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A ORGANIZAÇÃO E A ELABORAÇÃO DO CONCURSO DE CAMPINAS

4 O CONCURSO DE ANTEPROJETO PARA O PAÇO MUNICIPAL E PARQUE CENTRAL DE CAMPINAS (1957).

4.2 A ORGANIZAÇÃO E A ELABORAÇÃO DO CONCURSO DE CAMPINAS

Após concretizada a permuta entre os imóveis da Prefeitura Municipal de Campinas e a Gleba da Santa Casa de Misericórdia, em de outubro de 1956, foi solicitado à Comissão de Planejamento do Município (CPM) a elaboração de um “Relatório Referente ao Programa de acomodações do futuro Paço Municipal de Campinas” (Figura 55).

A Comissão de Planejamento do Município foi criada pela lei nº 1.184, de 23 de agosto de 1954, instituindo órgão diretamente ligado ao Gabinete do Prefeito, encarregado de orientar e sugerir medidas necessárias para a elaboração do Plano Municipal. Isto é, programas de melhoramentos para a cidade, compreendendo as necessidades do município quanto a habitação, trabalho, circulação e cultura, através da coleta de dados, contratações técnicas, elaboração de anteprojetos, realização anual da “Semana de Urbanismo” e aprovação de verba anual. A CPM era composta pelo Presidente Dr. Ruyrillo de Magalhães, Secretário Engº Simão Podolsky, Sub- Secretário Engº Renato Righetto, Membro Eduardo Barnabé, Membro Dr. Ernani Fonseca e Membro Engº Egberto Ferreira Arruda Camargo.

Figura 55 – Relatório do programa de acomodações do futuro Paço Municipal de Campinas, elaborado pelo Dr. Ruyrillo de Magalhães, presidente da Comissão de Planejamento do município.

Fonte: Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 06, documento 65.

O documento apresentado para apreciação do Prefeito Ruy H. Novaes, em 16 de outubro de 1956, iniciava explanando que pretendia em linhas gerais, “(...) servir de

roteiro às medidas preliminares que a Prefeitura deveria tomar (...)” para a construção do novo Paço Municipal de Campinas. Ficou estabelecido que o Engº Simão Podolsky, deveria entrar em contato com a Associação dos Engenheiros de Campinas, a fim de conseguir as bases referentes a realização de concurso, e o Dr. Ruyrillo de Magalhães elaboraria estudo objetivando o programa mínimo necessário para as acomodações do novo Paço Municipal (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Após o texto de abertura do Relatório, apresenta-se uma lista de ambientes para a acomodação dos programas desejados a abrigar no edifício. A lista divide-se em três blocos, sendo eles: Bloco A (Poder Legislativo), Bloco B (Poder Executivo) e Bloco C (Centro da Comunidade). Estes por sua vez dividem-se em grupos de temas, que, por conseguinte dividem-se em conjuntos de subtemas, onde são listados os ambientes de cada seção. Os Blocos A e C possuem apenas um grupo único de temas, que se dividem em 5 conjuntos de subtemas respectivamente. A parte mais expressiva do programa ficou a encargo do Bloco B, que se divide em onze grupos de até 5 conjuntos cada um (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a). No entanto, na redação do documento não se mencionou a área de construção pretendida para o projeto.

De uma maneira geral, os programas propostos aos três Blocos foram bem estruturados e definidos, explicitando claramente as funções e hierarquia de cada um. Para cada um dos diversos conjuntos foram elaboradas funções centrais, seguidas por funções secundárias e ambientes de apoio as mesmas (ANEXO 8.2).

Nesse sentido observou-se no Bloco A, destinado ao Poder Legislativo, a estruturação da Câmara Municipal. Separado em cinco conjuntos, o primeiro, das Relações Públicas tratou de organizar a questão da Sala de Sessões da Câmara Municipal, prevendo todo um corpo gestor e administrativo que deveria orbitar em volta de sua função principal, garantido o funcionamento e finalidade da mesma com o público. Os demais conjuntos, Comissões e Biblioteca, Gabinete do Secretário Geral da Secretaria da Câmara, Serviços Administrativos e Serviços Legislativos; trataram de maneira racional estabelecer ambientes de trabalho e apoio para os demais funcionários a serviço da Câmara Municipal (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

