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A legislação penal Código Criminal e o Código de Processo Criminal.

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1. A LEGISLAÇÃO DO IMPÉRIO BRASILEIRO UMA ANÁLISE HISTÓRICA

1.4. A legislação penal Código Criminal e o Código de Processo Criminal.

de Estado, cujos membros foram indicados pelo Imperador, que criam a Carta Maior do Brasil e que perdurará até 1889.

Assim afirma o mesmo autor:

A Carta – assim chamada porque foi “outorgada” (isto é, dada ou imposta unilateralmente) pelo Imperador, não elaborada por uma Assembleia constituinte livre – consagrou o princípio da monarquia unitária; nela estão expressas, por exemplo, as relações entre os diversos poderes políticos (Executivo, Legislativo bicameral, Judicial e Moderador) e entre os níveis de administração (nacional, provincial e municipal), assim como uma determinada definição de cidadania.Note-se o poder político concentrado nas mãos do Imperador, investido do Poder Moderador como “chefe supremo da nação e seu primeiro representante”, e também encarregado da chefia do Poder Executivo.(LOPES, 2009: 265/266).

Enfim, o nascente Estado brasileiro já estava assentado em normas constitucionais, ainda que outorgadas, voltadas para o referencial liberalista e monárquico. Restava, no entanto, a criação de compilações que descentralizasse a aplicação da justiça, o que veio a ocorrer com o Código Criminal de 1830 e a Código de Processo Criminal de 1832.

1.4. A legislação penal - Código Criminal e o Código de Processo Criminal.

O Brasil vai conhecer, seis anos após a Constituição de 1824, o seu primeiro Código Criminal, em 16 de dezembro de 1830, que teve, como um dos seus marcos, a preocupação da Coroa brasileira em elaborar primeiramente a legislação criminal , devido à fragilidade das Ordenações Filipinas diante dos acontecimentos políticos da época, que eram incompatíveis com o caso brasileiro e obsoleta e, em algumas partes, revogadas pela Constituição de 1824, o que causou desordem jurídica no âmbito penal e a necessidade de munir o Estado de um aparato penal de modo a proteger as elites e tutelar seus direitos e interesses.

Não cabe nesse trabalho nos atermos aos pormenores da codificação criminal do Império brasileiro, mas interessante foi a preocupação de deixar expresso no seu primeiro artigo - o Princípio da Legalidade – nullum crimem, nulla poena sine lege – que até os dias de hoje é reprisado pelo direito penal brasileiro.

Tudo isso para balizar a ideia de que só o Estado é quem definirá o que é considerado crime e o que não é crime, e cristalizar o ius puniendi, quer dizer, o direito de punir do Estado, o que torna o comando como questões de ordem pública pertinente a toda a sociedade, e não apenas entre as partes envolvidas. O que importa, afora a questão de proteger o indivíduo com a limitação racional do Direito Penal, ter como pano de fundo a realidade para criar meios ou mecanismos para um controle político e social no Brasil, visando a sua centralização política.

Isto ficou evidente com a abdicação de d. Pedro I ao trono em 1831. Não que tenha sido este o motivo da mesma, mas nota-se a partir de então a emanação de diversos atos que promoveram reformas na legislação brasileira, como a promulgação do Código de Processo Criminal de 1832, que regulava provisoriamente acerca da administração da justiça civil, concedendo poderes e autonomia judiciária às regiões e atribuía poderes penais às autoridades locais.

Destaca-se que a promulgação do Código de Processo Criminal de 1832 pode ser considerada como o primeiro grande passo descentralizador do Estado época, pois inovou ao regulamentar o habeas corpus e o tribunal do júri; maior abrangência de atuação dos juízes de paz, que eram eleitos e não nomeados, com funções de polícia. Não será muito esforço perceber que, com a eleição dos juízes de paz, consequentemente ter-se-á mais poder no nível de jurisdição desses órgãos.

Isto porque no Código de Processo Criminal estava previsto que os Juízes de Paz, os quais eram eleitos nas localidades, possuíam jurisdição penal sobre os crimes de menor gravidade, o que permitiu a aplicação de penas previstas no Código Criminal, uma forma de descentralização do Poder Judiciário, cujas consequências eram nefastas para a população em geral, que ficavam submetidas às autoridades judiciais e policiais locais e às oligarquias regionais, o que de certa forma garantiria o controle social e político em todo o país.

O que se observa a partir da promulgação da Lei n.º 261, de 03 de dezembro de 1841, que nada mais foi do que a reforma do Código de Processo Criminal, foi um esvaziamento da descentralização de outrora, quer dizer, diminuiu as funções dos juízes de paz com a transferência de parte de suas atribuições. Isto é, com a reforma, quem

passou a escolher os Chefes de Polícia nas províncias foi o Imperador, retirando assim a força do poder local.

De tudo que foi assinalado, pode-se dizer que nasceu a partir de então a burocracia estatal brasileira, a qual tirou qualquer qualificação política e jurídica daqueles que não estavam inseridos na ordem política, que tinham como fundo a preservação de seus patrimônios, e que de certa forma foi aplicado à escravidão, conforme será tratado nos capítulos seguintes.

1.5. Leis que regulavam os escravos

Afora os dispositivos legais de caráter estrutural mencionados, outros de importância para o presente trabalho devem ser ressaltados, entre eles a Lei de 07 de novembro de 1831, que dispôs sobre a libertação de todo o escravo que tivesse entrado em território brasileiro a partir daquela data.

A importância desta lei surge quando nos deparamos com inúmeras ações de liberdade que se utilizaram deste dispositivo legal para fazer valer direitos de liberdade, principalmente as que tiveram Luiz Gama como defensor dos escravos.

Como bem observou Beatriz Gallotti Mamigonian, a aplicabilidade desse dispositivo legal teve sua razão de ser na segunda metade do século XIX, a saber:

Essa lei, que proibiu o tráfico atlântico, foi amplamente burlada pelos traficantes e proprietários de escravos nas décadas de 1830 e 1840, mas tornou-se peça chave, nas décadas de 1860 a 1880, para a reivindicação do direito à liberdade por parte dos africanos importados ilegalmente e de seus descendentes (MAMIGONIAN, 2006:130).

A mesma autora (MAMIGONIAN, 2006:131) salienta que a categoria legal dos africanos livres não foi uma criação ou inovação da lei de 1831, cuja origem está nos tratados bilaterais assinados por Portugal e Grã-Bretanha para pôr fim ao tráfico de escravos. A título de elucidação, a convenção adicional de 1817 já havia estabelecido que os africanos que fossem encontrados a bordo dos navios condenados por tráfico ilegal seriam emancipados e ficariam sob a tutela do governo do país onde o navio havia sido julgado.

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