O Código de Defesa do Consumidor foi criado com a intenção de proteger e resguardar os direitos do consumidor diante das relações consumeristas, pois trata-se da parte mais fraca da relação.
Os produtos, até serem comercializados, passam por uma cadeia de produção, cadeia esta que é responsável em destinar corretamente à sua finalidade. Entretanto, quando detectado vício, a dúvida surge quanto a quem deve ser responsabilizada a culpa. Neste sentindo, o art. 18 do CDC trata dos casos de responsabilidade pelo vício do produto, e a sua disponibilizados com inadequação aos consumidores. Ensina Maceira (2007, p.121):
Ao efetuar a compra de produtos nos sites, os consumidores esperam estar adquirindo também a segurança e a qualidade, bem como que funcionem de acordo com a finalidade para a qual foi lançado no mercado, pois estão confiando no site que está oferecendo o produto.
Para que um produto seja comercializado de acordo com o seu destino não basta apenas a sua qualidade média. À cada participação para inserir a mercadoria aonde se destina, é imputada uma responsabilidade. O Código de Defesa do Consumidor, segundo Daniele (2013) imputou esta responsabilidade desde o fabricante (quem elaborou o produto), o produtor, o importador, o construtor, o distribuidor, comerciante, etc, respondendo todos solidariamente, ou seja, de forma igualitária, pela garantia de qualidade-adequação do produto. É o que define o ART 18 do CDC:
Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciada.
Assim, o CDC traz o vício como um regime de responsabilidade legal do fornecedor, tanto daquele que possui um vínculo contratual com o consumidor, quanto daquele cujo vínculo contratual é apenas com a cadeia de fornecedores. Em se tratando de negociação virtual, onde as partes não mantêm contato físico entre si, nem o comprador pode examinar pessoalmente o objeto (circunstâncias que influem diretamente no consentimento), a
participação do site se revela decisiva quando assegura ao consumidor a confiabilidade do meio. Nesta linha de pensamento, Maceira (2007, p.84) ensina:
Tal fato traz um marco distintivo para diferenciar a intervenção negocial do site de classificados, que por força disso é muito mais relevante do que a do mero corretor ou ainda do jornal que anuncia classificados. Portanto, os sites podem ser considerados fornecedores de serviço ou produto, desde que exerçam atividade comercial.
Como exemplo de fornecimento de produtos, destacam-se as lojas virtuais que vendem produtos exatamente da mesma forma que o fazem em suas lojas físicas. Já como prestadora de serviços, destacam-se os sites que promovem relacionamentos.
Dispõe o artigo 3º, §2º do Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078/90:
Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
É certo que, para a caracterização da relação de consumo, o serviço deve ser prestado pelo fornecedor mediante remuneração. No entanto, o conceito de serviço previsto na referida norma consumerista abrange tanto a remuneração direta quanto a indireta. O CDC abarca, em seu artigo 18 a proteção ao consumidor no caso de vício do produto que lhe impossibilite a utilização para o fim a que se destina.
Quando um consumidor realiza determinada compra, inconscientemente ele espera do fornecedor que o produto ou serviço esteja pronto para uso, e que este não possua nenhuma avaria ou vício que impossibilite de utilizá-lo normalmente, diminua-lhe o valor ou ainda, quando o seu produto escolhido nem chegue em suas mãos, devido a falhas na entrega, por exemplo.
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
No parágrafo primeiro do mencionado artigo, tem-se que se o vício não for solucionado no prazo de 30 dias, caberá ao consumidor as alternativas informadas nos incisos que o seguem. A forma de se contabilizar tal prazo acaba gerando dúvidas, pois a cada vez que o produto vai para a assistência, deve ser somada a quantidade de dias pelo qual este permaneceu lá até que tenha sido consertado. Se a soma der mais de 30 dias e o vício for o mesmo, gera-se o direito do consumidor. Neste mesmo sentido Rizzatto Nunes (2007, p.7) expõe:
O fornecedor não pode beneficiar-se da recontagem do prazo de 30 dias toda vez que o produto retorna com o mesmo vício. Se isso fosse permitido o fornecedor poderia na prática, manipulando o serviço de conserto, sempre prolongar indefinidamente a resposta efetiva de saneamento. Bastaria fazer um conserto "cosmético", superficial, que levasse o consumidor a acreditar na solução do problema, e aguardar sua volta, quando, então, mais 30 dias ter-se-iam para pensar e tentar solução.
Assim, não pode ser admitida a maneira com que os fornecedores consideram que a cada nova ordem de serviço nas assistências, o prazo se inicia novamente. Se o produto foi devolvido a primeira vez no décimo dia, depois retornou com o mesmo vício e se gastaram nessa segunda tentativa de conserto mais dez dias, na terceira vez em que o produto voltar o fornecedor somente terá mais dez dias para solucionar definitivamente o problema, pois anteriormente já se passaram vinte dias, sem ter levado o produto à adequação.
