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Abordagem Metodológica

No documento E-Book publicado pela ABENGE (páginas 138-143)

A abordagem metodológica empregada para a modernização do curso de Engenharia de Produção da UFRGS foi baseada na sistemática do Processo de Engenharia de Sistemas discutida por Buyurgan e Kiassat (2017) e Meixell et al. (2015).

Essa sistemática, representada na Figura 1, permite realizar uma análise das expectativas das partes interessadas e o mapeamento de requisitos, subsidiando a geração de um processo de design iterativo até gerar que se atinja o design detalhado considerado satisfatórios para o currículo, o qual é avaliado e melhorado continuamente, mesmo depois da implementação (BUYURGAN e KIASSAT, 2017; MEIXELL et al., 2015). Esta abordagem já é amplamente aplicada na condução de projetos de modernização de cursos de graduação na área de engenharia (BUYURGAN e KIASSAT, 2017; MEIXELL et al., 2015; MOORE e VOLTMER, 2003) e está alinhada ao framework teórico denominado CDIO (Conceive-Design-Implement-Operate), proposto por CRAWLEY et al. (2007), uma das principais referências no campo de modernização de ensino de engenharia.

Figura 1. Processo de modernização do curso

Fonte: Adaptado de Buyurgan e Kiassat (2017) e Meixell et al. (2015)

Para o desenvolvimento do trabalho foram gerados 7 (sete) grupos de trabalho destinados a trabalhar com aspectos chave para o desenvolvimento do projeto: gestão, infraestrutura, currículo, práticas pedagógicas, missões, stakeholders e publicações. Cada grupo contava com um docente líder, com outros docentes impulsionadores, e com discentes de pós-graduação, que atuam como assistentes do projeto. O andamento dos trabalhos está sendo harmonizado pela gestão do programa. Os grupos geraram informações e promoveram ações que abasteceram as etapas preparatórias para a geração do Design conceitual, fase inicial do ciclo de melhoria e estágio atual de implantação do projeto. O presente capítulo relata e discute os resultados das três primeiras etapas mostradas na Figura 1.

A primeira etapa envolveu a Identificação e análise dos Stakeholders e foi orientada para o levantamento de elementos-chave que devessem ser incorporados na nova proposta curricular (BUYURGAN e KIASSAT, 2017).

Durante esta etapa, foram identificados e priorizados os diversos stakeholders do curso, a partir do uso de ferramentas de análise e gestão de stakeholders (DIAS et al., 2016; NESELLO e FACHINELLI, 2017).

Consideram-se como stakeholders principais do curso os discentes, os docentes, a universidade, os egressos, as associações de classe (e.g., Associação Brasileira de Engenharia de Produção - ABEPRO; Associação Brasileira de Educação em Engenharia - ABENGE), as entidades reguladoras

(e.g., Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP; Ministério de Educação - MEC), os parceiros da indústria (empresas, Sistema S), os potenciais empregadores e a comunidade local.

Além disso, foram contemplados como stakeholders outras instituições parceiras e cursos de graduação em engenharia de produção no Brasil e no exterior. No âmbito do PMG, as universidades norte-americanas parceiras foram consideradas como um dos principais stakeholders para benchmarking, em termos de prospecção de ideias e iniciativas de projetos inovadores de currículo, práticas pedagógicas e infraestrutura.

Cabe destacar que o PIM da Engenharia de Produção da UFRGS adota como estratégia fundamental a busca de interações e parcerias com as universidades dos EUA, pela possibilidade de alavancagem e transferência de experiências. Por isso, investiu fortemente na realização de missões externas e promoção da vinda especialistas à UFRGS, para desenvolvimento do programa e para estabelecimento de parcerias estratégicas de longo prazo. A ideia é trabalhar fortemente com a ideia de redes regionais, nacionais e internacionais, considerando que o processo de modernização do ensino superior está em aceleração globalmente.

Desta forma, uma das ações fundamentais nesta etapa de mapeamento e interação com stakeholders consistiu na realização de missões para benchmarking. A primeira missão, ocorrida no princípio de 2019, contemplou a University of Central Florida (UCF), a University of Florida (UF), a University of South Florida (USF) e a University of Illinois at Urbana–Champaign (UIUC). A segunda missão, ocorrida no segundo semestre de 2019, incluiu a University of Tennessee (UT), a Kennesaw State University (KSU) e a University of South Carolina (SC). Em todas foram feitas reuniões com pessoas chave, discussões sobre estrutura de cursos e sobre estratégias de aprendizagem dentro e fora da sala de aula, assim como visitas a espaços de ensino e de interação e acompanhamento de atividades de ensino inovadoras.

