em poças de lama. Havia também inundações nas áreas próximas ao igarapé São Francisco. Segundo alguns moradores desses pontos afetados pela alagação, que a água dava em sua cintura, mas mesmo assim eles construíam suas casas, e tinha que conviverem com fezes, insertos e animais peçonhentos.

No início a comunidade possuía o nome de Edmundo Pinto em homenagem ao governador da época, porém, o Governador foi assassinado assumindo em seu lugar o Vice Romildo Magalhães, que através de uma reunião de bairro as famílias reivindicaram alguns serviços como: energia elétrica, pavimentação das ruas que eram apenas caminhos. Então algumas dessas reivindicações foram supridas pelo então prefeito. E como forma de agradecimento o nome do bairro mudou para Mocinha Magalhães, nome da mãe de Romildo.

A comunidade Mocinha Magalhães é um resultado de conquistas sociais onde os moradores são os protagonistas da história de sua construção, essa luta se reflete em companheirismo entre os moradores.

Segundo o jornal Página 20 do dia 18 de maio de 2006, As obras foram suspensas pelo TCU (Tribunal de Contas da União) a pedido do ministério Público Federal por causa de denúncias de má aplicação de recursos que teriam sido realizadas na administração passada. A atual administração renegociou as pendências para liberar o financiamento com as obras sendo realizadas por outra empresa que ganhou a nova licitação, da qual não há denúncias de irregularidades.

“Nós precisamos da obra agora, pois estamos no verão, e quando voltar a chover a lama vai cobrir todo o asfalto e os prejudicados seremos nós moradores”, frisou Raimundo Marques, presidente da Associação de Moradores Bairro do Mocinha Magalhães.

De acordo com o presidente, tinham sido colhidas mais de 1,7 mil assinaturas de moradores do bairro pedindo que as obras tenham sequência. “Acreditamos que

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existe um grupo político manobrando essa paralisação. Não aceitamos isso, apenas 1% das pessoas residentes no bairro são contra a continuidade das obras e 99% querem que as melhorias no Mocinha Magalhães sejam retomadas. Fomos de casa em casa, de rua em rua, e já recolhemos quase 2 mil assinaturas em prol das obras”, afirmou Raimundo Marques.

Enquanto isso a comunidade continuava enfrentando no período de verão muita poeira e no período de inverno muita lama, existia um egoísmo de algumas pessoas em não doarem seus lotes para que a obra tivesse conclusão, então fazem protestos para que a prefeitura voltem as obras no bairro veja essa imagem do jornal página 20 do dia 17 de Julho de 2006, no protesto os moradores reivindicam pela volta das obras já que a verba tinha sido liberado.

Imagem 5 – Moradores denunciaram paralização das obras. Fonte: Página 20.

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Nas imagens acima podemos averiguar que há muita diferença no antes e no depois, na imagem antes podemos ver com bastante clareza muita poeira, principalmente no período seco, as pessoas fechavam suas portas e janelas para evitar a poeira para evitar doenças causadas pela mesma. Estas imagens foram retiradas do relatório da UEM-Unidade executora Municipal-UEM e hoje já podemos ver que ali existem comércios, calçadas enfim melhorias que ajudaram os sujeitos do local a ter um novo padrão de vida.

Imagem 7 – Depois. Fonte: SEDUOP. Rio Branco.

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1.3. OS SUJEITOS SOCIAIS E SUAS MEMÓRIAS DE EXPERIÊNCIAS VIVIDAS

Segundo os relatos dos primeiros moradores esse local era de difícil acesso em sua formação devida ter muitas matas, embora o bairro estivesse localizado próximo ao Conjunto Tucumã e Distrito Industrial, que já eram urbanizados, essas pessoas enfrentaram Igapós e a mata, construindo suas vidas, e assim mudanças foram ocorrendo em sua estrutura. No entanto, todo bairro precisava de ruas, luz, água, e deveriam ser assistido pelo poder estatal, o que no bairro não ocorreu até o ano de 2001, com a intervenção inclusive alguns dos primeiros moradores não residem mais no bairro.

