TRANSFORMAÇÃO URBANÍSTICA.
De acordo com o jornal Página 20 do dia 14 de agosto de 2007, o levantamento feito no ano de 2000 nos bairros periféricos da capital de Rio Branco no aspecto socioeconômico e ambiental, sendo contemplado o bairro Mocinha Magalhães com o Projeto Habitar Brasil/BID. Esses fatores ajudaram para o bairro ser beneficiado pelo poder público e o Banco Interamericano de desenvolvimento (BID), através de Projeto Habitar Brasil, onde os próprios moradores colocaram suas necessidades e desejos nas suas entrevistas realizadas individualmente, estes questionários proporcionaram uma análise e compreensão da formação do bairro caracterizada pelos mais diversos motivos, na qual se tornou alvo de emergência para o poder público.
Os valores a seguir foram retirados do relatório modulo 9 cedido pela SMDUOP e nos mostram o valor do investimento geral que foi liberado para a ampliação do bairro Mocinha Magalhães repassado para a prefeitura de Rio Branco atualizado em dezembro de 2008, que foi de R$ 13.101.848,21, sendo, 85% recursos da União e 15% recursos do Município.
Dos 85% dos recursos equivalentes a R$ 11.137.224,43, foram aplicados R$ 6.175.536,50 nos Serviços de Abastecimento de Água e Ligações Domiciliares; Esgotamento Sanitário e Ligações Domiciliares; Drenagem pluvial; e Terraplanagem e pavimentação (trecho de 4.571m). Na construção de Posto de Saúde, Creche, Centro Comunitário, Praças, Quadras, Casas e Banheiros aplicaram R$ 4.714.327,93. Nas
ações sociais de mobilização comunitária, educação ambiental e sanitária foi aplicada R$ 247.360,00.
Dos 15% equivalente a R$ 1.964.623,78 de contrapartida, R$ 1.262.846,58 foram aplicados como contrapartida física, ou seja, serviços realizados pelo próprio município, como: revestimento asfáltico executado pela EMURB – Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Branco (trecho de 1550m); serviços de arborização e limpeza do córrego realizado pela SEMEIA; aquisição de projetos, desapropriação do terreno e serviços de supervisão de obra. O restante de R$ 701.777,20 foram recursos de contrapartida financeira paga proporcionalmente a cada medição das obras. Uma parte desse valor de R$ 701.777,20, o Município aplicou em uma ação social e meta do projeto denominado Capacitação Profissional /Geração de Trabalho e Renda (GTR) no valor de R$ 119.028,90 executado pelo SEST/SENAT - Serviço Social do Transporte/Serv. Nacional de Aprendizagem do Transporte.
Além da contrapartida obrigatória de 15%, o Município de Rio Branco disponibilizou recursos financeiros extras e humanos para a manutenção e desenvolvimento de ações técnicas através de suas secretarias, como Secretaria de Saúde (aplicar vacinação), Coordenadoria do Trabalho (disponibilizar estagiários), Coordenadoria da Mulher (esclarecimentos sociais) entre outras.
Para coordenar todas as ações sociais e de obras foram criado o Grupo de Trabalho denominado UEM – Unidade Executora Municipal, composto por técnicos especializados e com graduação, sendo: dois engenheiros civis, um tecnólogo em edificações, duas assistentes sociais, uma pedagoga, um administrador, um advogado, um cadista, sete auxiliares administrativos e seis estagiários. Além de outros profissionais contratados temporariamente como engenheiro agrônomo para fazer avaliações a fim de indenizar as benfeitorias demolidas.
Neste projeto houve duas fases de intervenção devido às Administrações Municipais. Na primeira fase o diagnóstico da situação da comunidade foi iniciado em 2001 e a obra de urbanização iniciou em janeiro de 2003. A Prefeitura desapropriou o terreno de 54,0 hectares do Sr. Paulo Weiss para realizar a regularização fundiária.
A fiscalização da época (2001 a 2004), não congelou o cadastro das famílias ocupantes e nem evitou novas invasões. Com isso houve uma enorme resistência dos moradores para desocupar os terrenos. Houve 42 reclamações judiciais em relação às
indenizações propostas. A empresa SLUMP Engenharia, vencedora do certame para execução da obra, teve várias dificuldades para implantar o projeto, paralisando por 3 vezes durante o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. A principal alegação da empresa era demora no pagamento dos serviços. Ela executou apenas 19% do valor do contrato.
Na segunda fase, o Programa HBB estava desacreditado e em vias de cancelamento. Desde janeiro de 2005 a equipe da UEM veio resolvendo todas as pendências apontadas pela CAIXA (elaboração de novas pranchas de projetos com localização das unidades habitacionais, levantamento socioeconômico, desembaraço de todos os processos de litígio e entre outros).
