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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

2.5 ACESSO À INFORMAÇÃO

O Brasil tem construído o seu sistema de pesquisa científica graças a universidades públicas e programas governamentais de pesquisa, apoio do governo para o acesso aberto, e a criação de uma plataforma tecnológica de apoio aos periódicos científicos têm permitido ao País atingir um nível considerável de visibilidade internacional em um curto espaço de tempo (RODRIGUES; ABADAL, 2014).

O acesso aberto se define como a livre disponibilidade do acesso público à Internet, permitindo que qualquer usuário possa baixar, ler, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar os textos completos dos artigos sem contrapartida financeira, jurídica ou barreiras técnicas, sendo assegurados os direitos do autor sobre a integridade do seu trabalho e de ser citado (ALPERIN, 2014).

Para Guédon (2010) o acesso aberto pode proporcionar que pesquisas financiadas por dinheiro público e fundações, que devem estar disponíveis a todos os pesquisadores para auxilia-los no desenvolvimento de seu trabalho e outros segmentos da sociedade, estejam acessíveis; que pessoas que não possuem acesso às bibliotecas possam se beneficiar por meio da literatura em acesso aberto; que o sistema escolar (ensino médio) pode usufruir da literatura em acesso aberto, decorrente de pesquisa científica; e, por fim, os cidadãos podem manter-se bem informados.

Nesse sentido, Abadal (2012) complementa o pensamento de Guédon quando menciona que uma das formas de alcançar o sucesso do funcionamento do modelo de acesso aberto é conseguir que todos os autores publiquem em revistas de acesso aberto, que ainda apresenta baixo percentual (20% das publicações). Por isso, é necessário utilizar os repositórios de artigos, para que possa se chegar à totalidade da divulgação da ciência em acesso aberto. Essas duas formas são respectivamente a via dourada e via verde (ABADAL, 2012). A via dourada consiste na publicação de artigos em revistas de acesso aberto e

a via verde consiste no autoarquivamento ou depósito de todos os artigos publicados em periódicos tradicionais nas páginas da web, ou em repositórios institucionais e temáticos de acesso aberto antes ou após a sua publicação (MIGUEL; MOYA-ANÉGON; RODRIGUEZ- CINCHILLA, 2012). Com a disponibilização dos artigos em acesso aberto, o andamento das investigações se tornou mais rápido, pois os cientistas podem ter acesso imediato a resultados de pesquisas de seus colegas, ou seja, a disponibilização de conteúdos científicos agiliza a transferência do conhecimento (ABADAL, 2012).

Existe ainda a via platina, que de acordo com Crawford (2011) inclui a publicação de periódicos em acesso aberto, nos quais os responsáveis pela revisão e publicação dos artigos são as editoras não comerciais. Neste modelo não há cobrança de taxas ou licenças.

As revistas que adotam geralmente este modelo são as revistas novas que surgiram a partir do movimento de acesso aberto, conhecidas como revistas platinas (HASCHAK, 2007), cujo modelo se sustenta por meio do estabelecimento de parcerias, doações e patrocinadores não comerciais, sempre com o objetivo maior de impulsionar a difusão e a visibilidade da produção científica (MELERO; GARCIA, 2008). Para Haschak (2007), todos os artigos de periódicos acadêmicos devem ser livres e livremente acessíveis, não devendo ter custos para os leitores, os autores ou as instituições de acesso.

O modelo mais conhecido por acesso aberto, muitas vezes referido como ‘autor-paga’, baseia-se uma taxa de processamento de artigos (em inglês: Author Processing Charge - APC), geralmente pago pelo financiador ou instituição do autor, que cobre o custo de publicação. Muitos jornais já oferecem este tipo de acesso aberto, seja para todos os artigos, ou como uma opção para o autor. O modelo de APC é simples e tem a vantagem de fazer com que os autores estejam cientes do custo de publicação. Desde a época em que a publicação acadêmica era distribuída pela forma da economia de impressão, existiam os custos de impressão, mas independente destes custos, o objetivo da atividade de publicação era garantir que o material atingisse ampla visibilidade aos leitores a um custo razoável. Ou seja, a motivação para a publicação científica não era o dinheiro, mas a comunicação em si (COCKERILL, 2006).

Para Pinfield, Salter e Bath (2016), a publicação de artigos científicos em periódicos de acesso aberto segue ainda o modelo da via dourada, cuja APC é financiada pelo autor ou pela instituição que o mantém.

a) pagamento tanto para revistas individuais quanto para esquemas de pré-pagamento em grandes quantidades de revistas; b) subscrição de títulos de periódicos individuais ou em pacotes; c) pagamento dos custos adicionais de gestão do processamento do artigo (PINFIELD; SALTER; BATH, 2016).

Para a comunicação científica ter eficácia, a forma de divulgação não deveria ser tão lenta, e, é nesse sentido, que Meadows (1999) ressalta a importância da comunicação para a construção do conhecimento científico, ao salientar que a comunicação encontra-se no próprio coração da ciência, sendo ela tão vital quanto à própria pesquisa e, no que ressalta que de nada adianta a pesquisa se não puder se conhecer os resultados dela. Quando aborda sobre as tradições da pesquisa, o autor ressalta como cada ciência tem sua maneira de comunicar e retratar os resultados de pesquisa, a forma como expressam o conhecimento e o repassam à sociedade (MEADOWS, 1999).

