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CAPÍTULO III – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS

3.1 A INFLUÊNCIA DAS ATIVIDADES COMPLEMENTARES PARA A

Nesta categoria, objetiva-se mostrar a contribuição das atividades complementares para a formação do pedagogo. Para tanto dispõe-se de alguns instrumentos como: o pensamento das pedagogas entrevistadas (será feita uma análise do que elas pensam); as impressões obtidas pela pesquisadora ao observar três pedagogas em campo; o projeto pedagógico da IES que contribuiu para a formação das pedagogas, além do comparativo entre o que é exposto na literatura e o pensamento da pesquisadora.

Foi observado que tanto para as alunas como para a instituição investigada as atividades complementares constituem um meio de ampliação curricular, pois possibilitam vivências acadêmicas internas e externas ao curso, visto que delas fazem parte a disseminação de conhecimentos, a prestação de serviços, a assistência acadêmica, a iniciação científica e tecnológica, com vistas ao enriquecimento do processo ensino-aprendizagem, à medida que privilegia a complementação da formação social e profissional do pedagogo.

Isto foi possível de ser percebido após análise de documentos institucionais e das falas de algumas alunas, pois, após serem questionadas sobre como as atividades complementares contribuíram para a formação pedagógica delas, obteve-se como resposta unânime que elas foram de suma importância para ampliação de conhecimentos e que muito auxiliaram na tomada de decisões, hoje, em sala de aula. Elas afirmam que no decorrer do dia a dia da prática docente, às vezes, se percebem em situações difíceis e, ao se lembrarem de coisas ditas ou vividas nas atividades complementares, conseguem encontrar soluções, tal qual exposto em suas falas:

Elas contribuíram para a minha formação pedagógica à medida que me auxiliam com a tomada de decisões em algumas situações difíceis em sala de aula e que eu consigo me sair quando me lembro de coisas vivenciadas com as Práticas Pedagógicas, é [...] Palestras, Transdisciplinar e Arena Científica (P4).

No sentido geral elas vieram agregar valores naquilo que aprendi em sala de aula, questão teórica, então as atividades complementares serviram como uma parte teórica que contribuiu, visto que a teoria não caminha sem a prática e nem a prática sem a teoria. Então elas vieram para agregar mais valores e conhecimentos a minha formação (P5).

De forma geral, alunos e instituição compreendem as atividades complementares como mecanismo de interdisciplinaridade, uma vez que possibilitam uma nova forma de conceber o ensino e a pesquisa, pois acreditam já não mais caber um conhecimento fragmentado e desconectado do cotidiano. Para a instituição, é necessária uma visão de conjunto que melhore a coerência na articulação dos conhecimentos e isto é possibilitado por essas atividades, visto que o aluno, ao participar destas, aprende não só sobre a questão do conteúdo tratado, mas, também, é possível refletir e entender melhor sobre a forma como aprende, facilitando a construção da imagem de si, enquanto estudante, com projeções futuras, quando será um profissional. Nota-se que, apesar de ser obrigação da instituição proporcionar essas atividades, as alunas são, de certa forma, agradecidas pela oportunidade de terem participado de tantas atividades. “Participei de muitas, foram várias atividades, uma diferente da outra, possibilitando diversas experiências. Tudo que sou e tenho hoje devo a essas atividades” (P7).

Acredita-se que o conhecimento é o que existe de mais importante dentro de uma instituição de Ensino Superior e este pode ser adquirido de diversas maneiras, mas, na grande maioria das vezes, acaba sendo adquirido “[...] por meio da pesquisa, do ensino e da extensão, respectivamente” (SÍVERES, 2010, p. 103), o que acaba por reforçar a importância e necessidade de atividades que favoreçam a tomada conjunta de decisões entre a sociedade e a universidade.

Essa parceria (sociedade e universidade) garante às atividades complementares o caráter científico que a mesma deve possuir, pois, numa perspectiva histórico-social, busca fortalecer práticas mediadoras em relação às pessoas, à natureza e à própria sociedade, garantindo o reforço de uma formação política e filosófica que, mais tarde, proporcionará solidez profissional e intelectual. Esta relevância apresenta-se com ênfase na opinião da pedagoga 6:

Essas atividades me levaram a conhecer vários autores e muitas pessoas que me ajudaram a colocar em prática, na sala de aula determinadas atividades que muito colaboraram para meus alunos serem mais pesquisadores e críticos, a serem alunos mais conhecedores daquilo que eu estava levando pra sala, certo? (P6).

Durante as observações, perceberam-se, em muitos momentos, grandiosos esforços por parte das pedagogas em demonstrar solidez intelectual e uma prática inovadora, não sendo possível entender esta motivação, se por acreditarem no que faziam, se por terem

internalizado o aprendizado durante o curso com o auxílio das atividades complementares ou se pela presença da pesquisadora na sala. O importante é que não se pode deixar de elogiar, e até mesmo revelar, imenso contentamento por evidenciar que, apesar de algumas limitações, as alunas tentavam ter uma prática mais próxima daquilo que se pensa ser algo satisfatório. Como dito no início, buscavam evidenciar a solidez intelectual que, segundo as pedagogas, foi, também, adquirida com o auxílio das atividades complementares.

