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Segundo The Encyclopaedia of Aboriginal Australia, publicada pela Aboriginal Studies Press para o Australian Institute of Aboriginal and Torres Strait Islander Institute (1994) sob a edição geral de David Horton, os

aborígenes da Austrália habitam-na

“há mais de 18 milhões de dias”, e sua convivência com a população não-indígena tem sido assaz traumática, a contar desde o desembarque dos primeiros europeus no continente australiano. Mas a desigualdade de forças em armamentos nunca impediu que os primitivos habitantes enfrentassem os invasores desejosos de se apossar do que aparentava ser um prolongamento da América do Sul, para eles quiçá o caminho de terra firme rumo ao tão sonhado El Dorado, erro explicável pelas precárias cartas marítimas de que dispunham os

navegantes à época.

No dizer de Deborah Bird Rose, incluído em elucidativa coletânea editada por Bain Attwood &

S.G.Foster (Frontier Conflict – The Australian Experience) “ao vencedor pertencem os despojos, e um dos despojos da guerra é a narrativa; e se os vencedores optam por erradicar histórias outras que não as de si próprios, frequentemente eles têm força para tanto”. Esse poder a que se refere a autora pode ser facilmente constatado quando o visitante procura alguma placa comemorativa sobre Pemulwuy, por exemplo, o nativo cujo

nome foi dado a um pequeno parque situado em Redfern, subúrbio onde vive o grosso da população aborígene de Sydney; eis que na verdade o triunfo britânico sobre a resistência dos primitivos habitantes do continente australiano praticamente raspou da memória do país a figura daquele que é considerado, entre o povo aborígene da Austrália, um lutador pela liberdade das tribos que desde os primórdios da raça humana viveram no que foi Gondwana, a grande massa de terras de 40.000 anos AC, de onde se desprenderam a Austrália e a Nova Zelândia, somente

visitadas por alienígenas nos primórdios do século XV DC.

Mas ainda com apoio em Deborah Bird Rose, vale salientar suas próprias palavras — “contudo, a própria História é um exercício sábio que pode se opor ao poder erradicante da memória” —, visto que alguns fatos da resistência ferrenha de Pemulwuy e seus liderados ultrapassaram, através principalmente as memórias e narrativas de seu próprio povo, as barreiras éticas, políticas e imperialistas dos conquistadores britânicos; sendo hoje sabido que apenas por falta de maior

comunicação entre os governadores da colônia e a coroa britânica o intento inglês em manter a Austrália em seu império não foi abandonado, pois as sucessivas derrotas sofridas pelos conquistadores frente aos aborígenes liderados por Pemulwuy atingiram graus de desmoralização para os conquistadores. Tamanha era a ira e o desespero dos britânicos que até mesmo tentadoras ofertas de recompensa para quem capturasse o líder nativo foram oferecidas, como exemplifica David Dale em The 100 things everyone needs to know about Australia, transcrevendo uma das

notícias propaladas por um dos governadores de New South Wales com o objetivo de atrair a cobiça de quem se dispusesse a caçar o guerrilheiro aborígene – “20 galões de aguardente, dois trajes novos para um homem livre, e para quem já estiver em livramento condicional, perdão total e recomendação de uma passagem para a Inglaterra”.

Pemulwuy foi afinal morto em 1802, quando liderava mais um ataque contra os colonizadores, e teve a cabeça decepada a golpes de sabre, conservada em álcool e posteriormente remetida em um jarro

para o botânico Joseph Banks, em Londres, com a inscrição de tratar-se de um espécimen da “fauna” local. Foi certamente a maneira mais apropriada surgida para os conquistadores de se vingarem por tantas derrotas e, ao mesmo tempo, extravasarem seus sentimentos racistas em relação àqueles seres que tão tenazmente a eles se opunham. A maior batalha entre os aborígenes comandados por Pemulwuy e as forças britânicas aconteceu em Parramata, New South Wales, junto ao rio do mesmo nome, mas nenhuma indicação ou placa existe no local, exatamente porque ao