O Bloco B, responsável pelo maior e mais complexo programa que abrigaria o Paço Municipal, o Poder Executivo, foi setorizado em onze grupos, respectivamente: Gabinete do Prefeito, Secretarias da Administração Municipal, Departamento do Expediente, Departamento da Fazenda, Departamento Legal, Departamento de Serviços Internos, Departamento de Águas e Esgotos, Departamento de Obras e Viação, Departamento de Assistência e Alimentação Pública, Departamento de Vigilância e Fiscalização, e Futuras Ampliações de Serviços (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Assim como na Câmara Municipal, cada um desses onze grupos dividia-se em conjuntos. A grosso modo esses conjuntos organizavam-se a partir de uma função central de cada grupo, seguido de suas funções auxiliares. Por exemplo, os Departamentos: tinham como 1º conjuntos os Órgãos Centrais, e os demais conjuntos conforme sua natureza. Por sua vez os conjuntos organizaram-se seguindo a mesma lógica. Destaca-se a recorrência quase sempre em todos os conjuntos de ambientes para arquivos e bibliotecas, em apoio as funções públicas que lá seriam desempenhadas (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Reconhece-se nesses dois Blocos a elaboração do programa burocrático e fundamental para a efetivação e funcionamento da máquina pública administrativa municipal em todas as suas instancias, inclusive de atendimento ao público. No entanto, um dos conjuntos do 9º Grupo, responsável pelo Departamento de Assistência e Alimentação, chamou a atenção em particular devido ao seu programa. Nomeado como Divisão de Assistência Médica, propunha-se a criação de um pequeno hospital, com direito a salas cirúrgicas, sala de cremação, sala de raio x e exames semelhantes, e laboratório de análises; além de apartamentos para médicos e enfermeiros (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

O terceiro e último Bloco, destinado ao Centro da Comunidade, era destinado inteiramente ao Público e a Difusão Cultural. Organizado em cindo conjuntos, Órgãos Centrais, Biblioteca, Auditório e Pinacoteca, Rádio Municipal, e Assistência Sócio- Educacional. O primeiro tratou das questões administrativas internas, enquanto que os demais propunham generosos e atraentes atrações ao público em geral. A Biblioteca era composta por diversas salas de leituras, pesquisas, redações, lições, atividades educativas e estar; se propunha a catalogação de um rico acervo a todas

as idades, com periódicos, inclusive em Braille; e uma com um Documentário sobre a cidade de Campinas. O Auditório e Pinacoteca eram providos de Auditório para conferências e reuniões públicas, Salão de audições musicais, cinema educativo, estúdios, galerias de pintura e esculturas, até mesmo uma Discoteca. A Rádio Municipal se propunha um programa necessário para o funcionamento da mesma, e a Assistência Sócio-Educacional oferecia auxílios médicos e dentário escolar (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Além das questões administrativas institucionais do município, o que se propunha com o programa do novo Paço Municipal era de um edifício central para a cidade. Abrigando desde equipamentos públicos culturais, com atrativos serviços à população, até mesmo modestos equipamentos de saúde. Pretendia-se, portanto, marco inovador a cidade, expressivamente moderno em relação as atuais dependências da Prefeitura Municipal.

Após a descrição e listagem do programa no documento do Relatório, seguiu uma espécie de memorial do projeto que se pretendia edificar. Organizado por tópicos chaves para o entendimento das intenções, o texto iniciava-se pela questão do ‘O estilo e o ambiente’. Deixava claro que não se recomendava nenhuma linguagem arquitetônica em específica. Mas que o porte nobre e austero deveria ser coerente com a finalidade do edifício, assim como a simplicidade em suas linhas. E de maneira um tanto curiosa e conservadora, anunciava-se que:

(...) guardasse o novo edifício certas relações com as tradições de Campinas, terra dos barões de café, que habitavam velhas mansões coloniais.

É evidente que não sugerimos seja o novo edifício do Paço um edifício colonial brasileiro. Deverá, no entanto, na medida do possível e do racional, lembrar, em suas linhas, algo do nosso pujante passado econômico-social e cívico-cultural. (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a, p.17)

E continuava na descrição desejada, com a colocação de granito de nossas pedreiras e azulejos à semelhança dos existentes na atual sede da Prefeitura. E enfatiza a organização do programa do edifício em três blocos. A respeito do ambiente, comenta- se sobre a composição paisagística do Parque Público Municipal, que deveria conter necessariamente 2/3 da área do terreno e compor junto ao edifício um todo harmônico, a conservar na medida do possível as árvores existentes (Figura 56). E novamente, de maneira curiosa em aspecto conservador faz menção ao passado colonial através da exaltação das “palmeiras imperiais, brasão das velhas fazendas de café e das

residências das mais antigas e ilustres famílias da Princesa D’oeste.” (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Figura 56 – Foto de ponto de vista elevado olhado para a gleba e massa arbórea, local de implantação do novo Paço Municipal e Parque Público Central de Campinas.

