3.5 Considera¸c˜ oes ´ Eticas
4.1.5 O processo de aprendizagem do aluno – pap´ eis, competˆ encias, ha-
As caracter´ısticas dos alunos do curso de Odontologia, de modo geral, s˜ao bem parecidas com as de alunos de outros cursos. Na aprendizagem, o aluno ´e inserido em ambientes que, de acordo com os pap´eis desempenhados, estimulam o desenvolvimento de capa- cidades cognitivas e de competˆencias, necess´arias `a sua forma¸c˜ao. Segundo Ferraz e Belhot (2010), no processo de ensino e aprendizagem, deve haver uma defini¸c˜ao clara e estruturada dos objetivos instrucionais, de forma que a aquisi¸c˜ao de conhecimentos e competˆencias devam ser adequadas ao perfil profissional, direcionando o processo de en- sino, a escolha de estrat´egias, m´etodos, conte´udos e avalia¸c˜oes a este perfil. Os alunos representam pap´eis espec´ıficos em cada per´ıodo do curso de Odontologia. No in´ıcio do curso, os alunos s˜ao apenas ouvintes, com objetivos simples, como acompanhar as aulas te´oricas e estudar em casa, havendo pouca forma¸c˜ao de grupos, e, quando existem, ocorre apenas em v´espera de provas. Em per´ıodos de pr´atica cl´ınica, o aluno desempenha pap´eis diferentes, conforme j´a citados acima, como a forma¸c˜ao de dupla para atendimento ao paciente. Tal metodologia insere o aluno em um ambiente pr´oprio de um profissional em Odontologia, fazendo com que exer¸ca o papel do dentista e tamb´em de assistente, a fim de que possa raciocinar de acordo com cada papel a ser desempenhado. No papel de dentista, o aluno far´a os procedimentos gerais; e no papel de assistente, far´a a ins- trumenta¸c˜ao e organiza¸c˜ao dos materiais. Para n˜ao existir monopoliza¸c˜ao de pap´eis, o revezamento ´e observado pelo professor que avalia a postura de cada aluno e seu desem-
42 PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM CL´INICOS penho de acordo com cada papel. Em poucas cl´ınicas n˜ao ocorrer´a a forma¸c˜ao de duplas; isso ocorre geralmente em cl´ınicas que n˜ao necessitam de assistente. Assim tamb´em, nos treinamentos realizados em laborat´orios, n˜ao existe a necessidade de forma¸c˜ao de dupla. Nas duas situa¸c˜oes, tamb´em, n˜ao h´a forma¸c˜ao de grupos. No curso de Odontologia, ficou constatado que algumas metodologias s˜ao utilizadas com o prop´osito de aproximar o am- biente de ensino e aprendizagem com o dia a dia de um profissional em Odontologia. ´E com este prop´osito que ´e feita a divis˜ao em duplas; em algum momento, o aluno vai atuar como dentista e, em outro momento, como auxiliar de dentista. Como dentista, o aluno executa atividades pr´oprias desta forma¸c˜ao, tendo a oportunidade de refletir sobre sua atua¸c˜ao, de acordo com os padr˜oes que s˜ao necess´arios para um procedimento eficiente. Como auxiliar, al´em de ajudar o colega, o aluno refaz mentalmente o passo a passo de uma atua¸c˜ao, na qualidade de acompanhante, como relata a aluna A01: “... Quando vocˆe est´a fazendo o papel do Dentista, vocˆe tem que assumir posi¸c˜oes tipo: lideran¸ca, decis˜oes e esse tipo de coisa, e, quando vocˆe est´a assumindo o papel de auxiliar, vocˆe est´a pensando: qual ´e o pr´oximo passo? O que ´e que deve ser feito? O que ´e que a pessoa vai precisar? ”. O objetivo dessa metodologia ´e aproximar o aluno de um procedimento que imita a realidade, al´em de fazer com que o aluno atue de forma cr´ıtica e reflexiva. Em rela¸c˜ao `as competˆencias e habilidades, observa-se que os alunos do curso est˜ao inseridos em um tipo de forma¸c˜ao generalista, tendo como principal objetivo torn´a-los capazes a identificar, compreender e diagnosticar diversas patologias, bem como desenvolver, neles, habilidades importantes que o capacitem a atuar com qualidade e competˆencia. Como exemplo, est´a o plano de tratamento que, al´em de abranger diversas patologias, deve ser constru´ıdo a partir de um racioc´ınio articulado com diferentes n´ıveis de informa¸c˜ao do paciente. Segundo a aluna A02: “... vocˆe preenche o prontu´ario desse paciente, identifica esse paciente, procura