vencedor pertence o direito de escrever a sua história. A memória dos choques entre os colonizadores britânicos e os aborígenes australianos possui exemplos significantes de sangue, violência e aberrações praticadas contra cadáveres de nativos mortos. Keith Windschuttle (The Fabrication of Aboriginal History, vol. I, Macleay Press, 2002, Sydney) reproduz o primeiro parágrafo da reportagem assinada por dois jornalistas do Wall Street Journal de 21 de agosto de 2000, ano em que a Austrália sediou os vigésimos-sétimos Jogos Olímpicos. Narrou aquele jornal

norte-americano o episódio sucedido na Tasmânia em 1804, denominado de O Massacre de Risdon Cove pelos jornalistas; nele, um grupo de nativos, incluídas mulheres e crianças, quando perseguiam alguns cangurus, deparou-se com soldados ingledeparou-ses, que não tiveram dúvidas em disparar tiros de canhão contra os aborígenes, causando aproximadamente umas 50 mortes, sendo os corpos recolhidos e salgados para estudos antropológicos no Reino Unido. O citado autor, claramente contrário a versões como a do Wall Street Journal, ataca-as de exageradas, as quais em seu bojo ocultariam

provocações de cunho político destinadas a desacreditar a democracia australiana durante as Olimpíadas de 2000, enquanto autores de renome aludem ao incidente como o sinal primeiro para o extermínio dos aborígenes da Tasmânia. Oficialmente, os aborígenes somam dois e meio por cento da população australiana, número certamente passível de ampliação se acrescido dos denominados half-caste (mestiços), termo inglês largamente utilizado na Austrália em referência às pessoas de ascendência anglo-australiana mesclada à aborígene. Abordar

aspectos da vida, origem e participação dos aborígenes na construção do país exige, antes de tudo, apurado tato para que antigos mas ainda vivos preconceitos e mágoas não venham inesperadamente à tona, causando assim dissabores ou mesmo rejeições ao incauto inquiridor.

Historiadores se dividem no levantamento de fatos e aspectos relacionados com a conquista do território australiano pelos britânicos;

alguns comparam a atuação desses europeus diante da resistência nativa ao modo genocida de Hernán Cortez no México e Francisco Pizarro no

Peru, outros rechaçam com firmeza tais argumentos com a tese de que, dos embates entre ingleses e nativos australianos, ferimentos e mortes ocorreram em ambos os lados, e que explorações de cunhos filosófico e/ou político sempre buscaram exagerar a necessária firmeza dos colonizadores no cumprimento das ordens reais para a implantação da colônia.

O mencionado episódio de Risdon Cove é apenas uma dos muitas histórias de massacres perpetrados pelos colonizadores contra os nativos australianos ventiladas em acadêmicos compêndios que têm como tema a

formação da Austrália, a maioria desses fatos tendo por cena a Tasmânia à época do apossamento britânico em 1803, não faltando quem coloque os ingleses como autores de um genocídio equivalente aos dos judeus durante a II Guerra Mundial, ou ao do povo cambojano sob o regime de Pol Pot na década de 1970, entre outros de memória mais recente, além dos já falados conquistadores espanhóis do México e Peru. Vozes contrárias, outrossim, colocam-se radicalmente contra essa posição, acusando os historiadores denunciantes dessas mortes praticadas

por posseiros e militares britânicos de propalarem teses bizarras e absurdas.

Contudo, aqueles outros tenebrosos acontecimentos passados ao correr da História e por terras e nações as mais diversas tiveram, por via de regra, a violência de um povo contra outro povo, finda a qual os beligerantes se apartaram atrás de fronteiras quando os genocidas esgotaram suas forças ou foram compelidos à retirada diante de pressões internacionais e/ou se viram derrotados em campos de batalha por interventores mais poderosos, como sucedeu com os sérvios face os bombardeios punitivos da OTAN,

quando afinal abdicaram da matança dos albaneses de Kosovo. Com os aborígenes da Austrália, porém, ocorre um fato ímpar, já que, tenha ou não havido massacres no passado colonial, eles fazem parte do povo australiano e coabitam com os descendentes daqueles que, em compasso com documentos, relatos e depoimentos que datam do início da consolidação da colônia, além de filmagens e fotografias de épocas mais recentes, teriam lhes infligido sofrimentos morais e físicos ao ponto de reduzi-los a uma pequena e paupérrima parcela da população de um país considerado

de primeira grandeza. Vencedores e vencidos são assim, no caso australiano, compelidos a conviver em um mesmo território – repita-se: de modo contrário ao ocorrido nas diversas tragédias de natureza étnica do passado.

