CAPÍTULO 1. Possibilidades e determinações abrangentes do conceito do desenvolvimento
1.4 A afirmação da liberdade e das capacidades individuais: a ascensão do Liberalismo
1.4.5 A divisão do trabalho e a reunião de esforços
Importante contribuição de Smith para a teoria econômica é a relevância atribuída pelo autor à divisão do trabalho, essencial para a promoção da riqueza das nações e do bem-estar coletivo. A divisão do trabalho não decorre da sabedoria humana, mas sim de uma característica essencial do homem, a propensão para a troca. Nesta divisão repousa a certeza do progresso da sociedade. Em vez de contar apenas com suas habilidades pessoais, cada indivíduo pode adquirir uma parcela da produção dos talentos de outros indivíduos, na medida de suas necessidades, e o efeito material da divisão do trabalho é o aumento de produtividade.
Quando se deseja algo, e para que se possa obter o que se deseja, pode-se oferecer algo próprio em troca.
A diversidade da produção e dos ofícios proporciona a distribuição de riqueza até às camadas mais baixas da população; a relação entre trabalho e riqueza é muito estreita, pois uma vez que a riqueza nacional aumente, cresce também a procura por trabalhadores, afinal “[...] o homem necessita quase constantemente do auxílio de seus congêneres e seria vão esperar obtê-lo somente da sua bondade. Terá maior probabilidade de alcançar o que deseja se conseguir interessar o egoísmo deles em seu favor e convencê-los de que terão vantagem em fazer aquilo que ele deles pretende” (SMITH, 1999b, p. 95).
Não se obtém as coisas apenas a partir da bondade alheia, da caridade, da benevolência. Afasta-se de pronto das idéias de Smith a permanência injustificada de ações de cunho assistencialista, vez que iniciativas econômicas podem perfeitamente fazer com que a sociedade alcance um máximo bem-estar, mesmo que os indivíduos persigam apenas seus próprios interesses, desde que sejam asseguradas condições de liberdade e justiça, além de fortes laços éticos comuns. Desta forma, os indivíduos não precisariam contar com a benevolência e generosidade de outrem. “Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para o seu egoísmo, e nunca lhes falamos de nossas necessidades, mas das vantagens deles” (SMITH, 1999b, p. 95).
A proposta, conforme o exemplo do trabalho do açougueiro e do cervejeiro, é fazer do auto-interesse um dos alicerces da sociedade desenvolvida, mas não o único, vez que não há superação das dificuldades econômicas e sociais a partir de uma única motivação (SEN, 1999, p. 39). Desta forma, no pensamento de Adam Smith, não se vê uma conceituação determinada para o que seja desenvolvimento, mas uma reunião de condições sociais, morais e políticas, além de forte quadro institucional capazes de promover tal objetivo.
Mas o grande número de trabalhadores e de mão-de-obra disponível não é suficiente para garantir o bem-estar coletivo. Como exemplo, Smith traça um perfil da China do séc. XVIII [que em muito se assemelha à China do séc. XXI]. A vida miserável da população chinesa, descrita por Smith, se deve ao “estacionamento” do país. A população cresceu, as terras continuam sendo cultivadas, mas há estagnação econômica e social:
A China é, de há muito, um dos países mais ricos, quer dizer, um dos mais férteis, mais bem cultivados, mais industriosos e mais populosos do mundo. Parece, todavia, que há muito se mantém estacionária. Marco Pólo, que a visitou há mais de quinhentos anos, descreve a sua agricultura, indústria e população quase nos mesmos termos em que são descritas por viajantes atuais. Ela tinha provavelmente, mesmo muito antes dele, atingido o maior volume de riqueza que a natureza de suas leis e instituições lhe permite adquirir (SMITH, 1999b, p. 185).
Nos dias atuais, a China é dos Estados que apresentam maiores índices de crescimento econômico. Mas as condições sociais da população não acompanham a pujança da economia chinesa, principalmente em se considerando a ausência de liberdade política. A concentração da atividade econômica nas mãos do Estado, comum em países que como a China adotam o modo de produção socialista, além de limitar a liberdade de iniciativa individual, faz com que o capital investido em atividades de mercado, que promovem o desenvolvimento econômico, seja considerado a partir de uma perspectiva exclusiva, tal seja o direcionamento do capital investidor por parte do Estado.
