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A UMBANDA E O EVANGELHO

No documento Livro - Origem Da Umbanda 1 (páginas 79-81)

Os Pretos-Velhos são “os representantes de Jesus Cristo e da Mãe Maria Santíssima” dentro da Umbanda. Seus mensageiros, como podemos notar em suas orientações, seus atos, suas postura e nos pontos cantados que são como pequenas orações onde sempre encontramos as palavras “Jesus”, Cruz, Cruzeiro, Maria, Rosário, nomes de Santos e de Anjos (Pedro, Miguel, João, Benedito, etc.), e tantas outras palavras que revelam ou denunciam esse vínculo, essa ligação, entre os Pretos-Velhos e a representação da fé em Jesus e do Evangelho redentor dentro da Umbanda.

Os ensinamentos de Jesus, assim como a Umbanda, são simples e destituídos de fórmulas e símbolos complicados. Ademais, Jesus não exigia dos homens que se tornassem santos ou heróis, sob a influência de seus ensinamentos.

Ele ensinava a realidade dos Céus no meio da vida comum, nas ruas, vielas, campos, lares, sob as árvores, ou a beira de praias. Jesus teve sua convivência por escolha entre o povo aflito e sofredor, sedentos por amor e um pouco de carinho em vez de estar entre eruditos, políticos, ou entre as complicações religiosas do mundo. Seus ensinamentos eram simples, compreendidos por todos, e eram gravados com letras de fogo no coração de cada um. Ensinamentos compreendidos e aceitos pela simplicidade das verdades inesquecíveis como:

“Ama a teu próximo como a ti mesmo”. “Faze aos outros o que queres que te façam”. “Quem se humilha será exaltado”. “Cada um colhe conforme suas obras”

Jamais, outra regra de reforma íntima tão singela e espiritual poderia permear a Umbanda, cuja doutrina é tão simples, desprovida de pompas, lógica e libertadora.

Nenhum outro Mestre que viveu entre nós conseguiu em poucas palavras e em tão pouco tempo expor um código de moral tão elevado (Evangelho) aos humanos. Poderíamos também classificar o Evangelho como: “Códigos e normas para se ter uma vida plena e feliz”.

A Umbanda não pretende isolar-se na interpretação pessoal do Evangelho tão bem exposto e explicado através de Allan Kardec, aliás, não devemos nos esquecer que as explicações contidas no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, foram dadas por Espíritos iluminados; portanto ser umbandista é ser crístico, e ser crístico é seguir os ensinamentos dos Espíritos elevados, sejam eles quais forem e de onde forem.

Adotar alguma literatura kardecista condizente não quer dizer praticar a Religião Kardecista, mas sim, nos educarmos nas mensagens edificadoras e filosóficas de alguns irmãos espirituais que ali militam. Adotando, também, o “Evangelho Segundo o Espiritismo” em nossos Templos, estaremos contribuindo para a libertação das pessoas, e contribuindo para a única maneira de nos espiritualizarmos, que é a “educação e o reforma íntima”.

Nós Umbandistas, devemos ter como objetivo a redenção dos Espíritos através de uma conscientização contínua das verdades eternas contidas no Evangelho de Jesus, sem aguardar o milagre da santidade instantânea. O Umbandista deve interessar-se profundamente pelo seu aperfeiçoamento e não eleger e confiar somente nos ensinamentos dos mestres e doutrinadores. Não basta querer ter sua vida resolvida, crer numa vida espiritual eterna se ainda não se converteu às verdades e aos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, reformando-se interiormente.

Evangelizar não se trata apenas de um conjunto de preceitos pregados a outras pessoas, mas sim interiorizados e vividos no íntimo de nossa alma, assim como fez Jesus, pois ele não só pregava, como também praticava todos os Seus ensinamentos.

Jesus não estabeleceu nenhum culto, nem pregou nenhum tipo de poder a multidão; não criou castas e nem outorgas sacerdotais; não criou magos e nem mestres; não pregou aprisionamentos de Espíritos; não ordenou que Espíritos fossem enviados para “o embaixo”; não ensinou a retornar nenhum mal que nos fizessem, não nos ensinou a revidar ofensas, e muito menos, não nos deu fórmulas mágicas ou mesmo magias para que pudéssemos nos beneficiar egoisticamente, promovendo facilidades materiais ou espirituais. Ele nos pregou o amor, o perdão, a redenção pela fé, e foi muito objetivo quando nos disse: “Se alguém quiser vir nas minhas

pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; - porquanto, aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amor de mim e do Evangelho se salvará. – Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo? (Marcos, cap. VIII, vv. 34 a 36; - Lucas, cap. IX, vv. 23 a 25; - Mateus, cap. X, vv. 38 e 39; - João, cap. XII, vv. 25 e 26.) “Vinde a mim, todos os que andam em sofrimento e vos achais carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mateus, XI: 28-30).