Enquanto Keith Windschuttle rechaça categoricamente as versões em torno de massacres de nativos pelos colonizadores britânicos, no outro extremo aparecem não menos prestigiados historiadores cujas obras mencionam fatos com detalhes acerca de morticínios perpetrados pelos ingleses, militares ou não, contra os

primitivos habitantes da Austrália, sobressaindo Henry Reynolds, autor de não menos que dez trabalhos versando sobre a causa aborígene-australiana, entre elas “Por que não nos contaram? Uma busca pessoal para a verdade de nossa história”

(1999, edição de Viking, Ringwood).

São estas as palavras de Reynolds:

“Quanto mais eu leio, mais claro fica que, entre 1900 e 1960, os aborígenes foram virtualmente apagados da História Australiana. O ‘Grande Silêncio Australiano’ foi aplicado à nova nação após a Federação e assim permaneceu por mais de meio século”.

Lucy Hughes Turnbull, em Sydney – Biography of a City, publicado por Random House Australia em 1990, dá-nos as seguintes e pungentes palavras a respeito dos nativos australianos: “A sorte dos aborígenes australianos desde 1788 é uma questão sobre a qual muitos australianos não-aborígenes sentem uma grande dose de responsabilidade coletiva, ainda que, individualmente, não tenham tido um papel direto na ação ou omissão que levou à quase total destruição da população e cultura indígenas. Outros negam os menos heroicos elementos

da história australiana e ignoram a extensão que o passado traz até o presente. Os aborígenes estão hoje, qualquer que seja o teste, em condições muito piores do que os outros australianos: eles morrem mais jovens, são mais pobres, encontram-se mais propensos a enveredar no crime, no álcool e nas drogas, e estão desproporcionalmente representados na população carcerária”.

Não cabe a um mero visitante, nestas notas cujo objetivo é apenas tecer comentários em torno dos principais aspectos da existência do povo australiano, vestir a toga

julgadora e apontar para que lado tende a verdade, ou ao menos uma parcela da verdade; mas o que salta aos olhos de quem vem à Austrália é o testemunho da precariedade das condições físicas e morais dos seus aborígenes, presa que se encontra o grosso dessa pequeníssima parcela da população do país do álcool, das drogas e da violência familiar. É impossível apagar literalmente da história da Austrália a existência de sua população indígena, até porque, paradoxalmente e ao contrário da maioria dos países em que as tradições culturais (música, artes visuais,

artesanato, lendas) são diversificadas segundo suas regiões, ascendências e influências exógenas, este país não é farto em características exportáveis culturalmente senão o que ele possui em termos de representatividade ligado aos seus aborígenes. As lojas de souvenirs estão fartas de trabalhos manuais dos nativos, a começar pelo conhecidíssimo bumerangue e o didjeridu, que é um instrumento musical feito de um longo tronco de árvore tornado oco, por motivo de fogo ou corroído por formigas, do qual os aborígenes extraem sons musicais de apreciável originalidade. Além

desses artefatos, existem as telas pintadas pelos nativos, com predominância do negro, amarelo e vermelho, invariavelmente sublinhadas por inúmeros pontos brancos, todas transbordantes em ingenuidade e lamentos pela história de um povo sofrido e sem perspectivas. Pode-se afirmar, sem sobra de dúvidas, que tais telas constituem a primordial característica, para não dizer a única e atual arte figurativa da Austrália. Nas festividades escolares, os professores não têm nada além da apresentação de cânticos e danças dos aborígenes para

fazer tocar nos corações infanto-juvenis algo próprio do que a nação tem de mais seu, ainda que os pais e familiares anglo-australianos dessas mesmas crianças intimamente possam discordar.

