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A Luiz Alberto Machado

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1.2 Entrevistas

1.2.12 A Luiz Alberto Machado

Em outubro de 2006, essa entrevista foi editada para o site Guia de Poesia. Ele inicia a entrevista perguntando a Gilberto Mendonça Teles como e quando o menino de Bela Vista se encontrou com a poesia e com a literatura, e o poeta explica seu encontro com a poesia, destacando se é que realmente a encontrou, pois se vê sempre em buscamos, deve ter mesmo ou seu “como” e o seu “quando”, como tudo que é submetido a uma apreciação histórica.

No entanto, nas autobiografias, e uma entrevista não deixa de o ser não parece haver apenas um como e um quando, pois eles se encandeiam numa sequência de acontecimentos simultâneos e crescentes, em forma de desejo indefinido e de esperança confusa e, com o tempo, se consolidam num projeto de vida, os quais, ao lado de outros projetos de vida, acabam por se transformar no mais importante, naquele sem o qual é impossível o absoluto da vida. Então, esse como e esse quando devem ter sido a partir dos seis anos, no seu amor crescente à escola, aos livros, aos exercícios, aos cadernos (que ainda guarda) e no respeito à professora que o levou a decorar um poema de Bilac e a recitá-lo em classe. Ficou na imaginação do menino alguma coisa de gosto, de enlevo, de algo que lhe agradava e que se foi aperfeiçoando pela vida a fora.

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A leitura de poesia e de prosa na adolescência, nos treze e catorze anos, foi consolidando o espetáculo da literatura, lhe dando consciência futura de que a imaginação, o sentimento e o conhecimento se misturavam na criação literária. Então para ele, era preciso ler, era preciso “estudar e escrever, escrever, escrever” (repetição do poeta), Com o tempo veio à autocrítica. O encontro e a descoberta foram um processo da infância para a adolescência e desta para a mocidade e para o homem que ainda teima em continuar a ser e a agir como menino.

E nesses mais de 50 anos de poesia quais as influências foram mais marcantes no processo de criação e no seu trabalho ensaístico. GMT assim resume, na Poesia, que as influências vêm, primeiro, dos poetas que foi lendo, como os

românticos (Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Castro Alves, Gonçalves Dias

– nesta ordem de leitura); os parnasianos (Bilac, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho, Alberto de Oliveira – também nesta ordem); os simbolistas (Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens); e os modernistas, que foram chegando com Mário de Andrade, Menotti, Drummond, Schmidt, Cecília e, mais tarde, Lêdo Ivo, João Cabral e Alphonsus de Guimaraens Filho. “São poetas que li mesmo, li tudo, como depois fui lendo todos os modernistas, sem exceção”. E na crítica, que é outro gênero que ele cultiva leu e lê o que pode, pois acredita que se aprende muito lendo o que um bom crítico fala sobre a literatura e seus gêneros, que, às vezes, os comentários de um poeta valem mais do que a secura de um crítico, sobretudo os da área universitária e seus discípulos. E afirma que, sendo professor de teoria literária e literatura brasileira, todos os grandes teóricos do século XX contribuíram direta e indiretamente para a sua formação intelectual, assimilando deles o que mais se adequava ao seu gosto e à sua autocrítica e não só passou aos alunos como utilizou esses conhecimentos para a criação da poesia como para a criação da linguagem crítica.

E faz uma avaliação do começo com Alvorada (1955) até Hora Aberta, dizendo que a linha das influencias mencionadas pode dar o sentido (a direção estética) desta parábola que se estende de 1955 a 2005. Essa trajetória revela dois projetos que se foram desdobrando e se entrecruzando na cátedra e na produção literária – o da poesia e o da critica. Por isso, pode-se avaliar essa trajetória talvez como a de um sujeito teimoso que, mesmo contra as vicissitudes da vida e da politica, não arredou pé da sua crença na literatura e no livro e veio, ao longo do

tempo, tentando ser diferente de livro a livro, embora se sabendo o mesmo na sua diferença.

