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CAPÍTULO III – Causas, Consequências e Implicações Absentismo Escolar na Qualidade do Processo de Ensino e Absentismo Escolar na Qualidade do Processo de Ensino e

3.3. Consequências do Absentismo Escolar

3.3.5. Desemprego e Pobreza

Entendemos por desemprego a falta de oportunidade para o exercício de uma actividade remunerada. Também o desemprego é caracterizado como a falta de possibilidade de um trabalho assalariado dentro das instituições.

Quando uma pessoa não tiver uma actividade que lhe seja rentável é considerada de desempregada.

Segundo Kato e Ponchirolli (2009) entendem que “o desemprego está ligado a fases de recessão da actividade produtiva, a falta de investimento, a falta de mão-de-obra qualificada, o fraco investimento as técnicas e tecnologias e de centros de serviços públicos, a falta de matéria-prima para alavancar a produção industrial, o fraco rendimento pelos serviços prestados,

Por outro lado a pouca oferta de serviços, o fraco rendimento pelos serviços prestados pelos operários e técnicos profissionais a fraca competência, a incapacidade física, a corrupção e o assedo no local de serviço são tidas como factores do desemprego.

Nas escolas, os professores que por vários motivos deixam de trabalhar ou trocam de trabalhos remunerados pela vida comercial em virtude do ordenado não ser satisfatório com as necessidades de sobrevivência. Kato e Ponchirolli (2006:90) afirmaram que “o desemprego traz consequências degradantes, prejudicando os bons hábitos de trabalho e a produtividade dos trabalhadores. Assim, pode-se afirmar que o desemprego é o primeiro factor determinante da pobreza.”

O desemprego varia de acordo as circunstância da vida do ser humano. Existe desemprego por seguintes razões:

a) Porque a pessoa que não estudou, não tem profissão;

b) Porque a profissão que tem, não lhe garante oportunidade de emprego; c) Porque não tem competências na profissão que exibe no emprego;

e) Porque com a crise, obriga a diminuição de trabalhadores na empresa; f) Porque o uso de equipamento tecnológico substitui a força do homem; g) Porque os acidentes profissionais tornam o homem incapaz de trabalhar; h) Porque as limitações físicas e psíquicas, descriminam o acesso ao emprego.

Todas estas razões só deixarão de existir se houver maior investimento no processo de escolarização e também se a pessoa durante este processo não se descolarizar, porque somente com uma adequada profissão será possível um emprego e uma vida de sucesso. Por outro lado a exiguidade de empresas que públicas e privadas, limita o acesso a emprego de muitos cidadãos, neste contexto é necessário que se façam investimentos públicos e incentivos às iniciativas privadas para o surgimento de novos centros de trabalho. Também é importante alargar a idade de admissão ao emprego para que as pessoas mesmo sendo tarde o seu ingresso no ensino possam ter emprego para trabalhar depois da formação.

Segundo Costa et al. (2008:31) definem a pobreza como a “privação por falta de recursos e entendem a privação como uma situação de carência, ou seja não satisfação das necessidades humanas básicas (necessidades materiais, necessidades sociais, necessidades culturais e espirituais)”.

Segundo Amartya citado por Torres, et al. (2012:97) entendem que “a capacidade de uma pessoa consiste nas combinações alternativas de funcionamento cuja realização é factível e acham que a pobreza é como a impossibilidade de uma pessoa, ou grupo de pessoas, transformar essas capacidades em oportunidades para viverem a vida, de acordo com os seus objectivos e vontades, ou ainda a incapacidade de alcançar o bem-estar devido a falta de meios económicos e à impossibilidade de converter rendimentos e recursos escassos em capacidade de funcionar.”

Ainda nesta perspectiva os mesmos autores afirmam que “a pobreza é uma categoria que abrange muito mais pessoas, do que aquelas que são usualmente classificados como pobres, atendendo unicamente a sua localização, a incapacidade de atender as suas necessidades, básicas devido ao baixo rendimento, o não acesso às facilidades de educação, de saúde, de água potável de energia eléctrica, não acesso a condições de habitualidade digna e meio ambiente saudável, o não acesso à cultura e ao lazer, os quais resultam em desvantagens quase inultrapassáveis para competir no mercado de trabalho, e que por sua vez, estão na base a reprodução do círculo vicioso da pobreza: sem trabalho nem rendimento, não existem condições objectivas nem subjectivas para acesso à educação e à saúde, pouca escolarização ou analfabetismo”.