Fonte: Biblioteca Municipal de Campinas

Em seguida, comenta-se a respeito da definição de dois blocos – Câmara Municipal e Centro da Comunidade - e de um programa que se encontrava junto a antiga sede da Prefeitura Municipal – o Corpo de Bombeiros. Para os dois primeiros, define-se que foi destinado um bloco, a fim de que junto aos outros blocos se localizassem e funcionassem racionalmente, não prejudicando o desempenho e as atividades uns dos outros (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

O Centro da Comunidade trataria das instalações do Departamento de Ensino e Difusão Cultural, formando o Centro Municipal de Cultura e Assistência Sócio- Educacional, composta de cinco conjuntos, que compartilhariam diversas seções técnicas e administrativas do Departamento. Dentre as seções, seriam elas: a Biblioteca Pública Municipal, a Pinacoteca, uma Discoteca, a prevista Rádio Municipal de Campinas, e o Auditório de Conferências ou Salão de Reuniões Públicas. Todo o

programa estava previsto para realizar-se no referido Bloco, localizado em área a parte e rigidamente delimitada do edifício do futuro Paço, elaborada para atender diretamente a comunidade (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

O Corpo Municipal de Bombeiros, por sua vez, seria localizado em edifício a parte do futuro Paço, situado em local de fácil acesso, não definido no texto, e que comportasse com folga suas dependências (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a). Sucessivamente no Relatório, apresentava-se a aprovação do documento por parte dos Secretários e Diretores de Departamentos da Prefeitura Municipal de Campinas70 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Por fim, definiram-se as estratégias a serem seguidas para a organização e gestão do projeto e construção do novo Paço Municipal. Assim, foi estabelecido que deveria ser realizado um concurso público de anteprojetos; e que o concurso deveria seguir o Regulamento para Concurso de Arquitetura do Instituto dos Arquitetos do Brasil, isto é, as “Normas Básicas para Concurso de Arquitetura” publicada na Revista Acrópole. Para realização do mesmo, fez-se necessário o estabelecimento e nomeação de uma Comissão Julgadora do Projeto do Futuro Paço Municipal de Campinas para organizar e julgar as propostas, sendo esta Comissão composta por nove membros (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

Eram eles: um representante da Câmara Municipal, um representante da Comissão de Planejamento do Município, um arquiteto representante do D.O.V. – consultor técnico, um advogado representante do D.I. – assistente jurídico, um arquiteto representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil, um Engenheiro representante da Associação dos Engenheiros de Campinas, um arquiteto representante da Sociedade Amigos da Cidade e um secretário administrativo (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

70 Assinaram o documento o Secretário dos Negócios Internos e Jurídicos, Secretário das Finanças, Secretário de Obras e Serviços Públicos, Secretário de Cultura e Higiene, Diretor do Departamento do Expediente, Diretor do Departamento da Fazenda, Diretor do Departamento Legal, Diretor do Departamento de Serviços Internos, Diretor do Departamento de Águas e Esgotos (DAE), Diretor do Departamento de Obras e Viação (DOV), Diretor do Departamento de Vigilância e Fiscalização, Diretor do Departamento de Ensino e Difusão Cultural, Gabinete do Prefeito e Secretário Geral da Câmara Municipal.

Caso não fosse de interesse do Prefeito realizar concurso de anteprojetos, a tarefa deveria ser confiada a um técnico de reconhecido conceito profissional, e que fosse criada e nomeada uma Comissão Executiva do Paço, composta de cinco membros71, que teria o objetivo de superintender os trabalhos relativos ao projeto e a execução da obra do Paço Municipal (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

E, por fim, o texto concluía que o programa do edifício não estava definido por completo, e portanto não deveria ser restringido; e a construção do mesmo não deveria ser através de etapas, mas com base em uma organização de financiamentos, além de que o pretendido edifício, “marco da época atual, deverá atender a cidade em no mínimo trinta anos” (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

A decisão do Prefeito Ruy H. Novaes, sobre o “Relatório Referente ao Programa de acomodações do futuro Paço Municipal de Campinas”, foi publicado no Correio Popular em 11 de Dezembro de 1956, que pronunciou-se de acordo, e determinou a realização de um concurso de projetos, seguindo as diretrizes e normas do IAB-SP. Na ocasião solicitou ao Instituto a designação de um arquiteto de “reconhecida idoneidade profissional e comprovado e longo tirocínio”, para organizar e presidir o concurso.

