tro (segundo a concepgiio de Grotovski) - pode existir sem guarda-roupaou cenarios, sem muska, sem efeitos de ilumi- Oa9:10,sem palavras, mas mlo existe sem atores. "A repre- sentagao (jeu)
e
uma atividade natural ao homem, constatada em todas as sociedades desde a aivorada de nossa hist6ria. Nada mais espont:1neo do que 0 gosto do simulacra ou dodisfarce, que permitem a todos projetar-se em imagens de si mesmos, reunidas para dar prazer, para reconfortar all,
mais agressivamente, para conquistar 0 mundo e dominar
u outro. "36
Normalmente distingue-se:
- A representa9ao estilizada, altamente teatral, voltada para urn dramatismo tenso dos dia]ogos. Cada replica, densa e penetrante, exprime 0pensamento, 0estado de espiritu,
a ideia, 0carate)". A psicoiogia nao e expressa, tudo e "repre-
senta9ao", sfmbolo (Ivan, a tenivel de Eisenstein). Obser- ve-5e que os grandes atores do expressionismo (Conrad Veidt, Emil Jannings, Werner Krauss, Heinrich George, entre os mais celebres), tern tun desempenho bastante pes a- dO",teatral, pr6ximo da enfase, as vezes da exibic;:ao.
- A representag:lo est:itica, que
e
ados atores que, por36. Hob~rl Abiraclwd ... Lc jCHX d" r~1rc ~ dn p",.a;I",,··. Le thJm I"e.Ed. Ho,·· ,bs. p. 154.
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Os signos de urna escrita 67sua per;sonalidade forte, imp6em sua presen<;a excepcionaJ na tela (Raimll, Jannings, Cooper, Wayne, Cabin, Welles, Laughton .. ).
- A representa<;ao dinamica, vohivel, quE"corresponde bem ao temperamento mediterranico (filmes italianos em geral).
- A representa<;ao frenetica pode ser encontrada COI1S-
tantemente no cinema japones, no frenesi dos adolescentes e no humor "glacial": Kurosawa, principaimente por inter- media de seus dais interpretes favoritos, Toshiro Mifune e Takashi Shimura, apresenta-nos em sua abra aspectos COll"-
tradit6rios: ora e a violencia, a fuga, a exuberancia, ora
c
o comico, ora a serenidade harmoniosa, a medida, 0paderde uma sabedoria e de uma reflexao amadurecida.
- A representagao excentrica: e particuiarmente 0estilo
da FEKS (Fabricado Ator Excentrico), movimento sovietico de vanguarda fundado em 1922 por Kozintsev, Trauberg, Yutkevitch e Guerassimov, e que se op6e ao cinema-olho de Dziga vertov (que pretendia captar a realidade·ao vivo) e ao "laborat6rio experimental" de· Kulechov (que contava unicamente com a expressao do ator, "modelo vivo", e com a montagem). Deve-se observar que os atores da escola ex- pressionista representavam, de acordo com a concepc;:ao do cenario, estaticamente au, ao contnirio, desarticuladamen- te, com gestos e movimentos acelerados·.
Na realidade, 0 estilo de representac;:ao dos atores pade
variar ao infinito: elemento essencial de uma ohra, deve se moldar a exigencias plasticas, psicoi6gicas e dramaticas bem determinadas Pode exprimir a violencia e a paixao (Fagos
na planicie de Ichikawa, Ham-Kiri de Kobayashi), a violen- ci~ e a cruelclade, mescladas ao realismo e a poesia (os filmes de Yamamoto, por exemplo), a anglistia (Lola Montes), pro- blemas nervosos (Beiissima, de Visconti), 0vigor (Due soLdi di speranza, de Castellani, com Maria Fiore e Vicenzo Muso-
(
/
lino), a paixiio conticla (filmes com Marie-Jose Nat), a paixao
desenfreada. Robert Enrico diz sabre.Romy Schneider37;."e
I1ma atriz maravilhosa e de \lma fotogenia diab6lica. Quer
5er a primeira. Ela sabe 58 entregar a fundo -a um pape!.
Na cena crucial (do mme Le vieuxfusil), em_CJue eia
e
vl0len-taela, onele 5e debate e assiste ao ass3ssinato ela filha de seu marido,- estava possuida a ponto de kr,derrubado urn atar das escadas. No final da filmagem estava cheia de hemato-
-~nas, tinhas -as unhas quebradas e urn declo machucado. Cor-
tei cle'proposito 0 sam para s6-cleixar a imagem agir, mas
os uivoserarn aterrorizantes, .. " Por vezes as atores sao ob1'i- gados a rep res en tar de forma introspectiva, como, por exemplo, no filme de Bresson, Lejottrnal d'un cure de came pagne, ou no de Dreyer" La passion de Jeanne d'Arc (as dra-
mas e as paixoes sao lidos nos rostos e nas atitudes). Os gran- des atores tem uma deterrninada personalidade, mas tam- bem 0dom de se transformar"facilmente. Michel Piccoli diz
de si mesmo. "H:i atores que Beam fora de si, que·tentam agradar, que gostam de ser vistos Quanto a rnim, gosto quevejam as personagens que interpreto. Nao estou que- rendo 'aparecer', .. Dobro-me, eclipso-me. Para ser ator, e preciso ser flexfvel." 0 desempenho dos atores adolescen- tes e sernpre natural, espontaneo, cheio de pureza e poesia: Fran(,~oisTruffaut diz a respeito ela atua9ao das criangas3~:
"Como as criangas trazem automaticamente poesia, acho que se deve evitar introduzir elementos poeticos num filme de criangas, de maneira a deixar que a poesia nasga por si mesma, como lIm acrescimo, como urn resultadq e nao como um meio, nem tampouco como um objetivo a ser atingido. Para dar urn exemplo, eu acharia mais poetica uma sequen- cia que mostrasse llma crianqu enxugando louga do que uma outra em que a mesma cHauga, vestida de veludo, colhesse
68 Estetica do cinema
37 '"I.e" belles de M Cinema '. 0126. /m(1gesct 10;0'11'.<
38. "Fair" dn cinema a\"('c Ie, enfanti . LecOllrrier de rUlle.,'eo, mdr~'()de 1979.
Os signos de uma escrita 69
flares numjardim ao som de MozarL" E acrescenta: "Bas- ta urn sorrisu de crianga na tela e a partida esta ganha (... ). Osatores adolescentes trazem uma pureza extraordin:hia que nem sempre se obtem com atores profissionais (.,.), Ao contnirio dos atores profissionais, as criangas nao disp6ern de truques. Nao procurarn se colocar em posigao vantajosa em relac;ao
a
objetiva, niio sabern se tem um perfil 111elhol' do que 0outro, nunca usam maliciosamente um sentimento.Tudo 0que a criam;:a hlZ na tela parece curiosall1ente estar
fazendo pela prirneira vez." Essas observa~:()es explicam, sem duvida, 0grande Sllcesso do filme de Yves Robert, A guerra dos boWes, que, no entanto, mio foi do agrado dos distribuidores.