O Quadro 1 mostra uma síntese das diversas técnicas e estratégias adotadas para a coleta e análise das contribuições dos stakeholders. Uma abordagem mais detalhada pode ser encontrada em Tinoco et al. (2019).

Quadro 1 - Técnicas de coleta e análise de dados dos stakeholders

Stakeholders Coleta de dados Análise de dados

Discentes do curso Pesquisa descritiva com 96 alunos do curso para levantamento de

expectativas e demandas sobre o novo currículo.

Análises descritivas

Docentes 5 Grupos focais para análise dos pontos fortes e fracos do curso e levantamento de necessidades para o novo currículo.

Análise de conteúdo

Egressos Pesquisa descritiva com 254 egressos do curso para avaliar a necessidade de competências no perfil do egresso.

Análises descritivas e análise de variância.

Empresas parceiras Entrevistas semiestruturadas em 4 empresas parceiras para identificar

norte-americanas 2 Missões para benchmarking em

universidades norte-americanas. Análise de conteúdo objetivo principal avaliar e determinar os requisitos desejados/necessários para o curso e para o profissional de Engenharia de Produção (EP), considerando as expectativas e demandas dos stakeholders e as ações de benchmarking realizadas na etapa anterior.

Os requisitos foram organizados em termos de competências do perfil do egresso, elementos obrigatórios do currículo, práticas pedagógicas inovadoras, métodos de avaliação de competências, requisitos de infraestrutura e outros elementos estratégicos para a modernização do curso.

As ferramentas empregadas para identificação e priorização de requisitos foram baseadas na metodologia de Gestão de Requisitos (KOTONYA e SOMMERVILLE, 2000; SOMMERVILLE, 2007), a partir do uso da técnica QFD (Quality Function Deployment) (Ribeiro et al., 2001).

A análise e priorização dos requisitos foi realizada a partir de workshops com docentes do curso e membros da Comissão de Graduação e do Núcleo Docente Estruturante (NDE). Como parte da análise de requisitos, foram definidas as competências desejadas no perfil do egresso do curso de Engenharia de Produção, a partir da realização de um grupo focal com os docentes do NDE.

Durante o desenvolvimento desta etapa se recebeu a visita de dois especialistas dos Estados Unidos da América, que haviam sido contatados durante a missão de mapeamento e interação com stakeholders realizada no primeiro semestre do ano 2019. Esses especialistas, Dr. Luis Rabelo da University of Central Florida (UCF) e Dra. Katie Basinger, da University of Florida (UF), haviam participado do processo de modernização de cursos de engenharia em suas instituições, e foram convidados a compartilhar suas experiências relativas a estratégias para alteração curricular, implementação de práticas pedagógicas inovadoras, incorporação da cultura de colaboração universidade-indústria e capacitação e engajamento de docentes, fatores considerados estratégicos para o novo desenho do curso na UFRGS.

Os especialistas visitantes participaram de diversas reuniões com a equipe do PIM e com outros docentes do curso, propiciando um enriquecedor benchmarking, que levantou aspectos como posicionamento estratégico que a Engenharia de Produção da UFRGS deveria adotar, em nível de curso e em nível de formação profissional, visando garantir que os egressos possuam proficiência em conhecimentos que os valorizem e diferenciem no mercado.

Ademais, os especialistas organizaram junto aos docentes e acadêmicos da UFRGS atividades como workshops de capacitação docente e palestras, que favoreceram o engajamento, pela geração de um ambiente de troca de experiências, desenvolvimento de inovações e experimentação de práticas pedagógicas inovadoras, que exemplificaram como promover atividades para estimular o empreendedorismo e a liderança em graduandos de engenharia, conjugando essas soft skills com uma sólida base teórica e prática.

Na terceira etapa foi discutido e proposto o Design Conceitual do novo currículo, redesenhado a partir das competências do perfil do egresso e dos requisitos identificados nas etapas anteriores. Para tanto foram realizados dois grupos focais com docentes da Comissão de Graduação e do Núcleo Docente Estruturante (NDE).

Nesta etapa também foram realizadas entrevistas com docentes para verificar lacunas no currículo atual e pesquisa junto aos discentes para avaliação do nível de implementação das práticas pedagógicas inovadoras nas atividades acadêmicas atuais.

No documento E-Book publicado pela ABENGE (páginas 138-143)