O surgimento de licenças abertas tem sido impulsionado pela necessidade de proteger o direito do autor, especialmente em ambiente web, onde o conteúdo pode ser facilmente copiado e compartilhado. Uma gama de quadros legais que tentam determinar como autorizar a utilização de código aberto. As licenças mais conhecidas são a Creative Commons (CC), que fornecem mecanismos legais para garantir que os autores conservem o reconhecimento do seu trabalho (autoria), enquanto cedem outros direitos, que autoriza a ser compartilhada, adaptada, restringindo ou não a atividade comercial de sua obra. (SANTOS- HERMOSA; FERRAN-FERRER; ABADAL, 2012).

De acordo com o Joint Information Systems Committee (JISC), a web tem proporcionado os meios para os pesquisadores disponibilizarem seus resultados de investigação a qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer momento por meio do acesso aberto. Isto se aplica aos artigos de revistas, bem como para outros tipos de produção de pesquisa, tais como documentos de conferências, teses ou relatórios de pesquisa (JOINT INFORMATION SYSTEMS COMMITTEE, 2009).

Falar de Acesso Aberto implica em falar de Ciência Aberta, um termo que vem sendo abordado por diversos autores. De acordo com o Relatório de Ciência da UNESCO, de 2015, “a Internet trouxe com ela a ciência aberta, abrindo o caminho para a colaboração internacional online em pesquisa, bem como o livre acesso a publicações e dados subjacentes” e, isso gera um movimento global em direção da educação aberta, o que faz com que o sistema de pesquisa acadêmica e ensino superior se internacionalizem rapidamente. (PEDROSA;

CHAIMOVICH, 2015, p. 35).

Para Albagli (2015, p. 9), ciência aberta é “[...] um processo, algo em construção, que mobiliza interesses e pontos de vista distintos [...] que também permite múltiplas [...] interpretações” e, as “iniciativas mais expressivas nos estágios iniciais do movimento pela ciência aberta dirigiram-se centralmente para o acesso livre a publicações científicas”. (ALBAGLI, 2015, p. 11).

Na visão de Delfanti e Pitrelli (2015, p. 59), “ciência aberta é um conceito muito amplo, que engloba diversas práticas e ferramentas ligadas à utilização das tecnologias digitais e ferramentas de propriedade intelectual alternativas”.

No âmbito do projeto Foster, desenvolvido pela União Europeia, a ciência aberta é:

a condução da ciência de um modo que outros possam colaborar e contribuir, em que os dados de pesquisa, as notas de laboratório e outros

processos científicos estejam livremente

disponíveis, com termos que permitam reuso, redistribuição e reprodução da pesquisa. (DELFANTI; PITRELLI, 2015, p. 60).

Para Albagli (2015, p. 14),

a ciência aberta promove o aumento dos estoques de conhecimento público, propiciando não apenas a ampliação dos índices gerais de produtividade científica e de inovação como também a das taxas de retornos sociais dos investimentos em ciência e tecnologia.

No entendimento de Chan, Okune e Sambuli (2015, p. 98), a ciência aberta não se refere apenas à acessibilidade de artigos científicos, mas se estende a outros objetos de pesquisa, tais como: “dados, códigos de software, protocolos e fluxos de trabalho”, de maneira que possa ser usados, reutilizados e distribuídos sem restrições legais, sociais ou tecnológicas.

As redes sociais científicas são um novo ponto de encontro para investigadores e um importante instrumento para a promoção do conhecimento. A sua utilização vem aumentando na comunidade científica, pois são ferramentas práticas para divulgar os resultados da investigação e para compartilhar conhecimento. (GONZALEZ-DIAZ;

IGLESIAS-GARCIA; CODINA, 2015).

O movimento pela ciência aberta, em seu formato atual, reflete, na verdade, novos modelos de pensar e de exercer a cientificidade, com repercussões diretas sobre os compromissos, normas e arcabouços institucionais que interferem diretamente na prática científica e nas suas relações com a sociedade. (ALBAGLI, 2015, p. 14).

Acesso aberto, dados abertos, governos abertos, inovação aberta, desenvolvimento aberto, ciência aberta, representam vantagens para toda a sociedade, pois com eles haveria a ampliação da difusão da ciência. O segredo para este caminho é o conhecimento de seus princípios e possíveis aplicações (MACHADO, 2015; CHAN; OKUNE; SAMBULI, 2015).

O acesso aberto aparece como um caminho, pois resulta de esforços da comunidade científica para tornar a informação científica disponível, amplamente acessível e visível a pesquisadores de todo mundo, que estão focados na geração de novos conhecimentos que serão convertidos em benefícios para toda sociedade (LEITE, 2012).

Como visto nesta seção, o movimento de acesso aberto possibilitou algumas mudanças em relação à forma como a publicação científica chega até as pessoas. As coleções de documentos disponíveis em acesso aberto se traduzem na possibilidade de acesso e leitura de pesquisa recém-realizadas, o que permite a construção do conhecimento científico.

Na próxima seção, são apresentados os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, para os quais o estudo se direciona, com o objetivo de conhecer sobre a publicação destes Institutos.

2.6 INSTITUTOS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA NO BRASIL