Se o absentismo e fracasso escolar ter como consequência o desemprego e a pobreza, seria importante que se reflectissem nos procedimento de aplicação das estratégias para a sua solução. Pois vale a pena fazer esforço para a retenção dos alunos na escola do que abster-se para no futuro viver a situação de desalfabetizado, desemprego e pobreza.

De que forma é que o desemprego pode influenciar ao absentismo escolar?

Desemprego significa não exercer actividade como empregado de outrem, é a ausência de um trabalho remunerado, é a falta de oportunidade para poder exercer uma actividade profissional com direitos e deveres reconhecidos legalmente. Muitos pais sobretudo das zonas rurais, carecem desta oportunidades de trabalho e para tal, a sua sobrevivência depende dos resultados de rendimento do esforço pessoal exercido no campo.

Com base nestas situações e algumas reflexões, é importante compreender que os alunos cujo os pais não têm nenhuma profissão e sem emprego, à sobrevivência deste

depende as vezes da prática de agricultura, caça, pesca ou fabrico de artesanato para dirimir a fome. E nestas actividades os filhos são algumas vezes obrigados a colaborar com os pais para que o rendimento do esforço conjugado traga mantimentos suficientes para suprir as tais necessidades aflitivas da fome.

O desemprego é um estado em que se encontra a pessoa imobilizada sem possibilidade para exercer uma actividade profissional. O desemprego não tem uma causa isolada. Mas sim múltiplas causas. Uma delas é a falta de profissionalização da pessoa que se encontra neste estado, e a falta de profissionalização poderá ser causada pela falta de oportunidade de aprendizagem de uma profissão ou a descolarização do indivíduo, o absentismo ou abandono escolar.

Pode-se entender a descolarização como o processo na qual o indivíduo que esteve a frequentar uma escola, deixa de participar no processo de ensino e aprendizagem devido ao seu definitivo absenteísmo escolar.

Ora bem, se o aluno não vai à escola e nem participa no processo de ensino e aprendizagem, certamente que terá pouca probabilidade de aprender uma profissão e quando for adulto, lhe será difícil sem profissão encontrar um emprego.

Actualmente, devido a evolução das novas técnicas e tecnologias e da concorrência no mercado de trabalho, a exigência de admissão de trabalhadores ao emprego é cada vez maior a sua moderna profissionalização. As escolas e os centros de formação profissional, estão cada vez mais imbuídas na formação das novas gerações, de acordo as exigências do mercado de emprego e do contexto das civilizações de cada povo na era da globalização. Quem nesta era se descolariza, também se desprofissionaliza e se não tem a profissão, não poderá ter um digno emprego que dá garantia para uma vida digna e feliz.

Os pais que ainda não compreenderam que a educação dos filhos é uma das formas de combater o desemprego e a pobreza, seus filhos faltar na escola não é preocupante. Se o próprio pai não está escolarizado e nem alfabetizado, é provável que seu esforço para o apoio na alfabetização do filho é quase inexistente e a preocupação de levar este filho para os trabalhos do campo é fundamental e indispensável do que lhe mandar para escola, pois ele irá ajudar a família na recolha, transportação e comercialização dos produtos provenientes do campo.

Nesta conformidade, os filhos de pais desempregados, são susceptíveis de faltar a escola porque são submetidos a trabalhos domésticos, acompanhar os pais nos trabalhos de campo, levar os produtos do campo para o comércio no mercado informal.

O desemprego é uma das consequências do adulto descolarizado, desprofissionalizado enquanto como criança ao longo do seu crescimento não se dedicou aos estudos e nem se interessou da escola.

A pobreza é a falta de recursos básicos de subsistência das famílias, é a carência de bens essenciais e vitais para que a família possa crescer em harmonia com o ritmo da sociedade. Segundo Ferreira & Bayma (2008) esclarecem que os alunos que têm pais com um rendimento muito abaixo do normal, têm maior probabilidade de serem anti sociais e a falta da convivência com os outros influencia-os ao absentismo ou abandono escolar. Eles consideram ainda que a pobreza é um dos factores que influencia para a falta de interesse e incentivo escolar.

