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A ELABORAÇÃO DO ANTEPROJETO DEFINITIVO E O PROJETO EXECUTIVO (1957-1959)

5 O PAÇO MUNICIPAL E O PARQUE PÚBLICO CENTRAL DE CAMPINAS (197 1969)

5.2 A ELABORAÇÃO DO ANTEPROJETO DEFINITIVO E O PROJETO EXECUTIVO (1957-1959)

No mesmo dia da premiação, o Arquiteto Rubens G. C. Vianna assinou junto ao Prefeito Novaes, o “Têrmo de contrato para elaboração do Projeto definitivo do edifício do novo Paço Municipal e Parque Público Central de Campinas, inclusive fiscalização, assistência técnica e artística às respectivas obras” (Figura 125). O documento foi assinado no gabinete do Prefeito no antigo Paço Municipal, localizado no sobrado na rua Regente Feijó nº 859, com as testemunhas de funcionários da Prefeitura Municipal e os membros da CEP130 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957e).

Figura 125 – Contrato celebrado entre a Prefeitura Municipal de Campinas e o engenheiro arquiteto Rubens Carneiro Viana, para elaboração do projeto definitivo do edifício do novo Paço Municipal e

Parque Público Central de Campinas.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 07, documento 78.

130 Advogado Dr. Antônio Leite Carvalhães, Secretário das Finanças; Engº Paulo Silva Pinheiro, Secretário de Obras e Serviços Públicos; Advogado Dr. Hélio Moraes de Siqueira, Diretor do Departamento Legal (Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 07, documento 78).

O documento estabeleceu o escopo, os produtos e os prazos dos trabalhos a serem desenvolvidos, tanto para o anteprojeto definitivo quanto para o projeto executivo e os pagamentos. Primeiramente, o arquiteto deveria realizar revisão no anteprojeto vencedor do concurso, conforme sugestões e modificações elaboradas pela CEP. Após entregues e aprovadas as alterações, o anteprojeto definitivo deveria ser entregue após trinta dias. Entregue, aprovado pela Municipalidade e paga a primeira parcela, o Arquiteto teria noventa dias para desenvolver e entregar, na escala 1:50, o projeto executivo arquitetônico junto com os cálculos e desenhos estruturais. E após estarem de acordo com a entrega e paga a segunda parcela, mais sessenta dias para a entrega final do projeto executivo arquitetônico com todos os detalhes gerais, projeto de instalações, especificações e orçamento de elementos necessários à sua perfeita compreensão e execução (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957e).

O pagamento se estabeleceu conforme o estipulado no Edital, isto é, seguiu a Tabela Básica de Honorários do IAB-SP, sendo descontado do total do serviço o prêmio de Cr.$ 400.000,00 pago pelo concurso. Para efeito de cálculo, estabeleceu-se o valor de Cr.$ 6.000,00 por metro quadrado e um total máximo de 20.000,00 m2 de construção, resultando no montante de Cr.$ 120.000.000,00 a serem pagos no final do serviço. E em caso de atraso seria cobrada multa de Cr$ 2.000,00 por dia (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957e).

As parcelas se deram da seguinte maneira: 30% na aprovação do anteprojeto definitivo, 30% na aprovação do projeto executivo, 20% na entrega final do projeto executivo com os complementares; e por fim, a parcela final de 20% seriam pagas mensalmente ao longo de 48 prestações mensais no transcorrer e fiscalização arquitetônica da execução da obra, a partir do início da mesma (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957e).

O documento “Sugestões da Comissão Executiva do Paço, ao Engenheiro Arquiteto Rubens Gouvêa Carneiro Vianna” (Figura 126), datado de 25 de novembro de 1957, tratava de sugestões e mudanças a serem realizadas na proposta premiada do concurso, em vista de se desenvolver o primeiro produto do contrato a ser entregue: o anteprojeto definitivo (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957f).

Figura 126 – Sugestões da Comissão Executiva do Paço, ao engenheiro arquiteto Rubens Gouvêa Carneiro Vianna.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 07, documento 79.

Das doze sugestões elaboradas pela CEP, nove tratavam de questões funcionais do edifício, tais como: o aumento do número de elevadores de 6 para 8, o acréscimo de elevadores independentes nos partições do Blocos A e C, o aumento das proporções do saguão de entrada de maneira a engrandecer sua monumentalidade, assim como as circulações internas, a criação de um mirante no último piso para o público e de instalações técnicas para geradores. As outras três sugestões eram a respeito de acessórios ao projeto original, tais como dotar a fachada do edifício de um relógio de grandes proporções, a instalação de holofotes luminosos em sua cobertura, e a instalação de sirenes para soarem diariamente (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957f).

Não foi possível precisar a data exata em que Vianna entregou a revisão do projeto e a resposta à lista de sugestões. No entanto, o próximo documento que se tem notícia é de 27 de janeiro de 1958, onde em carta, o material relativo à revisão referente as sugestões e as modificações a serem feitas no anteprojeto vencedor do concurso, foram entregues ao arquiteto com o “de acordo” da Prefeitura Municipal e dos membros da CEP (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1959).

Foram encaminhadas juntas 21 folhas de cópias das plantas da revisão do anteprojeto na escala 1:200, rubricadas pelo Oficial do Gabinete do Prefeito, Secretários da Administração Municipal, Secretário Geral da Câmara e pelos membros da CEP (Figuras 127 e 128) (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1959).

Figura 127 - Revisão do anteprojeto para o Paço Municipal e Parque Público Central de Campinas, folha 18.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 94.

Figura 128 – Revisão do anteprojeto para o Paço Municipal e Parque Público Central de Campinas, folha 21.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 94.

