Como explicado ao final do capítulo 3, os países não entraram em conflito novamente após a guerra de 1982. A Argentina deixou de ser governada por militares em 1983. Mas as relações dos países só foram recuperadas em 1990, apesar da questão das ilhas prevalecer em discussão. Ao explicar o que aconteceu em 1982, a Argentina argumenta que o comportamento dos dois países que motivou um conflito, e não uma resolução pacífica. (G1, 2012a; EMBAJADA ARGENTINA LONDRES, 2013a).
Hoje as ilhas tem aproximadamente 3.000 (três mil) habitantes civis mais 1.000 (um mil) soldados das tropas britânicas, que segundo o Reino Unido estão lá para patrulhar as ilhas, monitorar campos minados remanescentes da guerra e construir estradas. Sua principal fonte de renda é a concessão de licença para pesca, agricultura e turismo. (BRITISH BROADCASTING CORPORATION – BBC 2013b).
Em 1993 foi anunciada a confirmação, pela empresa de britânica de medições geológicas, a British Geological Survey (BGS), a presença de petróleo na região. Porém a exploração deste recurso só passou a ser problema 17 anos depois. As previsões para a exploração do recurso na região apontam que podem chegar a uma produção diária de 500.000 (quinhentos mil) barris por dia e um total de 60.000.000.000 (sessenta bilhões) de barris em toda a região. (BANDEIRA, 2012).
Ainda nos anos 90 houve uma vitória diplomática entre os países. Os corpos dos argentinos mortos em combate foram enterrados nas ilhas, porém seus familiares não tinham autorização de visitar os túmulos. Aos poucos, com
negociações envolvendo a Cruz Vermelha, que foi responsável pelos enterros, e os dois governos, os parentes puderam visitar o cemitério. (TADDEO, 2012)
A relação do Reino Unido com a Argentina volta a ter problema a partir de 2003, quando o então presidente argentino, Nestor Kirchner, proíbe voos para as ilhas saindo do país e começa a exigir licenças especiais para barcos passarem por suas águas a caminho das ilhas. (HENNEMANN, 2010). Em 2007, o presidente cancela acordos sobre óleo e gás que tinha com o Reino Unido e bane empresas de energia do território argentino por essas trabalharem nas ilhas também. (THE ECONOMIST, 2011).
No primeiro semestre 2010, quando foi noticiado que o Reino Unido autorizou empresas a explorar os recursos das ilhas, houve muita repercussão tanto entre os países como entre organizações internacionais, como a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL)21 e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) 22. A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que tomaria medidas adequadas quanto as empresas britânicas que explorassem as riquezas do local, pois alega que as ilhas fazem parte da plataforma continental do país e que o Reino Unido estaria descumprindo a resolução da ONU, 31/49 de 1976, trabalhada no capítulo 1 deste trabalho, em relação à tomada de decisões unilaterais quanto ao território em conflito. (BRITISH BROADCASTING CORPORATION BRASIL – BBC, 2010).
Cinco empresas do Reino Unido, algumas localizadas nas Malvinas, exploram o petróleo na região. Segundo o site do governo Argentino, são elas: Argos Resources, Rockhopper Exploration, Borders & Southern Petroleum plc, Falkland Oil and Gas Limited e Desire Petroleum plc. Estas companhias estão, em sua maioria, localizadas na bacia Norte das Malvinas. No site destas empresas é possível encontrar relatórios anuais sobre as mesmas e mapas identificando as
21 A UNASUL uma Organização Internacional regional e é composta por 12 países da América do
Sul, são eles: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Foi criada com intenção de integração regional nas áreas de energia, educação, saúde, meio ambiente, infraestrutura e segurança. (UNIÓN DE NACIONES SURAMERICANAS, 2013). A UNASUL também é um instrumento utilizada pelos países para solução de controvérsias regionais de forma pacífica. (BRASIL, 2003).
