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1. A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS

1.2 O estado moderno e a construção da soberania

1.2.2 A internacionalização dos direitos humanos

A história da humanidade é marcada por vários fatores nefastos, entre eles a guerra pode ser considerado como o mais antigo. Muito embora ao longo dos séculos as guerras limitavam-se a uma determinada região, a Idade Moderna no continente europeu passou a abranger um caráter global que foi fortalecido durante as duas grandes guerras (HÖFFE, 2005).

O conflito bélico protagonizado pela humanidade ocorrido na “Europa das Luzes”, que séculos atrás exportava aos outros continentes os ideais de liberdade e igualdade (valores do constitucionalismo clássico), converteu-se em um cenário gélido e cinza (PIZZOLO, 2012).

A segunda guerra mundial diferiu para primeira grande guerra não somente pelo número de países envolvidos e pela duração do conflito, mas, sobretudo, pela exorbitância de indivíduos que se tornaram vítimas das ações perpetradas pelos Estados. Calcula-se que 60 milhões de pessoas foram mortas entre 1939-1945 (seis vezes mais do que no conflito do começo do século), sendo a maioria civis (na 1ª guerra mundial a maioria das vítimas era militares). Além disto, a segunda guerra mostrou a subjugação de povos considerados inferiores e o poder que o homem mostrou ter de destruir toda a vida da Terra com o lançamento da bomba de Hiroshima e Nagasaki (respectivamente em 6 e 9 de agosto de 1945) (COMPARATO, 2013).

A confusão e destruição causada deixaram milhões de refugiados, incapazes de prever um futuro no momento em que estavam em campos para pessoas desalojadas. Com o término da guerra passaram a ser revelados alguns dos horrores deliberadamente praticados pelos alemães que deixaram os indivíduos em choque. As fotografias tiradas quando da libertação dos judeus, mostraram as consequências do anti-semitismo e das atrocidades cometidas (HUNT, 2009).

Deste modo, o anti-semitismo, o imperialismo e o totalitarismo, um após o outro demonstraram que a dignidade humana precisa de nova garantia, somente encontrável em novos princípios políticos e em uma nova lei na terra, em que tenha vigência e alcance toda a humanidade(ARENDT, 1989).

O fim da guerra concretizou um velho sonho do continente, relacionado a uma Europa unida por um “direito comum” a partir de um processo de integração regional. As Constituições sancionadas com o pós guerra de países como França, Itália e Alemanha afastaram a visão da soberania estatal absoluta, estando assim, consolidada a abertura para o direito internacional (PIZZOLO, 2012).

Segundo Fábio Konder Comparato (2013, p. 226): “as consciências se abriram, enfim, para o fato de que a sobrevivência da humanidade exigia a colaboração de todos os povos, na

reorganização das relações internacionais”. Isso porque, a humanidade passou a compreender mais do que nunca o valor da dignidade humana, aprofundando a afirmação histórica dos direitos humanos.

A partir deste momento nasceu a terminologia Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH), cunhada quando da positivação da Carta das Nações Unidas (1945) com alusão a direitos e liberdades fundamentais do homem e com o fim precípuo de preservar a

paz mundial(BIDART CAMPOS, 1990).

Até o surgimento do DIDH, os problemas relacionados a direitos humanos eram de competência reservada de cada Estado, o qual resolveria de acordo com seu critério. Contudo, hodiernamente não mais se resolve deste modo, porquanto o DIDH assumiu para si a problemática, celebrou tratados e inclusive pôs este tema para o conhecimento e decisão de

tribunais supraestatais(BIDART CAMPOS, 1990).

Essa internacionalização consistiu em uma mudança vital na essência do direito internacional, tendo produzido um impacto no campo do domínio reservado dos Estados, ao introduzir elementos novos e até certo ponto perturbadores no direito interno. O direito internacional dos direitos humanos corresponde a uma complementação ao direito interno, não o substitui, mas depende dos órgãos domésticos para que seja cumprido. Também diferencia-se do direito internacional, pois enquanto este tem como objetivo também atender os interesses particulares; aquele desperta a consciência idealista, humanitária dos indivíduos

em todos os âmbitos do mundo(SEPÚLVEDA, 1988).

O Direito Internacional deve buscar constituir uma sociedade jurídica que possua condições de coordenar a política internacional conforme a subsidiariedade normativa dos ordenamentos estatais. Deste modo, estar-se-á de um lado concedendo um pouco de poder supranacional a órgãos centralizados, e de outro, permitindo que seja mínimo o recurso a intervenções coercitivas.

