3.5 Considera¸c˜ oes ´ Eticas
4.1.3 A pr´ atica cl´ınica – etapas, atividades e subprocessos
A pr´atica cl´ınica em Odontologia contempla componentes pr´aticos te´oricos e laborato- riais. Cada componente ´e subdividido em subprocessos, utilizando metodologias, com o objetivo de promover a evolu¸c˜ao de cada componente. As atividades s˜ao bem planeja- das desde o in´ıcio do semestre, principalmente em se tratando dos componentes pr´aticos. Uma aten¸c˜ao especial deve ser direcionada no sentido de encontrar falhas de gerenci- amento dos processos que comprometam a execu¸c˜ao das atividades no decorrer do se- mestre, principalmente nas atividades que envolvem a atua¸c˜ao de mais de um professor. O planejamento do processo de ensino e aprendizagem em cl´ınica segue um aspecto se- quencial linear. De modo geral, como em outros cursos de gradua¸c˜ao, tamb´em, no curso de Odontologia existem per´ıodos de organiza¸c˜ao pedag´ogica que antecedem as aulas, os
38 PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM CL´INICOS quais s˜ao pr´oprios para rever o planejamento e executar a¸c˜oes que visam melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Nos cursos de Odontologia, al´em destes planejamen- tos pedag´ogicos iniciais, nota-se a necessidade da organiza¸c˜ao de outras atividades, que tamb´em s˜ao executadas antes do in´ıcio das cl´ınicas. Alguns desses processos envolvem professores, alunos e pacientes; o exemplo disso est´a a atividade de triagem dos paci- entes que ser˜ao tratados pela cl´ınica, que ocorre antes do in´ıcio das aulas como diz o aluno A06: “... quando a gente come¸ca a cl´ınica, os pacientes j´a est˜ao agendados, eles j´a chegam l´a, cada um com um aluno, para ser atendido, e cada um com um hor´ario, ent˜ao, o per´ıodo de triagem ´e feito anterior `a cl´ınica! ”. Al´em das disciplinas e conte´udos pr´aticos, existem disciplinas que contemplam conte´udos integrados, que, na maioria das vezes, tamb´em s˜ao pr´aticos. Dessa maneira, os planejamentos devem ser bem definidos, abordando n˜ao somente a organiza¸c˜ao das atividades, mas tamb´em a organiza¸c˜ao de todo o processo de ensino e aprendizagem, os conte´udos trabalhados e os tipos de tra- tamentos que, geralmente, envolvem uma diversidade de pacientes em diferentes faixas et´arias, ficando evidente que estes planejamentos necessitam de ferramentas interativas e colaborativas entre os diversos participantes, a fim de promover uma melhor organiza¸c˜ao e integra¸c˜ao das atividades em curto per´ıodo de tempo, uma vez que cada per´ıodo tem dura¸c˜ao de um semestre. Os componentes te´oricos visam dar embasamento aos diversos tipos de patologias e seus tratamentos, atrav´es das literaturas organizadas pelos professo- res de cada ´area. Nas primeiras cl´ınicas ou anterior a estas, os alunos devem estabelecer uma vis˜ao reflexiva sobre constru¸c˜ao do planejamento de tratamento ao paciente, per´ıodo em que o professor tem uma participa¸c˜ao importante. Os primeiros passos na atua¸c˜ao cl´ınica devem ser precedidos de planejamento ao paciente. Esse planejamento serve para que o aluno reflita e determine o que ´e necess´ario ser feito, al´em de como ele vai realizar cada atividade. Os primeiros planejamentos n˜ao ocorrem em a¸c˜oes diretas entre aluno e paciente, s˜ao constru´ıdos com o aux´ılio do professor para, em seguida, serem executados com o paciente. O professor tem participa¸c˜ao importante, seja criticando, acrescentando, reduzindo ou sugerindo atividades, necess´arias ao atendimento daquele paciente, antes mesmo de o aluno levar o planejamento ao paciente como afirma a aluna A05, “... em uma folha eu colocava, para ele, primeira consulta, segunda consulta, terceira, quarta, e tudo o que ia ser feito naquele paciente, e, depois, a gente ia fazendo os planejamentos de cada uma dessas consultas; ent˜ao, na primeira consulta, a gente descreve o passo a passo, a´ı, antes de atender, a gente mostrava ao professor orientador daquele caso para poder come¸car...”