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A
mArcAdAdeSiguAldAdeNo contexto nacional, é comum a imagem de São Paulo ser retratada como uma ilha de prosperidade, de onde a miséria foi abolida. Embora haja, na realidade, ilhas de excelência no universo paulista, essa fotografia revela-se uma ilusão: é a marca da desigualdade que mostra o quanto este estado faz parte do Brasil; nele se destaca apenas por ser mais rico que os demais estados, porém possui as mesmas faces de desigualdade.
Em São Paulo a desigualdade de renda aumentou significativamente mais do que a média brasileira ao longo dos anos 1990, enquanto sua redução, na última década (em que a queda da desigualdade, no Brasil, foi significati-va), foi, ao contrário, menor que a média do país.
O índice de Gini (medida internacional de desigualdade) referente ao rendimento real mensal domiciliar per capita no Brasil, em 2010, era con-sideravelmente menor que em 1991, segundo o Atlas de Desenvolvimento Humano (PNUD/Ipea).
O Gráfico 24 revela que o índice em São Paulo, após se elevar entre 1991 e 2000, se reduz a partir daí num ritmo bem menor que no Brasil e, em 2010, mostrava-se ainda acima do verificado quase vinte anos antes.
O mesmo ocorre quanto ao percentual da renda apropriada pelos 10%
mais ricos da população: no Brasil, ao longo dos anos 1990, houve elevação da parcela apropriada por essa faixa, sendo que na última década se verificou
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queda substancial. Em São Paulo, porém, apesar do crescimento mais acen-tuado que o nacional, o percentual da renda apropriada pelos 10% mais ricos permaneceu quase que estável nos últimos dez anos, e bem acima do verifi-cado em 1991.
Gráfico 24
São Paulo e Brasil – Índice de Gini e percentual de renda apropriada pelos 10% mais ricos 1991-2010
Fonte: Fundação Seade. *Referente ao rendimento real mensal domiciliar per capita.
0,64
0,62
0,60
0,58
0,56
0,54
52
50
48
46
44 1991 2000 2010
São Paulo Brasil São Paulo Brasil
Índice de Gini*
Percentual da renda apropriada pelos 10% mais ricos
1991 2000 2010
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A Fundação Seade desenvolveu dois indicadores sintéticos municipais para medir as condições de vida da população paulista, o índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS) e o índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), este último com abrangência intramunicipal.
O primeiro, desenvolvido desde o ano 2000, classifica os municípios de São Paulo através do cruzamento de três dimensões: riqueza, longevidade e escolaridade. Cada uma das dimensões reflete uma cesta de indicadores, que caracterizam a respectiva dimensão, e uma análise fatorial divide os municí-pios em cinco grupos, a saber:
Grupo 1 – municípios com elevado nível de riqueza e bons indicado-res sociais;
Grupo 2 – municípios com bom nível de riqueza, mas com indicado-res sociais abaixo da média;
Grupo 3 – municípios com nível de riqueza baixo, mas com bons in-dicadores de longevidade e escolaridade;
Grupo 4 – municípios com baixa riqueza e indicadores intermediários de longevidade e escolaridade;
Grupo 5 – municípios com baixos níveis de riqueza, longevidade e escolaridade.
A distribuição dos grupos no estado está representada no Mapa 4.
Mapa 4
Municípios do estado de São Paulo, segundo Grupos do IPRS 2010
Fonte: Fundação Seade. IPRS 2010.
Grupo 1 Grupo 2 Grupo3 Grupo 4 Grupo 5
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Tabela 5
São Paulo – Número de municípios, população e percentual da população, por grupo do IPRS 2010
Grupo No de municípios População (em milhões de habitantes)
1 78 9,8
2 75 20,5
3 195 4,6
4 199 3,7
5 98 2,5
Fonte: Fundação Seade. IPRS 2010.