Também Costa et al. (2008), distinguem a pobreza como a falta de satisfação às necessidades materiais. Spicker (2007) citado por Costa et al (2008:23) caracteriza a pobreza como “à falta de alguns bens ou serviços que são considerados como essenciais

tais como: alimentação, energia, habitação etc. trata-se de situação de privação de bens ou serviços necessários”.

De igual modo, ele ainda salienta que a pobreza é a falta de recursos, privação de direitos e serviços, dificuldade de sair das dificuldades da vida, baixo padrão de vida, trabalho precário, insuficiência de rendimentos, dependência total à assistência social, vulnerabilidade da pessoa desprotegida contra todos os fenómenos da vida do ser humano e da natureza, é a carência de tudo (afecto, amor, atenção, apoio, orientação, tratamento, falta de direitos civis, culturais, económico etc.).

Quem é pobre, vive todo tipo de necessidades. De igual modo, o meio onde a pessoas nasce, o estilo de vida que leva, as condições de habitabilidade, podem influência na pobreza do indivíduo. Mas por outro lado a pobreza é o resultado do desinvestimento da pessoa ao longo da vida, ou a falta de certos cuidados e aproveitamento das oportunidades que a vida oferece.

O comportamento de absentismo escolar, é um investimento desprovido à pobreza para quem tem tal comportamento, uma vez que a escola prepara o indivíduo para enfrentar os desafios da vida. Mas, devido a este comportamento, a consequência somente é sentida na fase adulta, no momento em que o indivíduo não se sente capaz de resolver ou ultrapassar as necessidades de sobrevivência e precisar de permanentes apoios de gentes de boa-fé.

A pobreza coloca o indivíduo no grupo de pessoas com riscos. Considera-se grupo de risco aos indivíduos que não têm possibilidades de acesso a serviços de saúde, alimentação, educação, renda de casa, vestuário, lazer etc. World Bank, (1980) citado por Costa et al (2008), caracteriza a pobreza como a “malnutrição, analfabetismo e doença, de modo a estar debaixo de qualquer definição razoável de decência humana”.

Esta condição de pobreza é mais vez, uma das consequências causadas pelo absentismo escolar.

Porem, a pobreza em si causa múltiplos problemas no seio das famílias. Segundo Sousa, et. al. (2007), alguns dos males das famílias com multiproblemas de pobreza são: na escolarização há incumprimento de escolaridade obrigatória, analfabetismo, baixos níveis de escolaridade. No trabalho há desemprego, emprego temporário, trabalhos informal e domésticos. Na gestão dos poucos rendimentos há consumos elevados por necessidades, má gestão e não pagamento da pensão de alimentos ou mesmo quando emprestado. A habitação é precária e tem problemas de manutenção e de mobília, não pagamento de renda a tempo. Relações familiares conflituosas, violência doméstica e maus tractos infantis, relações distantes do agregado, conflitos decorrentes de ruptura familiar, conflitos resultantes da tarefa de cuidar de dependentes e relação distante com a família alargada: Quanto as relações sociais; existência de conflitos com vizinhos, conflitos no local de trabalho, sentimento de marginalização pela comunidade local, insegurança e solidão. Quanto ao rendimento há baixos rendimentos de trabalho, ausência de rendimentos provenientes de trabalho, sobreendividamento, baixo rendimento devido a situação de desemprego. Na saúde há deficiência ou incapacidade de tratamento, dependência de terceiros, alcoolismo, toxicodependência, doenças profissionais ou acidentes de trabalho.

Os alunos que vivem nas famílias com este tipo de situação, sofrem problemas de desenvolvimento, dificuldades de se comportar bem na escola; falta de regras, insucesso escolar, doenças crónicas e deficiências, gravidez precoce, baixo nível de escolaridade, abandono e absentismo escolar, necessidades educativas especiais, analfabetismo, isolamento social (Idem).

A consequência do absentismo escolar é o desemprego para quem tem a escola como fonte rendimento ou para quem está em processo de formação se descolariza, deixa de aprender e a idade avança sem uma profissão e quem não tem profissão dificilmente terá um emprego e o desemprego gera pobreza porque as famílias ficam sem rendimentos. A falta de rendimento é um dos factores de muitos problemas entre famílias e alguns destes problemas chagam e influenciam no funcionamento normal da escola.

3.4. Implicância do absentismo escolar na qualidade do processo de