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A PORTABILIDADE E A MOBILIDADE

No documento PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE: (páginas 82-85)

4. O DESIGN E O DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO

4.3. A PORTABILIDADE E A MOBILIDADE

Como foi referido anteriormente, o produto terá a função principal de apoio se o utilizador abandonar os seus pertences por causas de extrema necessidade num contexto de crise. Assim, a portabili-dade e a mobiliportabili-dade são fatores importantes a ter em conta, já que, o produto deve ser de fácil transporte, portanto será de pequenas dimensões, embora possa ser acoplado para transportar mais bens essenciais. Hoje em dia fala-se muito sobre o peso das mochilas para uma criança, por exemplo. Existem preocupações ergonómicas que, embora tentem analisar mais detalhadamente os problemas físicos que daí advém, não ultrapassaram questões estéticas e de marcas. Ou seja, é vendido um número elevado de mochilas, as quais não têm formas ergonómicas ideais e não há preocupação com a idade dos seus utilizadores. Assim, neste produto essa questão será analisada e estudada de modo a permitir uma correta postura, recorrendo à ergonomia como facilitadora do desenho da forma, evitando lesões musculares.

As tabelas antropométricas apresentam as dimensões do corpo, pesos e alcances dos movimentos de uma determinada população e nem sempre podem ser aplicadas para outras.

Como referem Francisco Soares Másculo e Mário Cesar Vidal, no seu livro Ergonomia: Trabalho Adequado e Eficiente, “As pesquisas em Ergonomia, por envolverem seres humanos, devem aten-der às exigências éticas e científicas fundamentais, em respeito a quatro princípios:

1 – Autonomia - refere-se à capacidade que a pessoa possui para decidir sobre aquilo que ela julga ser o melhor para si;

2 – Não maleficência – refere-se à ética profissional;

3 – Beneficência - de uma maneira prática, isto significa que temos a obrigação de agir para o benefício do outro;

4 – Justiça – refere-se a uma tentativa de igualar as oportunidades de acesso a estes bens” (Másculo & Vidal, 2011, p. 4).

Segundo os autores, “A biomecânica permite o estudo do corpo humano de uma forma particular, utilizando os princípios da mecânica para conceber, projetar, desenvolver e analisar equipamentos e sistemas na biologia e na medicina” (Másculo & Vidal, 2011, p. 167). Verifica-se que a importância desse estudo em parceria com a análise Ergonomia, é indispensável para o estudo das cargas mecânicas sob o esqueleto humano, durante a realização de uma atividade ou na utilização de uma mochila, como é o caso que será tido em conta nesta dissertação. Assim, a análise biomecânica avalia a carga e o comportamento da estrutura do corpo relativamente às capacidades do sistema músculo-esquelético, de modo que sejam minimizadas as lesões músculo-esqueléticas no corpo. A função biomecânica estática do esqueleto humano, constituído por 208 ossos, é a de sustentar o corpo. O esqueleto possui pontos de apoio onde os músculos se fixam, essa é outra função impor-tante. Na figura 34, observa-se a nomenclatura dos principais ossos humanos que servirá para exemplificar alguns dados de anatomia que será necessário abordar neste trabalho.

Figura 34 - O esqueleto humano (Másculo & Vidal, 2011, p. 169)

Como se pode verificar na figura 35, a coluna vertebral ou espinha dorsal é uma estrutura óssea do esqueleto axial muito importante em biomecânica. É também muito importante neste trabalho por-que para além de dar uma ajuda indispensável à realização do produto, tem uma especial constitui-ção que permite equilíbrio e postura correta, que se for mal aplicada poderá ter repercussões nega-tivas no corpo humano. A coluna vertebral é o eixo central do corpo e é composta por 34 vértebras, que auxiliam o movimento do corpo do ponto de vista biomecânico, e que a nível neurológico, per-mitem a ligação entre diversos órgãos e outras partes do corpo ao cérebro. (Másculo & Vidal, 2011, p. 170)

Figura 35 - A coluna vertebral (Másculo & Vidal, 2011, p. 171)

A coluna vertebral é constituída por vértebras alinhadas e sobrepostas. Essa estrutura é dividida em quatro regiões: cervical - região do pescoço, composto por sete vértebras extremamente sensíveis; torácica - correspondente à região dorsal, composta por 12 vér-tebras;lombar - parte inferior da coluna, composta por cinco vértebras esacrococcígea - integra a cintura pélvica e é composta por cinco vértebras e uma terminação óssea es-pecífica, o cóccix, formado por quatro vértebras especiais com juntas fixas, à semelhança do crânio.

(Másculo & Vidal, 2011, p. 171)

Para este estudo, interessa analisar as lesões causadas pelas mochilas em particular na coluna lombar, já que, todos os movimentos de flexão, extensão e flexão lateral da coluna produzem stress compressivo. Esta compressão é a forma de aplicação de carga á qual a coluna é sujeita com mais regularidade na posição ereta, sendo a única estrutura de sustentação entre o sistema crânio / tórax e o restante corpo. Ao levantarmos 10Kg (o peso de uma criança ou de uma carga leve), a coluna lombar recebe uma carga de 100kg, por isso é que atividades que consideramos moderadas, são por vezes, a origem para dores lombares. Segundo os autores, mais de 80% dos adultos nos dias de hoje, sentem dores lombares ao longo da sua vida. A lombalgia é a segunda maior causa de faltas no local de trabalho em pacientes com menos de 45 anos.

A coluna cervical também é objeto de estudo, uma vez que é tão importante e delicada como a coluna lombar, já que, tem uma tendência a alterações degenerativas dos discos intervertebrais, conhecidas como cãibras musculares e irritações dos nervos na altura da nuca, ombros e braço. A síndrome cervical, nome dado a essas alterações, manifesta-se pela rigidez da nuca, sendo o torci-colo o sintoma mais frequente.

Assim, conclui-se que ao carregar mochilas, o peso não deve estar só de um lado do corpo. A mochila deve ser apoiada nos dois ombros e para não prejudicar a coluna cervical, as alças devem ser largas e unidas na zona do pescoço. Na maioria dos estudos, a carga mecânica é entendida como carga externa e o efeito do transporte de mochilas com ocorrência de sintomas músculo-esqueléticos na coluna lombar e membros inferiores é extremamente relevante. Segundo José Ara-újo, na sua tese Efeito do Transporte de Mochilas, “(...) quer o peso total da carga, quer a frequência e a duração do transporte, quer o modo como a carga (mochila) é transportada, em termos indivi-duais ou a sua combinação, têm impacto ao nível músculo-esquelético” (Araújo, 2011, p. 37). Veri-fica-se que a dor e o desconforto que se apresentam como sintomas, estão relacionados com os problemas músculo-esqueléticos referidos anteriormente.

Após a observação da figura 36, estudo das características da mochila de transporte escolar por José Araújo, verificamos alguns pormenores que pretendo integrar no produto, nomeadamente, o cinto de aperto na zona lombar, as alças acolchoadas e de ombro ajustáveis e as costas acolchoá-veis.

Figura 36 - Características da mochila de transporte escolar, num total de 182 inquiridos (Araújo, 2011, p. 56).

No documento PRODUTOS ESSENCIAIS EM CONTEXTOS DE CRISE: (páginas 82-85)