Luiz Alberto Machado faz uma pergunta que Gilberto Mendonça Teles diz que ele mesmo já respondeu tal a síntese crítica da sua pergunta:

Estudando sua obra, vê-se que você transita desde formas tradicionais do gênero poético até as mais modernistas, vanguardistas, passando pelos formatos populares do cordel, o que o faz condutor de uma regionalismo experimentalista, num processo que levou Assis Brasil a dizer que sua poesia vai além dos –ismos, bebida na tradição nova de uma nova literatura. O que você nos diz dessa multiplicidade de expressão?

(VASCONCELLOS. 2007. p. 698)

GMT responde, dizendo que começou aprendendo as formas da poesia tradicional: aprendeu a fazer os versos de sete sílabas com a “Canção de exílio” de Gonçalves Dias e com os “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu. Viu depois que era o mesmo ritmo das quadrinhas populares e dos folhetos de cordel, o que lhe deu, com o tempo, a noção rítmica dos registros escritos e orais. Depois, aprendeu a fazer versos decassílabos com Álvares de Azevedo e Castro Alves, e chega aos alexandrinos com Bilac e, ao verso livre, com Mario de Andrade e Manuel Bandeira, sobretudo Bandeira, que continua a ensina-lo o jogo rítmico em poemas metrificados e nos de versos livres, e lendo os poemas e estudando em manuais de metrificação, como o famoso de Bilac e Guimarães Passos. Estudando os versos no grego e no latim e em todas as línguas românicas modernas, adquiriu a liberdade de expressar a linguagem poética da maneira que mais lhe agrada.

É pedido um parecer atual acerca da literatura do Estado de Goiás e o que destacaria no universo literário, e Gilberto Mendonça Teles diz que trata-se de um ensaio historiografia literária, dos seus trinta anos, onde procurou mostrar todas as manifestações de poesia, escrita e oral, da segunda metade do século XVIII até a data de sua publicação, em 1964. E embora não acompanhe bem a intensa publicação do livro goiano, afirma que a atividade literária em Goiás é uma das mais ricas do Brasil, com obras importantes na poesia, no conto, no romance e na crônica. Acompanhando o catalogo de uma editora, como a Kelps, temos uma ideia da efervescência cultural dos goianos.

Sobre seus estudos acerca de obras, como Drummond e de Camões, ele explica que Drummond foi sua tese de doutoramento em 1969. Com este livro

mostrou que a estilística, que exige um conhecimento maior de linguagem, um instrumento imprescindível na analise da linguagem poética, coisa que o estruturalismo nunca conseguiu fazer bem feito. Em relação a Camões e a poesia

brasileira foi um livro feito para o concurso da IV Centenário de Os Lusíadas, em

1974.

GMT foi presidente, por duas vezes, da União Brasileira de Escritores de Goiás e fala de sua experiência ao afirmar que todas as UBEs que conhece, com exceção talvez de São Paulo, têm como única função social distribuir prêmios anuais, isso tem lá sua importância, pois serve de emulação ao escritor, velho e novo. Quanto ao papel do escritor, é claro que é o de escrever, mas isto não significa como queira a famigerada esquerda brasileira, que tenha a obrigação de denunciar.

As perspectivas e avaliações acerca da Academia Brasileira de Letras, Gilberto Mendonça Teles pensa que ela é um mito nacional e também o ideal social de todo escritor e diz que pra entrar lá não é ter um livro, mas possuir um renome ou então um amigo influente nos quadros acadêmicos.

A visão que tem da rede é como um veículo de ampliação da cultura e do gosto literário. Inegavelmente, ela contribui para a difusão da obra literária e do escritor. É um meio de democratização da informação, uma vez que a põe à disposição de um maior número de pessoas.

E em relação às metas que tem para realizar ele diz que haja trabalho e esperança!

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