• Nenhum resultado encontrado

Curriculum Redesign from Stakeholders Analysis in Undergraduate Program of Industrial Engineering at UFRGS

No documento E-Book publicado pela ABENGE (páginas 134-138)

Maria Auxiliadora Cannarozzo Tinoco; Luiz Carlos Pinto da Silva Filho; Carla Schwengber ten Caten;

Joana Siqueira de Souza; Angela de Moura Ferreira Danilevicz; Christine Nodari; Diana Ramos Lima;

Camila Costa Dutra; Istefani Carísio de Paula; José Luis Duarte Ribeiro

RESUMO: O presente capítulo apresenta as atividades que levaram à definição do Design Conceitual que está embasando a proposição de um novo currículo para o curso de graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse é um resultado parcial do Projeto Institucional de Modernização (PIM) em desenvolvimento na Escola de Engenharia da UFRGS, no âmbito do Programa de Modernização da Graduação em Engenharia (PMG) fomentado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e pela Comissão Fulbright. Para geração do referido Design Conceitual foram desenvolvidas 3 atividades fundamentais: i) identificação e análise de expectativas dos stakeholders; ii) definição dos requisitos necessários/desejados para o novo currículo e iii) redesenho do currículo com base nos requisitos estabelecidos, nas competências desejadas para o perfil de egresso definido para o curso, e nos insights derivados das interações e benchmarking com universidades norte-americanas parceiras do programa PMG. Dentre os principais resultados atingidos destaca-se a estruturação do novo currículo em blocos de conhecimento fundamentais relacionados às áreas tronco da Engenharia de Produção, associada à adoção de uma estratégia de atribuição de certificados parciais pela finalização de cada bloco. Além disso, a nova proposta curricular inclui diversos projetos integradores, que adotam o Project-Based Learning e oferecem uma oportunidade qualificada para implantar a curricularização da extensão. Através dos projetos integradores se objetiva, ainda, fomentar a interdisciplinaridade, desenvolver competências transversais, e estimular os alunos a se engajarem em problemas reais provenientes de demandas do mercado ou da sociedade. Por fim, cabe destacar que o Design Conceitual do novo currículo se orientou por alguns conceitos considerados estratégicos para promover melhorias no ensino de engenharia: (i) a adoção de um currículo mais flexível;

(ii) o estímulo ao emprego de práticas pedagógicas inovadoras e embasadas na aprendizagem ativa; (iii) o estabelecimento de um currículo sistêmico e interdisciplinar e, (iv) a incorporação de temáticas atualizadas nas atividades de ensino, identificadas a partir dos contatos efetuados com stakeholders ou das interações com as universidades parceiras.

ABSTRACT: This chapter presents the activities that led to the definition of the Conceptual Design that subsidizes the new curriculum of the undergraduate degree on Industrial Engineering at the Federal University of Rio Grande do Sul (UFRGS). This is a partial result of the Institutional Modernization Project (PIM) under development at UFRGS´ School of Engineering, in the scope of the Program for Modernization of Engineering Undergraduate degrees (PMG) fostered by CAPES and Fulbright Commission. To generate the Conceptual Design 3 activities were undertaken: (i) identification and perception analysis of stakeholders, (ii) definition of the desired/necessary requirements for the new curriculum and (iii) redesign of the curriculum based on the defined requirements, competencies for the envisioned alumni profile and insights generated from interactions and benchmarking carried out with partner US universities. Among the main results achieved, it stands out the structuring of the new curriculum in blocks of knowledge related to trunk areas of Production Engineering, together with partial certificates given on completion of each block. In addition, the new curriculum proposal includes several integrative projects, which use Project-Based Learning and offer a qualified opportunity to integrate outreach and learning activities. The adoption of integrated project activities also helps to foster interdisciplinarity, to develop transversal competencies, and encourages students to engage in real problems derived from market or society demands.

The conceptual design of the new curriculum was guided by concepts consider strategic to promote improvements in engineering teaching: (i) the adoption of a more flexible curriculum;

(ii) the use of innovative pedagogical practices based on active learning; (iii) the establishment of a systemic and interdisciplinary curriculum and (iv) the incorporation of emerging and current topics in teaching activities, identified from stakeholders or partner universities.

Introdução

O perfil que se deseja em um engenheiro do século XXI vai além do profissional com sólidas competências técnicas e engloba outras habilidades necessárias e complementares, como referido em diversas publicações e estudos que avaliam as demandas e tendências do ensino de engenharia, como Goldberg e Somerville (2014). Como cita Korman (2015), as empresas estão cada vez mais demandando um profissional que, além de ter capacidade analítica e raciocínio lógico, seja capaz de imaginar e criar a partir do inexistente, que tenha habilidades de comunicação, de articulação e de liderança.

O ensino superior de engenharia vem buscando se adequar para melhor atender a essas necessidades, de forma a preparar os engenheiros do futuro com as habilidades e conhecimentos que serão demandados para trabalhar em ambientes com alta volatilidade, marcados por mudanças rápidas, incertezas e complexidades (Meixell et al., 2015). O caminho para atender essa nova realidade passa por uma abordagem sistêmica que integre e articule a formação dos alunos, a estrutura curricular do curso e

as práticas pedagógicas adotadas, como discutido em ABENGE MEI/CNI (2018).

