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A escola

No documento SÃO PAULO (páginas 36-42)

2. METODOLOGIA

2.1. A escola

Por lecionar há 7 anos em um colégio particular, no bairro do

Rudge Ramos, na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo,

escolhemos tal espaço como lugar para as experiências.

A escola foi fundada em 1967 e, pelo seu tempo de existência

e característica de ensino, é referência educacional na região, pois se

empenha em formar um aluno envolvido com a sociedade e que,

principalmente, compreenda seu papel de cidadão, estando pronto

para enfrentar os desafios que o esperam. Há uma preocupação com

o indivíduo como ser único e especial, dentro de suas características

pessoais.

O colégio compreende todos os níveis de ensino da educação

básica, da Educação Infantil até o Ensino Médio, e também possui um

berçário. O público é predominante formado por estudantes de

famílias de classe econômica alta, porém a escola possui uma

preocupação social incontestável além desse perfil econômico.

Existem atividades, durante o ano letivo, envolvendo trabalhos

solidários, nos quais todos os alunos e funcionários são convidados e

incentivados a participar. O ambiente de trabalho e de ensino possui

um ar familiar; por isso, os alunos costumam sentir-se à vontade,

inseridos na escola, em seus processos educacionais e sendo

participantes deles. Quanto ao espaço físico, existem salas de aula

para cada turma no seu nível de ensino, um anfiteatro, um auditório,

um laboratório, sala de informática, duas quadras de esportes, uma

sala de arte, além de outros espaços específicos para determinadas

atividades.

Por trabalharmos com estudantes de todas as turmas do

Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, fizemos um filtro para

selecionar quem faria parte das experiências desta pesquisa. Foram

considerados estudantes entre 15 e 17 anos, que cursam o 2º e o 3º

ano do Ensino Médio, totalizando quatro turmas (duas de cada ano

de ensino).

Dentre as duas turmas, existem algumas diferenças

importantes a se esclarecer aqui. O primeiro ponto se dá quanto ao

local onde as aulas de artes acontecem: as turmas do 2º ano do Ensino

Médio têm aula de artes uma vez por semana, dentro da grade

horária, e utilizam o espaço da sala de arte para tal; já as turmas do

3º ano do Ensino Médio possuem aula de História da Arte uma vez

por semana, porém utilizam a sala de aula usual, por uma questão de

organização da escola.

A sala de arte

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possui mesas de uso coletivo, diversos

materiais artísticos disponíveis e espaços próprios para armazenar

atividades e trabalhos, enquanto as salas usuais têm carteiras

individuais enfileiradas e uma lousa branca com recursos digitais.

Para as turmas do 3º ano do Ensino Médio, a arte é abordada

de modo a cumprir quesitos pedagógicos quanto à preparação para

vestibulares e processos seletivos, etapas muito próximas dos

estudantes em tal fase da vida. Portanto, por uma questão do uso do

espaço e da impossibilidade de manipular materiais artísticos

variados, os resultados das atividades desenvolvidas com essas

turmas são caracterizados mais pela linguagem escrita do que visual.

Em alguns momentos, quando é possível, realizamos atividades

visuais com lápis de cor, colagens e diferentes papéis que levamos

para a sala de aula.

A determinada diferença de ambiente para os grupos de

alunos ocorre por uma questão de organização de uso da sala de arte

e dos horários das turmas em toda a escola. Por isso, ao escolher com

quem trabalharíamos, convidamos tais estudantes. Desejávamos que

2 Abordaremos no capítulo 3 a importância deste espaço para a pesquisa.

todos eles utilizassem o espaço da sala de arte para realizar as práticas

artísticas, em um horário hábil para todos. Enfatizamos tal

importância porque os que cursam o 2º ano do Ensino Médio não

terão mais a oportunidade de vivenciar as experiências artísticas na

sala de arte no ano seguinte e também porque os alunos do 3º ano já

não frequentam mais tal espaço. Sendo assim, as oficinas seriam uma

oportunidade para que todos usassem a sala em suas experiências

artísticas.