Desta forma, a correta aplicação do capital é outro fator fundamental para o crescimento de uma nação. A má aplicação e o gerenciamento deficiente do capital, mesmo que aplicado no trabalho individual, comprometerá o retorno que se esperava daquele trabalho se as condições sociais e de administração do Estado não forem levadas em consideração. A divisão do trabalho proposta por Adam Smith perpassa tanto por questões relacionadas à garantia do exercício de atividades econômicas pelos agentes individuais, como pelas ações públicas vinculadas à promoção da capacitação desses agentes. Essa capacitação deve se dar da maneira mais democrática possível, estendendo-se tanto aos indivíduos centrados em atividades tipicamente urbanas como aos indivíduos que vivem de atividades rurais, comum em países em desenvolvimento.
Uma das análises mais interessantes acerca da diferença econômica entre as nações se inicia com a idéia de trabalho na cidade e no campo. É criticável a idéia de que a exclusiva exportação de insumos por um determinado país é responsável pelo seu atraso tecnológico e desenvolvimentista. Valoroso perceber a partir da análise econômica de Smith que campo e cidade podem equilibrar-se perfeitamente como propulsores de desenvolvimento. Ao esclarecer no Livro III de “A riqueza das nações” (Do diferente progresso da opulência nas diferentes nações) que o desenvolvimento do campo e a comercialização de seu excedente é responsável pela opulência das cidades, Smith alia os dois tipos de produção (agrícola e manufatureira) como responsáveis pelo crescimento econômico de determinada nação.
A ordem feudal só foi minada com o comércio, e por mais paradoxal que possa parecer, em razão da vaidade dos senhores feudais. A introdução das manufaturas mais
elaboradas e do comércio foi diretamente responsável pela redução do poder dos antigos barões, que viviam rodeados de servos que eram obrigados a sustentar. Muito pouco distinguia o servo do escravo; ambos, por exemplo, poderiam ser vendidos e um servo valia menos que um cavalo. O servo apenas produzia o que lhe garantia uma sobrevida miserável, não havia nenhum incentivo para que fizesse mais que sobreviver e nem para que produzisse um excedente, pois não era possível a comercialização de quase nada e a troca era o meio mais comum de negociação (HUBERMAN, 1983, p. 14;17).
A mudança da sociedade feudal para uma sociedade dinâmica se dá primordialmente em razão do comércio, mas esta atividade encontrou uma série de obstáculos até se estabelecer nas cidades e ser capaz de modificar a ordem social de então. Em primeiro lugar, na sociedade feudal não havia excedente de produção, pois o feudo produzia quase tudo que seus habitantes necessitavam; ainda que houvesse um excedente de produção, comercializá-lo fora dos feudos era uma tarefa inglória: as estradas e caminhos eram pessimamente mantidos e pesadas taxas eram cobradas daqueles que cruzavam caminhos de um feudo para outro. Mas o maior obstáculo que o comércio encontrou foi o que se pode chamar de paralisação do capital. O capital (normalmente ouro e prata) acumulado era guardado em cofres, em igrejas, nos castelos e quando muito, era utilizado na confecção de adornos; era verdadeiramente imóvel, improdutivo e estático (HUBERMAN, 1983, p. 25).
Com exceção da imobilidade do capital, a situação que se apresenta não é muito diversa da que os países em desenvolvimento cujas economias são centradas principalmente na produção de commodities. Há dificuldade de escoamento da produção, causada tanto por questões de infra-estrutura física como por questões de segurança financeira e competitividade, vez que os produtores dos países em desenvolvimento são obrigados a competir no mercado externo com preços subsidiados pelos governos de países desenvolvidos. Além disso, os produtores de países em desenvolvimento convivem (em alguns casos) com a mesma alta carga tributária que incide não apenas diretamente sobre a produção como também na importação de artefatos tecnológicos capazes de promover maior competitividade desta produção.