Os sujeitos do processo de formação do bairro Mocinha Magalhães guardam em suas memórias momentos vividos durante a organização, eles narram sua história de vida de um a outro, pois cada sujeito diferenciam sua experiência apesar de conviverem no mesmo local. Pelo fato de habitarem no mesmo bairro isso não significa que tenham experiências semelhantes.

Neste trabalho não poderíamos esquecer-nos de abordar a história de vida desses sujeitos, que outrora passaram por condições desumanas, esquecidas pela maioria dos governantes que foram eleitos pelo povo para representa-los. Como se não bastasse ter que viver sem condições básicas como água potável, ruas trafegáveis, iluminação pública, redes de esgoto etc.

Nos bairros periféricos, cuja maior concentração é de pessoas de baixíssima renda, a solução encontrada para a falta de moradia foi à autoconstrução. As ocupações normalmente são seguidas de favelização, já que os terrenos não dispõem de infraestrutura, equipamentos urbanos e serviços públicos e os ocupantes não dispõem de recursos para edificar moradias. Aos poucos as casas vão surgindo feitas de plásticos, papelão, tábuas, entulho de construções.

Os personagens dessas histórias da periferia são aqueles que não têm escolha de uma vida melhor, na maioria das vezes nunca tiveram oportunidade de estudar para terem uma formação. São eles que no seu dia a dia forjam saídas para uma vida mais

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digna, fazendo lembrar-se de uma cadeia alimentar, onde somente os mais fortes, os mais hábeis sobrevivem.

As memórias e experiências dos sujeitos sociais do bairro Mocinha Magalhães estão impregnadas nos momentos vivenciados de lutas pela conquista de uma vida digna, para sobrevivência de suas famílias, em suas memórias estão às dificuldades que cada morador enfrentou para hoje dizer “tenho um lar”, o tão sonhado lar só foi possível pela perseverança de cada um que lutou e conquistou seu lote de terra. Porém houve também aqueles que numa perspectiva de lucro loteou seus lotes e vendeu. No entanto alguns desistiram por não terem condições de construir seu casebre. Alguns aderiram ocupar seus lotes em hortaliças é o que nos diz o senhor LEIDINILSON MOURA em uma entrevista cedida, que fala um pouco de como eram dividido os lotes de terras. Ele inicia falando da medição dos lotes:

O início realmente foi de grande lotes de 50x50, é como e ai muita gente já sabe a situação, e assim eu não sei de nome de pessoas de grandes lotes, conhecer é muita gente, conheci o João que tinha um lote muito grande que inclusive foi dividido a terra que ele tinha foi dividida, o Neto que continua com lotes grande aqui dentro do Mocinha Magalhães, né inclusive não sei se aquela terra é dele , eu não sei de quem é está, interessante vê também se for o caso de estudo, que mais aqui, a dona Luci Vanda, a Vânia alias mãe do Marcos que foi antigo presidente, tinha uma terra muito grande aqui também a terra dela também foi dividida tal, eu sei que eu enquanto presidente da associação eu sofri muitas dificuldades com relação a isso, que um dos pontos era dividir a terras, e praticamente ninguém queria ceder suas terras, para que o projeto pudesse acontecer, essa era uma grande luta, então chegou um momento em que a comunidade se dividiu, porque uns não queriam doar um parte da terra para que o projeto pudesse acontecer, eles se sentiam donos, ninguém era dono de nada, agente adquirido uma terra que a gente tinha sítios, mas ninguém era dono ainda, né (LEIDINILSO MOURA).

Podemos perceber no depoimento do Sr. Francisco que outra dificuldade era a violência:

É a maior dificuldade foi essa que a gente via a hora não vencer devido é a marginalidade que tinha muita violência um bairro muito agitado essa foi a maior dificuldade que agente enfrentou e muitas da noite agente sabiam que ia deitar mais não sabia que ia deitar mais não sabia que amanhecia, né porque, de uma hora pra outra acontecia o tiroteio e poderia uma bala perdida esse e o maior enfrentamento que agente sofreu enfrentou aqui. Também a lama agente tinha dificuldade pra sair pro trabalho as crianças ir à escola essa foi a maior dificuldade que agente enfrentou no início do bairro.