22 O MERCOSUL é uma união aduaneira que foi fundada por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Seus objetivos são voltados para a área de economia e desenvolvimento dos países, com melhorias no comércio entre eles através da eliminação de tarifas entre eles. (MAIA, 2008). Em 2012 o Paraguai foi suspenso do bloco por motivos políticos internos. No mesmo ano, a Venezuela entra no bloco. Após a mudança de Governo, o Paraguai rejeita os convites de retorno ao bloco pela aceitação da Venezuela não ter sido de acordo com o que está nos tratados assinados pelos fundadores. (OPERA MUNDI, 2013c).
áreas de exploração. (PORTAL OFICIAL DEL GOBIERNO DE LA REPÚBLICA ARGENTINA, 2012).
As medidas anunciadas foram tomadas em 2012 quando a presidente fez o pedido às empresas argentinas de que não negociassem a compra de produtos britânicos e que procurassem por similares para reposição, também foi anunciado que as empresas que exploram o petróleo e as demais, envolvidas de alguma forma com o assunto, seriam processadas pelo governo argentino. (CARMO, 2012a).
Ao final de 2010 foram noticiados exercícios militares realizados pelo Reino Unido nas ilhas, inclusive com lançamento de mísseis. O ato foi repudiado pelo governo argentino. Cristina Kirchner, além de realizar um reclame formal na ONU, exigiu o cancelamento desta ação e ainda advertiu para uma possível corrida armamentista na região, caso os exercícios não fossem cessados. (OPERA MUNDI, 2010).
Porém, poucos dias depois, após ser anunciada, pelo Reino Unido, a adoção de uma resposta através de medidas diplomáticas para as decisões tomadas por Kirchner, a presidente propõe uma nova negociação sobre a possibilidade de voos saindo do país para as ilhas. Essa decisão foi tomada sob a alegação de que não havia intenção de prejudicar comunidade alguma. Referindo-se assim aos habitantes, que pela proibição de 2003 tinham poucas opções para uso deste serviço, uma vez que somente uma empresa do Chile fazia o trajeto. (O ESTADO DE SÃO PAULO, 2012a).
Em 2012 foi anunciado um referendo na ilha por parte do governo britânico. Nesse referendo, os habitantes teriam que votar a favor ou contra a soberania das ilhas continuarem pertencendo ao Reino Unido. Este assunto será tratado no tópico a seguir, juntamente com um novo exercício militar realizado ao final de 2012.
Ainda neste ano, ao falar do assunto, David Cameron, atual primeiro ministro britânico, acusou a Argentina de colonialismo por tentar impor algo à população que não representa seu real interesse. (THE INDEPENDENT, 2012). No que concerne aos habitantes, o governo argentino declarou que seu país concentra a maior comunidade de descendentes de britânicos na região e que está comprometido a respeitar o modo de vida e a identidade cultural dos habitantes conforme consta em sua Constituição sobre o Direito dos Estrangeiros. (EMBAJADA ARGENTINA LONDRE, 2013a).
Em fevereiro de 2013, David Cameron, foi questionado sobre a possibilidade do Reino Unido estar pronto para uma nova guerra pelo território. O primeiro ministro afirmou que está preparado para isso, caso as ilhas sejam ameaçadas, contando principalmente com as tropas que já se encontram na região. (MANSON, 2013). Porém, em abril, no feriado em que são homenageados os mortos na Guerra de 1982, o Dia dos Veteranos e dos Tombados na Guerra das Malvinas, a Presidente discursou que não haverá resposta violenta para os navios de guerra britânicos na região, justificando que a guerra só serve a quem vende armas, e que as únicas embarcações argentinas na região serão de pesquisa científica. (ARGENTINA, 2013e).
As alegações da Argentina quanto às ilhas fazerem parte de sua plataforma continental e consequentemente o direito de exploração do petróleo serão trabalhados posteriormente no tópico das Organizações Internacionais, pois o acordo que rege esse assunto é da ONU.