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entrepreneurship

4.1.Introdução

McClelland define entrepreneur como "alguém que exerce um certo controlo sobre os meios de distribuição e produz mais do que pode consumir, com o objectivo de vendê-lo (ou trocá-lo) para obter um renda individual (ou doméstica)" 1

O "entrepreneurship" é o espírito empreendedor, a qualidade ou actividade do empreendedor.

As principais características do "entreprenuership" são:

 aceitação moderada de risco como função da capacidade de decisão;  actividade instrumental vigorosa e/ou original;

 responsabilidade individual;

 conhecimento dos resultados das decisões;

 dinheiro como medida dos resultados;  previsão de possibilidades futuras;  aptidões de organizações;

 interesse em ocupações empreendedores como função de seu prestígio e risco2.

4.2.O conceito de entrepreneur e entrepreneurship na

percepção de McClelland

David McClelland fez uma tentativa, extremamente ambiciosa, de descobrir a razão pela qual certas culturas funcionavam melhor do que outras. Por quê, entre as tribos da África Ocidental, os ashantis e os ibos eram tão dominantes, economicamente? Por quê um volume tão grande do comércio do Sudeste da Ásia era feito por chineses emigrados? Por quê os imigrantes judeus nos Estados Unidos se elevaram com maior rapidez do que outros grupos?

A resposta de McClelland envolveu um valor que ele chamou de Necessidade de Realização e que variava de cultura para cultura e dava aos membros de diferentes sociedades meios para ver o mecanismo do destino. Algumas culturas ensinavam que a luta era infrutífera, já que o êxito ou o fracasso acabavam dependendo do destino e

1 McClelland, David, The Achieving Society. New York: D. Van Nostrand, 1961, página 65. 2 McClelland, David. The Achieving Society. New York: D. Van Nostrand, 1961, página 207.

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dos deuses. Outras transmitiam a seus filhos a visão de que toda pessoa podia controlar ou, pelo menos, influenciar seu resultado na vida. Questão de sorte, mas um homem prudente podia fazer sua própria sorte. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, dizia um refrão de “Para não dizer que não falei de flores”, uma das canções de maior sucesso, de todos os tempos, do compositor brasileiro Geraldo Vandré.

As dificuldades podiam ser grandes, raramente insuperáveis. Na verdade, “ao realizarem” as sociedades, os povos, geralmente, subestimavam as barreiras contra eles erguidas e lançavam empreendimentos que, quanto aos factos, pareciam apresentar toda a probabilidade de fracassar.

Para obter indicações sobre o nível de Necessidade de Realização de várias culturas, McClelland estudou histórias infantis, em verso e prosa, contos folclóricos e outros veículos de comunicação social para a transmissão inconsciente de valores.

Quando a cultura americana era vista através desta lente, seus contos folclóricos pareciam promover um nível de Necessidade de Realização astronomicamente alto. Benjamin Franklin, Lincoln, Grant, Thomas Edison, Andrew Cornegie - estes e incontáveis outros homens que venceram por si mesmo  ensinaram, pelo exemplo, o que os imigrantes continuavam a provar que o trabalho árduo podia muito bem ser recompensado e a vista podia ser erguida alto demais.

A julgar pela recente celebração dos empreendedores, o folclore dos negócios norte-americanos e, sem nenhum exagero, num mundo globalizado, parece robustamente carregado de Necessidade de Realização. Os exemplos de empreendedores nos Estados Unidos que estão tentando galgar os degraus da longa escadaria do sucesso, são muitos.3

Desde os anos 70, não há tanto cepticismo e respeito em relação à pessoa que assume um risco, põe mãos à obra sozinha, faz tudo funcionar. Mas, se corremos os olhos pelos perfis dos titãs do sector dos computadores e dos reis da biotecnologia, é interessante notar que cada um deles tem uma história de muita luta e desejo de vencer, acreditando em seu potencial empreendedor.