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O relato do seu Francisco Silva pode caracterizar que o bairro Mocinha Magalhães, no início da ocupação os moradores sofreram com o medo de serem abordado pelos marginais, além da lama e outros dificuldades.

As mulheres também tiveram um papel fundamental nesse processo de ocupação. É o que nos relata o depoimento de Leidinilson ex-presidente de moradores do bairro Mocinha Magalhães:

As mulheres e que foram destaque dentro do Mocinha Magalhães, as mulheres sempre contribuíram de maneira decisiva, os homens foram meio fracos, mas as mulheres não, sempre estiveram aqui batalhando no projeto, tanto reivindicando, como nos dias de grandes protestos que a gente fazia aqui dava 7:00 horas da noite e as mulheres lá, dava 8:00 horas da noite, vamos pra casa e as mulheres não porque a gente vai ficar, que a agente vai dormir aqui, que vamos ter que fechar, então as mulheres sempre foram guerreiras batalhadoras é certamente elas aqui no Mocinha Magalhães estão de parabéns (LEIDINILSON MOURA).

Nesta realidade de classe empobrecida, o homem já não tinha mais exclusividade na tarefa como trabalhador, provedor e mantenedor-confirmando a mulher como força fundamental dentro da família e com maior poder de ajudar no sustento da casa. Podemos considerar que as mulheres foram batalhadoras, sobretudo reivindicadoras por melhorias, tornando-se raiz histórica da formação da ocupação, com um profundo desejo de viverem com dignidade a sua identidade.

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CAPÍTULO 2

A INTERVENÇÃO DO PROGRAMA HABITAR BRASIL

O bairro Mocinha Magalhães, que surgiu a partir de invasões desde a década de noventa e cresceu sob o ordenamento das necessidades experimentadas pelos ocupantes daquela localidade, foi alvo de um amplo projeto de urbanização, realizado nos últimos anos pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas de Rio Branco e Ministério das Cidades, com recursos captados pelo Programa Habitar Brasil/BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).Dados cedidos da SMDUOP,que disponibilizou também um documento oficial que esclarecem os principais aspectos desenvolvido pela Projeto Habitar Brasil.

A Lei Municipal nº 1.461/02, de 16/01/2002, é um instrumento específico que declara a área do bairro Mocinha Magalhães como ZEIS - Zona de Especial Interesse Social, em conformidade com o que preceitua o Estatuto da Cidade (Lei n° 10.257 de 10/07/2001 – Art. 2º, Inciso XIV). Essa Lei determina que as faixas de preservação de fundos de vale, estabelecidas para a cidade de Rio Branco em 80 m de acordo com o PPDU – Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Rio Branco em vigor, passou a ser, para área em tela, faixas marginais de 30 m, permitindo-se assim que as famílias residentes nos lotes da Rua Tucumã com fundos para o afluente do Igarapé Mocinha, pudessem permanecer em seus lotes, tendo apenas parte da área na referida faixa de preservação. Para evitar o risco de inundações, com base em estudos hidrológicos, foram removidas todas as famílias posicionadas na cota topográfica inferior a 150 m.

Essa lei que esclarece as medidas tomadas pelo Projeto Habitar Brasil em relação ao projeto estrutural do bairro e que contribui muito para esclarecer dúvidas da comunidade seguindo os padrões de urbanização. No entanto cada artigo aqui descrito esclarece eventualmente cada ação desenvolvida pelo Projeto Habitar Brasil.

Segundo o jornal pagina 20(extraído pelo Jus Brasil) três anos atrás em 2005 do dia 26 julho, a Prefeitura registrou a presença de 821 famílias, ou cerca de 3.800 pessoas, ali residindo sem as mínimas condições necessárias à saúde e ao desenvolvimento humano, como água, energia elétrica, esgoto, pavimentação, transporte público ou segurança. Nesse grupo, encontravam-se também moradores de

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locais com risco de alagação e ocupando a APA (Área de Preservação Ambiental) São Francisco.

