60
Estudos eStado
Vale lembrar que a pujança econômica do estado de São Paulo não se reflete imediatamente em seu nível educacional: três estados (Distrito Federal, Minas Gerais e Santa Catarina) estão à frente de São Paulo nas notas da quarta série do ensino fundamental, enquanto a nota do estado (que é igual à do Pa-raná) é apenas 10% superior à média brasileira.
No caso das notas da oitava série do fundamental, São Paulo se destaca, ob-tendo a maior nota dentre todos os estados brasileiros, e sua média é 18% maior que a média nacional. No caso do ensino médio, São Paulo é ultrapassado por Santa Catarina, e sua média volta a ser apenas 10% superior à média nacional.
Quando se analisam as redes estaduais, a situação de São Paulo não é melhor, tendo estado em primeiro no Brasil apenas nas notas da oitava série, em 2009; em 2011, a nota desta mesma série colocou o estado de São Paulo na 3ª posição.
Um resumo sobre este tema mostra que o estado de São Paulo tem baixo índice de analfabetismo, matricula praticamente todas as crianças no ensino fundamental, mas tem carência na matrícula na educação infantil e, em menor escala, no ensino médio. O problema parece residir na qualidade do ensino, que obtém, malgrado ser o estado mais rico da nação, índices pouco repre-sentativos.
Como a pressão demográfica tende a diminuir, nos próximos anos, dados os baixos índices de natalidade, uma decisão que poderia melhorar a qualidade do ensino seria a educação em tempo integral, e não apenas com disciplinas eletivas, mas com reforço sobretudo em disciplinas básicas, como português e matemática.
Deve-se, também, atentar para o número extremamente baixo de matrí-culas nas creches, embora esta seja uma atribuição das prefeituras municipais.
Uma relação federativa mais eficiente, ao modo do que acontece na educação fundamental, pode fazer com que se intensifiquem as ações para suprir o déficit existente. Ressalve-se que o governo federal disponibiliza vultosos recursos para a construção de creches e, desde o ano de 2013, também financia o cus-teio dessas instituições.
61
tados Brasileiros
da Fundação Seade), uma expressiva redução de 63%, a do Brasil impressiona pela velocidade da queda.
De fato, em 1990, a taxa de mortalidade infantil do Brasil, segundo os dados do Atlas de Desenvolvimento Humano, era de 64 por mil, e atualmente se encontra em 14 por mil, uma queda de 78%, aproximando-se rapidamente da média paulista.
Assim como no Brasil, a desigualdade entre os índices é a marca entre as regiões de São Paulo: no Brasil, a menor taxa é a do estado de Santa Catarina (11,33 por mil), enquanto a maior é a do estado do Pará, com 25,41, mais que o dobro daquele.
Em São Paulo, a menor taxa de mortalidade infantil se apresenta na re-gião administrativa de Barretos, que é de 8,5 por mil, e a maior é a da rere-gião metropolitana de Santos, com 16,87 por mil, também mais que o dobro.7
No entanto, a redução da desigualdade no Brasil é bem maior que em São Paulo: no estado, a diferença entre a maior taxa e a menor taxa, em 1990, era de 1,98 vezes, e se manteve exatamente igual em 2011. Para o Brasil, contudo, a diferença entre a maior e a menor taxa de mortalidade era de 3,59 vezes, em 1997, e diminuiu para 2,42 em 2011.
No que concerne à morbidade hospitalar, as cinco principais causas de internação, em 2008 e em 2013, são as listadas no Gráfico 27.
Pode-se notar que a estrutura demográfica já impacta nos motivos de internação: embora as internações por gravidez, parto e puerpério ainda sejam as de maior número, seu impacto relativo é menor, diminuindo de 20%, em 2008, para 17,7% em 2013, já que os índices de fertilidade vêm baixando consideravelmente ao longo do tempo, em especial entre 2000 e 2010.
Da mesma forma, o envelhecimento da população mostra um incremen-to das proporções das outras doenças que foram motivo de internação, entre 2008 e 2013: as doenças do aparelho circulatório ainda são as que mais cau-sam internações, seguidas por doenças do aparelho digestivo, do aparelho respiratório e neoplasias.
Os maiores incrementos, no período 2008-2013, foram as neoplasias (+68%) e as doenças do aparelho respiratório (+31%). Diagnósticos mais pre-coces e novas formas de tratamento são os responsáveis pelo primeiro caso, enquanto a idade e eventos externos (cigarro, poluição) explicam o segundo.