Para a gestão interna do mesmo, foi criada a “Comissão Executiva do Paço” (CEP), incumbida de supervisionar e acompanhar todos os trabalhos relativos ao novo edifício, e todas as Secretarias e Departamentos deveriam proporcionar todos os auxílios e assistências solicitas pela Comissão72.

Através da Portaria nº 434573 de 13 de dezembro de 1956, o Prefeito Ruy Hellmeister Novaes criou, legalmente a Comissão Executiva do Paço Municipal (CEP), e nomeou para integrar sua composição figuras próximas e proeminentes do corpo político da época. Foram nomeados para membros da Comissão, como Representante do

71 Um representante do prefeito, um Engenheiro Arquiteto representante do D.O.V. –consultor técnico, um advogado representante do D.I. – assistente jurídico, um consultor representante do D.F. e um Secretário Administrativo.

72 “Prefeitura Municipal de Campinas: Expediente despachado em 10 de Dezembro de 1956 pelo Sr. Prefeito Municipal: Da Comissão de Planejamento do Município (Prot. 29029)”. Correio Popular, 11 de Dezembro de 1956.

73 Segundo Arquivo Municipal de Campinas. Arquivo pessoal Dr. Ruyrillo de Magalhães. Caixa 06, documento 64, Carta “Solicitando gratificação mensal aos membros da Comissão Executiva do Paço”, 17 de outubro de 1960 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956).

Prefeito e Presidente da mesma Dr. Ruyrillo de Magalhães74; como Consultor Técnico o Engenheiro-Arquiteto, Egberto de Arruda Camargo75; e como Secretário Administrativo, Rodolpho Vitali76. Tratavam-se de funcionários da CPM envolvidos na elaboração inicial do “Relatório Referente ao Programa de acomodações do futuro Paço Municipal de Campinas” (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a) e familiarizados com o assunto.

Ainda naquele ano, após a primeira reunião da CEP77, a Comissão entrou em contato com o IAB-SP78, o qual indicou como representante para presidir o concurso de anteprojeto, o arquiteto Rino Levi79. Após o recebimento do material preliminar - o já citado Relatório80, e a análise do mesmo junto ao Instituto, em janeiro do ano seguinte Levi confirmou o aceite81 e indicou como seu assistente o Arquiteto Plínio Croce82. Reconhece-se que a oportunidade concebida da realização de um concurso de anteprojetos, muito se deve a dois fatos em específico, primeiro a assiduidade de Magalhães na elaboração do “Relatório”, em orientar claramente a realização de um concurso em sintonia com o IAB, citando ainda a existência de normas afim de orientar o sucesso do mesmo; e a escolha de Novaes pela realização de um concurso a nível nacional, o que garantiria uma boa repercussão para Campinas e inclusive para sua figura política. Honras essas que posteriormente lhe garantiram o cargo de deputado

74 Ruyrillo de Magalhães desempenhou também na época papel de Presidente da Comissão de Planejamento do Município e de Diretor do Departamento de Ensino e Difusão Cultural (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

75 Egberto de Arruda Camargo desempenhou também na época papel de Chefe Substituto da Divisão de Urbanismo e Obras Particulares do Departamento de Obras e Viação (DOV) (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

76 Rodolpho Vitali desempenhou também na época papel de Chefe do Serviço Administrativo do Departamento de Águas e Esgotos (DAE) (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956a).

77 Ata da Primeira Reunião da Comissão Executiva do Paço. 3 de Janeiro de 1957 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957g).

78 Protocolado nº 31409, de 21 de Dezembro de 1956 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956). 79 Rino Levi (São Paulo, 1901 – Lençóis,1965) formou-se arquiteto pela Escola Superior de Arquitetura de Roma (1926), foi membro atuante e da presidência do IAB-SP desde o início da Instituição, onde foi diretor (1952-1955) e estabelece parcerias ao longo de sua carreira com Roberto Cerqueira César (1945) com quem desenvolveu a cartilha de “Normas Básicas para Concursos de Arquitetura”, lecionou na FAU-USP (1954-1959), e foi premiado em diversos concursos de arquitetura, entre eles o Centro Cívico e Paço Municipal de Santo André (1965).

