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1.3.1.2 A E NTREVISTA COMO INSTRUMENTO DA METODOLOGIA QUALITATIVA

1.3 – A RECOLHA DE DADOS

1.3.1.2 A E NTREVISTA COMO INSTRUMENTO DA METODOLOGIA QUALITATIVA

O outro método usado para a recolha de dados foi a entrevista. No que respeita ao seu uso nas metodologias qualitativas, a entrevista é flexível, permitindo ao investigador examinar o tópico estudado em função da perspectiva do participante. Assemelha-se a uma conversa, apresentando um carácter não estruturado ou semiestruturado, onde as questões e os assuntos emergem com as respostas ao longo do processo. No entanto, não significa falta de rigor ou de planeamento, apenas têm características diferentes das entrevistas usadas em metodologias quantitativas.

A entrevista quando usada como método de pesquisa qualitativa, difere das noções positivistas de “questionário falado” (Potter & Wetherell, referido em Daymon e Holloway, 2010), posicionando-se enquanto “conversas com sentido”46, onde o investigador explora os significados, ideias, sentimentos e

intenções daqueles que entrevista. São entrevistas em profundidade, menos direcionadas e estruturadas. Entende-se, então, a entrevista, enquanto método de investigação, como um método que explora as perspectivas dos participantes no seu contexto específico:

“A entrevista qualitativa tem como objetivo compreender o significado da informação, opinião e interesse de cada entrevistado. Através de entrevistas cara-a-cara, conversas em profundidade, com questões de carácter semiestruturado ou não estruturado, a entrevista qualitativa explora os sentimentos, emoções, experiências e valores dos participantes no seu contexto e especificidade próprio.” (Brennen, 2013, p. 28) 47

46 Um termo usado pela primeira vez por Webb e Webb, em 1932 (Daymon e Holloway, 2010)

47 A qualitative interview strives to understand the meanings of information, opinions and interests in each

respondent’s life. Through face-to-face, in-depth conversations using semi-structured or unstructured interview questions, qualitative interviewing explores respondents’ feelings, emotions, experiences and values within their deeply nuanced inner worlds.

O valor deste tipo de entrevistas é a sua flexibilidade de adaptação ao desenrolar da conversa, dando ao entrevistado a possibilidade desenvolver os tópicos da forma que entender:

“O valor das entrevistas é que são muito flexíveis porque as respostas dadas pelos entrevistados formam a evolução da conversa. Enquanto investigador, tem a liberdade de solicitar mais informação de algo interessante ou novo surja, porque não está restringido a um planeamento ou lista rígida de questões, tal como acontece com o uso do método quantitativo do questionário. capazes de desenvolver os seus pensamentos de forma mais aprofundada ou exercer um maior controlo sobre o entrevistado se assim preferirem. (Daymon e Holloway, 2010, p. 221) 48

Outro dos seus benefícios é a possibilidade de recolher os dados dentro de um determinado contexto social, em que as respostas derivam da perspectiva subjetiva daqueles que são entrevistados, permitindo que os dados revelem interpretações com expressões e estilos naturais e que enriquecem o significado da interpretação. Isto contrasta com os questionários de cariz quantitativo, onde as respostas são entendidas como independentes do contexto em que são produzidas. (Daymon e Holloway, 2010)

Este tipo de entrevistas é apropriado quando se pretende compreender as perspectivas dos entrevistados sobre um assunto ou situação em particular. Ou seja, na origem das entrevistas em profundidade permanece um interesse em compreender a experiência da outra pessoa e o significado que formulam dessa experiência” (Seidman, 2013, p.28)49.

O conjunto de situações ideais para a aplicação deste método pode ser listado da seguinte forma: a) quando os passos lógicos de uma situação não são claros; b) quando o assunto é confidencial ou

48 “The value of interviews is that they are very flexible because the answers given by interviewees form the

evolving conversation. As a researcher, you have the freedom to prompt for more information if something interesting or novel emerges because you are not restricted to a pre-planned, rigid list of questions, as with the use of the quantitative questionnaire method. Similarly, because the ideas of interviewees have priority, participants are able to explore their own thoughts more deeply or exert more control over the interview if they prefer.”

49 “At the root of in-depth interviewing is an interest in understanding the lived experience of other people and the

sensível; c) quando um entrevistado se mostra relutante em dizer a verdade sobre um assunto a não ser numa situação presencial cara-a-cara: d) quando o objetivo da entrevista é desenvolver a compreensão do mundo de trabalho do participante. (Easterby-Smith, Thorpe, e Jackson, 2012, p. 144). No que respeita aos tipos de entrevista, estas podem ser individuais ou de grupo, presenciais ou mediadas (por videoconferência, por e-mail, por telefone), em tempo real ou diferido.

Relativamente ao processo, as entrevistas podem ser mais estruturadas ou menos estruturadas, sendo que se aceita a classificação de “não estruturadas, semiestruturadas e não estruturadas (Daymon e Holloway, 2010; Oliveira, 2008). Podemos caracterizar as mesmas da seguinte forma:

•! Entrevistas não estruturadas: não existem questões predeterminadas, mas apenas um conjunto de tópicos gerais sobre o tema em questão; são muito flexíveis e não seguem um processo rígido, permitindo ao entrevistador seguir no decorrer do processo os interesses dos entrevistados que se relacionam com o objetivo da investigação.

•! Entrevistas semiestruturadas: são as mais comuns na pesquisa qualitativa. O guião de entrevista contem um conjunto de questões ou tópicos base, focados nos assuntos que se interessa cobrir durante a entrevista. A sequência das questões não é predefinida e depende do processo da entrevista e das respostas do entrevistado. No entanto, o guião assegura que o tipo de dados recolhidos é semelhante em todos os entrevistados.

•! Entrevistas estruturadas: assemelham-se a questionários e raramente são usadas em pesquisas qualitativas. As questões são planeadas antes da entrevista e colocadas na ordem predefinida. O carácter estruturado da entrevista impede que o entrevistador ser uma figura ativa na entrevista, impedindo que explore em confundo com o entrevistado os significados das suas respostas.

Nota: Para facilitar a leitura e interpretação dos capítulos, os procedimentos de recolha e análise de dados referentes às entrevistas efetuadas encontram-se no Capítulo 5, junto à apresentação e interpretação dos resultados.

CAPÍTULO II!

RELAÇÕES PÚBLICAS NA POLÍTICA

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