Além da morbidade hospitalar, é importante, também, assinalar as prin-cipais causas de óbito relatadas pelo estado. De acordo com os dados do Da-taSUS, as cinco principais causas de óbito em São Paulo são as que constam do Gráfico 28.
7. Fundação Seade, www.seade.gov.br, acesso em novembro de 2013.
62
Estudos eStado
Gráfico 27
São Paulo – Principais causas de morbidade hospitalar 2008 e 2013
Gráfico 28
São Paulo – Principais causas de óbito 2004 e 2011
Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
Fonte: Fundação Seade.
25,0
20,0
15,0
10,0
5,0
2008 0 2013
2004 2011
Gravidez, parto e puerpério Doenças do aparelho circulatório Doenças do aparelho digestivo Doenças do aparelho respiratório Neoplasias
Doenças do coração (isquêmicas e outras) Neoplasias Doenças cerebrovasculares Pneumonia Causas externas
18 16 14 12 10
8 6 4 2 0
63
tados Brasileiros
Verifica-se que, entre 2004 e 2011, há incremento nas mortes por neo-plasias e pneumonia, e decréscimo das demais. Novamente, podem-se notar os efeitos do aumento da idade da população, já que as doenças que têm maior incremento na mortalidade são as que afetam as pessoas mais idosas. Embora não seja uma causa relevante nos óbitos, ressalte-se a evolução dos óbitos decorrentes de doença de Alzheimer, que passaram de 1.349 casos, em 2004, para 4.083, em 2011, um aumento de mais de 200%. Isso também reflete maior capacidade de diagnóstico da doença, mas principalmente o aumento da esperança de vida, que faz que mais pessoas atinjam idades maiores, com as doenças daí decorrentes.
No que se refere às causas externas, ainda que com expressiva diminui-ção no período considerado, elas ainda são a quinta maior causa de mortalida-de, sobretudo entre os jovens. Segundo o Censo Demográfico 2010, o total da população de 15 a 29 anos era de 10.728.567 indivíduos, sendo que 23.642 faleceram em função de eventos e/ou causas externas.
Quando analisamos de maneira mais detida essas informações, notamos que as três principais causas externas de óbito dos indivíduos na faixa etária de 15 a 29 anos são, de acordo com dados do Ministério da Saúde, acidente de transporte, agressões e outras causas externas de lesões. Vale verificar, também, que os aciden-tes de transporte se mantiveram num valor praticamente constante, entre 2005 e 2010 (os acidentes com motocicleta continuam, proporcionalmente, matando mais que os dos outros meios de transporte), assim como as agressões, malgrado os investimentos em segurança pública no período.
No que se refere aos equipamentos, há uma expressiva redução no número de leitos SUS, entre 2000 e 2010, segundo os dados do Censo Demográfico, ob-tidos no site da Fundação Seade: eles eram 77.500 em 2000, e foram reduzidos a 60.586, em 2010, com redução mais expressiva nos leitos dedicados à pediatria e à ginecologia/obstetrícia. Embora esses dados sirvam para corroborar a atual estrutura demográfica do estado, é interessante notar que não há aumento cor-respondente em leitos de outras especialidades (como cirurgia, por exemplo).
Outro dado a intrigar é a relação leitos SUS/habitante: ela era de 2,1, em 2000, e passou a 1,47, em 2010. A relação leitos SUS/leitos totais está na faixa de 62%, o que é relativamente normal (considerado entre 60% e 70%), mas perigosamente perto do limite inferior. Algumas possíveis causas dessa diminuição podem ser: a) aumento do atendimento básico, que pode evitar internações ao diagnosticar as doenças em seu início, e debelá-las com pro-cedimentos clínicos; b) fechamento de leitos em santas casas, motivado por questões financeiras; c) abertura de “segunda porta” em hospitais públicos para atendimento de portadores de planos de saúde.
64
Estudos eStado
Por fim, é importante ressaltar as condições de saneamento, que inter-ferem nas condições de saúde da população. Dados do Censo Demográfico de 2010 revelaram que a coleta de lixo, a cobertura da rede de abastecimento de água e a existência de esgotamento sanitário estavam todas com índices de 90% ou mais, sendo considerada muito boa a situação.
Quando a análise recai exclusivamente sobre a área rural, a coleta de lixo atendia 96,2% dos domicílios, a cobertura da rede de abastecimento de água estava em 85,7% dos domicílios particulares permanentes, e 39,8% das residências dispunham de esgotamento sanitário adequado.