80 Protocolado nº 503, de 8 de Janeiro de 1957 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956). 81 Protocolado nº 591, de 9 de Janeiro de 1957 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1956). 82 Plinio Croce (Tietê, 1921 – Lençóis,1984) formou-se arquiteto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie São Paulo (1946), desde o início da carreira profissional esteve associado ao Arquiteto Roberto Aflalo e posteriormente associaram-se a Gian Carlo Gasperini (1962) estabelecendo escritório de expressiva produção arquitetônica, foi membro atuante e da diretoria do IAB-SP desde meados da década de 1940, onde atuou como 2º Secretário (1947/8-1950/1), lecionou na FAU-USP.

federal pelo Estado de São Paulo, e o afeiçoamento político com o Regime Militar que lhe reconduziu a um segundo mandato na Prefeitura de Campinas.

Estabelecida a Presidência do concurso, foi realizada segunda reunião da CEP83, quando se reuniram os representantes da Comissão e os Arquitetos Levi e Croce, do IAB-SP, que discutiram e estabeleceram as linhas gerais do concurso a partir do material previamente encaminhado. Foi estabelecido que para a continuidade do desenvolvimento do concurso, seria necessário: a realização da minuta do edital de concorrência; a elaboração de um organograma com a definição de áreas para cada ambiente; a inclusão de garagens no programa inicial - com previsão para 150 vagas; a discussão do gabarito a ser adotado; a preferência por planta livre nos escritórios; as soluções de iluminação e ventilação dos ambientes, em especial as áreas sanitárias; o material a ser fornecido aos participantes; a composição do júri; as normas do IAB a serem seguidas; os prazos; os modelos de propostas de apresentação dos anteprojetos e os prêmios. Além do reconhecimento, por parte dos Arquitetos, do excelente trabalho preliminar do programa elaborado pelo Dr. Ruyrillo de Magalhães.

O que diz respeito a composição do júri, os Arquitetos de São Paulo, sugeriram que seria interessante a composição de até três arquitetos para a banca, sendo um de Campinas, um de São Paulo – no caso o próprio Rino Levi, e um do Rio de Janeiro. Para Campinas, a indicação provavelmente deveria ser de um arquiteto pertencente à Associação de Engenheiros de Campinas, e para a indicação de um nome do Rio de Janeiro o Departamento de São Paulo do IAB entraria em contato ao Departamento do Central do mesmo. Quanto aos membros da CEP, seriam assessores consultivos, meramente opinativos e informativos do concurso.

De acordo com o que se estabeleceu na segunda reunião da CEP84, Ruyrillo de Magalhães procedeu aos cálculos das áreas destinadas para o programa do projeto preliminar, inclusive contemplou as novas áreas para a garagem, e chegou a uma área total de 32.014,00 m2. Segundo consta na mesma ata, posteriormente o Prefeito Novaes fixou a área total final a um limite máximo de 15.000,00 m2 para construção

83 Ata da Segunda Reunião da Comissão Executiva do Paço. 10 de Janeiro de 1957 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957g).

84 Ata da Terceira Reunião da Comissão Executiva do Paço. 18 de Janeiro de 1957 (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957g).

do futuro Paço. Devido a essa diminuição do programa, foram realizados drásticos cortes em todas as dependências municipais para se conseguir mais de 50% em economia.

Em vistas de justificar os cortes, foi acrescentado uma cláusula determinante a ser contemplada no futuro edital de concorrência de anteprojetos a ser publicado, que a proposta para o Paço Municipal de Campinas deveria ser projetado com tal flexibilidade que visaria permitir futura ampliação “em vista do progresso que se verifica em nossa terra” (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957).

Resultantes desse corte de gastos, o Bloco A - que receberia o Poder Legislativo, sofreu uma alteração em todos os ambientes, com uma proporção média de 50% da área original. Apenas algumas acomodações secundárias as funções principais foram eliminadas, tais como salas de secretárias, copa e sala de radialista. O que resultou em uma redução de área de 3.100,00 m2, para 1.360,00 m2, um corte de 56,13% de construção (ARQUIVO MUNICIPAL DE CAMPINAS, 1957).

No Poder Executivo, Bloco B, onde estaria concentrado a maior parte do programa do Paço, as restrições seguiram o mesmo ritmo do Legislativo. A grosso modo, todos os ambientes tiveram um corte de aproximadamente metade de suas áreas. Sendo que em todos os Departamentos, os ambientes como Bibliotecas, Arquivos, Depósitos, Almoxarifados, Salas de Reuniões, Salas dos oficiais do Gabinete, Salas dos Responsáveis Administrativos, Salas de Subchefes, Salas de Funções Auxiliares e