Observa-se as principais alterações em planta que foram solicitadas no documento “Sugestões da Comissão Executiva do Paço, ao Engenheiro Arquiteto Rubens Gouvêa Carneiro Vianna” (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957) em relação ao anteprojeto premiado do concurso. Dentre elas o acréscimo de mais dois elevadores a circulação vertical principal; o acréscimo de um elevador estratégico no bloco do poder legislativo e outro no do centro comunal; a melhora da circulação geral com a centralização da caixa de elevadores no saguão principal e aumento longitudinal dos demais pavimentos tipos em mais um eixo estrutural, passando de cinco para seis eixos de pilares; assim como o maior aspecto de monumentalidade e nobreza ao saguão de acesso (Figuras 129 e 130).

Figura 129 – Planta do pavimento térreo do anteprojeto original do concurso, 1957 (a cima). Planta do pavimento térreo da revisão do anteprojeto premiado do concurso, 1958 (a baixo). Fontes: Revista Acrópole. Ano XXI, nº 230, Dezembro de 1957(a cima).Arquivo Municipal de

Figura 130 – Planta do pavimento tipo do anteprojeto original do concurso, 1957 (a cima). Planta do pavimento tipo da revisão do anteprojeto premiado do concurso, 1958 (a baixo). Fontes: Revista Acrópole. Ano XXI, nº 230, Dezembro de 1957(a cima).Arquivo Municipal de

Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 94 (a baixo).

Como nos documentos referentes à revisão do anteprojeto ganhador do concurso (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1959) foram encontrados apenas desenhos de plantas, e nenhum corte e elevação, não foi possível precisar se as outras sugestões mencionadas anteriormente como “acessórios” ao projeto original foram realmente levadas em conta. No entanto, como se observará mais adiante no anteprojeto definitivo, tais sugestões não aparecem nos cortes e elevações, o que nos faz concluir que não foram levadas adiante pelo arquiteto responsável ou foram abortadas pela própria Prefeitura Municipal, uma vez que eram interferências descontextualizadas ao projeto.

Conforme estipulado no contrato após trinta dias, em 27 de fevereiro de 1958, foi entregue o anteprojeto definitivo. O produto era composto de 11 pranchas de desenhos arquitetônicos relativos ao anteprojeto definitivo do Paço Municipal de Campinas (Figuras 131 a 143) e mais 2 pranchas correspondentes ao Parque Público Municipal de Campinas e ao terraço jardim do novo edifício (Figuras 130 e 131) (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1958).

Figura 131 – Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 01. Planta de situação, escala 1:500.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 132– Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 02. Planta do pavimento Térreo e Porão do Poder Legislativo e Centro Comunitário, escala 1:200.

Figura 133 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 03. Plantas do 1º e 2º andar do Poder Legislativo e Centro Comunitário, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 134 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 04. Plantas do 1º, 2º, 3º, 4º, 5º e 6º andar do Poder Executivo, escala 1:200.

Figura 135- Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 05. Plantas do 7º, 8º, 9º, 10º, 11º e 12º andar do Poder Executivo, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 136 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 06. Plantas do 13º, 14º, 15º, 16º, 17º andar do Poder Executivo e caixa d’água, escala 1:200.

Figura 137 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 07. Corte longitudinal, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 138 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 08. Corte transversal e fachada lateral, escala 1:200.

Figura 139- Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 09. Corte longitudinal e fachada lateral, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 140 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 10. Fachada principal, escala 1:200.

Figura 141 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 11. Fachada posterior, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Figura 142 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 12. Planta do roof-garden, escala 1:200.

Figura 143 - Anteprojeto definitivo para o Paço Municipal e Parque Central de Campinas, folha 13. Planta do anteprojeto do jardim, escala 1:200.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81A.

Observa-se que a partir do material revisado pelas sugestões e anteriormente entregue e aprovado pela Prefeitura, o desenvolvimento do anteprojeto se desenvolveu de maneira a ter o programa de todos os pavimentos satisfatoriamente resolvido, e o complemento de desenhos de cortes e elevações, assim como os desenhos complementares do jardim e do roof-garden.

O “De Acordo” referente ao anteprojeto definitivo foi emitido em carta de Declaração em 02 de abril de 1958, assinado pela Secretaria de Obras e Serviços Públicos, os Secretários da Administração Municipal, e os membro da CEP, assim como as assinaturas no rodapé de todos os desenhos entregues (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1958).

No mesmo dia, Vianna solicitou três requisições131, para a Prefeitura Municipal, necessárias para a continuação do trabalho e desenvolvimento do projeto executivo. Eram elas: a planta do terreno com as curvas de nível metro a metro; a planta de

131 Requisição nº1, protocolo 10.463; Requisição nº2, protocolo 10.464; Requisição nº3, protocolo 10.465 (Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 81ª).

sondagem do solo; e a planta do terreno com a locação exata das árvores a serem conservadas (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1958).

O relatório da sondagem foi executado pela empresa Serviços Geotécnicos de Sondagem e Fundações Ltda. Geosonda, e entregue dia 11 de julho de 1958. Onde foram realizadas 17 sondagens e os resultados expressos em duas folhas, uma da planta dos pontos e outra de cortes do terreno e das camadas do solo (Figura 144 e 145) (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1958a).

Figura 144 – Relatório nº 865, Sondagem de reconhecimento de 2” – Geosonda. Planta de localização dos furos e perfis individuais, escala 1:100.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 82.

Figura 145 - Relatório nº 865, Sondagem de reconhecimento de 2” – Geosonda. Secções prováveis, escala v=1:100 e h=1:200, e gráficos de penetração.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 08, documento 82.