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A VIDA IMORTAL 

No documento Portal Luz Espírita (páginas 76-79)

O  estudo  do  Universo  conduz­nos  ao  estudo  da  alma,  à  investigação  do  princípio que nos anima e dirige­nos os atos. 

Já  o  dissemos:  a  inteligência  não  pode  provir  da  matéria.  A  Fisiologia  ensina­nos  que  as  diferentes  partes  do  corpo  humano  renovam­se  em  um  lapso  de  tempo  que  não  vai  além  de  alguns  meses.  Sob  a  ação  de  duas  grandes  correntes  vitais, produz­se em nós uma troca perpétua de moléculas. Aquelas que desaparecem  do organismo são substituídas, uma a uma, por outras, provenientes da alimentação.  Desde as substâncias moles do cérebro até as partes mais duras da estrutura óssea,  tudo em nosso ser físico está submetido a continuas mutações. O corpo dissolve­se,  e,  numerosas  vezes  durante  a  vida,  reforma­se.  Entretanto,  apesar  dessas  transformações  constantes,  através  das  modificações  do  corpo  material,  ficamos  sempre a mesma pessoa. A matéria do cérebro pode renovar­se, mas o pensamento é  sempre  idêntico  a  si  mesmo,  e  com  ele  subsiste  a  memória,  a  recordação  de  um  passado de que não participou o corpo atual. Há, pois, em nós um princípio distinto  da  matéria,  uma  força  indivisível  que  persiste  e  se  mantém  entre  essas  perpétuas  substituições. 

Sabemos que, por si mesma, não pode a matéria organizar­se e produzir a  vida.  Desprovida  de  unidade,  ela  desagrega­se  e  divide­se  ao  infinito.  Em  nós,  ao  contrário, todas as faculdades, todas as potências intelectuais e morais grupam­se em  uma unidade central que as abraça, liga, e esclarece, e esta unidade é a consciência, a  personalidade, o Eu, ou, por outra, a Alma. A alma é o princípio da vida, a causa da  sensação; é a força invisível, indissolúvel que rege  o nosso organismo e mantém o  acordo  entre  todas  as  partes  do  nosso  ser 79 .  Nada  de  comum  têm  as  faculdades  da  alma  com  a  matéria.  A  inteligência,  a  razão,  o  discernimento,  a  vontade,  não  poderiam ser confundidos com o sangue das nossas veias, ou com a carne do nosso  corpo.  O mesmo sucede com a consciência, esse privilégio que temos para medir  os nossos atos, para discernir o bem do mal. Essa linguagem íntima, que se dirige a  todo homem, ao mais humilde ou ao mais elevado, essa voz cujos murmúrios podem  perturbar o estrondo das maiores glórias nada tem de material.  79  Isto por meio de um fluído vital que lhe serve de veículo para a transmissão de suas ordens aos órgãos.  Voltaremos  mais  adiante  a  esse  terceiro  elemento  chamado  “perispírito”,  que  sobrevive  à  morte  e  que  acompanha a alma em suas peregrinações.

Correntes  contrárias  agitam­se  em  nós.  Os  apetites,  os  desejos  ardentes  chocam­se de encontro à razão e ao sentimento do dever. Ora, se mais não fôssemos  do  que  matéria,  não  conheceríamos  essas  lutas,  esses  combates;  e  entregar­nos­  íamos, sem mágoa, sem remorsos, às nossas tendências naturais. Mas, ao contrário, a  nossa  vontade  está  em  conflito  freqüente  com  os  nossos  instintos.  Por  meio  dela  podemos  escapar às influências da matéria, domá­la, transformá­la em instrumento  dócil.  Não  se  têm  visto  homens  nascidos  nas  mais  precárias  condições  vencerem  todos  os  obstáculos, a pobreza, as enfermidades, os defeitos e chegarem à primeira  classe  por  seus  esforços  enérgicos  e  perseverantes?  Não  se  vê  a  superioridade  da  alma  sobre  o  corpo  afirmar­se,  de  maneira  ainda  mais  positiva,  no  espetáculo  dos  grandes  sacrifícios  e  das  dedicações  históricas?  Ninguém  ignora  como  os  mártires  do dever, da verdade revelada prematuramente, como todos aqueles que, pelo bem  da  Humanidade,  têm  sido  perseguidos,  supliciados,  levados  ao  patíbulo,  puderam,  no  meio  das  torturas,  às  portas  da  morte,  dominar  a  matéria  e,  em  nome  de  uma  grande causa, impor silêncio aos gritos da carne dilacerada! 