No dia 16 de janeiro de 2002, o prefeito Municipal de Rio Branco, através de uma lei extraordinária nº 1461, faz saber que a Câmara Municipal de Rio Branco aprovou e através de nove Artigos providencias para a regularização fundiária e urbanização do bairro Mocinha Magalhães e sanciona a seguinte lei:

Este Artigo 1º aborda questões relacionadas com a regularização do bairro, como também define porque o bairro Mocinha Magalhães foi alvo de interesse social, este trata também seus limites, descrição e localização é o verão a seguir:

Art.1º - Fica declarado como Zona Especial de Interesse Social bairro Mocinha

denominado Mocinha Magalhães, para fins de regularização fundiária e urbanização da área ocupada por população de baixa renda, mediante os critérios técnicos e legais estabelecidos por esta lei, o uso e a ocupação do solo e edificações, considerando-se a situação socioeconômica da população e as normas ambientais.

Parágrafo Único, na qual a área foi declarada possuindo os seguintes limites, descrição e localização:

Ao Norte: com Igarapé São Francisco; ao Sul com área remanescente do conjunto Rui Lino e conjunto Tucumã; ao Oeste com a área do Distrito Industrial e ao Leste com área do conjunto Rui Lino,

O imóvel é constituído por um polígono irregular, tendo inicio no marco 01, cravado na divisa da área de propriedade de Paulo Weiss de Carvalho e a Companhia de Habitação do Acre-COHAB-ACRE.

Art.2º - Para os fins desta lei, fica alterada a lei 612/86-plano diretor do

Município de Rio Branco, transformando a área de abrangência do bairro Mocinha Magalhães de zona industrial para zona de interesse social. No entanto este artigo simplifica as transformações de uma área industrial para área social.

Art.3º-Em razão das características subnormais da ocupação do Bairro

Mocinha Magalhães, considerando seus aspectos físicos e ambientais, fica permitido a sua urbanização, em como o uso e ocupação do solo, nos seguintes termos.

l – O lote mínimo permitido passa a ser de 125m, com uma testada mínima de 5,0m, conforme prever a Lei Federal6766/79 e suas alterações.

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II – Ficam permitidos os usos previstos para a zona residencial conforme o quadro IV da lei 612/86, á exceção do s2 – serviços setoriais comerciais (art.16 da lei 612/86).

Art.4º - Para fins de urbanização o sistema viário do bairro deverá obedecer as

seguintes especificações:

-As ruas residenciais principais de tráfico de veículo coletivo teriam seus limites, como também as ruas secundárias, as faixas de pedestres, ou seja, as ruas teriam que está no padrão de limites.

Art.5º - Em razão dos aspectos ambientais peculiares a área de abrangência do

bairro Mocinha Magalhães, fica permitida para fins de urbanização, uso e ocupação do solo, as alterações das faixas de preservação permanente, nos seguintes termos:

A faixa de preservação permanente dos fundos fica alterada para uma faixa marginal, conforme previsto art.2º da lei 7803/89 – lei Federal que modifica o código floresta.

Art.6º - Para fins de legitimação da posse dos atuais ocupantes de imóveis

localizados na área de abrangência do bairro Mocinha Magalhães, fica o município de Rio Branco autorizado, nos limites e confrontações, estabelecidos no parágrafo único do art.1º desta lei, a doar os títulos definitivos da área correspondente ao bairro, desde que venha a integrar o seu patrimônio, conforme definido no art.11 da lei orgânica do Município que deverá fazer nos seguintes termos:

A titulação definitiva dos aludidos imóveis será efetivada a período do ocupante que se achar na detenção do imóvel, desde que tenha a posse mansa, pacifica e continua, por mais de um ano e um dia, onde o pedido da titulação definitiva será feita através de requerimento do ocupante, devendo o mesmo apresentar no ato do requerimento, documento pessoal de identidade e CPF entre outros documentos que comprovem a aquisição da posse ou comprovante dos dois últimos IPTU, ou na falta declaração de dois vizinhos que atestem conhecer o ocupante e que o mesmo encontra-se na posencontra-se do imóvel há mais de um ano e um dia.