A dificuldade principal era restabelecer as obras de urbanização, porém, a empresa SLUMP não queria continuar as obras alegando dificuldades financeiras devido aos atrasos dos pagamentos. Por iniciativa da nova gestão (2005 a 2008), foram feitas várias consultas à CAIXA, ao Ministério das Cidades, à Procuradoria do Município, Advocacia da União e ao BID sobre uma possível cessão do contrato, onde foram unânimes em confirmar a possibilidade da cessão. Assim, a empresa SLUMP cedeu de forma livre e espontânea para 3 empresas especializadas edificação, em pavimentação, em drenagem e esgoto, sendo, ETENGE Engenharia Ltda, ADINN Construção Ltda e SEC Serv. de Engenharia e Construção Ltda, respectivamente.
Em 08 de julho de 2005 o jornal pagina 20 noticia que iniciou a retomada das obras de urbanização com todas as pendências apontadas resolvidas. A partir do início das obras surgiram outros problemas. Havia uma resistência por parte dos moradores em não cederem parte de suas posses para abrir ruas e calçadas, construir os 371 banheiros e as 126 casas. Não permitiam fazer as ligações domiciliares de água tratada. Uma minoria criou um grupo de resistência e aversão ao Projeto.
A equipe social identificou que o grupo de resistência defendiam apenas interesses próprios porque eram as pessoas que detinham as maiores áreas. Também conversou com cada morador e os convenceu de que as cercas e muros deveriam ser derrubados, os poços aterrados, árvores frutíferas e plantações de subsistências deveriam ser derrubados, casas de madeiras em situação precária deveriam ser demolidas e outras ações de intervenção para concluir a urbanização. Todas essas
benfeitorias físicas e agronômicas foram indenizadas, totalizando 33 processos administrativos de indenização.
A comunidade, a Associação de Moradores, as lideranças locais e os Grupos Organizados de Idosos, Jovens e Mulheres, foram fundamentais para garantir a execução da obra, do trabalho social e das ações ambientais, defendendo o interesse da coletividade e da população mais carente. Além disso, a Prefeitura de Rio Branco teve o apoio de várias instituições e todas as questões referentes ao projeto de urbanização e seus possíveis impactos foram amplamente debatidas com a sociedade, como: situação fundiária, questões relacionadas ao meio ambiente natural (licenciamento cota de alagação, recuperação de áreas degradadas, limpeza dos igarapés e outros).
Também foram beneficiadas com a urbanização: uma creche, um centro comunitário, 01 posto de saúde, 126 casas padrão do projeto, 64 casas embrião, 371 banheiros, 02 áreas de lazer, 6,3 km de pavimentação asfáltica, 3,1 km calçadas, 16.300 m2 de calçadão, 3,8 km de drenagem, 14,4 km de rede de água, 10 km de esgoto, 1,2 km de limpeza de igarapé, 03 estações de tratamento de esgoto (fossa e filtro), 849 ligações domiciliares de água. Pactos socioeconômico e ambiental do projeto 162 empregos gerados no bairro 869 moradores capacitados com cursos profissionalizantes, 180 pessoas capacitadas e inseridas no mercado de trabalho, 61 novos empreendimentos (restaurante popular, drogarias, mercearias, minimercados, padarias, lojas de roupas, material de construção, viveiro de mudas e salão de beleza) surgidos a partir da implantação do projeto de urbanização em 2002.
Foram retirados 370 toneladas de lixo do Igarapé Mocinha (1,2 km) e Rio São Francisco (extensão do bairro), realização de campanhas de educação ambiental e sanitária, redução de 41% no índice de criminalidade no bairro de 2002 a 2009, redução de 63% no número de doenças (dengue, verminose, hepatite A e B, malária, escabiose, tuberculose, leptospirose, leishmaniose, hanseníase, febre tifoide, gripes, câncer de colo de útero e alergias) de 2002 a 2009 e aumento de 40% do número de alunos matriculados no ensino fundamental.
Outros resultados não esperados, porém de grande importância, porque melhorou muito a qualidade de vida dos moradores adjacentes e da própria comunidade do Bairro Mocinha Magalhães, foram às obras de duplicação da BR 364 que dá acesso ao Bairro (distante 1 km) e o Parque do Tucumã com arborização, pistas de Cooper,
quadras esportivas e praças realizado pelo Governo Estadual no mesmo período da urbanização do bairro.
A sustentabilidade, a manutenção e a integração dos aspectos socioeconômicos, mas isso discutiremos em outro capítulo, que abordará aspecto políticos, ambientais e culturais existentes com a nova perspectiva trazida pela obra, a regularização fundiária e o trabalho social, criou um cenário propício para o desenvolvimento e emancipação da comunidade do Bairro Mocinha Magalhães.