3 Shefsky, Llod E. Entrepreneurs are made not born. New York: McGraw-Hill, 1994, pp. 20-

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É difícil acreditar na ideia de que, em Portugal e no Brasil, não tenhamos também empreendedores. De facto, estamos vendo, presenciando uma “guerra”, uma luta onde duas culturas muito próximas tentam realizar algo na área dos negócios, através de empresas de base tecnológica, com implicações distintas para capacidade económica de suas regiões de adaptar-se e fazer face aos seus desafios.

Uma é a classificação de actividades informais, fora dos canais normais, sem garantias e de baixo prestígio, encobertas e engrandecidas pela expressão de capacidades. A maioria dos empreendedores que se elevam à atenção pública já se mostrou, naturalmente, bem-sucedida. Quando no deparamos com casos de indivíduos como António Champalimaud, Belmiro de Azevedo, Américo Amorim, António Ermírio de Moraes, Roberto Marinho e João Carlos Paes Mendonça, entre muitos outros., sabemos que os riscos iniciais acabaram parecendo prudentes e que os incrédulos do começo acabaram tendo as piadas voltadas contra eles. Mas os milhares de pessoas que estão procurando desenvolver negócios para o amanhã, não têm tal certeza. Talvez mais importante: o mundo parece suspeitar o pior dos empreendedores. A palavra inventor ainda evoca um personagem com uma garagem de engenhocas. Muito mais dignificante é o título de advogado, engenheiro ou director de uma grande organização.

Os pais gabam-se do filho que concluiu o curso universitário ou da filha que ingressou numa faculdade, nunca aprovariam pacificamente que o mesmo, no final do curso, não fosse seguir a carreira programada e partir para a criação de um negócio, tornar-se um empreendedor. Mas os tempos estão mudando, a alternativa de trabalhar por conta própria é actualmente uma realidade.

O segredo do sucesso de Bill Gates e Paul Allen, na construção de Microsoft, foi uma grande necessidade de realização, materializada pela visão de um computador em cada secretária e em todas as casas, todos a funcionar com software Microsoft; ganhar dinheiro, ficarem ricos, não era o primeiro objectivo deles.

A necessidade de realização leva os empreendedores a nunca pararem de trabalhar, sempre motivados pela vontade de fazer aquilo que gostam. No final de cada dia de luta, ao pôr-do-sol, eles têm a sensação de que seu empreendimento morre, para ressurgir, com todas as forças, no dia seguinte, ao nascer do sol. Continuam a sua obra empresarial, dedicando-se a jornadas de trabalho que

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geralmente ultrapassam as dezasseis horas diárias, como se não tivesse dinheiro algum, com o mesmo entusiasmo de quem está começando tudo, naquele momento.

4.2.1 - Max Weber como fonte de inspiração de McClelland

McClelland inspirou-se no conhecido estudo de Weber, exposto na obra “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, publicada em 1904. Weber propôs a tese de que a Reforma Protestante produziria uma verdadeira revolução, infundindo um espírito mais vigoroso em trabalhadores e empreendedores, que teria levado ao capitalismo industrial moderno.4

A originalidade da contribuição de McClelland consiste em ter sugerido mecanismos psicológicos intervenientes, como pode-se visualizar, nos esquemas abaixo:

Figura 4.1.: A visão de Weber

Figura 4.2: A visão de McClelland

4 Weber, Max. The Protestant Ethic and Spirit of Capitalism. Tradução de Talcott Parsons.

New York: Scribner, 1930, pp. 50-154. Reforma Protestante

(Valores de Autoconfiança etc,)

Hipótese de Weber

Espírito do Capitalismo Moderno WEBER

Reforma Protestante

(Valores Associados com o Protestantismo ou Industrialismo Moderno)

Educação para a Independência e Autodomínio dos Filhos pelos Pais. Treinamento Precoce para a Independência dos Filhos.

Alta Motivação para a Realização Espírito do Capitalismo Moderno

A teoria motivacional de McClelland 87