. A aluna A07 tamb´em afirma que: “... a gente precisa anotar o nosso planejamento e ele vai olhar se est´a certo ou errado, isso j´a conta, se vocˆe planejou certo ou n˜ao...”. Os componentes laboratoriais visam treinar os alunos em ambientes mais dinˆamicos, dando oportunidade a eles de colocarem em pr´atica os conhecimentos adquiridos, al´em de permitir ao aluno o treinamento antes de fazer o procedimento com o paciente. Estes treinamentos antecedem os procedimentos em pr´aticas, como afirma a aluna A02, “... toda cl´ınica, antes de iniciar o procedimento em pacientes, ´e realizado o procedimento no laborat´orio, a´ı eles utilizam os manequins, ou ent˜ao em cirurgia mesmo [...] para que vocˆe possa aprender a fazer incis˜ao com bisturi; eles pedem para vocˆe trazer para a aula cabe¸ca de porco, l´ıngua de boi, para vocˆe poder aprender realmente como ´e que faz a incis˜ao em um tecido n˜ao vivo, em carne, a´ı, em cl´ınica, antes vocˆe trabalha
4.1 TEMAS ENCONTRADOS 39
em manequim, para depois vocˆe aprender em humanos”. Os componentes pr´aticos, as cl´ınicas, visam a aprendizagem do aluno em ambientes in vivo. Os alunos executam um passo a passo que inclui todas as atua¸c˜oes necess´arias, desde a arruma¸c˜ao da cadeira em que o paciente ser´a atendido, os instrumentais, a paramenta¸c˜ao e a assepsia do local, at´e a pr´atica com o paciente. Com o paciente presente, outro roteiro deve ser seguido como afirma a aluna A03, “... o primeiro passo do atendimento ´e ver o prontu´ario do paciente; se ele n˜ao tem prontu´ario, abrir um, porque ´e a partir da´ı que vocˆe vai guiar o seu aten- dimento, atrav´es da queixa principal..., tem o exame f´ısico, e depois a gente analisa o que deve fazer no paciente...”. Os alunos seguem um passo a passo de acordo com cada cl´ınica e sob orienta¸c˜ao de seus professores. Em cl´ınica, os alunos s˜ao inseridos, inicialmente, a partir de pr´aticas menos complexas com o objetivo de evoluir de forma segura para as pr´aticas mais complexas, como tamb´em afirma a aluna A02, “... vocˆe vai aprender procedimentos que n˜ao exigem anestesia, procedimentos menos complexos; ent˜ao, vocˆe vai do menos ao mais, vocˆe faz procedimentos que n˜ao necessitam de anestesia, vocˆe faz res- taura¸c˜oes que tamb´em n˜ao necessitam de anestesia, depois vocˆe faz outras que necessitam, depois vocˆe faz cirurgia, depois vocˆe faz pr´otese, reabilita o paciente que passou por um processo cir´urgico...”. As atua¸c˜oes dos alunos necessitam da intera¸c˜ao com os professores especialistas, levando em considera¸c˜ao as diversas atividades cl´ınicas e seus est´agios, que podem ser de pr´aticas iniciais nas cl´ınicas ou em est´agios avan¸cados. Na cl´ınica, mesmo em um semestre, o curso se prop˜oe a dar ao aluno uma vis˜ao abrangente dos tratamen- tos, mostrando o antes e o depois de um tratamento realizado. No entanto, para que isso ocorra, o planejamento deve inserir pacientes em diversos est´agios de tratamentos, pois, somente dessa forma, o aluno pode ter a vis˜ao dos aspectos iniciais, intermedi´arios e finais dos tratamentos realizados. Para que estes objetivos sejam alcan¸cados, cada cl´ınica esta- belece uma sequˆencia de atividades e algumas regras no sentido de acompanhar o aluno e cobrar dele uma atua¸c˜ao, pois, assim como os tratamentos anteriores servem de base para guiar os alunos, proporcionando a estes observarem o andamento do tratamento, assim tamb´em os procedimentos dos alunos, no semestre presente, servir˜ao como demonstra¸c˜oes para os alunos dos semestres posteriores . De modo geral, as habilidades que os alunos devem adquirir est˜ao relacionadas `a postura deles como futuros profissionais em Odon- tologia; dessa forma, seu aprendizado deve contemplar t´ecnicas que de maneira geral v˜ao do atendimento ao paciente, passando pelos procedimentos de investiga¸c˜ao, planejamento e execu¸c˜ao de tratamento, seja em atividades comuns `as mais complexas.
4.1.4 O processo de ensino – pap´eis do professor, metodologias de ensino e ori-