etnias do corpo discente indígena. Antes da composição da tradicional mesa de abertura, o evento foi aberto com uma apresentação dos povos indígenas da UFSCar.
A apresentação dos povos indígenas, consistia em anunciar as diferentes etnias presentes na universidade, em que os estudantes, conforme eram chamados, apresentavam-se na frente do auditório como forma de representarem seu povo. Foi um importante momento de confraternização entre todos os estudantes. Observar a concentração de estudantes antes de iniciar o evento, conversando, ajustando detalhes da organização da Semana, se divertindo e, posteriormente, sendo apresentados no início do evento, demonstrava a importância atribuída a estes momentos.
Aquele evento, que ocorria na universidade em uma quinta-feira era um momento de celebração: boa parte dos estudantes indígenas da UFSCar presentes estavam orgulhosos por organizarem mais uma Semana, em que as pautas de discussões seriam questões relativas tanto para a própria presença indígena na universidade e seus desafios, quanto temas relevantes para a visibilidade e fortalecimento de suas demandas, como a importância da língua para os povos indígenas e suas especificidades.
Organizar tais eventos no interior da universidade é uma forma de ocupa-la, de se fazer presente, de dar visibilidade, de expor e demarcar sua existência e resistência dentro da comunidade acadêmica. É inegável a possibilidade de fortalecimento da representação indígena na universidade e articulação política a partir desses eventos, tanto institucionalmente, por meio do diálogo com gestores, professores e coordenadores da política de Ações Afirmativas, quanto intragrupo, a partir da proximidade, convivência entre as diferentes etnias e suas especificidades e vivências compartilhadas na universidade.
As duas cenas trazem dimensões e momentos diferentes do que estamos considerando como “ocupar a universidade”, enquanto uma instalação espacial, política e epistemológica. A primeira, uma cena do dia-a-dia da universidade e a possibilidade da vivência da diversidade e, a segunda, os eventos organizados pelos estudantes de maneira formal, como forma de apropriação institucional do espaço da universidade.
Minha relação com os estudantes indígenas da UFSCar se deu de duas formas, a primeira durante o mestrado, enquanto aluna da mesma instituição, compartilhando dos espaços, serviços e eventos acadêmicos, no convívio cotidiano de estudantes que frequentam a mesma biblioteca e restaurante universitário ou em reuniões estudantis e espaços destinados ao lazer. Depois, já no doutorado, frequentando eventos acadêmicos realizados pelos
estudantes indígenas e/ou cujo tema fazia referência a questões indígenas como um todo, sejam elas políticas educacionais, culturais ou de literatura.
Roy Wagner (2010, p.31), a despeito do trabalho de campo, diz que todo pesquisador iniciante é um pouco desorientado e enfrenta problemas que não são de ordem acadêmica ou intelectual, mas questões práticas. No período de 2009 a 2012, enquanto aluna da UFSCar, o fato de vivenciar a mesma universidade fazia com o “campo” em alguns momentos se tornasse invisível.
Encontrar em eventos, espaços de convivência, restaurante universitário, biblioteca, e ocasionalmente cursar disciplinas em comum, permitiu uma relação ao mesmo tempo que natural, pela aproximação inevitável, fez com que no início eu tivesse dificuldades para compreender de fato qual era meu “campo” de pesquisa. Realizar entrevistas com os estudantes, agendadas e combinadas no próprio campus da universidade, era o momento em que acreditava estar de fato realizando a pesquisa de forma mais sistemática. Com o tempo, passei a compreender que as diferentes situações vivenciadas faziam parte da pesquisa, que o compartilhamento do cotidiano fazia com que minha presença não fosse vista necessariamente como o pesquisador de “fora”.
A convivência no dia-a-dia da vida universitária permitia com que algumas situações fossem naturalizadas e, em muitos casos, por causa da minha timidez em abordar os estudantes indígenas, sentia que minha presença era vista mais com uma aluna “interessada”. Muitos me reconheciam dos eventos, embora outros não soubessem ao certo qual a minha pesquisa exatamente, compreendiam ter relação com as políticas de Ações Afirmativas de maneira geral, a não ser, é claro, com as pessoas com quem eu mais me aproximava, conversava e agendava entrevistas formais.
