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1.1 Aspectos do actual processo de globalização em debate

1.1.2 A supremacia do poder económico sobre o poder político

Grande parte da história política do século XX foi dominada pelo debate sobre o que deveria ser o âmbito e a força do Estado (Santos, 2007, p. 422). Se para uns, o Estado é já uma entidade obsoleta e em vias de extinção ou, em qualquer caso, muito fragilizada na sua capacidade de organizar e regular a vida social; para outros, o Estado continua a ser a entidade política central, não só porque a erosão da soberania é muito selectiva, como, sobretudo, porque a própria institucionalização da globalização (das agências financeiras multilaterais à desregulação da economia) é criada pelos Estados-Nação. No nosso entender cada posição destas capta apenas uma parte do processo de globalização em curso e nenhuma delas faz jus às transformações oriundas desse mesmo processo, pois estas são não só contraditórias como incluem tanto processos de estatização (a tal ponto que poder-se-á afirmar que o Estado nunca foi tão importante como hoje) como processos de desestatização (em que interacções, redes, fluxos transnacionais da maior importância ocorrem actualmente sem qualquer interferência significativa do Estado).

É, no entanto, difícil não concordar com Santos (2007, p. 379) quando este afirma que, desde a última metade do século XX, a observação da realidade sociopolítica aponta claramente para o facto de que o Estado-Nação vem perdendo gradativamente as suas prorrogativas e funções, pressionado na sua soberania pelos gestores e accionistas

extremamente ricos e poderosos das empresas multinacionais20, mais interessados nos lucros

da produção de bens e serviços e na acumulação do capital, proporcionados pelo sistema de mercado capitalista, do que no bem-estar dos cidadãos como um todo. Com efeito, não há como negar, na actual fase do capitalismo, a globalização é marcada pela expansão mundial das

grandes corporações transnacionais21. Consideradas por Sklair (1991, p. 6) como veículos do

capitalismo global, as corporações transnacionais (da mesma forma que os grupos de países ligados por interesses comuns e os consórcios regionais que estabelecem relações comerciais

20 Adoptaremos neste texto indistintamente as designações “empresas multinacionais”, “empresas transnacionais”

e “corporações transnacionais”. Considera-se que esta é uma questão meramente terminológica. A designação empresa multinacional sugere-nos que esta é uma empresa pertencente a múltiplas nações. Contudo, embora uma empresa multinacional actue em muitos países, ela tem a sua origem num único país. Daí o uso frequente do termo transnacional para designar essa empresa, já que ele indica que ela transita por várias nações ou que vai para além das fronteiras do seu país de origem. Por sua vez, a designação corporação indica não apenas uma única empresa, mas sim uma associação ou conjunto de várias empresas em ramos, muitas vezes, diferentes, mas que se unem para explorar o mercado a nível mundial.

privilegiadas entre si e actuam de forma conjunta no mercado internacional22) vêm tomando conta de todo o cenário político mundial. Além disso, os seus orçamentos são muitas vezes superiores aos da grande maioria dos Estados. Em verdade, como o principal locus de práticas económicas transnacionais (Sklair, 1991, p. 71), as corporações acabam por controlar países e regiões, principalmente, em razão da mobilidade do capital, ocasionando verdadeiras crises económicas quando descontentes com a política de determinado país.