Marques (1999, p. 457) explica:
O produto é essencial, quanto à expectativa do consumidor de usá-lo de pronto; logo, deve o consumidor poder exigir de pronto a substituição do produto. Ora se um produto permanece por mais de 30 dias longe de seu proprietário por apresentar diversos vícios, este já não corresponde as expectativas depositadas pelo consumidor, que perdeu a sua confiança no bem e ainda se frustrou ao ter adquirido um produto novo que apresentou tantos problemas.
O texto da lei é bastante esclarecedor ao dispor que cabe ao consumidor, e somente a ele, a escolha das possibilidades informadas pelos incisos do art. 18, § 1° não cabendo ao fornecedor se opor a este.
Na mesma linha de pensamento de Diniz (2006) não pode o fornecedor opor-se à escolha pelo consumidor das alternativas escolhidas. É fato que o fornecedor, tem 30 dias, e sendo longo ou não, dentro desse tempo, a única coisa que o consumidor pode fazer é esperar. Porém, superado o prazo sem que o vício tenha sido sanado, o consumidor adquire, no dia seguinte, de forma integral, as prerrogativas do § 1°. Como diz a norma, cabe a escolha das alternativas ao consumidor. “Este pode optar por qualquer delas, sem necessidade de justificativa ou fundamento. Basta a manifestação de vontade, apenas sua exteriorização objetiva. É um querer pelo simples querer manifestado” (NUNES, 2005, p. 186).
Foi pensando nisso que o legislador definiu como padrão a responsabilidade civil objetiva nas relações consumeiristas, fundamentado na teoria do risco, sendo esta uma das características da relação empresarial (MALHEIROS, 2017). Nestes casos é excluída a existência de culpa, mas nunca deverá ser excluído o nexo causal. Assim explica Malheiros (2017, p. 2):
Faz-se necessária a conceituação de vício, que a doutrina entende como alguma característica apresentada pelo produto que venha diminuir seu valor ou torná-lo impróprio ou inadequado para o uso pelo qual foi adquirido. Diferente de defeito o qual requer a existência de um vício, e em decorrência deste surge um fato que afete o consumidor físico, moral ou psicologicamente.
De tal modo que existe a possibilidade de um vício sem defeito, mas nunca a recíproca poderá ser verdadeira. Pode-se concluir que os sites se encontram regulados pelo CDC. Se isso não bastasse, o escopo do CDC é a proteção dessa realidade comercial, massificada, simplificada e ágil, protegendo a boa-fé dos contratantes e permitindo ao Judiciário a alteração de cláusulas contratuais, preservando a proporcionalidade. O conceito de consumidor, como já mencionado, é o mais amplo possível, conforme artigo 29 do CDC (MORAES, 2009).
Ainda, em se tratando de solidariedade, nos casos de vícios dos produtos, aplica-se o disposto no caput do artigo 18, o qual define a responsabilidade solidária dos fornecedores. O
Código Civil expressa em seu art. 264 que existe solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda (BRASIL, 2002).
O termo fornecedor é conceituado como aqueles que desenvolvem atividades no mercado de consumo. Malheiros (2007) traz a ideia que toda vez que o CDC se refere a fornecedor, envolve todos os participantes que desenvolvem atividades, sem nenhuma distinção. E esses fornecedores, diz a norma, respondem solidariamente.
Dessa maneira, “a norma do caput do art. 18 coloca todos os partícipes do ciclo de produção como responsáveis diretos pelo vício, de forma que o consumidor poderá escolher e acionar diretamente qualquer dos envolvidos, exigindo seus direitos” (NUNES, 2005, p.170). Assim, o consumidor poderá, à sua escolha, exercer a sua pretensão contra todos os fornecedores ou contra alguns, se não quiser dirigi-la apenas contra um.
Nessas situações de responsabilidade por vício do produto e do serviço “a responsabilidade é mais ampla. Além de ser solidária entre todos os fornecedores, também abrange o comerciante, podendo o consumidor escolher contra quem dirigir sua proteção”. (VENOSA, 2005, p. 237).
Cláudia Lima Marques (1999, p. 450) explica:
Deve se responsabilizar todos aqueles que ajudaram a colocar o produto no mercado, iniciando-se do fabricante, passando pelo distribuidor e finalizando pelo comerciante (qual contratou com o consumidor). Sendo que cabe a cada um deles a responsabilidade pela garantia do produto.
O consumidor poderá, à sua escolha, exercitar sua pretensão contra todos os responsáveis pelo evento danoso ou contra qualquer um deles. No entanto, fica assegurado ao fornecedor eventual direito de regresso em relação ao fabricante, a fim de assegurar a restituição ao status quo.