2.2 Contabilidade de Custos
2.2.1 A história da Contabilidade de Custos
Martins (2000, p. 19) menciona que “até a Revolução Industrial (século XVIII), quase
só existia a Contabilidade Financeira (ou Geral), que, desenvolvida na Era Mercantilista,
estava bem estruturada para servir as empresas comerciais”.
A contabilização das operações comerciais, para apuração do resultado de cada
período, ficava restrita a, apenas, registrar o valor total das receitas provenientes das vendas
de bens comercializados e deduzí-las das despesas com a aquisição das mercadorias e outras
despesas com a comercialização desses bens.
Era realizado o levantamento dos estoques em termos físicos, já que sua medida em
valores monetários era simples, sendo que o contador verificava o montante pago por item
estocado e, dessa maneira, valorizava as mercadorias. O cálculo para mensurar o valor das
mercadorias vendidas era possível por meio da utilização da seguinte fórmula:
Custo das Mercadorias Vendidas = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Após a obtenção da totalização das receitas provenientes das vendas e subtraindo-se o
custo das mercadorias vendidas, era apurado o lucro bruto das operações mercantis.
Para encontrar o valor do lucro líquido ou o resultado operacional do período,
elaborou-se um relatório que foi denominado Demonstração de Resultados da empresa
comercial.
Entretanto, com o advento da industrialização, a contabilidade tradicional não foi mais
capaz de apurar os resultados de forma simplificada, pois os produtos manufaturados e
comercializados acumulavam valores gastos em suas atividades de fabricação, provenientes
da aplicação dos fatores de produção, mão de obra, matéria-prima e outros materiais. Com
isso, a contabilidade teve algumas adaptações a partir do controle dos estoques.
As novas necessidades de informações para o controle das atividades produtivas nas
fábricas forçaram a contabilidade financeira a informar à administração os custos unitários
dos artigos manufaturados e vendidos.
Ao considerar essa nova concepção, as empresas começaram a ser vistas
separadamente como comerciais e industriais: a primeira continuou a ter a sua contabilização
de forma tradicional, mas, no caso da indústria, teve de criar um novo departamento,
denominado custos, para satisfazer as exigências de quatro grupos distintos de interessados: a
administração; os proprietários; os credores e o público. Esse novo departamento,
subordinado à contabilidade financeira, serviu para preparar registros das particularidades do
custo da seção dos artigos vendidos, tendo como a sua função básica a de preocupar-se com o
registro e medição mais adequados, detalhados e precisos dos elementos de custos, à medida
que se originam e fluem os processos produtivos.
Portanto, a Contabilidade de Custos nasceu da Contabilidade Financeira, quando da
necessidade de avaliar estoques na indústria, com o início da Revolução Industrial.
A contabilidade geral classifica, registra, apresenta e interpreta, em termos
monetários as transações e os fatos de caráter financeiro e proporciona à
administração os fatos e números necessários ao preparo das demonstrações
de Lucros e Perdas. A contabilidade de custos, por outro lado, classifica,
registra, apresenta e interpreta de forma significativa o material, a
mão-de-obra e os custos dos gastos gerais envolvidos na manufatura e venda de cada
produto. (MATZ; CURRY; FRANK, 1978, p. 33)
A Contabilidade de Custos aparece pela primeira vez, como técnica independente e
sistemática, nos Estados Unidos, envolvendo a produção industrial, sobretudo estudando os
problemas de mão de obra e repercussões no custo industrial.
Os elementos de custos, que passaram a ser demonstrados em formato próprio,
contribuíram para melhorar os controles das atividades de produção pertinentes aos valores
monetários gastos em seus processos de fabricação, possibilitando, assim, maior precisão na
apropriação dos valores gastos nos recursos utilizados nessas atividades.
Segundo Matz, Curry e Frank (1978, p. 34), os custos de vendas da Demonstração de
Lucros e Perdas podem ser divididos em cinco partes distintas:
1) materiais diretos, compreendendo inventário inicial, compras, devoluções ou
abatimentos de compras e o inventário final;
2) mão de obra direta, indicando o custo dos empregados cujo trabalho pode ser
diretamente identificado com o produto manufaturado;
3) despesas indiretas de produção, compreendendo todas as despesas que ocorrem de
forma indireta na manufatura do produto, como, por exemplo, depreciação de
maquinário;
4) inventários de produção em processo, que representam os custos em andamento no
começo e os custos ainda em andamento no fim do período fiscal;
5) inventários de produtos acabados, nos períodos inicial e final.
Martins (2000, p.21) cita que houve dois momentos que foram também muito
importantes para a criação da Contabilidade de Custos:
• No primeiro momento, com o desenvolvimento do Mercado de Capitais nos EUA e
em alguns países europeus, possibilitando a milhares de pessoas tornarem-se
acionistas, foi necessário o surgimento das Auditorias Independentes, que avaliam e
demonstram os resultados financeiros das empresas de forma transparente e
imparcial, possibilitando aos acionistas o acompanhamento da evolução de suas
ações. Essas Auditorias Independentes utilizavam-se de critérios homogêneos para
controle e avaliação dos estoques, substituindo o valor de compras pelo valor de
fabricação, tornando a contabilidade de custos na qual se conhece atualmente;
• O segundo momento, que acabou por estabelecer a importância da contabilidade de
custos, foi o advento do Imposto de Renda, que tem como base de cálculo, o valor
do lucro líquido das empresas, sendo, assim, de vital importância o conhecimento
do valor real das despesas com a produção e outras atividades da empresa.
Nesse momento, a contabilidade de custos não teve uma evolução mais acentuada no
que se refere ao gerenciamento administrativo, pois, inicialmente, auditores e contadores se
preocupavam apenas em estabelecer simplesmente a apuração de valores com a produção e o
controle de estoques.
Há apenas algumas décadas, seus usuários viram, na contabilidade de custos, uma
ferramenta potencial que pudesse auxiliá-los nas tomadas de decisões administrativas tendo
como base o controle gerencial.
Devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da
distância entre administrador e ativos e pessoas administradas, passou a
Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio
no desempenho dessa nova missão, a gerencial. (MARTINS, 2000, p.21)
Hoje, dentro da Contabilidade de Custos, existem critérios e técnicas que solucionam
de modo bastante adequado, os problemas relacionados a esse aspecto.
O sistema de custos busca identificar os gastos com a produção para que, com base
nesses dados, possam ser realizadas classificações, análises, avaliações, controles e
planejamentos e, consequentemente, transformar-se numa importante ferramenta de gestão,
como fonte primária e básica para a tomada de decisão.
É importante ressaltar que a Contabilidade de Custos não se aplica somente às
indústrias, sendo que é possível calcular custos comerciais, de serviços, agrícolas etc.. Porém,
a ênfase maior é dada à atividade industrial, uma vez que é nesse segmento seu maior campo
de atuação, motivo que leva muitos a denominarem, incorretamente, a contabilidade de custos
como sinônimo de contabilidade industrial.
No documento
Contabilidade Gerencial: um estudo no Brasil sobre diferentes ferramentas gerenciais para diferentes necessidades
(páginas 35-38)