Primeiramente, vamos atentar para algumas opiniões de alguns primeiros umbandistas sobre a Umbanda: “A Umbanda é hoje uma religião nacional, bem nossa, bem brasileira”.
“Umbanda é o milagre vivo diante dos nossos olhos deslumbrados; Umbanda é ação do Cristo na sua
jornada pelo planeta, realizando a magia divina em favor da humanidade que se debate no sofrimento e na dor”.
“A tarefa que sobre seus ombros tomou o Caboclo da Sete Encruzilhadas – organizar a Lei de
Umbanda no Brasil – é um verdadeiro milagre de fé e nos leva a um sentimento de profundo respeito por essa Entidade que se faz pequenina e procura valer-se sob a capa de uma humildade perfeita. É a ele que se deve a purificação dos trabalhos nos Terreiros. Não veio destruir o ritual e sim lhe dar força e métodos, manter sua pureza e propagá-lo com a sua organização maravilhosa”.
“Religião de raízes antiquíssimas, cujas origens remontam a eras anteriores ao cristianismo, sua
liturgia encontra-se a cada passo do Velho e do Novo Testamento, nos Templos do Egito e da Índia e na própria Igreja Católica. Por mais remota que seja uma religião, nela encontraremos os vestígios da Umbanda, ou seja, sob outro ponto de vista, de cada uma delas a Umbanda dos nossos dias colheu uma contribuição para consolidar a sua própria liturgia. Mas assim como a velha religião mosaica, à qual pertenciam os homens que falavam face a face com o próprio Deus, teve de ser expurgada por Jesus de todo rito impuro, a Umbanda deixou para trás a seita que os cientistas classificavam de animismo fetichista e, libertada dos rituais complexos, pesados e, por vezes, contrários às normas de bondade, caridade e perdão, passou a ser o caminho mais simples e acessível para o homem se reaproximar do Criador”.
“A religião que lhes estava destinada deveria ser uma religião eclética, cujas características principais
fossem a caridade, a humildade e a perfeita tolerância para com a imensa ignorância dos homens”.
(Textos de José Álvares Pessoa (Capitão Pessoa) – Dirigente da Tenda Espírita São Jerônimo (1935), uma das sete tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas)
“Não cobrar, não matar, usar o branco, evangelizar e utilizar as forças da Natureza – eis a Umbanda”.
(Texto de Moab Caldas – umbandista, eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul em 1950).
“Os conceitos emitidos através da mediunidade de Zélio de Moraes determinaram uma Linha de
Trabalho que será, mais hoje, mais amanhã, aquela que definirá os rumos verdadeiros da Umbanda”.
“O Espiritualismo de Umbanda está aí para proporcionar Luz e Amor no entendimento e no coração
dos filhos de Deus e não para promover demandas, nem atiçar a fogueira do ódio, da vingança, das represálias. Não! “A melhor maneira de se extinguir o fogo é recusar-lhe combustível”.
(Dr. Aníbal Vaz de Melo)
“Se a nossa missão é Umbanda, nosso dever primordial é cultuá-la com absoluta convicção,
respeitando seus princípios, estudando seus fundamentos a fim de compreender os seus fins. Respeitemos as outras crenças, mas deixemo-las a cargo daqueles que a praticam. Não é certo misturar crenças e rituais. Estudemos a Umbanda, pura, simples e bela, para que possamos praticá-la conscientemente, elevando-a ao nível que merece. Umbanda é religião e ciência admirável, que apaixona quem a ela se dedica”.
(Texto de Átila Nunes (1948) (pai)).
“O objetivo da Linha Branca de Umbanda e Demanda é a prática da caridade, libertando de obsessões,
curando as moléstias de origem ou ligação espiritual, desmanchando os trabalhos de magia negra, e preparando um ambiente favorável a operosidade de seus adeptos.”
“A Linha Branca de Umbanda e Demanda tem o seu fundamento no exemplo de Jesus.”
“A Linha Branca de Umbanda e Demanda está perfeitamente enquadrada na doutrina de Allan Kardec
e nos livros do grande codificador, nada se encontra susceptível de condená-la”.
“E o amor de Deus e a prática do bem são a divisa da Linha Branca de Umbanda e Demanda”.
“A doutrina da Umbanda é um sistema religioso inspirado nas Leis Divinas. Sua interpretação é feita
pelos Guias Espirituais que a transmitem por via das comunicações mediúnicas. A lógica, a justiça e a razão são as bases dos conceitos emitidos pelas Entidades em torno de tudo o que nos rodeia na vida terrena. A doutrina umbandista é uma via de reformação humana, de espiritualização autêntica para transformar em realidade o almejado sonho de fraternidade entre os homens. Não é falsa asserção, pois é notório o resultado obtido com a doutrina ininterruptamente feita pelos Espíritos missionários que se apresentam como Pretos Velhos ou Caboclos”.