Diante dessa necessidade, muitas universidades passaram a discutir estratégias e traçar planos para a modernização, atualização e/ou redesenho de seus currículos de graduação em engenharia. Esses projetos visam melhorar a formação e incrementar a competitividade e empregabilidade de seus egressos, por meio de uma trajetória de ensino que promova uma combinação planejada e estimulante de conhecimento técnico, experiência prática e desenvolvimento de habilidades sociais.

Nesses esforços de modernização do ensinoda educação em engenharia, podem-se identificar algumas premissas relevantes que costumam ser adotadas na reestruturação de currículos, como o incentivo às abordagens interdisciplinares, a exposição tanto a questões científicas como tecnológicas, e a busca de integração de conhecimentos referentes a aspectos econômicos, políticos, éticos, sociais e ambientais.

O desenho dos novos currículos de engenharia tem que levar em conta, além das mudanças na expectativa de atuação de engenheiros, as progressivas alterações nas dinâmicas de sala de aula, na relação com o conhecimento, na psicologia de alunos e nas estratégias de ensino que estão se consolidando no século XXI.

O desafio é gerar estruturas curriculares inovadoras, que permitam equilibrar a formação técnica e social, estimular o protagonismo, fomentar a criatividade e a capacidade de formulação e resolução de problemas, propiciando um ambiente desafiador e estimulante para geração de um egresso capaz de trabalhar com problemas complexos, de forma criativa, organizada e crítica, buscando soluções ágeis e eficazes.

O redesenho dos projetos pedagógicos curriculares dos cursos de engenharia no Brasil deve, ainda, considerar as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) estabelecidas para a graduação em engenharia, de acordo com decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE, 2019), que, entre outras questões, adota a ideia de um ensino baseado em competências.

O ensino baseado em competências se alinha à atual realidade do mercado de trabalho para o qual se necessita preparar os alunos. Cada vez mais as organizações tendem a utilizar perfis de competências para selecionar seus colaboradores, ao invés das tradicionais descrições rígidas de cargos. Como explica GATAI (2008), essa abordagem permite à gestão das empresas compreender melhor como montar times ou como ajustar as competências do seu pessoal a novas posições, o que confere mais agilidade para responder às oscilações do mercado.

O desafio que se coloca às universidades brasileiras é efetivar uma análise crítica e criativa de seus currículos, identificando as necessidades de ajuste e implantando propostas inovadoras que estimulem jornadas de aprendizagem mais flexíveis e integradoras, capazes de fomentar competências e acolher as novas necessidades de formação dos alunos, em linha com as emergentes demandas da sociedade e do mercado de trabalho para seus egressos.

Nesse contexto, deve-se destacar o caráter estratégico do PMG, promovido em conjunto pela CAPES e pela Comissão Fulbright. Esse projeto fomentou a formação de uma rede de 8 universidades brasileiras, públicas e privadas, compromissadas em implantar projetos piloto de modernização de cursos de engenharia que servem de laboratório, exemplo e inspiração para que se possa promover ações de modernização do ensino superior brasileiro, iniciando pelos cursos de engenharia.

No caso da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o projeto se baseia no redesenho do currículo, das estratégias de aprendizagem e dos ambientes de ensino usados pelo curso de Engenharia de Produção. O mesmo tem sinergia com um programa institucional de promoção da Inovação, Criatividade e Empreendedorismo, Programa F(ICE), que já vinha sendo desenvolvido pela gestão da Escola de Engenharia (EE) desde 2013 e é visto como um exemplo para que se transformem todos os cursos de engenharia associados à EE. Dado o interesse pelo tema e o fato de que a UNISINOS também é participante da rede PMG, têm-se a expectativa que a partir dessas iniciativas se acelere um movimento que atinja todos os cursos de engenharia do Rio Grande do Sul.

Objetivos

O objetivo principal deste capítulo consiste em descrever as atividades e ideias que levaram à definição do Design Conceitual do projeto PMG/UFRGS. A definição de um Design Conceitual para orientar a modernização do novo currículo do curso de Engenharia de Produção da UFRGS é uma etapa fundamental na metodologia proposta para o desenvolvimento do Projeto Institucional de Modernização (PIM) concebido pela equipe envolvida na implantação das mudanças na EE/UFRGS.

De acordo com essa metodologia, a modernização da graduação em Engenharia de Produção na UFRGS será sustentada por meio de alterações curriculares, inclusão de práticas pedagógicas inovadoras e capacitação de docentes. O desafio autoimposto é ofertar novas rotas para o

desenvolvimento de profissionais, que promovam o aperfeiçoamento das competências necessárias, mapeadas com apoio dos egressos e do mercado, para enfrentar os desafios e as oportunidades advindos das mudanças rápidas, incertezas e complexidades que moldam o cenário da engenharia e da sociedade no século XXI (e.g., GRAHAM, 2012; PARASHAR; PARASHAR, 2012; MEIXELL et al., 2015).

As ações chave que subsidiaram o processo de Design Conceitual do novo currículo foram:

As interações com Universidades dos Estados Unidos da América (EUA), para benchmarking e identificação de oportunidades para a modernização do curso.

 O mapeamento e engajamento com os stakeholders do processo de

modernização do curso de graduação, para análise e levantamento de demandas e expectativas;

A definição de requisitos considerados essenciais para o Design Conceitual do novo curso, incluindo as competências desejadas para o perfil do egresso, o emprego de práticas pedagógicas inovadoras de ensino, entre outros.

No documento E-Book publicado pela ABENGE (páginas 134-138)