Esta técnica de pesquisa de caráter qualitativa, por meio de entrevistas, foi mantida no doutorado, mas desta vez realizada com os egressos indígenas da UFSCar, para estudo mais aprofundado acerca das dimensões do processo de ingresso e saída dos indígenas no ensino superior e suas diferentes concepções sobre a universidade. As entrevistas foram definidas por meio da proposta de história de vida como forma de trazer algumas narrativas e os significados que os sujeitos de pesquisa atribuem a determinados aspectos da temática em questão.
Este método remete ao predomínio de correntes teóricas voltadas para a problemática do sujeito e da interpretação que ele faz de sua situação social e, também,
corresponde a uma importante ferramenta por colocar no ponto onde se cruzam vida individual e vida social (DE SOUZA MARTINS; 2004, QUEIROZ, 1998). Esta metodologia que privilegia a história de vida, de acordo com Thompson (1992), permite recuperar lembranças detalhadas de determinado momento histórico e social para além das generalizações, como forma de aprofundar o conhecimento sobre, neste caso específico, as trajetórias de vida dos egressos indígenas.
É importante considerar que a análise das trajetórias de vida não busca necessariamente “resgatar” as histórias de vida. Embora a história de vida, no relato biográfico, na maioria das vezes, tenta ordenar os acontecimentos em uma lógica consistente e constante. Pierre Bourdieu (1996) denomina como ilusão biográfica a concepção da história de vida como um relato coerente de uma sequência de significados.
Para Bourdieu (1996), os acontecimentos biográficos devem ser entendidos enquanto colocações e deslocamentos no espaço social e, assim, não há como compreender as trajetórias sem previamente construir os estados sucessivos do campo na qual ela se desenvolveu e os conjuntos de relações objetivas que uniram o agente ao conjunto de outros agentes envolvidos no mesmo campo. Desta forma, a utilização de histórias de vida será o método utilizado para apreender os objetivos propostos pela pesquisa em relação às experiências dos egressos indígenas no processo de entrada e saída da universidade, que foram realizadas por meio de entrevistas semiestruturadas.
Além disso, quando mudei de São Carlos, embora já estabelecida com alguns alunos devido aos anos de convívio, minha relação acabou inevitavelmente se modificando. As situações cotidianas acabaram se tornando encontros eventuais e, a partir daí, decidi tomar novos rumos na realização da pesquisa que melhor se adequasse a essa nova realidade, enquanto pesquisadora que não mais partilha de um universo comum diariamente.
Mas antes disso, um ano antes de ingressar no doutorado13na Unicamp ocorreu um importante evento no que tange as discussões sobre ensino superior indígena: o I Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas, realizado pelos estudantes na própria UFSCar. Acompanhar o evento, me fez compreender a importância daquele momento, enquanto produção de conhecimento que estava sendo realizada nesses espaços: indígenas realizando reflexões sobre sua condição enquanto estudantes, pesquisadores e pós-graduandos. O nascimento de um evento de âmbito nacional, mobilizado pelos estudantes da UFSCar me
levou a pensar nesses espaços enquanto momentos de produção de conhecimento, de reflexão, de articulação política, de questionamentos e reconhecimento étnico perante não apenas à própria universidade, mas também como mobilização e fortalecimento interno.
Passei a realizar uma etnografia de eventos acadêmicos, em sua grande maioria, organizados pelos estudantes indígenas ou por instituições (universitárias, no geral) cujo tema era relativo a questões indígenas, educacionais e culturais. O trabalho de campo nos eventos se deu de maneira multi-situada, em que se realiza relações entre os diferentes locais acompanhados. George Marcus (1998, p.90), atribui como etnografia multi-situada aquelas que definem seus objetos de estudo a partir de diferentes modos ou técnicas, sendo tais técnicas, entendidas como práticas de construção através do movimento de rastreio em contextos diferentes de um fenômeno cultural complexo, baseada em uma identidade conceitual que acaba por ser contingente e maleável.