Art.7º - Nos termos do art.32§ 1º do estatuto da cidade, fica o município de

Rio Branco autorizado a realizar operação urbana consociada que vise ao desenvolvimento e implantação do projeto de urbanização do bairro Mocinha Magalhães, conforme o previsto no Programa Habitar Brasil/BID, objetivando para o

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bairro a sua transformação urbanística estrutural, a melhoria social e a sua valorização ambiental. Parágrafo único, que determina a realização da operação urbana através do decreto municipal, em 30 dias após a publicação desta lei, onde serão indicados os órgãos responsáveis pelas participações e articulações de cada um, com os devidos prazos de execução de cada fase dos trabalhos, para se alcançar os objetivos desta lei.

Art.8º - Fica o município de Rio Branco incumbido de realizar o projeto

urbanístico e ambiental para melhoria do bairro Mocinha Magalhães, em como proceder a sua regularização fundiária, visando assim atender o desenvolvimento das funções sociais e ambientais da cidade e propriedade urbana.

Art.9º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Revogam-se as

disposições em contrário. Com essa Lei 1461 de 16 de Janeiro de 2002, declara como Zona de Interesse Social-ZEIS, que o bairro Mocinha Magalhães esta disponível para ocupação do solo como também fazer edificações.

Importante destacarmos que a localidade em estudo foi objeto das atenções do Governo Federal, quanto ao estabelecimento de um projeto de intervenção urbana, com a finalidade de construir a infraestrutura e os serviços urbanos necessários à melhoria da qualidade de vida dos moradores. E essas melhorias foram uma tentativa de regulamentar o bairro para assegurar os moradores que ali moravam.

No ano 2000, ocorreu uma pesquisa nos bairros periféricos de Rio Branco para selecionar apenas um bairro, para ser contemplado com o programa Habita Brasil (BIRD) informação retirado do relatório modulo 9 e esse programa foi financiado pelo governo federal, na qual a cidade de Rio Branco foi contemplada com o projeto, e o bairro Mocinha Magalhães foi o escolhido a receber a implantação do mesmo, por ser uma localidade com muitas necessidades sociais e econômicas. Este programa visando elevar os padrões de vida e de qualidade de vida das famílias, com renda mensal a inferior a três salários mínimos, que residiam em assentamentos precários, em áreas de risco e de preservação ambiental.

A execução do projeto segundo o relatório modulo 9 cedido diz que, através da intervenção de três macro ações, sendo: 1 - Obra de urbanização: serviços de infraestrutura, redes de água, esgoto e drenagem, pavimentação e edificação (construção de casas, creches, posto de saúde, centro comunitário e banheiros), além da distribuição de Kits de construção. 2 – Regularização fundiária: desapropriação da área de 55,4 há

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(declara zona especial de interesse social) para emissão de título definitivo de propriedade. 3 – Trabalho social: dividido em três eixos: Mobilização e participação comunitária; Educação sanitária e ambiental; Capacitação profissional e geração de trabalho e renda compõem-se de uma série de atividades como; cursos, oficinas, campanhas, eventos e seminários para fortalecer a comunidade.

Muitos moradores foram beneficiados com cursos profissionalizantes que de uma forma ou de outra ajudou para que houvesse melhoria no aspecto financeiro daquela comunidade.

2.1. A INTERVENÇÃO DO PODER PÚBLICO: O PROCESSO DE

TRANSFORMAÇÃO URBANÍSTICA.

De acordo com o jornal Página 20 do dia 14 de agosto de 2007, o levantamento feito no ano de 2000 nos bairros periféricos da capital de Rio Branco no aspecto socioeconômico e ambiental, sendo contemplado o bairro Mocinha Magalhães com o Projeto Habitar Brasil/BID. Esses fatores ajudaram para o bairro ser beneficiado pelo poder público e o Banco Interamericano de desenvolvimento (BID), através de Projeto Habitar Brasil, onde os próprios moradores colocaram suas necessidades e desejos nas suas entrevistas realizadas individualmente, estes questionários proporcionaram uma análise e compreensão da formação do bairro caracterizada pelos mais diversos motivos, na qual se tornou alvo de emergência para o poder público.