a queixa principal que ele vai te dizer com as palavras dele, o que ´e que ele sente; vocˆe vai tentar descrever uma hist´oria m´edica desse paciente, uma hist´oria atual da doen¸ca atual desse paciente, em cima da queixa que ele est´a te dizendo, vocˆe vai, tamb´em, tentar elencar os sintomas que ele vai te dizer, os sinais e sintomas com poss´ıveis diagn´osticos”. O plano de tratamento ´e um artefato importante no curso de Odontologia; no entanto, por se tratar de um construto que n˜ao pode conter erros, antes de o aluno construir o plano de tratamento com os pacientes, os alunos precisam ser trei- nados pelos professores, em simula¸c˜oes que adotem tais pr´aticas. Ap´os ser aprovado pelo professor, o aluno est´a liberado para construir o plano de tratamento com o paciente, “... antes de executar esse plano de tratamento, o aluno ´e obrigado a apresentar um projetinho, um plano de tratamento, reduzido, com todas as etapas, descrevendo o passo a passo todo; a gente d´a um folheto a ele com os passos b´asicos que ele tem que preencher, ele preenche aquilo, apresenta uma proposta ao professor e antes de executar no paciente, a gente verifica se aqueles passos est˜ao condizentes. Se est´a coerente a gente libera, e ele executa, sob supervis˜ao”. ´E o que afirma o professor P01. Os alunos necessitam de habilidades para projetar e construir prontu´arios, planos de atendimento, al´em de outras habilidades como a identifica¸c˜ao de les˜oes, referentes a cada cl´ınica, diagn´osticos, identi- fica¸c˜ao dos instrumentais necess´arios a cada tipo de tratamento, interpreta¸c˜ao de diversos tipos de documentos, exames e laudos. Por sua vez, estas competˆencias dependem de um embasamento te´orico alinhado aos treinamentos pr´aticos. Desse modo ´e refor¸cado a ne-
4.1 TEMAS ENCONTRADOS 43
cessidade de se trabalhar com metodologias que se preocupem em alinhar os componentes te´oricos aos pr´aticos; seja simultaneamente ou consecutivamente, de forma s´ıncrona ou ass´ıncrona, a depender da situa¸c˜ao. Segundo a aluna A01: “... ´e uma coisa que atrapalha, vocˆe n˜ao ver a teoria antes de ir para a pr´atica”. ´E de fundamental importˆancia, segundo a professora P02, que o aprendizado seja articulado entre teoria e pr´atica; e segundo a professora P02, existem exemplos de outras pr´aticas de ensino que teorizam primeiro para depois praticarem que n˜ao d˜ao muito resultado. “... eu tenho relatos de colegas que tˆem curr´ıculo nessa estrutura e os alunos fazem toda a teoria em um semestre e depois fazem a pr´atica em outro semestre; eles esquecem, n˜ao conseguem fazer a liga¸c˜ao”. Podemos observar que o processo de aprendizagem ´e bastante complexo. As competˆencias devem ser articuladas, com o objetivo de proporcionar habilidades ao aluno, atrav´es da intera¸c˜ao entre os componentes curriculares e metodol´ogicos entre teoria e pr´atica. Al´em disso, as avalia¸c˜oes devem ser vistas como um processo de verifica¸c˜ao do desenvolvimento do aluno em rela¸c˜ao `a sua aprendizagem, bem como da amplia¸c˜ao de habilidades que lhe garanta atuar como profissional. Para isso, o aluno necessita de ambientes que lhe proporcionem autorreflex˜ao, seja atrav´es de resultados negativos ou positivos, para que seja capaz de avaliar se sua atua¸c˜ao est´a satisfat´oria ou n˜ao, como tamb´em perceber o que precisa ser melhorado. Dessa maneira, percebemos que, a pouca forma¸c˜ao de grupos, aliada `a falta de um ambiente de intera¸c˜ao, ´e um fator negativo que pode afetar o desenvolvimento dos alunos. Assim, podemos compreender que a escolha das metodologias deve levar em considera¸c˜ao o perfil dos alunos, com o prop´osito de inseri-los em um universo pr´oprio, em espa¸cos de intera¸c˜ao entre eles, para que tais ambientes possam auxili´a-los em suas dificuldades e incertezas, seja afirmando suas atua¸c˜oes ou reconduzindo-os, para que haja uma atua¸c˜ao correta de acordo com os objetivos almejados.
4.1.6 Atua¸c˜ao pr´atica dos alunos – constru¸c˜ao de artefatos, prontu´arios, trata-