Tomamos aqui, a concepção de Clifford (2014, p. 40), da etnografia não como a experiência e a interpretaç-ão de uma “outra” realidade circunscrita, mas como uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois sujeitos conscientes e politicamente significativos, cada vez mais paradigmas de experiência e interpretação tem dado lugar a paradigmas discursivos de diálogo e polifonia.
Cabe destacar que, a linguagem da etnografia é atravessada por subjetividades e nuances contextuais específicas, e que, portanto, não há nenhuma palavra neutra e a linguagem é atravessada por intenções e sotaques. Para Marilyn Strathern (2014, p.346), trabalho de campo é um todo complexo que envolve desde a observação de até a reelaboração por meio da escrita, que somente funciona quando for uma recriação imaginativa de alguns dos efeitos da própria pesquisa de campo.
A relação entre o campo e a escrita é bastante complexa e compreender que nenhum dos dois estarão em conformidade é uma experiência antropológica comum, já que cada um possui especificidades e dinâmicas próprias. Segundo Clifford (2014 p.21), a etnografia está, do início ao fim, imersa na escrita, em que a escrita implica em uma tradução da experiência para a forma textual, e será a partir dessa noção de etnografia, em que campo e escrita se relacionam, que realizamos a pesquisa com universitários indígenas.
A organização de eventos no que tange a questões indígenas na universidade foram articuladas pelos estudantes desde o primeiro ano de ingresso na UFSCar. Poderia citar
a Apresentação Cultural dos Acadêmicos Indígenas na UFSCar, em abril de 200814, logo nos primeiros meses de graduação da primeira turma de indígenas, até o VI Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas, ocorrido em outubro de 2018, na cidade de Dourados em Mato Grosso do Sul. Certamente a presença institucional da Coordenadoria de Ações Afirmativas e outras Políticas de Equidade (CAAP) na UFSCar constitui-se um fator preponderante para a viabilização e apoio de projetos, encontros, mesas de debate e demais eventos de iniciativas dos indígenas.
Foi no I Caixiri na Cuia: colóquios com a literatura indígena15, em maio de 2012, que ouvi a fala de uma estudante indígena que dizia que “quando a gente está perto dos parentes a gente se sente mais forte”. Seu comentário, fazia menção às reuniões dos estudantes indígenas por meio de eventos, cujos encontros se tornavam facilitadores para se falar a respeito das dificuldades, críticas e preconceitos vivenciados na universidade. Estar entre os parentes é não se sentir sozinho, é compartilhar problemas e soluções, levantar demandas que são coletivas e fortalecer sua própria organização enquanto estudantes.
Assim, passei a compreender os eventos enquanto espaços de encontro entre os estudantes indígenas, momentos esses ora de celebração, ora de denúncia, articulando demandas, questionando a instituição, apresentando suas questões e pontos de vista sobre várias temáticas, ocupando o espaço universitário, demarcando sua presença e, sobretudo, imprimindo nova cara, cada vez mais indígena, aos encontros e ambientes acadêmicos.
Há duas dimensões a serem consideradas quando tratamos dos eventos acadêmicos: a primeira é aquela na qual a instituição, ou alguma entidade específica, organiza e convida os indígenas para participarem e apresentarem suas experiências e narrativas. E a segunda, é aquela criada, pensada e organizada16 pelos estudantes indígenas como forma debaterem questões que eles próprios julgam relevantes ou necessárias.
Na primeira dimensão, há a produção de um discurso voltado para a instituição e a comunidade externa, que muitas vezes é apresentado como denúncia ou expressado como representação da alteridade; na segunda dimensão, embora o discurso e a programação do evento também tenham o intuito de atingir e dialogar com a instituição e a comunidade
14 Disponível em: http://www.saci.ufscar.br/servico_release?id=17471&pro=3, último acesso 04/07/2019. 15 Os encontros “Caxiri na Cuia” ocorrem em parceria com o departamento de Letras e tem como objetivo trazer
o debate sobre literatura indígena, pensando nas variadas formas de memória e resistência, orais, escritas e tecnológicas.