A capacitação da comunidade (através dos cursos profissionalizantes) permitiu não só sua inserção no mercado de trabalho, mas também gerou várias ocupações produtivas e novos empreendimentos e negócios, como: - Criação de 02 cooperativas no bairro Mocinha Magalhães: 1. COOPTERRA — Cooperativa dos Produtores Familiares e Economia Solidária (horta familiar, produção de mudas e jardinagem e corte e costura); 2. COOPDIARISTA — Cooperativa dos Prestadores de Serviços (eletricista, carpinteiro, bombeiro hidráulico, faxineiro e outros serviços) - Implantação de um viveiro comunitário para comercialização de mudas e plantas ornamentais, produzidas pelo GRUPO DE MULHERES DO BAIRRO MOCINHA MAGALHAES. - Aprovação do projeto de criação da Coopermóveis, formada por vários pequenos marceneiros, inclusive por moradores do bairro Mocinha, com sede no Distrito Industrial de Rio Branco. - Implantação no bairro de um Restaurante Popular. - Além disso, foram identificados vários beneficiadores de sementes florestais e artesãos que vendem seus produtos em feiras locais e nacionais.
Com relação aos aspectos históricos e sociais, o bairro Mocinha está inserido no circuito cultural e religioso do Município de Rio Branco, com a presença de grupos de teatro e vários artistas locais (músicos, pintores e escritores). Alguns destes, são conhecidos até nacionalmente por seu trabalho artístico, como é o caso do Grupo JABUTI BUMBA (desenvolvido no bairro Mocinha Magalhães) que está fazendo sucesso no Brasil e foi uma das atrações da minissérie da TV Globo – AMAZÔNIA: De Galvez a Chico Mendes. O Centro de Consciência do Bairro, apoiado pela Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, é um dos pontos de cultura mais importantes o Município. Esse grupo ainda atua em vários locais um dos integrantes reside no bairro Mocinha Magalhães na Rua do Coco conhecido como Cícero.
Um projeto de infraestrutura deveria estar integrado a um projeto social, que viabilize melhoria de vida, permitindo a socialização em espaços e relações de convivência com maior e melhor harmonia.
A participação comunitária é primordial para o sucesso do projeto, onde as decisões são compartilhadas e delas resultam impacto entre o poder público, a comunidade e as empresas executoras das obras.
Essa medida minimiza os conflitos internos e promove uma gestão de qualidade. Em qualquer empreendimento o gestor ou o tomador de decisões deve ter uma visão holística e um bom planejamento estratégico e operacional, com vistas a antecipar a resolução de problemas internos decorrentes de variáveis externas, bem como assegurar a eficiência no uso dos recursos humanos, materiais e financeiros.
A preparação de uma equipe multidisciplinar segundo a UEM garantia o sucesso do projeto. Devem-se ter técnicos especialistas, mas principalmente pessoas experientes e que compreendia o contexto, de forma a facilitar e agilizar a tomada de decisão.
A partir dessa experiência, os novos empreendimentos do Município de Rio Branco surgem alguns planejamentos e integrados com a comunidade local, com o Governo Estadual e com todos os demais segmentos porventura envolvidos, visando aperfeiçoar recursos, resultados e benefícios para a comunidade.
A comunidade apreendeu que é possível fazer participação popular e tomarem decisões junto com o poder público, bem como fazerem controle social. As organizações não governamentais, como associações e cooperativas do local, atuam na prestação de serviços e fornecimento de produtos. Outras prefeituras do Estado já estão adotando o planejamento e a metodologia de participação social em projetos dessa natureza.
Observamos que o poder público como agente regulador e minimizador desses projetos não deu a devida atenção que o problema merecia, e o projeto Habitar Brasil abrangiam espaços de infraestrutura, equipamentos e serviços adequados, visando proporcionar aos habitantes uma melhor qualidade de vida, Ou seja, não houve um planejamento, uma política de ocupação do espaço, o que se vê, na esmagadora maioria das vezes, são políticas para amenizar os efeitos dos problemas decorrentes da ocupação
populações cresceram a um ritmo acelerado, dispõem de poderes, recursos e até mesmo pessoal treinado para lhes fornecer as terras, os serviços e os sistemas adequados a condições não degradantes de vida: água potável, saneamento, escolas e transportes. Feita desordenadamente, tendo como consequência, muitas vezes, problemas sem solução, principalmente quando se trata do meio ambiente, como por exemplo, a poluição de um rio, de forma irrevogável.