A existência de uma bandeira nas cores preto e vermelho, com um círculo amarelo ao centro, hasteada ao lado das representações da Austrália e do respectivo estado da federação, faz ver ao visitante que a memória aborígene é pelos menos suportada pelas autoridades, enquanto prossegue nos meios políticos a discussão em torno da necessidade e de como

poderá ser feita a sonhada Reconciliação, em outras palavras o esquecimento das lutas do passado entre aborígenes e não-aborígenes, e a cura das sequelas deixadas, estas últimas, como é fácil constatar, pesando exclusivamente sobre a parte mais fraca em representatividade política, escolaridade e saúde.

7) Imigrantes

A história da imigração na Austrália está perfeitamente escrita e documentada para mostrar que antes de 1901, ano em que a Austrália foi declarada uma federação (ou comunidade de estados), a entrada e a

vida no país era um fator de plena insegurança para qualquer imigrante não-oriundo do Reino Unido. No dizer de Marie de Lepervanche, autora do brilhante ensaio Immigrants and Ethnic Groups, inserido na antologia publicada por Longman Cheshire Pty Ltd. (1984, Austrália) Australian Society, “A celebração da etnicidade e a promoção da identidade étnica são episódios relativamente recentes na história da Austrália”. A aceitação do ingresso de estrangeiros na Austrália foi um processo efetivado em escala ascendente quanto às inúmeras etnias que se propunham a emigrar para o

país, sendo o portão aberto primeira e unicamente para os considerados brancos de origem anglo-saxônica, para depois deles, paulatinamente, ingressarem os imigrantes originários do sul da Europa, mesmo assim sujeitos a severas medidas de controle, hoje reconhecidas pela opinião pública australiana como de bases racistas, como informa a referida Marie de Lepervanche: “Hoje, reconhecemos que a retórica da Austrália Branca era racista, e que as noções de assimilação a um modo de vida anglo-australiano constituía pura ideologia”- pg. 172. Os asiáticos em geral, com predominância

dos chineses, que iniciaram sua migração para a Austrália por volta de 1851 durante a chamada Corrida do Ouro, foram certamente a etnia que maiores obstáculos e rejeições encontrou por parte da política de prevalência dos herdeiros diretos da colonização britânica; e apenas os aborígenes os suplantam em matéria de marginalização calcada em valores raciais, posto que aos últimos faltou a docilidade asiática no trato com os anglo-australianos, daí sua conhecida história de quase total aniquilamento físico. Um parêntesis, contudo, precisa ser feito quando o assunto é aceitação

e entrosamento mútuo entre australianos natos e imigrantes provenientes do Oriente Médio e, mais recentemente, do Afeganistão, posto que a face externa desses estrangeiros na Austrália tem sido pintada com tintas nada favoráveis a partir dos atentados de setembro de 2001 em Nova Iorque. A generalização, ou o nivelamento por baixo que põe os

“libaneses” (como os australianos qualificam todos os nacionais dos países árabes, incluindo até mesmo os não árabes, como turcos, egípcios e iranianos) e os afegãos para arderem na caldeira reaquecida pelas brasas

ainda não extintas do rancor xenófobo e racista modelado pela Austrália Branca do One Nation Party, o partido político ultra direitista, vem claramente enodoando a imagem de paraíso multirracial que a Austrália logrou manter por certo tempo, imagem esta que sofreu um profundo e bastante lamentável arranhão quando da ocorrência do que ficou rotulado como o Incidente do Tampa.

Sucedeu que em plena efervescência de eleições nacionais para a indicação do nome de quem ocuparia o mais alto cargo público australiano, o de Primeiro Ministro, do

qual John Howard já então figurava como titular efetivo e dono de reeleições anteriores, um cargueiro de bandeira norueguesa, o Tampa, após ter recolhido em alto mar mais de duas centenas de refugiados de nacionalidades diversas, predominantemente asiáticos e indonésios, sobreviventes do naufrágio de uma frágil embarcação onde os famigerados traficantes de gente os amontoaram com a promessas de levá-los a terras onde ficassem livres de perseguições por motivos políticos, raciais ou religiosos, viu-se militarmente

impedido de ingressar em águas australianas.

