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1. INTRODUÇÃO

2.2. EMPREENDEDORISMO

2.2.2. Perspectivas teóricas do empreendedorismo

2.2.2.1. Abordagem econômica

O surgimento dos estudos sobre o empreendedorismo se deu a partir das análises econômicas em busca de encontrar explicações para o crescimento econômico das nações.

Um dos primeiros economistas a observar a prática de criação de negócios foi Richard Cantillon, por volta de 1775. O economista foi considerado por muitos como o criador do termo empreendedor como se conhece na atualidade (FILION, 1999).

Cantillon descrevia o empreendedor como o indivíduo que comprava os insumos ou matérias primas, processava-os e os vendia a outra pessoa, por um preço ainda não definido, acrescido de um ganho. Geralmente essa transação era realizada com produtos agrícolas, os quais formavam a base da economia da época. Esta definição ressalta o empreendedor como um capitalista, visto que aproveitava a oportunidade, assumindo o risco da incerteza, na perspectiva de obtenção de lucro (HISRISCH; PETERS; SHEPHERD, 2009; FILION, 1999).

Filion (1999) revela que Cantillon era por natureza um empreendedor, pois vivia de rendas e por isso vivia a buscar oportunidades de negócios, tendo acumulado ao longo de sua vida grande aptidão para reconhecer boas opções de investimentos seus recursos.

O economista francês Jean-Baptiste Say, por volta de 1800, percebe o empreendedor como um aliado ao crescimento econômico, pela criação de empresas. Considerado o pai do empreendedorismo, Say lançou os alicerces

teóricos mais importantes sobre o tema, cuja base deu sustentação para Schumpeter desenvolver sua visão e os estudiosos que os sucederam. A Revolução Industrial na Inglaterra era o contexto social da época, aliado a isso o autor era admirador das ideias de Adam Smith, fatores que auxiliaram a compor seu pensamento (FILION, 1999).

Say descreve como função do empresário a de combinar e reunir os fatores positivos, formando um negócio mais produtivo, e por isso, rentável. Apresenta o empreendedor como um capitalista calculista, quando afirma que este analisa o mercado a fim de transferir recursos econômicos de um setor com menor produtividade, para setores mais produtivos e com maiores chances de rendimento (SCHUMPETER, 1997).

Por volta de 1911, o economista Joseph Schumpeter, acrescenta ao processo empreendedor sua visão do desenvolvimento econômico, assinalando esse como autor desse progresso (SCHUMPETER, 1997).

A teoria econômica anterior a essa época postulava o fluxo circular da renda, no qual num sentido circulavam os bens, e no sentido contrário o dinheiro, este último nada mais era do que o reflexo do movimento dos bens. Essa era a tendência do sistema econômico de manter-se numa posição de equilíbrio, determinando os preços e quantidade dos bens.

Para Schumpeter (1997) o verdadeiro sentido de desenvolvimento econômico era o rompimento desse equilíbrio. O desenvolvimento não estava relacionado às mudanças que vinham de dentro desse fluxo, mas das que eram impostas de forma revolucionária, trazidas por modificações espontâneas e descontínuas nos processos produtivos.

Visto que na visão Schumpeter (1997) produzir significava combinar materiais e forças que estavam ao seu alcance, combinando-se esses insumos de diferentes formas ou utilizando-se diferentes métodos de produção, ter-se-ia uma inovação, ou como trata o autor, uma nova combinação, que pode ser vista na forma de:

a) introdução de um novo bem,

b) introdução de um novo método de produção (ou nova maneira de manejo comercial do bem);

c) exploração de um novo mercado;

e) novo arranjo empresarial.

Para que o empreendedorismo aconteça, algumas das circunstâncias que propiciam a criação de novas combinações precisam estar disponíveis na economia, como matérias primas não utilizadas, capacidade produtiva ociosa e trabalhadores desempregados (SCHUMPETER, 1997). Na atualidade as empresas criam essas condições investindo na capacitação de pessoas e em pesquisa e desenvolvimento.

Tendo em vista que a sociedade se modifica, modificam-se também seus hábitos e costumes. Os bens e as tecnologias utilizadas para seu processamento também precisam ser adaptadas às novas necessidades dos usuários. Surge, então, no mercado espaço para novas oportunidades que precisam ser descobertas e exploradas.

Schumpeter (1997) defendia, acima de tudo, o aproveitamento dessas oportunidades, utilizando os recursos naturais de diferentes formas que não o uso tradicional, e passando a empregá-los em novas conexões.

O empreendedor é responsável pelo processo de destruição criativa, termo utilizado por Schumpeter (1997) para descrever o processo que conhecemos por inovação. Ressaltava que o empreendedor é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista constantemente, criando novos produtos, novos métodos de produção, desenvolvendo mercados, substituindo métodos e processos menos eficientes (SCHUMPETER, 1997).

Outro apontamento introduzido por Schumpeter em 1949, ainda presente nos debates acadêmicos, é a distinção dos gerentes ou administradores da figura do empreendedor, ou empresário como tratado pelo autor. Sendo que esses últimos são os que realizam empreendimentos por meio de novas combinações, após este feito, o mesmo perde esse caráter, passando a gerenciar e dirigir o seu negócio. Havendo novas combinações, então o gerente transforma-se novamente em empreendedor (SCHUMPETER, 1997).

Já na abordagem econômica do empreendedorismo verificam-se as dificuldades do processo de criação de empresas. Visto que, ao inovar, o empreendedor contraria o equilíbrio econômico, e o fluxo, que antes o auxiliava, torna-se um obstáculo. Muitos desafios se impõem para o empreendedor, como a necessidade de pessoas e capital para a manutenção das atividades da empresa. “O novo empreendimento pode impor sacrifícios temporários, privações ou

aumento de esforços pelos membros da comunidade” (SCHUMPETER, 1997, p. 79).

As teorias dos economistas como Richard Cantillon, Jean-Baptiste Say, Joseph Schumpeter e outros, foram distinguidas na literatura como uma abordagem econômica do termo. Os estudos apresentados por esses autores tem posições convergentes, pois partiram da análise das causas do desenvolvimento econômico e evidenciaram o poder do empreendedor nesse processo. Acrescenta- se que os autores se utilizaram de delineamentos econômicos para entender esse fenômeno.

Nesse contexto econômico, define-se neste trabalho, o empreendedor como o indivíduo que combina recursos, ou seja, insumos, materiais, força de trabalho, equipamentos, e agrega valor, introduzindo inovação, com novas tecnologias, gerando mudanças e uma nova ordem, assumindo os riscos e incerteza, de lucros, tempo e comprometimento de seu trabalho. O resultado desse processo é o crescimento econômico de uma nação.

Visto que o empreendedorismo é um fenômeno complexo, a abordagem econômica isoladamente não se faz suficiente para compreensão do tema. Parte- se, então, para a análise de outras abordagens que auxiliem no melhor entendimento sobre o assunto em discussão.