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CAPÍTULO III – Causas, Consequências e Implicações Absentismo Escolar na Qualidade do Processo de Ensino e Absentismo Escolar na Qualidade do Processo de Ensino e

3.3. Consequências do Absentismo Escolar

3.3.3. Abandono Escolar

A família angolana está mais preocupada em melhorar condições de vida procurando a obtenção de bens de várias maneiras e que as vezes levam ao esquecimento de atenção dos membros que a compõem. E a criança que está na escola para além da atenção precisa também do apoio e acompanhamento dos pais. Mas a vida sobretudo das famílias urbanas, cheia de agitação, alguns pais têm a escola e creche como os espaços

ideais para que seus filhos sejam educados. Para as famílias rurais e mais carenciadas, se a criança não for à escola melhor seria acompanhar os pais nos seus trabalhos de campo, ou ficar a tomar conta de casa e dos irmãos.

Tal como os pais abandonam seus filhos em casa, na escola ou na creche, a falta de atenção dos responsáveis (professores, pais e da própria escola) e com dificuldades vividas pode levar com que o aluno também abandone a escola.

O abandono escolar é quando “Todo o aluno inscrito no sector dos jovens que deixa de o estar no ano seguinte, apesar de não ter obtido o seu diploma de estudos, são alunos que não se interessam pelas actividades da escola regularmente (Duclos, 2011, pp. 199-200)

A questão de abandono escolar é uma preocupação que as famílias, os professores, e a sociedade deveriam encarar com seriedade porque pode repercutir no comportamento inadequado despreocupados com a formação escolar ou profissional.

O autor acima salienta que os factores sociais e familiares influenciam no abandono escolar. Como por exemplo quando ele afirma que “o abandono é mais elevado entre os jovens que vivem em meios desfavorecidos no plano familiar e no plano socioeconómico em geral”.

“A motivação escolar é por vezes comprometida nos jovens cujos próprios pais também tiveram dificuldades de aprendizagem. (…) As crianças são influenciadas pelas opiniões e pelas atitudes, ainda que inocentes, dos pais, principalmente durante os períodos de trabalho de casa (…) os pais deixam bruscamente de apoiar os filhos nas suas aprendizagens. Alguns alunos não sentem que o meio escolar é o seu lugar devido às grandes diferenças culturais e educativas existentes entre a escola, a família e o seu grupo social” (Duclos, 2011, pp. 202-203)

O absentismo escolar permanente muitas vezes pode levar ao abandono escolar conforme Bárbara, Werle e Castro citados por Cabrita (2007:23) afirmam que o

abandono escolar “é a saída prematura do aluno do sistema de ensino obrigatório, saída da escola sem retorno ou que inicia a actividade académica mas não continua durante o ano lectivo e torna a ingressar no ano seguinte”.

Podemos salientar que o abandono escolar é problema causado pelas situações de responsabilidade do indivíduo, da família, da escola e do meio que envolve o absentista.

O abandono escolar a nível individual está associada “as dificuldades de aprendizagem, dificuldades de saúde, insucesso, baixo performance na língua materna e em matemática, baixo auto-estima, reduzido interesse pela escola, indisciplina, prática de pequenos delitos, abuso de substâncias, maternidade ou paternidade precoce”. (Canavarro, 2007, p. 45).

Também existem motivos familiares que influenciam no abandono escolar, tal como referiu Canavarro que a nível familiar, podemos identificar factores de abandono escola relacionada “as dificuldades económicas, baixa escolaridade, défice de atitudes positivas relativamente à escola, baixo envolvimento parental na escola e nas actividades educativas e identidade étnica e cultural minoritária”.

Por outro lado, Canavarro atribui ainda a responsabilidade da causa do abandono escolar a escola por este faltar “de mecanismos de detecção precoce de casos de risco de abandono escolar, falta de programas de apoio a alunos com dificuldades, falta de programas de promoção de competências sociais, deficiências nas instalações escolares, reduzida a atenção às pesagens de ciclo de estudos, falta de diversificação de oferta educativa e formativa, baixo nível de acompanhamento e de apoio psicológico aos alunos em risco de abandono escolar, reduzida ligação à família e ao meio envolvente, défice formativo dos docentes e outros agentes educativos (pessoal não

docente) em áreas capaz de prevenir o abandono escolar, incapacidade da escola actuar como promotor da resiliência educacional e défice de autonomia na gestão e funcionamento quotidiano da escola”.

“Vários jovens censuram professores por não variarem as suas explicações, por não tentarem tornar o ensino atractivo e por não estarem mais disponíveis. Os alunos desejam que os professores sejam mais respeitosos, mais sorridentes e dinâmicos. Os alunos sentem-se incompreendidos e desvalorizados na escola, as exigências escolares penalizam directamente os jovens com dificuldades de aprendizagem. O atraso escolar gerado pela dificuldade de aprendizagem e a desmotivação, a falta de apoio tanto no plano familiar como na escola bem como certos aspectos do sistema de ensino (…) são causas do abandono escolar”. (Duclos, 2011, pp. 204-205) Do mesmo modo Canavarro afirma que o meio envolvente onde se encontra a criança tem influenciado também no abandono escolar sobretudo nas situações em que a “pressão sobre mão-de-obra não qualificada e más condições de acessibilidade de transporte para escola.

