A perspectiva de gestão do entrepreneurship
5.2. Conceito de entrepreneur e entrepreneurship de Drucker
Mas o que é um empreendedor/criador de empresas? Drucker avisa, alerta que este título não pode ser aplicado a todo audacioso que inicia um pequeno negócio. Quando um indivíduo abre um restaurante, sem dívida está arriscando; mas não será um empreendedor, por tentar fazer algo familiar. E, no entanto, ele pode estar em um negócio totalmente novo e, ainda assim, não se qualificar como empreendedor/criador de empresas.
Os empreendedores são pessoas que estão simultaneamente criando novos tipos de negócios e aplicando novos e insólitos conceitos administrativos.
Eles não devem surgir, necessariamente, no empreendimento privado; autoridades, universitários e administradores municipais podem actuar de forma empreendedora embora um estudo de caso do sector privado familiar sirva muito bem para tornar clara a concepção de Drucker, temos, também, os Empreendedores Sociais indivíduos que se dedicam a atacar problemas como a AIDS, abuso de crianças, alcoolismo, dentre outros.
As transformações que a sociedade vem passando podem ser muito bem retratadas, através da observação das profundas mudanças ocorridas no trabalho e na sociedade, para quem o conhecimento é, hoje, mais essencial à prosperidade de um país do que o capital ou o trabalho. Esta nova realidade tem profundas implicações para os empreendedores que criam empresas de base tecnológica.
As pequenas empresas actuaram muito melhor do que as grandes, nos últimos 20 anos. Isto porque a pequena empresa, em lugar de contratar especialista, depende mais de uns poucos gerentes, precisa de mais objectivos do que as grandes empresas, necessita concentrar-se, mais uma vez, que tem menor energia. O verdadeiro problema da pequena empresa surge quando o negócio supera os próprios limites.4
As rápidas mudanças nas regras do jogo dos negócios estão valorizando as qualidades empreendedoras das pequenas empresas, como atesta Ed McCracken,
4 Drucker, Peter F, Management and Society, New York: Harper and Row, 1970, pp. 103- 127 e Baumbeck, C.M. & Mancuso, J. Entrepreneurship and venture management. Englewood Cliffs,
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criador da Silicon Graphics, que atribui como factor principal do sucesso da sua empresa a fidelidade aos princípios - agir e pensar como um pequeno negócio 5.
Hoje, pode-se já falar na universalidade das ferramentas usadas pelos empreendedores de empresas de base tecnológica, em ambientes electrónicos. As ferramentas podem não ter o poder de trazer a capacidade de empreendedora para quem não a tem. Mas, sem dúvida nenhuma, está surgindo um novo espírito empreendedor, no ambiente electrónico. Quem está começando a trabalhar com o comércio electrónico são as pequenas empresas.
Actualmente, a empresa de sucesso é caracterizada por um comportamento ágil, inovador, próximo ao cliente e com respostas rápidas no mercado. Os empreendedores de empresas de base tecnológica inventam, criam empresas, desenvolvem negócios inovadores, realmente estão sintonizados com a concepção shumpeteriana da destruição criativa.
Para Marc Andressen, um dos fundadores da Netcape, que em 1996, aos 24 anos de idade, acumulava uma fortuna de mais de 54 milhões de dólares, as pequenas empresas e o espírito empreendedor estão largamente a direccionar não somente as actividades relacionadas com a tecnologia, porém também a própria economia.6
Embora não haja consenso a nível da exactidão dos números, muitos investigadores concordam que micro, pequenas e médias empresas são mais inovadoras e criadoras de empregos do que as grandes.
As empresas deste porte estão criando empregos e criarão muitos outros. Empresas em que as pessoas se auto-empregam. Actualmente já constata-se que há um grande volume de empregos gerados pela Internet. Basta imaginar quantos estão empregados como designers para criar sites na World Wide Web, além de pequenos negócios que surgem, a todo momento, na Web.
Trata-se de um fenómeno completamente novo, o surgimento de minúsculas empresas globais. Isso não era possível antes, quando somente as grandes empresas multinacionais podiam ter acesso aos mercados globais. Hoje uma micro, pequena e média empresa podem atingir um mercado global com comércio electrónico, especialmente se estiver vendendo bits, em vez de átomos.