Smith esclarece, ainda tratando da divisão do trabalho e da necessidade de se valorizar o trabalho do campo e a possibilidade de troca, que a introdução e comércio das manufaturas mais elaboradas, fez que os senhores feudais comprassem artigos caros que não precisavam partilhar, usufruídos isoladamente:
Por um par de brincos de diamantes, ou por algo igualmente frívolo e inútil, trocavam, talvez a manutenção, ou, o que é a mesma coisa, o preço da manutenção de um milhar de homens por ano, e com ela toda a influência e autoridade que isso lhes proporcionava. Os brincos, contudo, seriam totalmente seus e ninguém os poderia compartilhar, ao passo que, no antigo modo de despesa, deveriam compartilhar com, pelo menos, um milhar de pessoas (SMITH, 1999a, p. 702) .
O exemplo dos brincos de diamantes narrado por Smith ilustra como o auto-interesse [in casu representado pela vaidade] foi capaz de promover o intercâmbio comercial, vez que o excedente da produção agrícola, comercializado, foi capaz de proporcionar a remuneração dos comerciantes e artífices [ourives].
A lógica de Smith (1999b, p.703) faz sentido: ao adquirir mercadorias, ou seja, a partir da atividade comercial, os senhores pagavam caro por uma pequena quantidade de bens (um par de brincos de diamantes, por exemplo), porém, o número de trabalhadores empregados e remunerados nas atividades que envolvem a compra terá sido muito grande. O alto preço pago pelas mercadorias provém dos salários dos artífices e seus auxiliares e dos lucros obtidos pelos comerciantes. Ao pagar esse preço, o senhor feudal pagava indiretamente todos esses salários e lucros, contribuindo para a manutenção dos trabalhadores e de seus patrões, fomentando o crescimento dessa atividade. E os trabalhadores envolvidos na atividade comercial não estavam presos a um só senhor, como acontecia com seus servos, que foram gradualmente dispensados.
Tais acontecimentos ilustram ainda como se avançava para a descentralização administrativa, vez que não havia na sociedade feudal um sistema judicial unificado ou mesmo um sistema de governo organizado e eficiente. A parcialidade em questões que envolviam os servos e os senhores era a regra, pois o senhor era a lei e o juiz, e tudo se resolvia de acordo com os costumes de cada feudo. Com o declínio do modo feudal de produção, a administração é descentralizada paulatinamente, e até mesmo uma melhor aplicação da justiça é visível a partir de então:
Dado que, deste modo, os rendeiros se tornavam independentes, e os servidores foram despedidos, os grandes proprietários deixaram de poder obstruir a normal execução da justiça ou de perturbar a paz do país. Tendo vendido o seu direito hereditário, não como Esaú por uma malga de sopa em tempo de fome e de necessidade, mas no desregramento da abundância, por adornos e bugigangas, que eram mais próprias para brinquedos de crianças do que para servir os sérios objetivos dos homens, tornaram-se tão insignificantes como qualquer rico burguês ou comerciante numa cidade. Estabeleceu-se um governo regular tanto no campo como na cidade sem que ninguém tivesse poder suficiente para perturbar a sua ação, nem num nem no outro (SMITH, 1999b, p. 705).
Ressalte-se que o auto-interesse do senhor feudal estabelece uma nova forma de exploração da terra, através dos contratos de longo prazo. Dispensado o trabalho servil, o que
o senhor feudal economizaria a partir de então seria gasto com seus adornos e supérfluos, mas era preciso possibilitar a continuidade destes gastos. Assim, era necessário garantir um rendimento maior sobre o cultivo das terras.
Os servos restantes concordaram com este aumento de produção, mas com uma condição que acabou por favorecer sobremaneira o melhoramento da vida no campo, os contratos de longo prazo. Tais contratos eram a única garantia que os rendeiros teriam de reaver com lucro o que foi gasto com o melhoramento da terra. A “vaidade perdulária” dos senhores feudais obriga-os a aceitar essa condição. O servo, agora arrendatário, não faria nem um décimo a mais do que fosse estabelecido no contrato, e desta forma as vantagens de um e de outro seriam razoavelmente mútuas e iguais (SMITH, 1999b, p. 705).