Dando um retrocesso no cumprimento da Convenção Relativa à Condição de Refugiados de 1951, ratificada pelo Protocolo Relativo à Condição de Refugiados de 1967 estipulada pela ONU, ambos os tratados assinados pela Austrália, o ministro e candidato à reeleição para o novo mandato a ter início em 2002 pautou seus discursos e comunicados à imprensa em afirmações de que o desembarque daqueles refugiados representaria um absoluto e iminente perigo de o país sofrer graves

violações em sua segurança nacional e o povo australiano ver-se solapado em suas mais indisponíveis tradições e liberdades individuais, apesar de o Tampa, um transportador de containers, não estar preparado para acomodar mais de 50 homens e haver, entre os refugiados recolhidos do oceano, inúmeros casos de desidratação e sequelas outras provenientes da precariedade do barco em que viajaram. Militares australianos das forças especiais conhecidas pela sigla SAS invadiram o cargueiro e constrangeram seu comandante a mudar a rota do Tampa,

sendo todos os pormenores dessa operação filmados desde helicópteros e utilizados na televisão com o propósito de fazer convencer a parcela da população mais consternada com o drama dos refugiados de que o recebimento da carga humana do navio norueguês poderia representar um precedente para que mais e mais gente de outras etnias viesse a inundar ainda mais o país, desbotando a Austrália em sua nacionalidade própria.

Com essa estratégia, amparada com entusiasmo pelos simpatizantes de um sentimento nacionalista

exacerbado, subliminarmente injetado na mente da parcela australiana ainda não etnicamente miscigenada, John Howard logrou a condução a mais um mandato de primeiro ministro, deixando perplexa a opinião pública internacional, para a qual a aceitação pela Austrália de milhares de refugiados vietnamitas após o término da Guerra do Vietnã e durante os conflitos concomitantes que se estenderam aos vizinhos Cambodia e Laos durante a década de 1970 teria representado um exemplar ato de solidariedade humana e fiel cumprimento de um signatário da

Convenção e do Protocolo concernentes a refugiados.

O atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque em 11 de setembro de 2001 e a represália norte-americana com a invasão do Iraque sob a desculpa de destronar o ditador Saddam Hussein e destruir alegados depósitos de armas químicas, mais as incursões armadas dentro do Afeganistão para caçar terroristas diretamente envolvidos naquele tenebroso ataque à população civil da mais moderna e rica cidade da mais poderosa nação do mundo, às quais se

associaram militarmente a Austrália e a Grã-Bretanha, contribuíram para elevar ainda mais a temperatura de rejeição e suspeição contra os genericamente denominados

“libaneses” por parte de setores do governo e da mídia australiana.

Diferente e mais abrangente em relação à recusa ao desembarque dos boat peoples recolhidos pelo navio Tampa, o estudado afastamento físico e cultural empregado contra as etnias do Oriente Médio e afegãos se faz atuante não apenas contra aqueles que buscam entrar na Austrália sem um visto imigratório, mas também contra

a substancial parcela daqueles que já residem no país. Com o recrudescimento do terrorismo internacional praticado por radicais islâmicos, a rejeição e a hostilidade contra essa parcela de imigrantes recrudesceu ao ponto de atingir isolados atos de agressão física, as mais das vezes contra mulheres, por serem plenamente identificáveis pelo uso do tradicional véu religioso. São utilizadas com estudada sabedoria, para um melhor convencimento da população de estrutura anglo-australiana, as desculpas da não-proficiência em inglês de grande parte

desses imigrantes e a excessiva submissão aplicada às mulheres muçulmanas, detalhe este que não se harmonizaria com a filosofia australiana de igualdade entre os sexos e proibição de qualquer diferenciação entre pessoas por motivos religiosos e raciais. Não obstante tantos entraves ao estabelecimento efetivo e legalizado dos imigrantes na Austrália,

desses imigrantes e a excessiva submissão aplicada às mulheres muçulmanas, detalhe este que não se harmonizaria com a filosofia australiana de igualdade entre os sexos e proibição de qualquer diferenciação entre pessoas por motivos religiosos e raciais. Não obstante tantos entraves ao estabelecimento efetivo e legalizado dos imigrantes na Austrália,

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