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CIDADE PARA PESSOAS: PROTEÇÃO E PRIORIDADE AO PEDESTRE”

2. Logotipo da Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito

4.5 A percepção sobre a conduta do instrutor diante das TIC

A pesquisa previu um trabalho em conjunto com os instrutores, no intuito de envolvê- los no contexto das TIC ao mesmo em tempo que possibilitaria momentos de trabalho com as ferramentas, a ponto de tornarem-se recursos válidos para as atividades com os jovens aprendizes.

No entanto, pela experiência de trabalho com esses profissionais, sabia-se que esse processo seria lento e gradual, e que a imposição para uso das TIC nas atividades de nada qualificaria o desenvolvimento das habilidades com as ferramentas. Assim, o trabalho com os

instrutores valeu-se, inicialmente, da compreensão de como os jovens aprendem atualmente, de como essa forma afeta também o processo educativo. Nesse momento, também foram apontados os índices de evasão do ano anterior e a proposta de reduzi-lo. Para tanto, era necessária a adesão dos instrutores, que tinham a liberdade de sugerir ações, bem como aceitavam as contribuições para melhor realização das atividades, sempre com o foco em envolver os jovens com os conteúdos estudados.

Na fase de planejamento das atividades, a pesquisadora percebeu que as ações introdutórias das TIC, por vezes, foram sugeridas pelos instrutores e, por outras, sugeridas pela pesquisadora. Gradativamente, o laboratório de informática passou a ser parte integrante do planejamento das aulas, utilizado para elaboração de trabalhos e pesquisas na internet. Inicialmente, seu uso era sugerido, e, de forma lenta, os instrutores iniciaram o processo de apropriação dessa “complexa ferramenta”. O resultado claro do desenvolvimento dessa capacidade foi quando a pesquisadora percebeu que, por iniciativa própria dos instrutores dos mais diversos conteúdos, começaram a inserir o laboratório de informática nas atividades, principalmente depois da realização do primeiro microprojeto.

Atualmente, a pergunta feita à pesquisadora – “O laboratório de informática está sendo ocupado? Elaborei uma atividade para realizar com os jovens aprendizes e gostaria de utilizá- lo” – é cada vez mais frequente quando os instrutores ministram aulas nesse programa. Considera-se um resultado extremamente válido, visto que quando a pesquisadora iniciou a atividade como TFP, esse espaço era visto como um local de acesso restrito.

Nesse mesmo sentido, é possível analisar a presença da autonomia quanto à utilização do laboratório de informática, bem como dos programas disponibilizados. Os instrutores, de forma geral, compreenderam que, se feito de forma propositiva, o momento de estar e utilizar o laboratório torna-se um aliado na compreensão dos conceitos estudados. Por várias vezes, foi visível o fato de os instrutores surpreenderem-se com os trabalhos dos aprendizes, resultantes de atividades que envolveram as TIC disponíveis no laboratório.

Em diferentes relatos, a pesquisadora pôde observar a satisfação que o instrutor teve de apresentar ou encaminhar, por e-mail, os trabalhos dos aprendizes, como forma de compartilhar os resultados positivos do seu trabalho.

Nesse processo de descoberta pelos instrutores sobre as possibilidades das TIC em atividades que preparam os aprendizes para o mercado de trabalho, notou-se, porém, que, eles são muito mais sugestionados a realizar as propostas das atividades do que, efetivamente, sugerir formas de agregá-las às ações.

tiveram dificuldades em colocarem-se como mediadores, e não como professores que “transmitem o conhecimento”. A compreensão do processo de aprender na prática foi um aprendizado também para os instrutores, que, por vezes, relataram ter “vontade de dar as respostas prontas”, mas, em geral, respeitaram a proposta e, depois, mostraram-se satisfeitos com os resultados.

Possivelmente, foi a partir da primeira edição do microprojeto que despertou, nos instrutores, o interesse em trabalhar de forma diferenciada com os aprendizes por iniciativa própria e, conforme também previsto, em alguns, essa vontade é mais evidente do que em outros18. Sendo assim, tornou-se cada vez mais frequente, para aqueles que se sentiam confiantes, realizar atividades que ultrapassavam a sala de aula e envolviam outras ferramentas.

Embora, no decorrer do desenvolvimento da pesquisa, algumas mudanças no quadro de instrutores tenham ocorrido, o que necessitou de tempo para adaptação dos novos profissionais, as atividades relacionadas com TIC, quando propostas, foram realizadas com êxito e com a criticidade de avaliar os pontos a serem melhorados. Desse modo, foi possível continuar a realização dos microprojetos e finalizar a pesquisa, subsidiada pelo suporte dos instrutores e seu engajamento e aposta em inovações que qualificaram o processo educativo dos jovens aprendizes.

A autonomia dos instrutores foi observada em vários momentos, em que tomaram a iniciativa de agregar as TIC aos conteúdos trabalhados sem solicitar auxílio de “como fazer?”. Esses mesmos profissionais, inicialmente, foram sugestionados a associar as TIC e experienciaram esses momentos lapidando a forma mais adequada e eficiente de utilizar-se das tecnologias. O processo de tomada de decisão tornou-se cada vez mais evidente nas atitudes dos instrutores e, atualmente, está presente nas atividades desenvolvidas no programa de aprendizagem.

Associado a esse fato, a fluência tecnológica também foi desenvolvida, às vezes, pela própria curiosidade dos instrutores em criar algo diferenciado para trabalhar com os jovens. Embora não tenha sido tão avançada quanto à autonomia, os instrutores sentem-se mais capazes “para criar coisas baseadas em suas próprias ideias”, uma vez que sugerem atividades, pedem opinião e auxílio para criação.

Por outro lado, esse fato sugere que esse ponto de observação deve ser mais bem

18A maioria dos interessados tinha em torno de 40 anos (ou um pouco mais). O mais “maduros”, na faixa dos 50

desenvolvido, pois ainda existe uma “dependência” na elaboração das atividades que envolvem a sua própria criação, talvez, pela limitação de conhecimento ou pelo desconhecimento de formas de buscar esse conhecimento. No entanto, é frequente observar que, após o auxílio, os instrutores são capazes de desenvolver suas ideias de forma independente, o que indica que, com a orientação correta, existe o interesse de compreender as TIC e utilizá-las de forma assertiva, sendo assim, o que falta, muitas vezes, é saber de que forma chegar até a execução correta das ideias.