Os municípios melhores classificados somam a maior parcela da popula-ção paulista (quase ¾ da populapopula-ção), mas representam apenas 23,7% do total dos municípios. Isso significa que os municípios com melhor classificação são os maiores municípios do estado, localizados principalmente na macrometró-pole e nos principais centros regionais de São Paulo.
Os dados do IPVS, no entanto, por serem intramunicipais (são baseados nos setores censitários do IBGE), mostram que, mesmo nos municípios en-quadrados como Grupo 1, existem profundas desigualdades, por vezes mais acentuadas que nos municípios mais pobres.
Da mesma forma que no IPRS, neste indicador sintético foram consi-deradas duas dimensões, a socioeconômica e a demográfica. Na dimensão socioeconômica foram analisados a renda domiciliar per capita, o rendimento médio da mulher responsável pelo domicílio, a porcentagem de domicílios com renda domiciliar per capita de até meio salário-mínimo, a porcentagem de domicílios com renda domiciliar per capita de até ¼ de salário-mínimo e a porcentagem de pessoas responsáveis pelo domicílio alfabetizadas.
Na dimensão demográfica foram analisados o percentual de pessoas com 10 a 29 anos responsáveis pelos domicílios, a porcentagem de mulheres com 10 a 29 anos responsáveis pelos domicílios, a idade média das pessoas responsáveis pelo domicílio e a porcentagem de crianças de 0 a 5 anos.
De posse dessas informações, os setores censitários foram divididos em sete grupos, de acordo com a vulnerabilidade:
No Grupo 1 estão os setores censitários com baixíssima vulnerabilida-de: eles representam 2,5 milhões de pessoas;
No Grupo 2 estão os de vulnerabilidade muito baixa, que representam 16,3 milhões de pessoas;
No Grupo 3 estão os de vulnerabilidade baixa, com 7,3 milhões de pessoas;
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No Grupo 4 estão os setores censitários de vulnerabilidade média, somando 7,8 milhões de pessoas;
No Grupo 5 estão os de vulnerabilidade alta (setores censitários urba-nos), que representam 4,5 milhões de pessoas;
No Grupo 6 estão aqueles de vulnerabilidade muito alta (de aglomera-dos subnormais urbanos), com 1,8 milhão de pessoas;
No Grupo 7 estão os de vulnerabilidade alta (nos setores censitários rurais), somando 400 mil pessoas.
Ou seja, são 14,5 milhões de pessoas (ou 35% da população do estado) vivendo em condições de vulnerabilidade média ou alta. O que chama a aten-ção é a distribuiaten-ção espacial dessa populaaten-ção com algum tipo de vulnerabili-dade, já que ela se encontra nos maiores municípios do estado, que são os que concentram a maior parcela do PIB.
A desigualdade cresce à medida em que cresce a riqueza da região: na RMSP, por exemplo, encontra-se o maior contingente de população com baixa ou ne-nhuma vulnerabilidade do estado (1,7 milhão de pessoas), mas também o maior contingente de pessoas na situação extremamente oposta, ou seja, com alta ou muito alta vulnerabilidade (3,9 milhões de habitantes). Ou seja, em áreas nobres do estado, há mais que o dobro de pessoas vivendo em situações de alta vulne-rabilidade do que de pessoas em situação de baixa ou nenhuma vulnevulne-rabilidade.
Quando se analisam os dados do município de São Paulo, verifica-se que 70% de sua população vivia, em 2010, em situação de baixíssima, muito baixa ou baixa vulnerabilidade social, concentrando 85% da população da RMSP nes-sas condições. Já os 7,5% da população da capital que viviam em situação de alta vulnerabilidade representam 60% da população metropolitana nessa condição.
Quando se analisam os dados especializados, nota-se que, tanto no mu-nicípio de São Paulo como nos demais mumu-nicípios de sua região metropolita-na, as áreas de maior vulnerabilidade se encontram nos seus limites. A popula-ção mais vulnerável vai sendo empurrada para as franjas urbanas, convivendo com padrões ínfimos de urbanidade.