Por este motivo, Danilo Zolo (2010, p. 417) propõe a expressão “direito supranacional mínimo” às relações de competências normativas dos Estados nacionais e de órgãos supranacionais. Segundo o autor “este direito deixaria um amplo espaço às funções da domestic jurisdiction, sem pretender substituí-la ou sufocá-la com organismos normativos ou judiciários supranacionais”. Assim ocorreria uma “regionalização policêntrica” do Direito internacional.

Um “direito supranacional mínimo” não deve significar uma inércia da comunidade internacional diante de inúmeros problemas que hodiernamente assolam o mundo como um todo, haja vista que isoladamente os Estados nacionais pouco conseguem fazer para

resolvê-los. Sendo assim, necessário se faz que exista uma colaboração recíproca entre os agentes políticos internacionais para estreitar a concentração de poderes em órgãos supranacionais, como um modo de responder os problemas existentes em decorrência da globalização (ZOLO, 2010).

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 os Estados vencedores reuniram-se e criaram quiçá a Organização Internacional mais conhecida do mundo: a chamada Organização das Nações Unidas (ONU) com a finalidade de preservar as futuras gerações do “flagelo da guerra” (GUERRA, 2008).8

O termo “Nações Unidas” foi criado pelo então presidente estadunidense Franklin Roosevelt e utilizado pela primeira vez em 1942 quando 26 países assumiram o compromisso de continuar lutando contra as potências do Eixo, no entanto, a Organização passou a existir oficialmente em 24 de outubro de 1945 após a ratificação da Carta das Nações Unidas pelos Estados Unidos, França, Reino Unido, China, a antiga União Soviética e os demais países signatários (ONU, s.d.a).

A criação das Nações Unidas em 1945, bem como de diversos organismos internacionais passaram a interferir no plano internacional com bastante frequência e propiciaram o desenvolvimento da internacionalização do comércio, do capital, de empresas transnacionais e também de mecanismos jurídicos alternativos para a resolução de conflitos como a arbitragem comercial internacional(MENEZES, 2005).

O fenômeno da globalização foi um dos responsáveis para a abertura deste novo panorama mundial influenciando as inter-relações de caráter internacional, transnacional e cosmopolita com um novo desenho de sociedade(MENEZES, 2005).

Para que a ONU pudesse atingir os fins a que foi criada, foram concebidos seis órgãos principais, quais sejam: 1) Assembleia Geral, 2) Conselho de Segurança, 3) Conselho Econômico e Social, 4) Conselho de Tutela, 5) Corte Internacional de Justiça e 6) Secretariado.

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“Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade; a reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas; a estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional; a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade; e para tais fins: a praticar a tolerância e a viver em paz, uns com os outros, como bons vizinhos; a unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais; a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada, a não ser no interesse comum; a empregar mecanismos internacionais para promover o progresso económico e social de todos os povos [...]”

A Assembleia Geral é composta por todos os Estados-membros da ONU (atualmente conta com 193 países), os quais têm direito a voz e voto nos assuntos que são tratados em pauta. O principal objetivo é discutir temáticas relativas à paz, segurança, aprovação de novos membros, direitos humanos, cooperação internacional, etc. (ONU, s.d.b).

O Conselho de Segurança tem o fim precípuo de manter a paz e segurança internacionais. Diferentemente da Assembleia Geral, é formado por 15 membros, sendo cinco deles permanentes (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China), os quais têm poder de veto; os outros dez membros não são permanentes e tampouco tem direito a veto. Deste modo, se o Conselho de Segurança verificar a existência de qualquer ameaça à paz ou ato de agressão realizará reuniões com posterior aprovação de resoluções ou decidirá quais medidas deverão ser tomadas para restabelecer a paz e segurança internacionais.

O poder de veto pode ser explicado pelo seguinte caso concreto. A Síria vive uma guerra civil desde março de 2011. Devido ao fato de estar ocorrendo inúmeras violações aos direitos humanos dos indivíduos deste país, o Conselho de Segurança passou a realizar reuniões com o objetivo de votar uma resolução para julgamento do Estado perante o Tribunal Penal Internacional pelos crimes de guerra cometidos.

No momento da votação Rússia e China vetaram a resolução, enquanto os demais países membros do Conselho votaram a favor. Em razão de Rússia e China serem membros permanentes e possuírem o poder de veto, a resolução não pode ser aprovada.

Neste meio tempo, os EUA passaram a enviar armas e munições para os rebeldes sírios que estavam lutando contra o Estado, e a Rússia passou a enviar armamento às forças do ditador sírio Assad, fomentando ainda mais a guerra que tomou proporções extremamente complicadas.