Conquanto alarmantes possam ser consideradas tais premissas, é relevante notar que muitos são já os teóricos e os estudiosos do tema que chamam a atenção para a premente necessidade de agências reguladoras de diferentes países cooperarem entre si a fim de obterem sucesso no controle das grandes corporações. Henriques (1998, p. 2) defende mesmo que o processo de globalização encontra-se hoje numa nova e complexa fase que oferece grandes oportunidades aos agentes económicos, mas que acarreta grandes riscos de descontrole. Dentro desse contexto, perceba-se que as corporações tornaram-se mais conscientes do seu poder e esforçam-se, cada vez mais, por estender a sua influência global aos mais diversos mercados. Como observam alguns autores, a actuação dessas corporações está voltada para a manutenção do capitalismo através do aumento contínuo da produção e do comércio internacional, assim como do garante do ambiente e das condições políticas para a sua actuação. É isso que indica Garret (2003, p. 384), ao afirmar que as grandes empresas e os grupos que comandam as transformações em curso envolvem-se na política dos chamados países hospedeiros condicionando, muitas vezes, a gestão dos governos nacionais. Tal acaba não só por comprometer a capacidade de coordenação política e de promoção do desenvolvimento por parte dos Estados, como também torna os governos menos efectivos na formulação de políticas sociais que venham ao encontro das necessidades criadas pela lógica do mercado. Sob esta óptica, o declínio do poder do Estado contribui para o surgimento de uma nova matriz geopolítica, na qual se estrutura um novo quadro macroeconómico e político-institucional de alcance mundial liderado pelas empresas multinacionais (ou transnacionais) que relegam os Estados que não lhes oferecem privilégios a uma posição de irrelevância estrutural (Strange, 2003, p. 127).

22 No plano mundial, as relações comerciais são reguladas pela OMC que substituiu o Acordo Geral de Tarifas e

Comércio (GATT), criado em 1947, e que tem vindo a promover o aumento do volume de comércio internacional por meio da redução geral de barreiras alfandegárias. A par deste movimento assiste-se ao fortalecimento dos blocos económicos regionais. O primeiro desses blocos apareceu na Europa com a criação, em 1957, da CEE (embrião da actual UE). Mas a tendência de regionalização da economia só foi fortalecida nos anos 1990. O desaparecimento dos dois grandes blocos da Guerra Fria (liderados, tinha-se dito, pelos EUA e URSS) estimulou a formação de zonas independentes de livre comércio. Actualmente, os blocos mais importantes nesta área são: o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), a União Europeia (UE), o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), a Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico (APEC) e a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

A autonomia dos Estados é também frequentemente afectada porque estes passam a

legislar em função de factores e determinações exógenas23, num contexto em que a

coordenação financeira tem poderes imensamente ampliados. Relativamente a este último aspecto é relevante notar que, como ressalta Henriques (1998, p. 6), a transferência de iniciativas dos governos para as empresas multinacionais foi acelerada por medidas sucessivas de desregulamentação e liberalização dos mercados financeiros que encorajaram a globalização. O declínio do poder do Estado acentua-se assim devido ao aumento extraordinário do funcionamento das bolsas financeiras que, diga-se, baseado em aplicações puramente especulativas nos mercados de juros, câmbio e mercadorias, torna a termo o colapso financeiro

uma possibilidade real num mundo cada vez mais globalizado24, tal como retratado no filme

Wall Street 2: Money Never Sleeps, do realizador Oliver Stone, que constitui uma crítica ao comportamento de risco dos mercados, com destaque para a crise financeira de 200725, que nos afecta até hoje e foi causada pela queda de liquidez do sistema bancário dos EUA.

A integração na economia mundial não pode ser avaliada sob a óptica de um jogo de soma positiva, no qual todos tenderiam a ganhar. Ao contrário, longe de se ter produzido uma ordem mundial mais integrada e inclusiva, o que se observou foi a configuração de um sistema internacional marcado por grandes contrastes e polaridades, reflectida seja no aumento da distância entre os países pobres e os países ricos seja na dependência daqueles em relação a estes. Esta dependência significa não só uma debilidade económica mas, principalmente, política. Dita as regras quem tem maior poder económico e este significa, cada vez mais, poder político. Por isso, no seu livro Making Globalization Work, Stiglizt (2006) defende a tese de que a globalização que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento (que se poderia reflectir no aumento da riqueza disponível e na redução das desigualdades internacionais) está a ser corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem económica mais justa e para um mundo com menos conflitos. Assim, o termo work (que traduzimos por “funcionar”) significaria cumprir as promessas apregoadas aquando da implementação das chamadas “medidas globalizadoras” que, como os seus defensores alegavam, teriam o condão de gerar maior bem-estar e qualidade de vida para as populações

23 Bastará talvez lembrar que, auxiliadas pelas facilidades na comunicação e transportes, as empresas

multinacionais instalam as suas fábricas em qualquer lugar do mundo, onde exista melhores vantagens fiscais, bem como mão-de-obra e matérias-primas baratas.