Contudo sabe-se que, para serem de fato eficientes, as atividades dependem tanto do professor quanto do aluno: do professor que deve ter autonomia intelectual para pensar e ser capaz de promover mudanças, bem como ter propósitos educativos e éticos bem definidos; e do aluno que deve aprender a desenvolver sua capacidade aprendente que, como bem expressa, Maturana e Varela (1994), parte do resultado mecânico da intervenção externa, portanto as atividades complementares são importantes aliadas neste processo.

Por acreditar nisto, a instituição avaliada oferece diversas atividades (seminários articulados com a realidade local, nacional e global, além do Fórum de Pedagogia, Semana Transdisciplinar, Arena Científica, Fórum de Formação de Educadores, Pesquisas e Práticas Pedagógicas Estágios, Monitorias) que contribuem para a formação do pedagogo generalista, capaz de atender às novas exigências da sociedade e do trabalho e com sensibilidade para compreender que a ação educativa depende de práticas sociais de intervenção e transformação da sociedade.

Através da análise de documentos institucionais, também fica claro o perfil do egresso desejado pela IES, que, além de contemplar consistente formação teórica para um melhor desempenho da função, também deve ter a sensibilidade de perceber a realidade social na qual o aluno está inserido para auxilia-lo no processo de conscientização cidadã (PROJETO PEDAGÓGICO DA INSTITUIÇÃO INVESTIGADA).

Para as atividades complementares na IES investigada, era exigido dos alunos que comprovassem participação em 180 horas de atividades que complementassem o currículo pedagógico vigente, pois isto favoreceria maior ampliação dos horizontes de conhecimento. A nova LDB não explicita a carga horária necessária para o desenvolvimento dessas tarefas, deixando a critério de cada instituição a determinação de quantas horas de fato serão necessárias que o aluno cumpra suas atividades, o que evidencia o valor que essas atividades ocupam na projeção de carreira do docente perante a universidade.

Em conversa informal com as pedagogas, percebeu-se que este era, também, mais um aspecto que colaborava para a “gratidão” das professoras em relação à quantidade e à forma como as atividades eram conduzidas. Os alunos precisavam comprovar 180h de participação

em atividades complementares, mas nem todas as faculdades particulares da cidade possuem o mesmo comprometimento com essas atividades, não proporcionando, portanto, um número significativo de eventos que seja suficiente para abater um número razoável da quantidade de horas totais que deveriam ser cumpridas. Como na IES investigada o número de eventos por semestre chegava a ser superior a 3 (quase um evento por mês) e não era cobrado qualquer valor para poder participar, tinha-se um número significativo de participantes, tanto internos como externos, o que significava dizer que os alunos da casa não possuíam ônus e poderiam mais facilmente cumprir uma determinação legal institucional; isto muito colaborou para o agradecimento das pedagogas que participaram de eventos fora da instituição, por opção, mas não por necessidade. Buscavam outros olhares por terem conhecimento da importância de tal ato.

É importante ressaltar que, neste item, está sendo tratada a contribuição das atividades complementares para a formação do pedagogo, porém se está limitando as observações ao campo das impressões em relação ao que foi falado pelas professoras nas entrevistas, ao que foi observado nas visitas de acompanhamento das práticas das professoras; às análises de documentos da IES investigada e à condução das atividades oferecidas pela faculdade, ao longo dos três anos e meio de curso. Os exemplos mais práticos serão relatados na categoria de docência, ficando, portanto, esta com as impressões mais direcionadas à formação propriamente dita.

As pedagogas reconhecem que aula é situação de aprendizagem que se desenvolve nos mais diferentes espaços e com o auxílio de uma ou mais professoras realmente preparadas para o desempenho da função. Durante o tempo em que a pesquisadora fez a observação, foi possível a visualização de aulas que aconteciam nos mais variados espaços da instituição (quadra, jardim, piscina, biblioteca, brinquedoteca, além da própria sala de aula). Isso acontecia devido o entendimento que as pedagogas possuíam de que não existe uma única maneira e um único espaço para se ministrar aulas. Foi perguntado a elas porque faziam isto e elas responderam que faziam assim, porque assim tinha sido ensinado e por realmente acreditarem que o saber não pode ficar confinado à sala e que achavam que aquilo era uma forma de auxiliar os alunos a contextualizarem o saber aprendido na aula com a vida que têm em muitos outros espaços.

Outro ponto importante e que, também, merece destaque é o fato da não improvisação de aulas. Sabe-se que isto não é mais que obrigação do profissional que tem compromisso com o que faz, entretanto, vale ressaltar que, durante os três meses de acompanhamento,

nenhuma aula foi dada sem que as pedagogas tivessem pensado cada momento, o que demonstra respeito pelos alunos e cuidado com o verdadeiro conhecimento.

Assim, de acordo com o observado e exposto, fica evidenciada a questão da importância das atividades complementares para o processo ensino-aprendizagem e a conscientização existente por parte das pedagogas para com estas. Todos comungam da ideia de Freire (1987, p. 27) ao afirmar que “[...] no processo de aprendizagem, só aprende verdadeiramente aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em apreendido com o que pode”. Dessa forma, as pedagogas mostram, em seu discurso, que ficou esclarecida e bem entendida uma das várias funções a que servem as atividades complementares: auxiliar na tomada de decisões, contribuindo de maneira positiva para ampliar os horizontes do conhecimento, bem como suas práticas para dentro e fora da sala de aula.

3.2 AS CONTRIBUIÇÕES DAS ATIVIDADES COMPLEMENTARES PARA A