Os Espíritos da Luz nos orientam: “Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres

queridos, encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei”. Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele ensina: seu jugo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve e essa lei é suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo)

Com estas palavras, Jesus foi claro a nos dizer que Ele não nos tiraria a “cruz” de problemas adquiridos pelas nossas falsas crenças e ignorância em mal viver, mas sim, que se O seguíssemos (seguir Seus ensinamentos), o nosso jugo será leve, e seremos salvos das nossas próprias imperfeições.

Jesus deu um toque sutil em todas as situações humanas e espirituais, operando o verdadeiro milagre da nossa reforma intima, transformando angustias, fracassos e desesperos em bênçãos para o caminho do Céu. Ao invés de menosprezar a vida nos ensinou que ela é um instrumento necessário para o aperfeiçoamento da alma. Transformou dores em bênçãos, choros, sofrimentos e aflições em bem-aventuranças eternas. Nenhum suspiro, dor, ou lágrima serão perdidos ante o Divino Criador.

Existe uma simbiose; uma sintonia moral entre a Umbanda e o Evangelho. Ambos requerem a redenção humana. Ambos valorizam a vida humana, nos ensinando que devemos viver tudo o que Deus nos proporcionou com disciplina, e não ver a vida simplesmente como condição expiatória ou apenas sofredora. A Umbanda, portanto, também será um caminho a ser trilhado pela humanidade, e o Evangelho é a luz que ilumina o caminho, facilitando a nossa vida. A Umbanda, pelo Evangelho nos ensina: “Deus te ama como você

é. Deus não se importa com o que você é, mas se importa com o que você faz”.

Deus só tem uma missão para todos nós: Que nos tornemos pessoas do bem, praticando a compaixão em qualquer setor da vida que escolhemos pelo nosso livre arbítrio.

Nós, Umbandistas, não devemos aguardar a aproximação do Evangelho, mas sim buscá-lo e vivenciá-lo em toda sua plenitude, como norma a ser seguida, a fim de nos desvencilharmos das ilusões e sofrimentos humanos, encontrando um caminho curto e seguro que nos levara a Deus.

O Evangelho é fonte criadora de homens incomuns em caráter amor e igualdade. Não é egoísta, mas sim altruísta; não se exalta, mas cria humildes. Deixa o ser humano terno e não cruel. Pacífico e não armado. O Evangelho será a pátria dos homens santos. Os gigantes de espiritualidade, vencedores de suas mazelas e paixões.

Todos os problemas do mundo também serão solucionados pela leitura, estudo e prática do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, o porto mais seguro da espiritualidade superior.

Nós Umbandistas, devemos usar dos recursos materiais que Deus nos proporcionou, que chamamos de “arsenal” de Umbanda, com disciplina, bom senso e parcimônia, sempre que necessário ajudar a qualquer irmão, mas desde que esse, naquele momento, não se encontra em condições de ser doutrinado ou transformado. Após o equilíbrio do mesmo devemos proceder a sua evangelização, para que o nosso irmão continue seu caminhar no plano terreno com equilíbrio e não venha cair nas malhas das viciações internas e nem dos nossos irmãos menos esclarecidos.

Então meus irmãos, mãos a obra, na edificação evangélica do nosso Espírito imortal, pois só assim estaremos contribuindo para o nosso aprimoramento e elevação espiritual.

Não nos esqueçamos do iniciador da Umbanda, em 1.908, o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, quando nos exortou: “Que o desenvolvimento do médium fosse com base na Evangelização contumaz”. “Dos Espíritos

aprenderemos; os que nada sabem ensinaremos e a ninguém reacusaremos auxílio, pois essa é a vontade do Pai”. “E que o Cristo é o nosso Mestre Supremo”.

Nós umbandistas também acreditamos que há outras obras tão importantes para a nossa evolução espiritual e carnal; conhecer as histórias, mitos e lendas das religiões do mundo afora, do hinduísmo, budismo, islamismo, lendas gregas, etc. e os abençoados livros psicografados por Chico Xavier, João Nunes Maia, Hercílio Maes, etc., pois a Umbanda é crística, e não devemos nos fechar em nossos parcos conhecimentos. Relembrando:

“Aceite tudo o que é bom e rejeite tudo o que é mal”.

No documento Livro - Origem Da Umbanda 1 (páginas 79-81)

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