24 Segundo Henriques (1998, p. 9), o colapso financeiro global é uma possibilidade da globalização económica e

os únicos remédios que podem restabelecer nos mercados a credibilidade são a ética empresarial e a exigência de transparência da iniciativa privada.

em diversos países do mundo, melhoria essa que ainda é uma miragem mais de vinte anos passados sobre o Consenso de Washington.

Muitos autores procuram demonstrar que o Estado-Nação persiste, com autonomia relativa e como um factor central na política, mesmo com a ascensão das empresas transnacionais e das instituições supranacionais no capitalismo contemporâneo. Nessa linha de reflexão podemos citar os trabalhos de Chang (2003, 2004), um especialista em assuntos de economia do desenvolvimento. No livro Globalization, Economic Development and the Role of the State, Chang sustenta que a falência do neoliberalismo decorre da falta de capacidade dos países (em particular, dos países em desenvolvimento que estão mais vinculados a lógicas externas), quer no plano teórico quer na esfera das políticas públicas, em construir uma visão equilibrada das possíveis interacções entre o mercado, o Estado e outras instituições relevantes para o desenvolvimento, mas também, e sobretudo, da ausência de fórmulas estratégicas e autónomas de acção. Nessa discussão, e em contraste com aqueles que salientam a incapacidade do Estado individual intervir decisiva e efectivamente no desenvolvimento, o autor põe em evidência o esforço que deve ser feito para a utilização dos graus de liberdade existentes, por mais estreitos que estes sejam, em benefício de objectivos nacionais ao afirmar que: “A literatura corrente tende a encarar a globalização como um processo incontrolável no interior do qual os países, e particularmente os países em desenvolvimento, são agentes passivos, tornando-se presas do dilema de submeter-se incondicionalmente ou perecer. Entretanto, trata-se de uma visão errada, já que há margem de manobra para os governos nacionais (…). Seria um grande erro um país em desenvolvimento renunciar voluntariamente a esta margem de manobra e adoptar políticas liberais indiscriminadas em relação aos investimentos directos estrangeiros em todos os sectores” (Chang, 2003, p. 269). Assim, os países podem gerir a sua integração na economia global de muitas formas, que não exigem a total liberalização do comércio, antes concedendo um espaço para as políticas nacionais nos diferentes sectores de actividade económica.

Em Rethinking Development Economics, o autor volta a defender a ideia de que o Estado- Nação deve assumir um papel cada vez mais estratégico no actual contexto de globalização, já que tal papel lhe permitirá aumentar as alternativas de acção à sua disposição (Chang, 2004). Se, por um lado, a globalização implica o avanço da integração do sistema global, internacional ou mundial, por outro lado, ela não exclui as assimetrias económicas e políticas entre os diferentes países do mundo. Sob esse aspecto, poder-se-á mesmo afirmar que se agravou a tensão entre a esfera nacional e a ordem mundial globalizada, tensão essa que precisa de ser administrada de forma independente, de maneira a possibilitar o melhor aproveitamento possível dos reduzidos graus de liberdade de que nos fala o coreano Chang. Também o britânico Held (1995), defensor da democracia cosmopolita, defende esse argumento. Em

Democracy and Global Order: from the Modern State to Cosmopolitan Governance critica severamente a tão propalada visão que vigorou entre meados das décadas de 1980 e 1990 e que previa que o Estado-Nação seria eclipsado pelo avanço da globalização. Para este teórico político, a globalização não tem que se traduzir necessariamente na diminuição do poder do Estado, mas sim na transformação das condições sob as quais este poder deve passar a ser exercido, já que os efeitos da globalização seriam sempre mediados pelas estratégias específicas dos governos de cada país, servindo estas últimas para administrar, desafiar ou aliviar os imperativos da globalização.

