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6 O MODELO DE GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS DA V&M DO

6.1.2 A etapa de implementação do programa de GCS

A etapa de implementação do programa de GCS iniciou-se em janeiro de 2005 e a primeira tarefa foi treinar aproximadamente 160 pessoas nos conceitos de supply chain. Desse total, 30 participantes foram treinados na ferramenta SAP APO pela própria SAP. Os processos, modelos e práticas mapeados na primeira fase foram então parametrizados nos módulos que compõe a ferramenta. Para um melhor entendimento dos módulos introduzidos nessa fase, a seguir estão detalhados os novos componentes que passaram a fazer parte do modelo tecnológico da organização (Ver FIG. 13):

1. Implementação do DP: visa melhorar a acurácia da previsão da demanda e o planejamento das vendas da organização no médio e longo prazos. Utilizado por aproximadamente 40 pessoas, foi implementado em setembro de 2005.

2. Implementação do SNP: busca melhorar o atendimento aos clientes estratégicos, o mix de produção, a viabilidade e estabilidade dos planos de produção, suprimentos, logístico e de vendas de médio e longo prazos. Possui aproximadamente 20 usuários, tendo sido implementado em abril de 2006.

3. Implementação do TP/VS: responsável pela elaboração do planejamento das entregas para os clientes, transferências para o porto e para estoques externos em sincronismo com a produção de forma a reduzir estoques e custos de transportes. Implantado em abril de 2006, tem aproximadamente 10 usuários.

4. Implementação do GATP: visa garantir o alinhamento da entrada de pedidos com os planos táticos de vendas, produção, suprimentos e logístico. Também foi implementado em abril de 2006, e tem, aproximadamente, 10 usuários.

5. Implementação do PP/DS: promove a programação e seqüênciamento detalhado da produção considerando os recursos críticos de produção por toda a planta de maneira a reduzir atrasos, estoques e custos de setup. Módulo mais crítico dentre todos, sua implantação iniciou-se em janeiro de 2006, tendo seu término previsto para dezembro de 2006. Ao final da implantação terá aproximadamente 40 usuários.

6. Implementação do EM: possibilita dar visibilidade interna e externa aos eventos da cadeia ligados ao atendimento do pedido de modo a permitir rápida reação aos desvios em relação ao planejado, bem como o estabelecimento de indicadores chave do processo. Ao início da fase de implementação esse módulo foi abandonado, devido à inexistência de casos de empresas siderúrgicas com esse módulo implementado e funcionando satisfatoriamente, sendo relatados poucos casos de implementações bem sucedidas mundialmente no que diz respeito ao monitoramento de eventos (V&M, Relatório Interno, 2005).

7. Implementação de Relatórios (BW): responsável pela disponibilização de relatórios gerenciais para suportar o processo de planejamento integrado de vendas e operações e o processo de atendimento a clientes. A criação desses relatórios é feita pela área de TI, mas eles são utilizados por todos os módulos, tendo aproximadamente 50 usuários.

A FIGURA 13 mostra uma visão geral do modelo tecnológico concebido após a implementação do APO. A parte destacada em cinza retrata o SAP R/3 – módulos de produção (PP), vendas e distribuição (SD) e administração de materiais (MM) – já implementados no modelo original (FIG. 12). A parte destacada em rosa revela os cinco módulos do SAP APO - DP, SNP, GATP, PP/DS e TP/VS – incorporados na segunda fase. Além desses módulos, fazem parte do modelo outras fontes externas - planilhas excel e sistema de data warehouse – destacados em verde.

A seqüência de acontecimentos se processa de acordo com a numeração existente, sendo o fluxo direcionado por meio das setas que compõe o modelo. Inicialmente, são levantados os dados históricos das vendas realizadas a partir do SAP R/3 (1) no módulo SD (vendas e distribuição). Esses dados são carregados no módulo DP (2), e são utilizados na previsão da demanda futura gerada a partir de modelos estatísticos. Tais previsões servem de apoio aos vendedores para que eles possam elaborar o plano de vendas, sendo, os dados passados utilizados no auxílio da previsão do futuro.

