A perspectiva de gestão do entrepreneurship
5.12. A sociedade pós-capitalista e a ascensão da sociedade do conhecimento
5.12.1. Roteiro para a gestão do capital intelectual
Para gerir o capital intelectual é preciso:
definir o papel do conhecimento no negócio da empresa - por exemplo, a importância do investimento em conhecimento para o desenvolvimento de novos produtos;
acessar os “estoques” de conhecimentos e formular as estratégias competitivas; classificar seu portfolio de conhecimento: que medidas tomar para tê-lo, que fazer
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avaliar: quanto os activos valem; quanto custa a sua manutenção; que fazer para maximizar seu valor; como poder mantê-lo, que estratégia de comercialização adoptar, ou quando abandoná-los;
investir: De posse das informações acerca do inventário dos conhecimentos de sua empresa, identificar os gaps que devem ser explorados, quer seja através de uma política de desenvolvimento de tecnologia própria ou compra de terceiros;
montar um novo portifolio dos inventariados conhecimentos e repetir o processo ad infinitum.
Os empreendimentos de base tecnológica são uma excelente oportunidade para se tangibilizar valores ocultos por trás da densa névoa que é aplicabilidade empresarial do conhecimento, a utilização de todo o potencial que a actual tecnologia põe à disposição da humanidade. Isto ocorre com este tipo de empreendimento porque, primeiro, o valor dos activos intelectuais muitas vezes superior ao valor dos activos tangíveis; segundo; o capital intelectual é a matéria prima do qual os produtos ou serviços são elaborados; terceiro, os empreendedores devem distinguir entre dois tipos básicos de capital intelectual, os quais podem ser denominados humano e estrutural. A distinção é fundamental.
A inovação e as mudanças tecnológica, em síntese, o conhecimento - são tão importantes quanto o capital e o trabalho para o sucesso económico”. As ideias poderiam ser o coração do processo de desenvolvimento.
Para a sociedade como um todo, a descoberta de novas tecnologias é, obviamente, o resultado dos esforços desenvolvidos neste sentido pelos empreendedores.
A economia emergente se baseia em ideias, não em objectos. Em consequência, são necessários novos acordos institucionais, bem como sistemas de preços diferentes para se conseguir uma distribuição eficiente de ideias inovadoras no mercado.
É importante destacar que ninguém empregaria recursos próprios na produção de novas ideias, se depois sua exclusividade não estivesse assegurada. Conceder um poder de monopólio sobre um processo a empresas - através de patentes - criou incentivos para que outras empresas desenvolvessem esforços e fizessem novas descobertas por iniciativa própria.
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Na Nova Teoria do Crescimento, ao contrário da teoria clássica que considerava os monopólios negativos, determinados tipos de descobertas têm necessariamente de estar associados a um poder monopolístico.
Bill Gates percebeu melhor que nenhuma outra pessoa que é o controlo sobre os padrões que os outros indivíduos devem aderir para haver maior alavancagem da riqueza e do poder na era digital. Para a Microsoft, ou uma grande companhia farmacêutica, pode-se afirmar que a actividade mais importante é o desenvolvimento de novas instruções 37.
A Microsoft aplica dezenas de milhões de dólares para desenvolver um único
código de software. A partir do momento em que o tiverem conseguido, fabricar o produto passa a ser uma operação trivial.
Alguém insere um disquete numa máquina e faz cópias e outra pessoa executa a sua expedição. A proporção de trabalhadores na Microsoft que estão exclusivamente afectos à produção é relativamente reduzida. Na prática, a empresa do Gates já vivencía: uma proporção crescente de pessoas dedicadas à inovação relativamente às envolvidas na produção física. Isto implica uma alteração permanente, quer no ritmo de descobertas, quer na taxa de crescimento das nações.
O facto de não ter compreendido que a jogada era impor um padrão, levou a
Apple, no meio da década de 80, a rejeitar propostas para licenciar a fabricação do Macintosh por outras empresas. Só no começo da década de 90 é que a Apple vem
permitir a fabricação dos clones do Macintosh.
A nova teoria do crescimento preconiza que há outros mecanismos subjacentes aos ciclos económicos: a descoberta e a inovação. O campo para a aplicação de novas ideias é ilimitado para as empresas baseadas no conhecimento. São as ideias e todo o processo debusca incansável pela aplicação da investigação direccionada à invenção e à inovação, as grandes responsáveis pelo crescimento económico.
O capital humano é essencial, neste tipo de empresa, porque ele é a principal fonte de inovação e renovação dos produtos e serviços que elas geram, no dia-a-dia de seus negócios.
Entretanto, crescer em capital humano - através do emprego de pessoas criativas, capacitadas, motivadas, treinadas e educadas - é inútil, se não for este
37 Cusumano, Miguel & Selliby, Richard, Microsoft Secrets, New York: Free Press, 1995, pp
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potencial convenientemente aproveitado. Isto requer, do empreendedor de empresas de alta tecnologia, a montagem de uma estrutura de gerenciamento de seu capital intelectual, tal como um sistema de informação, conhecimento de marketing e relacionamento com clientes, dentre outras, para administrar este mundo novo propiciado por esse valor intangível, que é o capital humano.
Dentre as características já visíveis do novo paradigma, destacam-se:
a competitividade das empresas e das nações depende, mais uma vez, da educação do seu povo e de sua capacidade de gerar conhecimento e inovações que de vantagens comparativas clássicas, como mão-de-obra barata e matéria-prima;
a aceleração do ritmo de surgimento de novos paradigmas científicos e tecnológicos, com consequências como a necessidade de educação permanente em todos os níveis e oportunidades para o surgimento de empresas e de produtos intensivos em conhecimento;
a mercado mundial, crescimento dominado por bens e serviços intensivos em conhecimentos e com altíssima qualidade;
o crescente acesso à informação e à troca de ideias mediante redes mundiais de serviços telemáticos interactivos e de capacidade virtualmente ilimitada.
O capital humano é uma importante fonte de crescimento. Medir esta contribuição é um exercício cada vez mais desafiante.
O conhecimento é o único recurso económico realmente significativo, muitas empresas podem estar entrando numa zona de turbulência.