(Texto de João de Freitas).
“Umbanda se nos apresenta como a estrada luminosa e ampla pela qual podem seguir juntos,
irmanados no mesmo desejo de liberdade e perfeição, no mesmo sentimento de amor e progresso, povos de todas as raças, crenças, cores e nacionalidades”!
“Segundo dados conhecidos, a Umbanda vêm sendo praticada em terras brasileiras desde o meado do
século XVI, sendo, por conseguinte, a mais antiga modalidade religiosa implantada sob o Cruzeiro do Sul, depois do Catolicismo, que nos veio com os descobridores”.
“A Deus o que é de Deus e a César o que é de César”: essas palavras sábias do doce Nazareno ainda
aqui têm cabimento. À Umbanda não interessa nem especulação nem mistificações.
(1º Congresso de Umbanda – Textos do Senhor Diamantino Coelho Fernandes, da Tenda Espírita Mirim – 1941)
“A Umbanda é uma religião porque possui culto, ritual, dirigente, oferenda, e tudo quanto uma religião
devidamente organizada possui neste ou naquele grau. A Umbanda é uma ciência porque, não se limitando a aceitação cega da imposição ritualística sacerdotal dogmática, indaga, pesquisa, investiga o dito sobrenatural servindo-se dos métodos mediúnicos kardequianos (mesmo quando seus adeptos não conhecem a “Terceira Revelação”) e dos métodos mediúnicos de Papus e Elifas Levi (mesmo quando as fórmulas evocativas são diferentes). A Umbanda, tanto quanto o Espiritismo é uma ciência de experimentação e passível de evolução em grau que se não pode limitar. E é a Umbanda uma religião verdadeira? Para o católico nenhuma outra religião, além da sua, é verdadeira; e a sua fórmula dogmática é: “Fora da Igreja não há salvação”. Entretanto para o estudioso de religião comparada, que, à luz da história das civilizações e da ciência, concluiu que a fonte é uma só; a Umbanda não apenas é uma religião verdadeira como é também um vasto campo de pesquisa teosófica. É, portanto, a Umbanda, como antes dissemos, uma verdadeira religião e uma verdadeira ciência”.
(Texto retirado do Livro Codificação da Lei de Umbanda (Emanuel Zespo, Rio de Janeiro: Ed. Espiritualista, 1953, p.8 e p.47))
“Umbanda é a expressão de uma elevadíssima corrente espiritual que traz para o povo da América a
glória de uma época de luz que ficará na história. Não é um movimento arbitrário: está obedecendo ao Plano Divino”.
(1º Congresso de Umbanda – Texto do Senhor Roberto Ruggiero, da delegação da Tenda Espírita Mirim – 1941)
“A Umbanda é qual libélula que se desvencilhou da lagarta rastejante e alçou vôos para viver uma
nova vida, vida de luz, de renovação, levando em suas asas as vibrações amigas de Paz, Caridade, Perdão e Amor”.
“A Umbanda, esteira de luz a iluminar os filhos de Deus nos caminhos da trevas, chama a si todas as
doutrinas evolucionistas que proclamam o Amor Universal, a imortalidade da alma e a vida futura, consagrando-se como verdadeira religião de caráter nacional”.
(Textos de Jota Alves de Oliveira – 1965)
“A Umbanda tem por objetivo a transformação moral do homem, revivendo os ensinamentos crísticos
na sua verdadeira expressão de simplicidade, fé, humildade, pureza e amor. A Umbanda é uma religião simples, desprovida de complicações doutrinárias e metafísicas. O fim essencial da Umbanda é a melhoria do homem, iluminando-lhes os sentimentos, na superioridade das caracteristicas morais, libertando-o para a Vida Maior”.
(Texto de: Padrinho Juruá, dirigente do “Templo da Estrela Azul – Casa de Caridade Umbandista”)
UMBANDA – RELIGIÃO/FILOSOFIA/CIÊNCIA/ARTE
Umbanda é uma religião milenar em seus fundamentos, cósmica em seus preceitos, evolutiva em suas manifestações, crística em seus princípios, aspectos, finalidades, postulados, e brasileira em sua origem. Explicaremos melhor:
É Milenar porque seus fundamentos são os mesmos que presidiam o reencontro com Deus desde o início da raça humana em nosso planeta.
Cósmica porque seus fundamentos culminaram com a união preconizada pelo Movimento Umbandista dos quatro pilares do conhecimento humano, que são: Filosofia, Ciência, Religião e Arte.
Evolutiva em suas manifestações, porque a Umbanda se manifesta em seu dia a dia, utilizando todos os recursos positivos existentes no ontem, no hoje e com certeza usará os que vierem no amanhã.