Entre os autores portugueses, também se observou o fortalecimento de uma visão crítica da globalização. Destaque para o trabalho do economista Jorge Braga de Macedo em co-autoria com José Adelino Maltez e Mendo Castro Henriques (1999), no qual o autor reconhece que Portugal enquanto democracia recente (Abril de 1974) e país membro da UE (Janeiro de 1986) beneficiou particularmente do processo de adesão e do alargamento dos mercados dele resultante, para transformar a sua cronicamente débil e protegida economia, conhecendo neste período um crescimento económico e bem-estar social sem precedentes na sua longa história de Estado-Nação. Contudo, esse período de crescimento, que conduziu a um alargamento generalizado de protecção social, está hoje fortemente pressionado pela recessão que abala as economias mais desenvolvidas, nomeadamente a europeia, crise essa que vêm pondo em causa a sustentabilidade do Estado social e pressionando os governos a adoptar medidas de racionalização que criem condições para a sua sustentabilidade a médio- longo prazo. Mais recentemente, ao apresentar uma perspectiva económica da globalização assente no interesse nacional, Macedo (2010, p. 1) assim se manifestou: “a nossa autonomia depende de nós próprios enfrentarmos os desafios concretos. Enfrentar desafios abstractos que depois não se verificam ajuda a mistificar”, o que torna imperativa a capacidade de formular uma estratégia nacional de desenvolvimento que seja compatível com o “bem comum”, conceito que como explicita o autor sintetiza as ideias de ordem e de justiça. Sem estas, as liberdades desenraízam- se, comprometendo o futuro (especialmente, quando a cidadania se vai diluindo no indiferentismo e na abstenção).

“Num mundo que se globaliza, o princípio geral parece ser tudo é móvel, tudo é reticulável, tudo é transacionável” (Covas, 2008, p. 261). Esta afirmação de Covas dá-nos a verdadeira dimensão da era da globalização em que vivemos. Além disso, segundo o mesmo autor, tudo se passa num campo de forças composto por quatro entidades ou componentes, a saber: mercados,

empresas, instituições e territórios26. Este campo de forças é “um campo muito tenso entre forças centrípetas e forças centrífugas”, onde o conflito pode emergir a qualquer momento. Para este economista português, não se trata de um conflito stricto sensu sobre a globalização, mas sobre a prepotência e a mundialização do capital. A estratégia dos agentes económicos é, diz-nos, bem conhecida, sendo expressa pelo downsizing e outsourcing (o que quer dizer, “reduzir tanto quanto possível os custos fixos” e “ajustar tanto quanto necessário os custos variáveis”). Nesta perspectiva, e se tivermos em mente que as instituições e os territórios que eram, até há pouco tempo, as variáveis exógenas do sistema político-económico (na exacta medida em que podiam determinar livremente os respectivos custos de contexto e a formalidade como atributos de soberania), então podemos concluir, com Covas (2008, p. 262), que as instituições e os territórios passam agora a ser também variáveis endógenas de um sistema supranacional. Para

o autor esta “endogeneização” é um facto muito perturbador27. Por um lado, porque significa

que a política democrática doméstica não tem condições para assegurar o regular funcionamento das instituições nacionais. Ou seja, as autoridades legitimamente constituídas não têm o poder de impedir que o “Deus mercado” funcione livremente e imponha as suas regras não democráticas. Por outro lado, porque fragiliza muito a relação de confiança entre eleitos e eleitores ao mesmo tempo que levanta a questão da presença/ausência de reguladores acreditados que garantam num futuro próximo a coesão social mínima dos territórios locais e regionais.