Assim, uma mudança importante para o bem-estar público acontece por meio de categorias de indivíduos que não estavam diretamente interessados em promover o bem-estar coletivo: os senhores feudais (movidos pela vaidade), os servos (antes quase escravos e agora arrendatários), os artífices (ourives) e os comerciantes. Da confluência dos trabalhos individuais se alimenta a vaidade dos senhores feudais e se promove a dissolução do seu poder, eis que menos pessoas ficam sob sua dependência e área de influência. Além disso, os arrendatários que agora tinha contratos de longo prazo estabeleciam metas de melhoramento da terra e da produção, pois eram possuidores e não mais servos. E tudo isso se dá não porque os comerciantes e artífices agiam exclusivamente em prol do seu interesse.
Um dos efeitos mais importantes do aparecimento do comércio e da divisão do trabalho, além da quebra o regime feudal, foi o crescimento das cidades. As pessoas começam a deixar os campos em direção às cidades (até mesmo porque nem todos os servos se transformaram em arrendatários; alguns foram simplesmente dispensados), pois nestas a expansão do comércio significava trabalho e além disso, a atmosfera feudal era de prisão a terra, enquanto que nas cidades a liberdade de ação era a regra.
A análise de Smith sobre o comércio como grande incentivador da produção, do estabelecimento de instituições públicas (governo, justiça) e da distribuição de renda através da divisão do trabalho teria sido perfeita se não tivesse havido o colapso causado pela Revolução Industrial, quando se deu justamente o que Smith não queria: em razão da falta de investimentos na atividade rural e do abandono em massa das atividades agrícolas as cidades cresceram de maneira desordenada, o preço do trabalho foi a quase nada e o estado comum entre os indivíduos era o da miséria, ainda que tenha havido um crescimento impressionante da atividade industrial.
Adam Smith acreditava veementemente que o comércio seria responsável pela melhoria da vida no campo, se, e somente se, o capital adquirido no comércio das manufaturas (incerto e precário por si só) fosse empregado no cultivo e melhoramento das terras de um país. “A riqueza resultante do mais sólido melhoramento da agricultura é muito mais durável, e só pode ser destruída por convulsões muito mais violentas” (SMITH, 1999b, p. 714). As convulsões sociais da Revolução Industrial foram violentas, sem sombra de dúvidas, mas o erro é anterior a estas. Na visão de Smith, o erro veio justamente da falta de investimento maciço na agricultura, que não substituiria o comércio; ao contrário, seria sempre seu grande fomentador.
Os custos sociais da Revolução Industrial muitas vezes são usados como a grande fonte de crítica do Liberalismo Econômico clássico e do capitalismo, mas há fatores que devem ser considerados que não estão exatamente vinculados às idéias liberais, pelo menos não sob a ótica de Adam Smith.
É certo que a análise liberal da sociedade pode ter sido um tanto irreal, como argumenta Robert Gilpin, mas as distorções sociais causadas se devem muito mais a falta de estrutura prévia da sociedade para enfrentar o capitalismo e a Revolução Industrial que aos fatos decorrentes da produção em massa de bens de capital e exploração da mão-de-obra. Se tivesse havido o melhoramento das condições de vida no campo e os incentivos à produção agrícola, possivelmente a população da zona rural não teria migrado em massa para as cidades industriais e a divisão do trabalho teria sido mais acertada.
Do que Smith narra como caminho para a prosperidade a partir da divisão do trabalho, muito pouco ou quase nada foi visto na Revolução Industrial, mas nem por isso as idéias do professor escocês estavam equivocadas. A divisão do trabalho e os ganhos proporcionais a partir de tal divisão podem sim trazer prosperidade e o bem comum, mas é preciso que haja uma estratégia coletiva fundamentada na ética e na igualdade de condições para que as falhas sejam a exceção e não a regra.