Crística porque os seus aspectos, princípios, postulados e finalidades estão calcados nos ensinamentos dos Mestres da Luz, principalmente no Mestre Jesus, sendo a manifestação e a vivência do Evangelho Redentor, aceitando tudo o que é bom é rejeitando tudo o que é mal.
Brasileira em suas origens. Como prática religiosa, surgiu e se desenvolve no Brasil.
Do catolicismo absorveu alguns sacramentos, a crença em Jesus, na Mãe Maria Santíssima, aos Anjos e alguns Santos; do Espiritismo, o estudo sistemático da codificação kardeciana; dos culto-afros, absorveu a crença nos Sagrados Orixás, a temática de oferendas e despachos; dos cultos Indígenas, o uso ritualístico das ervas, do tabaco e o respeito à Terra e tudo o que ela possui e, finalmente, do Ocultismo e Orientalismo toda a gama de informações sobre o mundo oculto, mantrans, pedras, incensos, concentração, meditação, etc. Isto tudo unido é Umbanda e traz uma compreensão maior do próprio homem, entendendo-se como Ser Espiritual habitante não apenas de uma cidade, país ou planeta, mas sim de todo o Universo; o papel de cada um neste contexto cósmico é revelado pela Umbanda no conhecimento das causas e origens deste mesmo Universo. Podemos resumir o objetivo de todos estes processos através das seguintes equações:
Filosofia + Ciência = Sabedoria Arte + Religião = Amor
Sabedoria + Amor = Caridade Caridade = Umbanda.
A Sabedoria é alcançada através da Razão, e o Amor é a expressão máxima e suprema do sentimento. Assim, o caminho para atingir o binômio Sabedoria + Amor que é a Caridade expressada, através da fé raciocinada e da razão sentimentalizada; a Caridade, é a maior expressão existente do Amor. Com tudo isso sedimentado, houve por bem manifestar todos esses dons no Brasil. Surgiu então, a Umbanda. Quem imaginaria que por trás da aparência singela de um humilde Terreiro Umbandista, existissem conceitos tão profundos e propósitos tão sublimes? Dizemos que a Umbanda é evolutiva referindo-nos, em primeira estância, as formas de apresentação do Movimento Umbandista que não só tem variações entre os diversos Terreiros (modalidades de Umbanda), atendendo às necessidades dos que os procuram, mas também variações evolutivas do ritual de cada um desses Terreiros no decorrer do tempo.
Este é princípio básico de expansão e evolução do Movimento Umbandista. É claro que, se as pessoas vão evoluindo e adquirindo valores espirituais superiores, é justo que os rituais reflitam esta evolução, abandonando gradativamente os aspectos da forma, e buscando a essência da vida.
Umbanda é vibração mágica de amor e de força, que envolve e atinge a tudo e a todos. É a força mágica que abrange este crescente movimento religioso.
Umbanda é lei que regula os fenômenos das manifestações e comunicações entre os Espíritos da Aruanda para o mundo das formas.
A Umbanda é uma poderosa corrente espiritual, mantida no astral, para a massa humana, tendo dentro de si os aspectos religiosos, filosóficos, científicos, simbólicos, mitológicos, ritualísticos ou litúrgicos, os fenômenos da mediunidade, os da metafísica, o terapêutico e o magístico.
A Umbanda é uma profissão de fé baseada no Evangelho de Jesus, nos ensinamentos crísticos, nos Sagrados Orixás, no trabalho com as forças da Natureza, e na manifestação mediúnica e orientação dos Espíritos que usam a roupagem arquetípica fluídica de apresentação na forma regionalizada de: Caboclos da Mata, Caboclos D´agua, Caboclos Sertanejos, Baianos, Povo do Oriente, Pretos-Velhos, Crianças, Ciganos, Curandeiros, Tarefeiros, nos trabalhos mediúnicos pró-caridade, excluindo-se o totemismo, as superstições e o sobrenatural.
A Umbanda com sua mundividência cósmica é mais requintada com sua reflexão sobre a espiritualidade do que os sistemas religiosos extremamente homocêntricos que dominam o mundo atual. A Umbanda está profundamente enraizada no mundo natural e no relacionamento da humanidade com o Universo.
As religiões monoteístas dominantes, em suas formas estabelecidas e heréticas, rejeitam a Natureza e o mundo material como tentações malfazejas, que desviam o verdadeiro crente do caminho espiritual. A Umbanda admite os perigos do ultramaterialismo, mas tem uma visão mais realista da Natureza, reconhecendo o papel da humanidade na roda cósmica da vida. A Umbanda veio unir o conceito filosófico crístico que leva a Deus, a fenomenologia da mediunidade (Kardec) e a vivência com à mãe Natureza.
(Texto formulado em base de um capítulo do livro: “Cultura Umbandística” – Brasão de Freitas, Roger T. Soares, e, Willian C. Oliveira – Editora Ícone)