Se mais não houvesse  em nós que matéria, não veríamos, quando o corpo  está mergulhado no sono, o Espírito continuar a viver e agir sem auxílio algum dos  nossos  cinco  sentidos,  e  assim  mostrar  que  uma  atividade  incessante  é  a  condição  própria da sua natureza. A lucidez magnética, a visão a distância sem o socorro dos  olhos,  a  previsão  de  fatos,  a  penetração  do  pensamento  são  outras  tantas  provas  evidentes da existência da alma. 

Assim,  pois,  fraco  ou  poderoso,  Ignorante  ou  esclarecido,  somos  um  Espírito; regemos este corpo que mais não é, sob nossa direção, do que um servidor,  um  simples  instrumento.  Esse  Espírito  que  somos  é  livre  e  perfectível,  por  conseguinte, responsável. Pode, à vontade, melhorar­se, transformar­se e inclinar­se  para o bem. 

Confuso em uns, luminoso em outros, um ideal esclarece o caminho.  Quanto mais elevado é esse ideal tanto mais úteis e gloriosas são as obras  que  inspira.  Feliz  a  alma  que,  em  sua  marcha,  é  sustentada  por  um  nobre  entusiasmo:  amor  da  verdade  e  da  Justiça,  amor  da  pátria  e  da  Humanidade!  Sua  ascensão será rápida, sua passagem por este mundo deixará traços profundos, sulcos  de onde colherá uma messe bendita. 

Estabelecida  a  existência  da  alma,  o  problema  da  imortalidade  impõe­se  desde  logo.  É  essa  uma  questão  da  maior  importância,  porque  a  imortalidade  é  a  única  sanção  que  se  oferece  à  lei  moral,  a  única  concepção  que  satisfaz  as  nossas  ideias de Justiça e responde às mais altas esperanças da Humanidade. 

Se  como  entidade  espiritual  nos  mantemos  e  persistimos  através  do  perpétuo  renovamento  das  moléculas  e  transformações  do  nosso  corpo  material,  a  desassociação e o desaparecimento final também não poderiam atingir­nos em nossa  existência. 

Vimos  que  coisa  alguma  se  aniquila no  Universo.  Quando  a  Química nos  ensina  que  nenhum  átomo  se  perde,  quando  a  Física  nos  demonstra  que nenhuma  força  se  dissipa,  como  acreditar  que  esta  unidade  prodigiosa  em  que  se  resumem

todas as potências intelectuais, que este eu consciente, em que a vida se desprende  das  cadeias  da  fatalidade,  possa  dissolver­se  e  aniquilar­se?  Não  só  a  lógica  e  a  moral, mas também os próprios fatos — como estabeleceremos adiante — fatos de  ordem sensível, simultaneamente fisiológicos e psíquicos, tudo concorre, mostrando  a  persistência  do  ser  consciente  depois  da  morte,  para  nos  provar  que  além  do  túmulo a alma se encontra qual ela própria se fez por seus atos e trabalhos, no curso  da existência terrestre. 

Se a morte fosse a última palavra de todas as coisas, se os nossos destinos  se  limitassem  a  esta  vida  fugitiva,  teríamos  aspirações  para  um  estado  melhor,  de  que nada, na Terra, nada do que é matéria pode dar­nos a Ideia? Teríamos essa sede  de  conhecer,  de  saber,  que  coisa  alguma  pode  saciar?  Se tudo  cessasse  no  túmulo,  por que essas necessidades, esses sonhos, essas tendências inexplicáveis? Esse grito  poderoso  do  ser  humano,  que  retumba  através  dos  séculos,  essas  esperanças  Infinitas, esses impulsos Irresistíveis para o progresso e para a luz mais não seriam,  pois,  que  atributos  de  uma  sombra  passageira,  de  uma  agregação  de  moléculas  apenas  formadas  e  logo  esvaídas?  Que  será  então  a  vida  terrestre,  tão  curta  que,  mesmo  em  sua  maior  duração,  não  nos  permite  atingir  os  limites  da  Ciência;  tão  cheia  de  impotência,  de  amargor,  de  desilusão  que  nela  nada  nos  satisfaz  inteiramente;  onde,  depois  de  acreditar  termos  conseguido  o  objeto  de  nossos  desejos  insaciáveis,  nos  deixamos  arrastar  para  um  alvo,  sempre  cada  vez  mais  longínquo,  mais  inacessível?  A  persistência  que  temos  em  perseguir,  apesar  das  decepções, um ideal que não é deste mundo, uma felicidade que nos foge sempre é  uma indicação firme de que há mais alguma coisa além da vida presente. A Natureza  não poderia dar ao ser aspirações, esperanças Irrealizáveis. As necessidades Infinitas  da alma reclamam forçosamente uma vida sem limites.

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A PLURALIDADE DAS

No documento Portal Luz Espírita (páginas 76-79)