5 Prokesch, Steven E. Mastering Chaos at the High-Tech Fronteir: In Interview with Silicom
Graphic's Ed McCraken, Harvard Business Review, 67(2): 135-144, November/December 1993.
6 Quinn, James Brian. Technological Innovation, entrepreneurship and strategy. Sloan Management Review, 20 (3): 19-30 , Spring 1979 e Collins, James, High Stakes Winners. Time (190):
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O tamanho da empresa já deixou de ser um trunfo no brutalmente competitivo mundo dos negócios de hoje - o mercado exige respostas muito mais rápidas do que se possa imaginar.7
Na esteira do crescimento do downsizing, da terceirização nas grandes empresas, o movimento do entrepreneurship apresenta-se num ritmo muito acelerado. Na verdade, este processo leva a grande empresa a subcontratar e adquirir, de terceiros, mais e mais produtos ou serviços de pequenas empresas.
A capacidade de inovação e o dinamismo das micro, pequenas e médias empresas estão sendo descobertos pelas nações através do mundo como uma alternativa para uma retoma económica. O mundo está neste momento focalizando muito mais o fenómeno, a importância do entrepreneurship.
Enquanto a maioria das nações está actualmente (re)descobrindo as virtudes das micro, pequenas e médias empresas, o entrepreneur é uma figura indissociável da cultura americana. Desde os tempos de Thomas Jefferson até hoje, muitos americanos vêem os proprietários de pequenos negócios como uma personificação de tudo o que há de melhor no modo de vida americano.
Até século 19, as micro, pequenas e médias empresas dominavam o mundo dos negócios, nos Estados Unidos da América. Porém o entrepreneur foi diminuindo durante o rápido processo de industrialização americano. As grandes empresas surgem nos ramos de negócios onde a economia de escala era crítica para o sucesso: estradas de ferro, indústria automobilística, química e telefonia.8
As vantagens do tamanho da pequena empresa estão tornando-se cada vez maiores. Jovens recém-licenciados, normalmente, vão trabalhar numa grande empresa porque esta tem um programa de treinamento e serviços de recrutamento no próprio campus universitário, onde recrutam e seleccionam os candidatos. Contudo, mais de setenta por cento dos contratados deixam esta empresa dentro de cinco anos. Geralmente saiam para outra grande empresa. Todavia, agora estão indo para uma micro, pequena ou média empresa, quer seja na condição de empregado ou empreendedor.9
7 Holland, Philip. Entrepreneur’s guide: how to start & succeed in your own business. New
York , Putnam, 1985, 256p e Coy, Peter, Entreprise. Business Week. ( Edição especial sem data) 15-16.
8 Reich, Robert B. The Next American Fornteir. New York: Times Books, 1983, pp. 13-130 9 Drucker, Peter F. Small Business. Fortune (121): 66-72, December 30, 1991 e Birley, S.
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Não acreditamos que as grandes empresa desaparecerão. Porém, no futuro o tamanho será uma decisão estratégica da empresa: se ela será uma grande empresa ou não, quando, no passado, ser grande era um objectivo em si mesmo. Alguns ramos de negócios terão de ser tocados por grandes empresas, muito grandes devido à sua própria natureza, apesar de, hoje, existir uma gama incrível de oportunidades de negócios nas quais as pequenas e médias empresas podem actuar muito melhor, onde simplesmente surgirão resultados difusos, e, fatalmente, destruirá a lucratividade, se for de tamanho grande. Assim, está se tornando importante meditar profundamente no tamanho certo da empresa.
As lições das micro, pequenas e médias empresas de mais rápido crescimento estão sempre inovando, aceitam o fracasso como um facto normal num longo processo de aprendizagem e têm uma presença muito activa de mulheres empreendedores entre elas.10
Como imaginar, nos dias de hoje, um indivíduo deixando uma grande e admirada empresa para montar a sua, de alta tecnologia? Quem estaria disposto a correr este risco? Poucos. Estes simbolizam o esprit d'entreprise, a pedra angular, fundamental para o progresso económico de qualquer nação, é o empreendedor. O legado empreendedor ressurge com força total nas micro, pequenas e médias empresas de alta tecnologia.11
"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer". Agora é um grande momento para se começar, uma novo empreendimento. Há fortes evidências de que estamos entrando em uma particularmente fértil era para o "entrepreneurship".
