4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
4.3 Uma década de PAS: síntese dos resultados do programa
De acordo com o Jornal do Cespe/UnB, Edição Comemorativa Ano 1 número 4, correspondente aos meses de novembro e dezembro de 2006, “Pais, alunos e professores aprovam o PAS”. Essa conclusão foi retirada da pesquisa encomendada pelo Cespe/UnB em comemoração aos 10 anos do Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília.
Esta pesquisa concluída em outubro de 2006, foi realizada por meio da aplicação de 40 mil questionários aproximadamente, provenientes de uma
amostragem representativa da comunidade escolar e do Distrito Federal e Entorno, como também de grupos focais que tiveram a participação de integrantes da Comissão Especial de Acompanhamento do PAS, dos Comitês de Revisão dos Objetos de Avaliação e do Fórum Permanente de Professores.
O perfil sociodemográfico dos candidatos público-alvo do PAS/UnB demonstra que:
• Os estudantes de escolas públicas em média são 10 meses mais velhos;
• 71,8% dos estudantes de escolas particulares moram com os pais sendo que os de escolas públicas são 60,4%;
• 23,3% declararam renda familiar na faixa de R$ 500,00 e 12,3% na faixa superior a R$ 5 000,00;
• Nas escolas públicas a renda familiar dos estudantes é de R$ 1.267,00, enquanto nas escolas particulares é R$ 4.111,00; • Os estudantes que já estão no mercado de trabalho têm renda média 50% maior entre os estudantes de escolas públicas, porém com jornada de trabalho dobrada, o que é prejudicial aos estudos.
No universo pesquisado verificou-se que:
• 70% concordam que, com o PAS, o método de ensino despertou maior interesse e atenção do estudante;
• 73% concordam que os estudantes inscritos no PAS começam a pensar mais cedo no futuro profissional;
• 67% concordam que os estudantes de renda familiar mais baixa passou a ter mais chances de entrar na UnB;
• 66% concordam que as chances de estudantes de escolas públicas ingressarem na UnB são maiores pelo PAS do que pelo tradicional vestibular;
• 65% concordam que a concorrência por vaga é menor no PAS do que no vestibular.
Assim, ao completar 10 anos de existência, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (UnB) soma resultados expressivos que o consolidam como uma alternativa de sucesso absoluto ao vestibular tradicional.
Para pais, estudantes de escolas públicas e particulares, professores e gestores, o programa (que analisa o desempenho do estudante a cada ano do ensino médio) é justo e possibilita a recuperação, caso o estudante não consiga sair-se bem em uma das etapas da avaliação.
A análise dos dados da pesquisa “PAS – Balanço de uma Década, realizada pela Coordenadoria de Pesquisa e Avaliação do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe/UnB) “mostrou que há um impacto geral
positivo, mas que há nuances de opinião importantes entre os segmentos escolares pesquisados e os tipos de escolas (públicas ou particulares)”. Isto foi dito pelo coordenador do estudo/pesquisa, o professor da Faculdade de Educação da UnB, Bráulio Matos.
O balanço demonstra que mais de 50 mil estudantes de ensino médio participaram do PAS, sendo que 8.547 tornaram-se calouros da universidade. Segundo Matos, a pesquisa avaliou profundamente o PAS, o que possibilitou identificar avanços e dificuldades que servirão de parâmetro para as próximas edições do programa.
Vale ressaltar que foi comprovado nesta pesquisa que o rendimento acadêmico dos estudantes que ingressaram na UnB por meio do PAS é maior que o dos estudantes que não participaram do programa.
No período analisado – PAS (1996 a 2003) x Vestibular Tradicional (1999 à 2004) - constatou-se que 18.173 estudantes ingressaram na UnB. Desse total, 5.195 entraram pelo PAS. A diferença percentual entre a participação de estudantes de escolas públicas e escolas particulares no programa é insignificante, à primeira vista: 51,8%de escolas públicas e 48,2% de escolas particulares.
No entanto, do total de matriculados em escolas públicas do DF, cerca de 30% somente participam do programa. Já nas escolas particulares este número sobe para 90%.Tal proporção reflete diretamente no percentual de aprovados ao final das três etapas: menos de 30% vêm, exclusivamente de escolas públicas.
Uma informação curiosa refere-se à cidade de origem dos candidatos que buscam ingressar na UnB exclusivamente por meio do PAS: 45,9% são de fora do DF, o que expressa a abrangência nacional do programa.
Outro dado positivo refere-se à escolha do curso. Ficou demonstrado que dos estudantes que participaram apenas dos PAS, 53,7% dizem estar absolutamente decididos em relação ao curso escolhido. Segundo Gauche, Coordenador Pedagógico do PAS, pode-se inferir que quanto maior a convicção na escolha do curso, menor a evasão esperada, pois infere-se que há forte relação entre a decisão, a opção do curso e o processo de evasão da universidade.
Por outro lado, o estudo revela um descompasso: professores de escolas públicas demonstram menos otimismo em relação ao programa. Deste universo pesquisado, 46,5% declararam que seus ‘alunos’ não pretendem entrar na UnB o que contradiz os 90% de estudantes de escolas públicas que explicitaram a intenção de ingressar na UnB.
Neste sentido é importante ressaltar o protagonismo do professor, que pode, por meio do entusiasmo na acolhida do PAS, influir fortemente na auto-estima do estudante, elevando-a, ou apenas desconsiderando esta oportunidade, o que se reflete na baixa aprendizagem e consequentemente, baixo rendimento no PAS.
O fortalecimento do ensino público fundamental com uma base de aprendizagem forte contribuiria para a diminuição da evasão e da repetência e, por conseguinte, levaria mais jovens ao ensino médio, e dele para o universitário.
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