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A LRF e os custos das atividades públicas

No documento PPA PPA (páginas 86-89)

2.8 A LRF E OS MECANISMOS DE GESTÃO PÚBLICA

2.8.3 A LRF e os custos das atividades públicas

A Administração Pública, a partir da adoção do modelo gerencial, passou a preocupar-se com a redução dos custos dos bens e serviços públicos e em tornar mais eficiente a máquina pública (MATIAS-PEREIRA, 2007). Assim, a LRF, em cumprimento ao princípio constitucional da eficiência, estabeleceu a necessidade de implantar controles de custos nas organizações públicas.

A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece, no artigo 4º, inciso I, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias deve dispor sobre “normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos”. O artigo 50, parágrafo 3º, da referida lei dispõe que, além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a Administração Pública “manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial”.

Martins (2003, p. 25) define custos como sendo os “gastos relativos a bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços”. Dessa forma, a Contabilidade de Custos tem a finalidade de fornecer informações sobre os custos de bens/serviços públicos a fim de suprir os gestores com informações que orientem a tomada de decisão na gestão governamental.

Giacomoni (2002, p. 27) expõe que, apesar dos benefícios dos custos, “os serviços públicos são pouco suscetíveis ao emprego de fórmulas racionalizadoras que visam a redução de custos”. Para o autor (2002, p. 168), “o sistema de mensuração completa-se ao associar mensuração física (realizações) e mensuração financeira (custo dos recursos)”, a fim de indicar a economicidade e a eficiência no gasto público.

Alonso (1999, p. 44) alerta que “se não há medida de custo não se pode medir a eficiência, pois esta se define como uma relação entre os resultados e os custos para obtê-los”. O conceito de eficiência aproxima-se do da economicidade, que implica fazer mais com menos, sem perder a qualidade. Visa atingir os objetivos por meio de uma boa prestação de serviços, de modo mais simples, mais rápido e

mais econômico – ou seja, com iguais ou menores custos –, elevando a relação custo-benefício no uso dos recursos públicos (CORBARI et al., 2007).

Rezende (2001, p. 121) expõe que o conceito de eficiência diz respeito à

“apuração da racionalidade com que os recursos alocados a determinados programas são utilizados”, referindo-se à “seleção da forma pela qual a produção de determinado bem ou serviço deve ser efetuada de modo que minimize o respectivo custo”. Slomski (2005, p. 49) reforça esse conceito ao expor que “a eficiência está relacionada a custos de produção ou à forma pela qual os recursos são consumidos”. Para Catelli (2001, p. 65) a “eficiência diz respeito ao método, ao modo certo de fazer as coisas [...] definida pela relação entre volumes produzidos e recursos consumidos”.

A eficiência perpassa, ainda, pela decisão entre produzir ou adquirir bens e serviços a serem disponibilizados à sociedade. Tendo em vista que a provisão de bens e serviços públicos não inclui necessariamente que a produção seja efetuada pela Administração Pública, os custos tornam-se essenciais na identificação das alternativas que apresentem maiores vantagens em termos de eficiência e economicidade. Nesse contexto, segundo Matias e Campello (2000, p. 51), faz-se necessário que “haja uma relação definida e conhecida para a relação insumo/produto, de forma a permitir o estudo de viabilidade de cada alternativa”.

Em um contexto de recursos limitados, além da decisão entre adquirir e produzir bens e serviços necessários ao desenvolvimento das atividades governamentais, os gestores públicos enfrentam, ainda, a situação de ter de escolher entre dois ou mais programas de governo relevantes à sociedade. Nesse sentido, Corbari et al. (2007, p. 4) expõem que a importância dos custos reside na busca da identificação do consumo de recursos (financeiros, materiais, humanos e tecnológicos) realizados por programas de governo, os quais, aliados a um bom sistema de informações, propiciam simulações das diversas alternativas, bem como o planejamento sistemático e o controle dos custos de cada programa, projeto e atividade governamental.

Para Miranda Filho (2003, p. 50), um sistema de custos na Administração Pública possibilita duas principais vantagens:

a) a mensuração dos custos sociais de cada uma das diversas ações de governo, revelando para a sociedade os recursos sacrificados para realizar as ações de governo;

b) a apuração dos custos organizacionais das entidades governamentais por meio de um sistema de coleta, mensuração e tratamento de informações relativas aos gastos de funcionamento de cada uma das organizações públicas, revelando o sacrifício de recursos para realizar as atividades diversas de uma organização pública.

Essa perspectiva implica na necessidade da implementação de um sistema de custos aliado a um sistema de informações que oriente e dê suporte às decisões racionais dos gestores na escolha de programas que melhor atendam às necessidades sociais, na identificação de processos ineficientes, na seleção de mix de produtos e serviços e na avaliação da economicidade na aplicação dos recursos públicos.

Horngren, Datar e Foster (2004, p. 41) apontam três aspectos de contabilidade de custos e de gestão de custos que, segundo os autores, têm vasta gama de aplicações, que são: 1) calcular o custo de produtos, serviços e outros objetos de custos; 2) obter informações para planejamento e controle e a avaliação de desempenho; e 3) analisar as informações relevantes para a tomada de decisão.

Assim, um sistema de custos deve estar integrado ao sistema de orçamento público. A mensuração dos custos realizados, aliada à mensuração dos resultados econômicos e sociais alcançados por cada programa de governo, permite avaliar a eficiência e a eficácia da Administração Pública.

Segundo Afonso (2000, p. 3), os custos são “acompanhados e mensurados de forma que possam prestar informações que subsidiem um orçamento, com projeto e atividades relevantes à população, levando à diminuição do déficit público e à eficiência e à transparência perante a sociedade”. Dessa forma, a contabilidade de custos permite avaliar em que medida as organizações públicas estão utilizando adequadamente os recursos e fatores de produção de bens e serviços no atendimento aos interesses sociais.

Nessa perspectiva, os custos permitem analisar o desenvolvimento das atividades governamentais e suas deficiências, melhorando, assim, a base analítica de planejamento, controle, orçamento e, por conseqüência, o desempenho da Administração Pública. Tendo em vista que os recursos públicos são caros à sociedade, a relevância da gestão dos custos na Administração Pública reside na identificação dos recursos por programas de governo, os quais, aliados a um bom

sistema de informações, propiciam simulações das diversas aplicações possíveis desses recursos a fim de atender ao interesse da coletividade.

No documento PPA PPA (páginas 86-89)