Segundo um oficio-circular/Habitar Brasil/nº001/2004 enviada pela prefeitura de Rio Branco no dia 19 de janeiro de 2004 a senhora Ivanilde Lima Mendonça que era agente de saúde que me cedeu o documento, diz que Projeto do Trabalho de Participação Comunitária (TPC) para a área de intervenção, foi elaborado tendo como preocupação nos diagnosticar integração do bairro Mocinha Magalhães, no qual foi elaborado nos dados da pesquisa fornecidos pelo levantamento socioeconômico, cultural e ambiental, realizado na área, bem como pelas informações constantes nos diagnóstico de saúde feita pelo modulo de saúde da família do bairro, em agosto de 2000,e nos resultados das diversas reuniões feitas pela UEM com a comunidade, de maneira geral.
O objetivo principal deste projeto, portanto era garantir a sustentabilidade do empreendimento atingindo as metas do programa, cujo princípio norteador era melhorar as condições de habitacionais de todos os moradores da área de intervenção. O projeto tinha que está fundamentada nos três eixos temáticos definidos pelo Programa Habitar Brasil/BID, mobilização e organização comunitária e ambiental; educação profissional e geração de trabalho e renda que atendesse os interesses da comunidade a este projeto, onde também apresenta uma citação como base no planejamento que diz o seguinte:
Onde está o ponto de equilíbrio entre o respeito aos legítimos interesses dos cidadãos e as propostas tecnicamente viáveis e capazes de provocar impactos positivos na estrutura urbana e social? “Planejamento Participativo na reestruturação Urbana” (SCHWEIZER et al.).
E com esses três eixos definido pelo Projeto desenvolveria um trabalho mais centralizado e que, ao mesmo tempo, trazia um fortalecimento de cidadanias dos moradores, com ajuda participativas de várias lideranças e voluntário que ali estavam o trabalho social com grupos formados por segmentos da própria comunidade.
O TPC seria um projeto social voltado para as ações que contemplava a vocação produtiva da comunidade e o atendimento da demanda do mercado local que ao mesmo tempo visava absorver a mão de obra. Este também desenvolvia outras ações pela equipe social que remanejavam as famílias que habitavam em áreas de risco ou preservação ambiental, sujeitas à inundações, de áreas próximas ao igarapé São Francisco. Essas ações eram feitas individualmente às famílias, onde foram passadas as possíveis informações e envolvendo-as na escolha da melhores alternativa, respeitando os direitos dos mesmos, e ao mesmo tempo evitando novas invasões nestes locais de risco.
Como alguns bairros periféricos, o bairro Mocinha Magalhães foi formado desordenadamente, e por não haver um planejamento automaticamente a presença de parentes e o caráter de ajuda mútua, indica um crescimento da classe empobrecida, e a falta de trabalho também é outra característica da periferia, e por não haverem uma capacitação específica vão se criando alternativas de sobrevivência.
E o descaso que sofrem o isolamento e a falta de recursos, favorece a uma vida “inferior” aqueles que têm um emprego fixo. E neste contexto podemos afirmar que o projeto do TPC contribuiu para o desenvolvimento do bairro é que nos mostra o jornal pagina 20 a seguir:
E tudo isso se reflete na reação positiva da população local. A reestruturação do bairro contribuiu enormemente para o desenvolvimento e autoestima dos moradores. Maria do Carmo Dias, há quatro anos diretora da Creche Irmãos Mi e Bino (ver Box), que atende 100 crianças, é quem atesta: “o Programa foi uma melhoria e tanto. Esta população recebeu benefícios e informação, hoje vemos os pais valorizarem mais a educação dos filhos. Eles assistem a palestras educacionais e de saúde, estão mais cuidadosos com as crianças, têm mais noções de higiene e até respeitam mais as regras aqui da creche. “A cara da comunidade tem mudado para muito melhor.
Durante o processo de programa foram elaborados de acordo com os dados levantados pela pesquisa sócio-econômica-cultural e ambiental realizada no bairro, foram relacionadas às seguintes atividades para o desenvolvimento econômico- financeiro da comunidade, de forma a contribuir para a sua permanência na área:
Capacitação em áreas especifica (eletricista, pedreiro, servente, secretária, domestica, manicure e pedicure, etc.) Esses cursos eram oferecido de acordo
Formação da cooperativa de produção, que foram realizadas em parceria com órgãos como (SEMAG,SEPRO,SEATER e outros).
Criação da cooperativa de serviços, destinadas a utilização de mão de obra local para trabalhos no próprio bairro e também em ações do projeto integrado, como na construção de unidades habitacionais e módulos hidráulicos.
A comunidade então começou a se desenvolver, pois muitos não tinham nenhuma renda fixa que pudesse dar o sustento a sua família, viviam apenas dos chamados bicos, inclusive fui beneficiada com o curso de manicure, função que hoje exerço e que possibilita uma contribuição à minha família.
Em um analise mais aprofundado percebemos que o Estado visava através do Projeto Habitar Brasil como um apoio político já que o bairro tinha um bom numero de eleitores, e que através dessa implantação do projeto seria conquistado o voto da comunidade.