Em virtude de situações como a narrada o Conselho de Segurança tem sido alvo de várias críticas, posto que, por vezes não consegue entrar em um consenso (notadamente entre os membros permanentes) para censurar guerras; não há observância do princípio da imparcialidade e age por interesses nacionais ou ainda políticos (HÖFFE, 2005).

Segundo Höffe (2005, p. 387):

Aqui se poderia até afirmar que o mundo dos Estados ainda se encontra na “Idade Média”, quando os senhores feudais normalmente eram mais poderosos que o próprio poder central. No entanto, os senhores feudais de hoje, os membros do Conselho de Segurança, são parte integrante do próprio poder central.

Verifica-se, portanto, que membros do Conselho de Segurança que deveriam zelar pelo respeito aos direitos humanos, paz mundial e segurança internacional, em verdade acabam agindo de modo totalmente contrário a estes preceitos, votando ou vetando resoluções de acordo com seus próprios interesses, e, por vezes, fomentando ainda mais as guerras já existentes.

O Conselho Econômico e Social é o terceiro órgão da ONU e é responsável por coordenar o trabalho econômico e social da Organização e das demais instituições integrantes do sistema global de proteção dos direitos humanos (ONU, s.d.b).

O Conselho de Tutela, por sua vez, realiza a supervisão dos territórios que buscam estabelecer um governo próprio e protege a autodeterminação dos povos. O último território que foi tutelado por este Conselho foi no Palau, localizado no Pacífico. Em razão disto, em 19 de novembro de 1994 o órgão suspendeu suas atividades (ONU, s.d.b).

O principal órgão judiciário da ONU é a Corte Internacional de Justiça criada em 1945 e possui sede em Haia (Holanda). É composta por 15 juízes eleitos pela Assembleia Geral e pelo Conselho de Segurança. Seu principal objetivo é apresentar soluções para conflitos impetrados pelos Estados e emitir pareceres que são submetidos pelos órgãos das Nações Unidas (ONU, s.d.b).

Por fim, o último órgão é o Secretariado, que tem o escopo de administrar as forças de paz, preparar relatórios, sensibilizar a opinião pública sobre o trabalho das Nações Unidas, realizar conferências, etc. O seu atual chefe é o Secretário Geral sul-coreano Ban-Ki moon nomeado pela Assembleia Geral (ONU, s.d.b).

Embora a criação da ONU tenha sido de extrema importância para sociedade internacional, a qual se deparou com graves violações a direitos humanos a partir das barbáries cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, não está isenta a críticas. Höffe segue afirmando que tendo as Nações Unidas o fim precípuo de promover o respeito aos direitos humanos, sua eficiência não se mostra muito grande:

Há muito tempo, desde o primeiro terço do século XX, existem tratados internacionais contra o tráfico de mulheres e contra o trabalho forçado, de forma que, atualmente, não seria o caso de nos sentirmos orgulhosos destes tratados, mas sim de sua execução. Entretanto, as Nações Unidas não tomam providências eficazes nem contra as violações destes tratados, tampouco contra os desrespeitos a seus próprios acordos na área de direitos humanos. (...) Não se pode afirmar que as Nações Unidas sejam um fracasso. Um olhar justo identificará pelo menos três serviços – aqui mais, ali menos – prestados pela ONU. Não se pode deixar de mencionar a contribuição prestada ao aprimoramento do Direito Internacional, bem como à sua codificação. [...] Além disto, ocasionalmente, as Nações Unidas prestam seu contributo como um fórum global de negociações, visando a civilização das

relações internacional. Sobretudo seu objetivo principal, o repúdio a guerra, não é atingido nem de longe. (HÖFFE, 2005, p. 387-389)

Ainda quanto à crítica às Nações Unidas, José Querino Tavares Neto (2008, p. 72) afirma:

Ao menos merece reservas a pretensa representação universal das Nações Unidas, quer pela sua composição, quer pela projeção excessiva, para não dizer autoritária, do Conselho de Segurança da ONU e sua famigerada composição e regimento. Da importância das Nações Unidas e dos Estados para a efetivação dos direitos humanos não há qualquer equívoco, mas projetar-lhes condição sine qua non, no campo da construção teórica e proteção dos direitos humanos, não passa de uma sublevação de expectativas. De um lado, enquanto não houver uma alteração nos estatutos, e, portanto, da ontologia e teleologia das Nações Unidas, e conseqüentes alterações de ordem estrutural, inclusive sua localização geográfica, padeceremos de efetividade e legitimidade dos direitos humanos universais; de outro, a urgência de o Ocidente (re) considerar sua superioridade e prepotência cultural. Não se trata de concorrência pelo monopólio mas de concorrência para finalidade em face do esgotamento, hoje observado, das metanarrativas e da ausência de referencial emancipatório, decorrentes principalmente da pulverização do poder e do processo de globalização.