No caso particular do nosso país, Covas (2008, p. 13) considera que a crise profunda do modelo de desenvolvimento económico e social reside sobretudo na forma débil e desajeitada como nos integramos no regime económico internacional. Para este autor, essa integração acontece a um ritmo alucinante e está a levar à desestruturação da economia portuguesa. Como estratégia contraditória da mesma, o autor considera importante o estabelecimento de “um quadro regulatório” que amorteça os choques assimétricos e bruscos e que conceda tempo suficiente para as adaptações estruturais necessárias. Aquela estratégia requer também “a revisão das funções do Estado e da estrutura dos bens públicos”, em ordem à promoção de uma fiscalidade competitiva e sustentável (já que uma pequena economia aberta com um mercado interno muito estreito, como a portuguesa, tem o dever e a obrigação de converter os seus custos de contexto em benefícios de contexto para as pequenas e médias

26 Como o próprio autor reconhece este quadro analítico foi fortemente perturbado no último quartel do século

XX através da liberalização do comércio internacional, das migrações internacionais de mão-de-obra, das tecnologias de informação e comunicação, da desmaterialização dos fluxos de capital e da emergência dos valores securitários (Covas, 2008, p. 262).

27 A endogeneização dos territórios e das instituições é um dado inelutável e quanto mais tarde acontecer mais

empresas), e ainda “a renovação profunda do modelo competitivo da economia”, quer no quadro da sociedade da informação e do conhecimento, quer no quadro de coesão social e territorial (com particular destaque para o papel das redes de cidades e regiões na economia da inovação, como factor de competitividade das actividades, das empresas e das organizações; e para o papel da agricultura e do mundo rural à luz das alterações climáticas, da segurança alimentar e da ecologia).

Covas (2008, p. 14) afirma ainda que, neste mundo global, urbano, terciarizado e tecnológico, a agricultura e o mundo rural parecem ter os dias contados em benefício das grandes monoculturas agro-industriais e florestais, das grandes reservas de caça e dos grandes projectos imobiliário-turísticos. Contudo, considerando que a razão ecológica é cada vez mais incontornável, este economista português espera que não seja necessário decretar o estado de emergência agroecológico para se retomar, no nosso país, a prioridade da agricultura e do desenvolvimento rural. De forma esquemática, Covas (2007, p. 20) aponta aqueles que considera ser os dez principais problemas da agricultura e do mundo rural português:

1. o conservadorismo no qual a propriedade, o património e a herança são o tríptico que predomina no quadro de estratégias de desenvolvimento e consolidação familiar, para além do fracasso das estratégias de emparcelamento;

2. a ausência de mercado fundiário, sendo que a falta de mobilidade do factor produção terra tem vindo a reduzir de forma substancial as possibilidades de alteração estrutural das explorações, repercutindo-se igualmente no baixo índice de rejuvenescimento e de inovação no domínio das formas organizacionais e societárias de gestão fundiária; 3. a baixa intensidade-rede do capital social da agricultura, repercutindo-se num baixo

grau de capitalização em dificuldades de relacionamento com o sistema financeiro por falta de garantias bancárias suficientes e numa baixa profissionalização dos empresários agrícolas;

4. a confusão entre reformas legislativas, publicação de diplomas e reformas estruturais da agricultura, a que o autor chama de “governar por decreto” ou de “como a política pública pode deitar tudo a perder” para sublinhar o fracasso das “políticas difusionistas” em matéria de extensão agro-rural como se o destinatário dessas políticas fosse uma entidade abstracta com igual capacidade de assimilação dos seus suportes e conteúdos; 5. os actores do mundo rural assumirem que têm naturalmente direitos, considerando-se

portanto mais beneficiários do que protagonistas de um sistema que consideram ter obrigações;

6. a fragilidade do movimento associativo (que “está prisioneiro” e “vive na órbita dos apoios da política pública”) que se repercute e prejudica não apenas a recolha e selecção de informação pertinente para o desenho das políticas públicas como a qualidade da extensão técnica que aquele presta aos seus associados;

7. o rejuvenescimento como problema crítico de ordem cultural ligado à depreciação do mundo rural português e à polarização perversa urbano-rural;

8. a falta de ligação causal e funcional entre a reforma político-legislativa e a modernização da administração (de que é exemplo a exclusão das administrações do