16 A organização destes eventos, mesmo que conduzidas e protagonizadas pelos estudantes indígenas, contam
com o apoio institucional da universidade e demais parcerias, as vezes até externas à universidade para que sua execução seja viabilizada.
externa da universidade, também há um outro tipo de diálogo que se estabelece intragrupo, para afinarem questões e demandas sobre uma experiência recente e compartilhada, que possui uma diversidade do ponto de vista étnico, em que tais momentos se tornam espaços de interação, trocas e vivências para além da dimensão acadêmica, como é o caso das noites culturais e das festas de encerramento dos encontros.
Certamente, há o apoio institucional para que o evento ocorra, seja com o custeio da vinda de convidados externos, demandas de alimentação, hospedagem, impressão de materiais de divulgação e infraestrutura, que são essenciais nas duas dimensões supracitadas. A diferença que pontuamos é em relação a escolha da pertinência dos temas a serem debatidos, a estruturação do evento, a escolha dos convidados para as mesas, como lideranças indígenas, e a articulação de momentos de mobilização e vivências e conhecimentos entre as diferentes etnias presentes.
Dentre os eventos que foram acompanhados, podemos classificar em dois diferentes âmbitos, local e nacional. O primeiro são aqueles referentes à UFSCar, ou seja, organizados pelos estudantes indígenas ou pela própria instituição cujo enfoque traz pertinência a política e questões mais específicas. O segundo são os eventos de ordem nacional, cuja organização, temáticas e debates são pensados de maneira mais ampla e para indígenas (e estudantes) de todo território do Brasil. Também classificamos enquanto eventos locais, aqueles organizados pela Unicamp e com a participação dos estudantes indígenas da UFSCar.
Quadro 1 - Lista de Eventos Acompanhados Âmbito
do Evento
Ano Nome do Evento Organização
Local 2010 Vestibular Indígena Ações Afirmativas da UFSCar
/ Vunesp Local 2010 Seminário Ações Afirmativas nos 40 anos da
UFSCar: desafios e possibilidades
Grupo Gestor das Ações Afirmativas Local 2011 I CONEGRAD – Congresso do Ensino de
Graduação da UFSCar
Pró-Reitoria de Graduação da UFSCar
Local 2011 Vestibular Indígena Ações Afirmativas da UFSCar
/ Vunesp
Local 2012 I Colóquio Caxiri na Cuia Grupo LEETRA/ UFSCar Nacional 2013 I Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas Estudantes indígenas UFSCar Nacional 2014 II Encontro Nacional dos Estudantes UCDB/UFMS/UEMS/UFGD
Indígenas
Local 2015 I Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar
CCI UFSCar
Nacional 2015 II SBPC Indígena UFSCar
Nacional 2015 III Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas
UFSC
Local 2016 Cotas étnico-raciais no PPGE da Unicamp – Educação e os povos tradicionais indígenas
Frente Pró-Cotas e APG da Unicamp
Local 2016 II Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar
CCI UFSCar
Local 2016 Congregação FE – Unicamp – Votação cotas étnico-raciais na Pós-Graduação
Unicamp
Local 2016 Tarde Indígena da UFSCar CCI UFSCar
Nacional 2016 IV Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas
UFOPA
Local 2017 III Semana dos Estudantes Indígenas CCI UFSCar Local 2017 Povos indígenas na UFSCar: diálogos
interculturais para a construção coletiva de conhecimentos
Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e
Equidade Nacional 2017 V Encontro Nacional dos Estudantes
Indígenas
UFBA/UNEB/UEFS
Local 2017 “Entenda o que é o vestibular indígena” Centro Acadêmico da Química Unicamp
Local 2018 IV Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar
CCI UFSCar
Local 2018 Grupo de Trabalho de Inclusão Indígena Pró Reitoria de Graduação da Unicamp
Nacional 2018 VI Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas
UFGD
Os eventos do primeiro âmbito, o local, foram organizados tanto pela instituição quanto pelos estudantes indígenas. Assim é o caso do Seminário Ações Afirmativas nos 40 anos da UFSCar: desafios e possibilidades em novembro de 2010, organizado pelas Ações Afirmativas com a participação de gestores da política, estudantes indígenas e demais beneficiários do programa. Outro evento foi o I CONEGRAD – Congresso do Ensino de Graduação da UFSCar, ocorrido em novembro de 2011, especificamente uma mesa intitulada Educação das Relações étnico-raciais: desafios da interculturalidade da UFSCar e uma roda de conversa cujo tema era Indígenas na Universidade ambos marcados pela presença dos estudantes indígenas.