Segundo Benavente citado por Canavarro (2007:46) “destacam que as periferias urbanas e as zonas rurais como as mais atingidas pelo abandono escolar e também os filhos de trabalhadores agrícolas, de operários e de artesãos e filhos de emigrantes”.

Para Libâneo citado por Ferreira e Bayma (2008: 89) “devido à distribuição de renda ser desigual, muitas crianças trocam a escola pelo trabalho, em função da sobrevivência. A pobreza das famílias dificulta a organização do ensino e também a aprendizagem do aluno. Muitas pesquisas apontam a problemática da estrutura social como um factor essencial do abandono escolar e afirmam que os alunos que permanecem têm um ensino de péssima qualidade, outros ficam fora da escola e muitos deles optam pela marginalização social”.

De acordo aos problemas nos quais se caracterizados como as causas do abandono escolar, é necessário uma adequada intervenção para se evitar uma sociedade analfabeta pobre e desempregada.

Todos os factores acima referenciados do abandono escolar, levam a certos constrangimentos da vida na sociedade. É por isso que o abandono escolar tem como consequência: “esperança de vida limitada, (…) a percentagem de delinquente é mais elevada, os suicídios são mais frequentes, (…) fragiliza o sentimento de competência dos professores, (…) gera uma diminuição da produtividade, (…) falta de emprego e empregos subalternos, frequentemente precários e mal pago”. (Duclos, 2011, pp. 204-205)

Para se evitar que haja nas sociedades futuras pessoas expostas a situação de desemprego prolongado, inacessibilidade de melhores empregos e marginalização social devido a pobreza acentuada. Neste contexto ele afirma que é preciso de intervenção sobre o abandono escolar:

“Sensibilização dos alunos e pais para a escola, acompanhamento profissional pós-horário escolar com programas dirigidas a criança incluindo lanche, suporte de realização a trabalhos escolares, desenvolvimento de trabalhos de jardinagem, natação, expressão dramática, leitura e promoção de competências sociais e de cidadania, apoio psicológico, promoção da saúde física e mental, apoio de professores, mediação familiar e suporte à mediação escola-meio envolvente e flexibilidade curricular”. (Canavarro, 2007, p. 58).

3.3.4. Desalfabetização

A desalfabetização pode ser entendida como o analfabetismo como a qualidade da pessoa que não sabe ler nem escrever ou relacionada a pessoa que carece de instrução escolar. A desalfabetização é o estado que se encontra a pessoa que estava num processo de alfabetização, mas que por alguma razão, deixou de participar no processo de escolarização.

A desalfabetização também ocorre no momento em que o indivíduo submetido em algumas condições e ambiente escolar para ser alfabetizado, mas que devido a sua desistência e a falta da prática de leitura e escrita, perde as habilidades de leitura e escrita.

A alfabetização e o ensino de adultos em Angola é contextualizado de acordo as necessidades de recuperação de educação atrasada dos cidadãos com idade que não corresponde com o nível de escolaridade.

Conforme afirmou o GRA (2011:17) “a educação de adultos tem como vocação a recuperação do atraso escolar de adultos e jovens, através do desencadeamento de processos educativos formais, não-formais e informais nos domínios da erradicação do analfabetismo e consequentemente da elevação do nível educativo e instrutivo da população, constituindo a alfabetização e a pós- alfabetização”.

Nós entendemos o analfabetismo como a qualidade daquelas pessoas que não sabem ler nem escrever. Também pode caracterizar os indivíduos que são ignorantes ou que carecem de instrução elementar em alguma disciplina pela falta de aprendizagem.

“A alfabetização é a habilidade de identificar, compreender, interpretar, criar, comunicar e assimilar, utilizando materiais impressos e escritos associados a diversos contextos. A alfabetização envolve um continuum de aprendizagem que permite que indivíduos atinjam seus objectivos, desenvolvam seus conhecimentos (…)”. UNESCO (2009:17)

A alfabetização é um processo de entrada para a educação básica e um passaporte para a aprendizagem ao longo da vida. Aprende-se novas maneiras de usar a

escrita e a leitura à medida que surgem novas demandas no trabalho. A alfabetização é um elemento necessário para o uso de novas tecnologias, para aprender novas línguas, para assumir novas responsabilidades e para a adaptação ao ambiente de trabalho em constante evolução. (Idem)

A alfabetização aumenta a consciência e influencia o comportamento dos indivíduos, das famílias e das comunidades, melhora as habilidades de comunicação, garante acesso ao conhecimento e constrói a autoconfiança e a auto-estima necessárias para tomar decisões.

Para as novas gerações participar no processo educativo é uma prática indispensável quando se pretendem alcançar grandes desenvolvimentos. Entrar na escola básica e permanecer é uma obrigação incontestável para as famílias que pretendem combater a o desemprego, a fome e pobreza.

Certamente que a criança que não for à escola futuramente será uma criança analfabeta. Pois, não saberá ler nem escrever, o acesso as informações será muito limitado, as competências para o trabalho serão quase inexistentes.

O analfabetismo muitas vezes pode causar o desgaste elevado do esforço do governo e avultados somas financeiros para programas de recuperação escolar, combate a fome e a pobreza, combate a doenças e vulnerabilidades de desvios de recursos naturais bem como a fraca globalização da cultura.