É óbvio que a situação calamitosa na qual se encontrava a grande parcela da população, efetivamente afastada das benesses da Revolução Industrial, acabaria por resultar em revolta e indignação, e assim surgem os primeiros movimentos sociais e associações de classe, que num primeiro momento se voltam contra as máquinas (ludismo) como se estas fossem isoladamente as responsáveis pela desgraça coletiva11. A faceta negativa do
11 O início do movimento coletivista na Revolução Industrial se dá principalmente com o ludismo e o cartismo. O ludismo surge na Inglaterra, e recebe o nome de seu líder, Ned Ludd. A insegurança e a miséria convenceram Ludd e seus seguidores do terror que representava a máquina, considerada a inimiga principal. O movimento
crescimento econômico dissociado de políticas sociais se tornava cada vez mais aparente, e punha em dúvida a crença utilitarista de que o desenvolvimento industrial e material traria a felicidade de um grande número de pessoas.
Os operários, descrentes no sistema, começam a se organizar na tentativa de estabelecer uma legislação social voltada principalmente para as condições de trabalho e regulamentação de trabalho, não sem confrontar-se, evidentemente, com os interesses dos capitalistas. É interessante ressaltar que os incipientes movimentos sindicais foram obviamente reprimidos, como a partir do Combination Act, ou Lei das Associações (1799), que tornava ilegal qualquer associação de operários que tivesse por fim o aumento dos salários ou a redução da jornada de trabalho. Os argumentos usados pelos capitalistas para pressionar o Parlamento inglês e aprovar a lei foram justamente a necessidade de evitar o monopólio causado pelas associações de classe e defender a livre concorrência, olvidando-se, entretanto, das associações de empregadores e dos cartéis formados pelos empresários (HUNT;SHERMAN, 2004, p. 76).
As conseqüências sociais do crescimento econômico impulsionado pelo aparecimento do comércio e posteriormente pela Revolução Industrial passavam longe da sociedade ideal formulada por Smith. Mas os motivos que parecem óbvios (desigualdade social, exploração da mão-de-obra, super população) não são simplesmente originários do auto-interesse proposto por Adam Smith. Mais racional é entender que as conseqüências sociais desastrosas advêm da falta de preparo da sociedade para lidar com a inovação tecnológica, da ausência de um entendimento ético coerente entre a sociedade de mercado, os interesses individuais e o comportamento social e também por causa do abandono das atividades rurais em privilégio da indústria nascente.
Com efeito, a proposta de desenvolvimento de Adam Smith em nada se assemelha ao que se tem hoje no cenário internacional e na promoção do livre comércio como fator de desenvolvimento. Smith não compreenderia as regras do que se chama hoje de sociedade de mercado, uma vez que se as mercadorias e serviços podem e devem circular livremente, o pode ser entendido a partir de uma carta ameaçadora que Ludd endereçou a um certo empresário de Hudersfield, em 1812: "Recebemos a informação de que é dono dessas detestáveis tosquiadoras mecânicas. Fica avisado de que se elas não forem retiradas até o fim da próxima semana eu mandarei imediatamente um de meus representantes destruí-las... E se o senhor tiver a imprudência de disparar contra qualquer dos meus homens, eles têm ordem de matá-lo e queimar toda a sua casa". Já o cartismo origina-se da aprovação, pelo Parlamento inglês, em 1832, do Reform Act, que privou os operários do direito ao voto. Os trabalhadores reagiram e formularam suas reivindicações na "Carta do Povo", fundando o primeiro movimento nacional operário moderno. As vitórias do cartismo foram significativas: em 1833, surgiu a primeira lei limitando a 8 horas de trabalho a jornada das crianças operárias. Em 1842 proibiu-se o trabalho de mulheres em minas, Em 1847, houve a redução da jornada de trabalho para 10 horas (BRESCIANI, 1985, p. 50-51).
mesmo não acontece com as pessoas em busca de trabalho; não há, portanto, liberdade para todos os fatores de produção (RIVERO, 2002, p. 89). Mas essa impossibilidade se deve em muito aos problemas de financiamento enfrentados pelos Welfare States, mais procurados pela mão-de-obra imigrante. Ainda que muitas vezes haja uma política de imigração segregacionista e mesmo xenófoba, tais Estados enfrentam enormes déficits públicos, que comprometem seus sistemas de previdência e saúde pública, por exemplo. Tais questões levam tais Estados a dificultar a entrada de mão-de-obra de outros países.
Além da dificuldade para a circulação de trabalhadores, é de difícil compreensão,