Os valores a seguir foram retirados do relatório modulo 9 cedido pela SMDUOP e nos mostram o valor do investimento geral que foi liberado para a ampliação do bairro Mocinha Magalhães repassado para a prefeitura de Rio Branco atualizado em dezembro de 2008, que foi de R$ 13.101.848,21, sendo, 85% recursos da União e 15% recursos do Município.

Dos 85% dos recursos equivalentes a R$ 11.137.224,43, foram aplicados R$ 6.175.536,50 nos Serviços de Abastecimento de Água e Ligações Domiciliares; Esgotamento Sanitário e Ligações Domiciliares; Drenagem pluvial; e Terraplanagem e pavimentação (trecho de 4.571m). Na construção de Posto de Saúde, Creche, Centro Comunitário, Praças, Quadras, Casas e Banheiros aplicaram R$ 4.714.327,93. Nas

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ações sociais de mobilização comunitária, educação ambiental e sanitária foi aplicada R$ 247.360,00.

Dos 15% equivalente a R$ 1.964.623,78 de contrapartida, R$ 1.262.846,58 foram aplicados como contrapartida física, ou seja, serviços realizados pelo próprio município, como: revestimento asfáltico executado pela EMURB – Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Branco (trecho de 1550m); serviços de arborização e limpeza do córrego realizado pela SEMEIA; aquisição de projetos, desapropriação do terreno e serviços de supervisão de obra. O restante de R$ 701.777,20 foram recursos de contrapartida financeira paga proporcionalmente a cada medição das obras. Uma parte desse valor de R$ 701.777,20, o Município aplicou em uma ação social e meta do projeto denominado Capacitação Profissional /Geração de Trabalho e Renda (GTR) no valor de R$ 119.028,90 executado pelo SEST/SENAT - Serviço Social do Transporte/Serv. Nacional de Aprendizagem do Transporte.

Além da contrapartida obrigatória de 15%, o Município de Rio Branco disponibilizou recursos financeiros extras e humanos para a manutenção e desenvolvimento de ações técnicas através de suas secretarias, como Secretaria de Saúde (aplicar vacinação), Coordenadoria do Trabalho (disponibilizar estagiários), Coordenadoria da Mulher (esclarecimentos sociais) entre outras.

Para coordenar todas as ações sociais e de obras foram criado o Grupo de Trabalho denominado UEM – Unidade Executora Municipal, composto por técnicos especializados e com graduação, sendo: dois engenheiros civis, um tecnólogo em edificações, duas assistentes sociais, uma pedagoga, um administrador, um advogado, um cadista, sete auxiliares administrativos e seis estagiários. Além de outros profissionais contratados temporariamente como engenheiro agrônomo para fazer avaliações a fim de indenizar as benfeitorias demolidas.

Neste projeto houve duas fases de intervenção devido às Administrações Municipais. Na primeira fase o diagnóstico da situação da comunidade foi iniciado em 2001 e a obra de urbanização iniciou em janeiro de 2003. A Prefeitura desapropriou o terreno de 54,0 hectares do Sr. Paulo Weiss para realizar a regularização fundiária.

A fiscalização da época (2001 a 2004), não congelou o cadastro das famílias ocupantes e nem evitou novas invasões. Com isso houve uma enorme resistência dos moradores para desocupar os terrenos. Houve 42 reclamações judiciais em relação às

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indenizações propostas. A empresa SLUMP Engenharia, vencedora do certame para execução da obra, teve várias dificuldades para implantar o projeto, paralisando por 3 vezes durante o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. A principal alegação da empresa era demora no pagamento dos serviços. Ela executou apenas 19% do valor do contrato.

Na segunda fase, o Programa HBB estava desacreditado e em vias de cancelamento. Desde janeiro de 2005 a equipe da UEM veio resolvendo todas as pendências apontadas pela CAIXA (elaboração de novas pranchas de projetos com localização das unidades habitacionais, levantamento socioeconômico, desembaraço de todos os processos de litígio e entre outros).