Com as grandes empresas passando por processos radicais de (re)estruturação, com departamentos inteiros sendo extintos, o risco que qualquer empregado destas empresas vir a ser dispensado é relativamente grande.12
Mas significativamente, o aumento dos programas de "downsing", reengenharia e terceirização, implantados nas grandes empresas, indica que começa a surgir uma era na qual as ágeis e dinâmicas pequenas empresas terão um desempenho
10 Stumpe, Warren R. Entrepreneurship in R& D – a state of mind. Research Management, 25
(1): 13-6, Jan. 1982.
11 Gilder, George, O Espírito de Empresa. Tradução José Ricardo Brandão Azevedo, Editora
Pioneira São Paulo, 1989, pp. 57-100.
12 Bridges, William, Um Mundo sem Emprego. Tradução José Carlos Barbosa dos Santos.
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muito melhor do que as grandes. Neste novo ambiente, empreendedores florescerão como em nenhuma época, desde o surgimento da chamada Idade Industrial.
As oportunidades para se empreender nos diversos sectores da economia são muitas. Neste momento o "high tech" é normalmente associado aos "start-ups", sempre presente na agonia, aflição da transformação, tão comum no processo de criação.
Toda a economia mundial está mudando - já não fundamentada numa base industrial, em vez disso, crescentemente, na transferência de informação. A Idade Industrial estava baseada, fundamentada sempre numa grande economia de escala. Construiu gigantescos sistemas para distribuir enormes quantidades de produtos. Aumentou, de maneira considerável, a capacidade dos computadores. Hoje, a gestão descentralizada, redes de computadores e telecomunicações, estão reduzindo esta escala.
Esta tendência para o surgimento de micro, pequenas e médias e dinâmicas empresas aumenta o potencial do impacto da empresa empreendedora na economia - e proporciona, ao empreendedor, oportunidades sem paralelo. As micros e pequenas empresas estão criando estas situações bem como se beneficiando delas. A tecnologia da informação pode ajudar o nível no terreno da competição entre a grande e a micro, pequena e média empresa.
Vivem-se tempos de transformações radicais nos locais de trabalho das empresas de base tecnológica, e uma acerada universalidade das ferramentas usadas pelos trabalhadores nos ambientes electrónicos.
É importante destacar que as ferramentas em si mesmas não podem ter o poder de trazer a capacidade para quem não o tinha. Mas está surgindo um novo espírito empreendedor no ambiente electrónico. Quem está começando a trabalhar o comércio electrónico são as micro, pequenas e médias empresas de base tecnológica.
São estas empresas, sem sombra de dúvidas, que estão a criar empregos e criarão muitos outros.
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Actualmente, as rápidas modificações no terreno da competição, avanços na tecnologia, alterações no mercado são um conjunto de circunstâncias que tornam o ambiente difícil para as grandes empresas. A principal razão é que, com estas mudanças, está sendo reduzido o custo das barreiras de entrada que protegiam as grandes empresas do incómodo das empresas nascentes. A vantagem que o capital propícia às grandes empresas já está sendo diminuída, através da figura do capital de risco. A tecnologia e a inovação estão ajudando as pequenas empresas a baterem as grandes, como Davi derrotou Gollias.
Em muitos aspectos, temos um forte sentimento de que estamos a assistir ao início de uma nova era empreendedora, tendo como actor principal o empreendedor de empresa de base tecnológica que pode aproveitar as oportunidades que estão surgindo, fruto das aplicações proporcionadas pelas privatizações, telecomunicações, informática, biotecnologia, dentre outros campos da actividade humana.
A responsabilidade pela actividade inovadora do empreendedor é de grande relevância, pois o trabalho que consome maior tempo dos administradores provavelmente desaparecerá. Os gerentes passam muito tempo administrando, ao invés de se dedicar às actividades empreendedoras e inovadoras.13
Os livros-textos de administração tratarem, quase que exclusivamente, das tarefas de administração, em vez de tarefas de empreendimento. Deve-se isto ao fato de que, no passado, a tarefa de administrar era uma novidade. Hoje, não o é mais.14
À medida que se vai consolidando a mudança de paradigma de gestão, pressionada pelas revoluções tecnológicas, sociais e de saber humano, mais se vai tornando evidente a importante parcela de contributo que Peter Drucker vem dando para o entendimento do "entrepreneurship".