Dentre as especificidades da UFSCar, certamente o Vestibular Indígena, pode ser considerado um importante momento da chegada dos estudantes indígenas na universidade. O vestibular indígena institucionalmente foi pensado como um modelo diferenciado e os estudantes indígenas passaram a fazer parte em todo o processo de organização e recepção, culminando na proposta de um novo formato para o vestibular.
Assim, consideramos como um evento já que, até o ano de 2014, o vestibular indígena ocorria durante todo um fim de semana no campus de São Carlos, em que os próprios estudantes indígenas recepcionavam os futuros calouros. Acompanhei o vestibular indígena no ano de 2010 e como membra voluntária da Comissão de Acolhimento, no ano de 2011, e estas experiências certamente proporcionaram nova forma de olhar o vestibular e as relações estabelecidas entre os estudantes.
Outros encontros, realizados com apoio da instituição, no caso o departamento de Letras, e organizados pelos estudantes indígenas, são os Colóquios Caxiri na Cuia, cujo enfoque é o debate sobre literatura indígena, oralidade, formas e tecnologias de transmissão de conhecimento. Acompanhei o I Caxiri na Cuia no ano de 2012.
Quanto aos eventos organizados pelo Centro de Culturas Indígenas (CCI), entidade representativa dos estudantes indígenas, destaca-se a Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar. A Semana surgiu com o intuito de se tornar evento permanente em abril, mês em que são mais procurados devido ao dia 19 de abril, o “Dia do Índio”. Realizar a Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar surge como forma de ressignificar tal dia e o próprio mês de abril, a partir de um evento organizado por eles próprios. Acompanhei da primeira edição, ocorrida em abril de 2015 até a IV Semana, realizada em abril de 2018.
Já os eventos de âmbito nacional, a maior referência é o Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas, cuja primeira edição foi pensada e realizada pelos indígenas da UFSCar e assumiu relevância nas demandas e articulações para pensar o terceiro grau indígena. A proposta do ENEI é que o encontro seja descentralizado para poder contemplar a variedade de regiões e etnias indígenas e, assim, se atentar para as diferentes demandas e mobilizar uma articulação nacional.
O primeiro ENEI ocorreu em São Carlos no ano de 2013, a segunda edição foi realizada em 2014 em Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, o terceiro ocorreu na cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina, em 2015, o quarto foi realizado em Santarém no estado do Pará, no ano de 2016, o quinto, na cidade de Salvador na Bahia, em
2017, e, o sexto, em 2018, em Dourados em Mato Grosso do Sul. A distribuição dos locais de realização do Encontro Nacional visou contemplar cada região do Brasil. O último encontro, depois do evento circular em todas regiões do Brasil, a escolha de Dourados foi puramente política, como forma de fortalecer os indígenas do local que vivenciam intenso conflito de terras.
Além dos ENEIs, também acompanhei a recém-criada SBPC Indígena. A SBPC, intitulada Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, fundada em 1948, é a referência nacional na defesa, estudo, divulgação e expansão da ciência e tecnologia. Em julho de 2015, enquanto ocorria a 67ª Reunião Anual da SBPC em São Carlos, que reuniu mais de 6 mil inscritos, foi realizado a 2ª SBPC Indígena.
Além dos eventos acima mencionados, destacaria outros eventos descentralizados que ocorreram na cidade de Campinas com a participação dos estudantes indígenas da UFSCar. Dentre os eventos realizados na Unicamp destacamos: o ciclo de debates Cotas étnico-raciais no PPGE da Unicamp – Educação e os povos tradicionais indígenas realizado em março de 2016 na Faculdade de Educação, com a presença de dois estudantes