A dificuldade principal era restabelecer as obras de urbanização, porém, a empresa SLUMP não queria continuar as obras alegando dificuldades financeiras devido aos atrasos dos pagamentos. Por iniciativa da nova gestão (2005 a 2008), foram feitas várias consultas à CAIXA, ao Ministério das Cidades, à Procuradoria do Município, Advocacia da União e ao BID sobre uma possível cessão do contrato, onde foram unânimes em confirmar a possibilidade da cessão. Assim, a empresa SLUMP cedeu de forma livre e espontânea para 3 empresas especializadas edificação, em pavimentação, em drenagem e esgoto, sendo, ETENGE Engenharia Ltda, ADINN Construção Ltda e SEC Serv. de Engenharia e Construção Ltda, respectivamente.

Em 08 de julho de 2005 o jornal pagina 20 noticia que iniciou a retomada das obras de urbanização com todas as pendências apontadas resolvidas. A partir do início das obras surgiram outros problemas. Havia uma resistência por parte dos moradores em não cederem parte de suas posses para abrir ruas e calçadas, construir os 371 banheiros e as 126 casas. Não permitiam fazer as ligações domiciliares de água tratada. Uma minoria criou um grupo de resistência e aversão ao Projeto.

A equipe social identificou que o grupo de resistência defendiam apenas interesses próprios porque eram as pessoas que detinham as maiores áreas. Também conversou com cada morador e os convenceu de que as cercas e muros deveriam ser derrubados, os poços aterrados, árvores frutíferas e plantações de subsistências deveriam ser derrubados, casas de madeiras em situação precária deveriam ser demolidas e outras ações de intervenção para concluir a urbanização. Todas essas

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benfeitorias físicas e agronômicas foram indenizadas, totalizando 33 processos administrativos de indenização.

A comunidade, a Associação de Moradores, as lideranças locais e os Grupos Organizados de Idosos, Jovens e Mulheres, foram fundamentais para garantir a execução da obra, do trabalho social e das ações ambientais, defendendo o interesse da coletividade e da população mais carente. Além disso, a Prefeitura de Rio Branco teve o apoio de várias instituições e todas as questões referentes ao projeto de urbanização e seus possíveis impactos foram amplamente debatidas com a sociedade, como: situação fundiária, questões relacionadas ao meio ambiente natural (licenciamento cota de alagação, recuperação de áreas degradadas, limpeza dos igarapés e outros).

Também foram beneficiadas com a urbanização: uma creche, um centro comunitário, 01 posto de saúde, 126 casas padrão do projeto, 64 casas embrião, 371 banheiros, 02 áreas de lazer, 6,3 km de pavimentação asfáltica, 3,1 km calçadas, 16.300 m2 de calçadão, 3,8 km de drenagem, 14,4 km de rede de água, 10 km de esgoto, 1,2 km de limpeza de igarapé, 03 estações de tratamento de esgoto (fossa e filtro), 849 ligações domiciliares de água. Pactos socioeconômico e ambiental do projeto 162 empregos gerados no bairro 869 moradores capacitados com cursos profissionalizantes, 180 pessoas capacitadas e inseridas no mercado de trabalho, 61 novos empreendimentos (restaurante popular, drogarias, mercearias, minimercados, padarias, lojas de roupas, material de construção, viveiro de mudas e salão de beleza) surgidos a partir da implantação do projeto de urbanização em 2002.

Foram retirados 370 toneladas de lixo do Igarapé Mocinha (1,2 km) e Rio São Francisco (extensão do bairro), realização de campanhas de educação ambiental e sanitária, redução de 41% no índice de criminalidade no bairro de 2002 a 2009, redução de 63% no número de doenças (dengue, verminose, hepatite A e B, malária, escabiose, tuberculose, leptospirose, leishmaniose, hanseníase, febre tifoide, gripes, câncer de colo de útero e alergias) de 2002 a 2009 e aumento de 40% do número de alunos matriculados no ensino fundamental.

Outros resultados não esperados, porém de grande importância, porque melhorou muito a qualidade de vida dos moradores adjacentes e da própria comunidade do Bairro Mocinha Magalhães, foram às obras de duplicação da BR 364 que dá acesso ao Bairro (distante 1 km) e o Parque do Tucumã com arborização, pistas de Cooper,

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