O segundo ponto se relaciona ao fato de que esses alunos, em

sua maioria, estudam no colégio há uma quantidade de tempo

considerável quando correspondida ao tempo de convívio com as

aulas de artes. Portanto, o contato que eles têm entre si e com a

professora durante as atividades, a maneira como costumam agir nos

processos criativos propostos e as relações que procuram estabelecer

em seus trabalhos artísticos, podem permitir que experiências

artísticas, realizadas em oficinas planejadas para essa pesquisa,

envolvidas nos conceitos de fluxo, criatividade e repertório

estudados, possam promover experiências significativas em arte para

cada um deles, promovendo percepções sensíveis e atentas, além de

possibilitar uma profunda análise.

Por conseguinte, para a prática que propomos, observar com

atenção os jovens diante das atividades propostas, as suas dúvidas,

aflições, as soluções encontradas, como acontecem as discussões de

ideias entre todos, o andamento dos trabalhos e o resultado final que

obtêm, é um trajeto considerado essencial para investigação, tanto

quanto os conceitos e pesquisas dos autores considerados para este

trabalho.

Visto isso, como nosso principal parâmetro era o uso da sala

de arte para as experiências artísticas, escolhemos realizar oficinas no

período da tarde, contrárias aos horários das aulas habituais dessas

turmas; assim, o ambiente estaria disponível para uso. Ao

convidarmos as 4 turmas de alunos, demos a oportunidade de todos

os interessados participarem sem especificar nomes ou selecionar

pessoas exclusivas.

2.2. Escolhas

Dentre os 120 alunos das 4 turmas escolhidas, recebi 40

interessados em ouvir a explicação sobre o convite (registramos esse

momento por meio de um vídeo). Cada um escolheu estar ali para

saber sobre a proposta sem prévias explicações. A necessidade de

saciar a curiosidade e se dispor a participar de algo que envolveria a

arte parecia se tornar parte da motivação deles.

Explicitamos do que se tratavam as oficinas, pontuando que

aconteceriam em datas e horários específicos e que serviriam como

parte de uma pesquisa de mestrado, sendo registradas por meio de

fotografia e vídeo. Esclarecemos também que os trabalhos deles

seriam expostos em locais e datas oportunas. Por isso, reforçamos a

importância de os responsáveis autorizarem a participação deles por

meio de um “Termo de consentimento livre e esclarecido” e uma

“Declaração de cessão de direito de uso de imagem” devidamente

assinados.

Ao questionarmos quem se interessava em participar das

oficinas, ficamos surpresos, pois, dentre os 40 estudantes presentes,

em torno de 38 deles se dispuseram. Entregamos os termos e

declarações aos interessados e dispostos a participar dos três

encontros. Alguns alunos pediram para verificar a possibilidade da

participação, em vista dos horários e das datas, enquanto outros

deram total certeza e demonstraram curiosidade em saber como

seriam as oficinas.

Entendemos, dessa forma, que a primeira escolha em estar

presente naquele momento, sem obrigação ou objetivos iniciais

claros, demonstra um desejo de participar desse processo e denota

um início do processo de fluxo (CSIKSZENTMIHALYI, 2002). O eu de

cada um deles se preparava para se encontrar com algo significante e

relevante - do contrário, não estariam naquela sala para escutar algo

que nem sequer sabiam do que se tratava. As únicas certezas que os

jovens tinham eram de que seria algo relacionado à arte, realizado na

sala de arte e com a minha orientação.

Para eles, a dúvida antes existente, misturada ao interesse e à

curiosidade, agora dava lugar a um caminho de descobertas e

experiências possíveis, entrelaçadas à arte como linguagem. Vê-los

participando de todos os encontros, envolvidos e experimentando o

fluxo que as práticas artísticas poderiam proporcionar, era o que mais

esperávamos.

No documento SÃO PAULO (páginas 36-42)

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