Os planos de vendas das unidades gerenciais são então enviados ao SNP (3), que avalia as restrições da cadeia de suprimentos utilizando-se de um modelo de programação linear. O resultado do SNP é a disponibilização de diversos planos de produção de médio e longo prazo factíveis. Esses diversos cenários construídos (4) permitem a elaboração de exercícios de comparação. Esses planos são então enviados para o SAP R/3 (5), onde lhes são

atribuídos valores monetários (6) e emitidos relatórios comparativos (7), de onde é possível extrair aquele plano que proporciona melhor resultado.

Uma vez escolhido o melhor cenário (8), esse é enviado ao GATP (9), que define as cotas de vendas de cada produto existente na organização. Toda vez que for efetuada uma venda (10), é avaliado se a quantidade está dentro da cota de vendas permitida pelo sistema para o período demandado pelo cliente (11). Caso a venda esteja de acordo com as premissas disponibilizadas pelo sistema, é feito o envio das ordens de vendas ao PP/DS (12), que planeja o atendimento dessas vendas por meio da programação e sequênciamento da produção. Uma vez realizado esse planejamento, o sistema solicita automaticamente o abastecimento das matérias primas da usina por meio do módulo MM (administração de materiais) do SAP R/3 (13). Além disso, são criadas as ordens de produção propriamente ditas (14).

Após terem sido produzidos, os produtos são disponibilizados para serem distribuídos por meio do módulo de transportes, o TP/VS (15). Além disso, o plano de vendas escolhido é carregado dentro do DW, gerando relatórios gerenciais corporativos.

Figura 13: Visão geral do modelo tecnológico implementado

Em consonância com o objetivo geral deste estudo, a FIGURA 14 apresenta a participação dos níveis estratégico, tático e operacional na utilização dos sistemas de informação. Verificamos que o sistema ERP é responsável pela integração dos dados operacionais da siderúrgica, por meio da execução de seus módulos (PP, SD, MM, dentre outros). Esse sistema está integrado ao SAP APO, que também oferece módulos onde as informações dão suporte às estratégias operacionais – o GATP (cotas de vendas), TP/VS (transporte) e PP/DS (planejamento e seqüênciamento da produção).

Apoiando o nível tático, encontramos o módulo do SAP APO responsável pela demonstração dos planos de vendas e produção, possível pela utilização do módulo SNP (planejamento de médio e longo prazo). Já no nível estratégico, temos integradas as ferramentas de Business Intelligence, capazes de emitir relatórios para a alta administração, sendo alimentada pelo DP (planejamento da demanda).

/ EM / EM T P/ T P/

ERP

Integração

MySAPSCM

BI

PROCESSOS

/ EM / EM T P/ T P/

ERP

Integração

MySAPSCM

BI

PROCESSOS

Figura 14: TI e SI’s amparando os processos da V&M do Brasil

Fonte: V&M, Relatório Interno adaptado de SAP AG Corp. (dados secundários), 2005.

A implementação dos novos processos advindos do programa de GCS possibilitou a integração da V&M do Brasil com os fornecedores das principais matérias primas da

siderúrgica, bem como o ensaio de integração com os clientes dos mercados internos e externos (FIG. 15).

Figura 15: A cadeia de suprimentos da V&M do Brasil

Fonte: V&M, Relatório Interno (dados secundários), 2005.

Além de permitir o compartilhamento de informações entre as áreas da cadeia produtiva, internamente o sistema consolidou a integração de toda a planta produtiva com os estoques intermediários de cada etapa e com os recursos de transportes. Todo esse trabalho foi desenvolvido com a participação direta ou indireta de aproximadamente 160 pessoas. O interesse deste estudo é extrair nos depoimentos de alguns usuários chave dos níveis estratégico, tático e operacional as alterações ocorridas no comportamento e nas práticas das pessoas. O capítulo seguinte revela as análises discursivas desses personagens.