Três anos após a criação da ONU, a Assembleia Geral aprovou a Declaração Universal de Direitos Humanos (1948). Para a elaboração do documento, as Nações Unidas criaram uma comissão de pensadores e escritores, os quais representavam diferentes correntes de pensamentos para buscar estabelecer uma fundamentação dos direitos humanos (BARRETTO, 2010).

Basicamente, os argumentos que foram analisados pela comissão podem ser divididos em dois grupos: 1) sustentavam que a fundamentação dos direitos humanos deveria basear-se em uma concepção historicista, pois o indivíduo vive em um processo histórico sujeito a mudanças; 2) aduziam que os direitos humanos seriam direitos naturais, isto é, anteriores e superiores à sociedade (BARRETTO, 2010).

Devido as divergências para chegar a uma fundamentação, o processo de aprovação da declaração foi bastante complexo. John Humphrey, professor da Universidade Canadense de McGill preparou uma minuta, sendo que somente após 83 reuniões e 170 emendas o rascunho foi sancionado para ser votado. Em 10 de dezembro de 1948 a Assembleia Geral aprovou a chamada “Declaração Universal dos Direitos Humanos” com 48 votos a favor e oito abstenções (HUNT, 2009).

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da ONU, é o grande documento político-ideológico, mas não elucidatório, da discussão contemporânea dos direitos humanos. Mesmo assim podemos afirmar sua contribuição, juntamente com o avanço do processo integratório europeu (relativizado atualmente), para a institucionalização e internacionalização dos direitos humanos como elemento-chave de interpretação das sociedades do pós-Guerra.

Com o processo de internacionalização dos direitos humanos, dezenas de convenções foram criadas pelas Nações Unidas ou por organizações regionais, sendo que mais de uma centena foi aprovada pela Organização Internacional do Trabalho (COMPARATO, 2013).

Neste sentido, a proteção internacional dos direitos humanos no sistema onusiano concedeu ao indivíduo um status diferenciado, sobretudo concretizado na possibilidade de adotar medidas para conter os abusos perpetrados pelos Estados(GUERRA, 2008).

Com a presença da ONU e anos após com o advento das organizações regionais, gradualmente iniciou-se a elevação dos direitos humanos a nível internacional com o escopo de criar ações para vigiar o status destes direitos no âmbito interno dos Estados e ainda com a possibilidade de condenar os países violadores(SEPÚLVEDA, 1988).

No plano internacional prevalece o entendimento de que existe a supremacia da norma imperativa de direito internacional geral (jus cogens), tanto é que a Convenção de Viena sobre os Direitos dos Tratados de 1969 declara em seu artigo 53 serem nulos os tratados que estejam em conflito com alguma norma imperativa de direito internacional geral. Por consenso, normas internacionais de direitos humanos são consideradas jus cogens (COMPARATO, 2013).

Em razão disto, Constituições que foram criadas após a 2ª Guerra Mundial possuem normas que declaram que normas de direitos humanos possuem status de norma constitucional, entretanto, o Brasil veio de encontro a esta tendência, tendo em vista que após a promulgação da Emenda Constitucional n. 45/2004 que introduziu o §3º no artigo 5º da

Constituição, trouxe a redação de que (COMPARATO, 2013, p. 74), somente “os tratados e

convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais” (BRASIL, 1988).

Para Fábio Konder Comparato (2013, p. 75) esta situação trata-se de um “retrocesso [...] imposto pelo grupo oligárquico dominante, o qual, submetido à crescente pressão internacional, não quis abrir mão do seu tradicional privilégio de impunidade ao desrespeitar os direitos humanos dos mais fracos e pobres”.

Nesta senda, vislumbra-se ser mais fácil subscrever tratados de direitos humanos do que efetivá-los. Esta situação é demonstrada no fato de que há constantes conferências internacionais com temáticas relativas, por exemplo, à escravidão. Inclusive a ONU chegou a adotar uma Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura em 1956, no entanto, estima-se que exista cerca de 27 milhões de escravos no mundo atualmente. No mesmo sentido foi aprovada a Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes em 1984 porque em verdade a tortura não desapareceu mesmo quando sua forma judicial foi abolida ainda no século XVIII e hoje é empregada dentro das forças militares dos Estados Modernos (HUNT, 2009).