Vamos imaginar que, lamentavelmente, tenha ocorrido um acidente de trabalho. Nesta aula veremos quais são as providências administrativas a serem tomadas, como funciona a garantia de emprego do acidentado e o que é o direito de regresso da Previdência Social.
24.1 Providências administrativas
Veja que nossa legislação (art. 169 da CLT) determina que é obrigação do empregador (ou seja, sua obrigação como futuro técnico em segurança no trabalho e preposto da empresa) a notificação às autoridades públicas de qualquer acidente de trabalho ou doença profissional.
Você fez de tudo para evitar, mas infelizmente ocorreu um acidente de trabalho. E agora? Primeiro de tudo mantenha a calma e chame um profis- sional da área de saúde (médico, enfermeiro, etc) para o primeiro atendi- mento.
Mas existe uma providência administrativa a ser tomada, de sua responsabi- lidade, que é a emissão do Comunicado de Acidente do Trabalho (CAT) até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência. Porém, caso haja morte do trabalhador, a comunicação à Previdência Social deverá ser imediata.
É isso que diz o art. 22 da Lei nº. 8.213/91: “a empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade compe- tente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário-de-contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social”.
O CAT é um documento pelo qual a empresa registra junto à Previdência Social a ocorrência do acidente, e será utilizado como base para a conces- são e liberação de benefícios ao trabalhador junto ao INSS (como o auxílio acidente), e também para cômputo nas estatísticas.
Para conhecer como é o formulário do Comunicado de Acidente de Trabalho, acesse:
http://www.previdencia.gov. br/forms/formularios/form001. html
Cômputo
Você sabia?
Nos casos de doença profissional, deverá ser considerado como dia do acidente “a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsó- ria, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro”. (art. 23 da Lei nº 8.213/91).
Se a empresa não realizar tal providência, também estão autorizados a for- malizá-lo o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical com- petente, o médio que atendeu a vítima ou qualquer autoridade pública.
24.2 Garantia de emprego
A legislação previdenciária ainda garante ao segurado vítima de acidente de trabalho a garantia de seu emprego pelo prazo de 12 (doze) meses após o término do auxílio-doença acidentário, independentemente da percepção de auxílio acidente. (art. 118 da Lei nº 8.213/91 e art. 346 do Decreto nº 3.048/99).
Obviamente que a garantia de emprego protege contra a dispensa imotiva- da, ou sem justa causa. Ocorrendo uma das hipóteses de justa causa previs- tas no art. 482 da CLT, a rescisão contratual é legítima.
24.3 O direito de regresso da Previdência
Social
A Previdência Social detém o monopólio do Seguro de Acidentes de Traba- lho – SAT (que concede uma compensação financeira às vítimas) e também é o responsável pela concessão dos demais benefícios previdenciários (ex: auxílios, aposentadorias, pensões, etc).
Como curiosidade, o supracitado SAT é um seguro obrigatório pago pelas empresas cuja alíquota varia de 1% a 3% em relação à sua folha de paga- mento, de acordo com o grau de risco de sua atividade econômica.
Recentemente o Fator Acidentário de Prevenção – FAP teve seus critérios me- todológicos reformulados (Resolução nº 1.308/2009, do ministro da Previ- dência Social), fazendo com que a alíquota do SAT possa diminuir à metade, ou até dobrar. Para tanto, haverá uma reavaliação períódica da quantidade, frequência e gravidade dos acidentes, além dos custos em cada empresa.
Em resumo, a Previdência Social entende “as empresas com mais acidentes e acidentes mais graves passarão a contribuir com um valor maior, enquanto as empresas com menor acidentalidade terão uma redução no valor da contri- buição” < http://www.previdenciasocial.gov.br/vejaNoticia.php?id=34199>.
O Decreto Federal nº 3.048/99 prevê o Direito de Regresso da Previdência Social contra os responsáveis “nos casos de negligência quanto às normas de segurança e saúde do trabalho indicadas para a proteção individual e coletiva” (art. 341).
Direito de Regresso é uma ação judicial em que a Previdência Social cobra o ressarcimento do valor despendido nos benefícios destinados a amparar o trabalhador que sofreu algum dano em decorrência de acidente de trabalho por negligência da empresa quanto às normas de saúde e segurança do trabalho.
Independente disso, Gonçalves (2008, p.290) explica que: “qualquer que seja, portanto, o grau de culpa, terá o empregador de suportar o dever in- denizatório, segundo as regras do Direito Civil, sem qualquer compensação com a reparação concedida pela Previdência Social”.
Isso porque há uma Súmula (de nº 229) do Supremo Tribunal Federal enten- dendo que “a indenização acidentária não exclui a do direito comum, em caso de dolo ou culpa grave do empregador”.
Resumo
Avançamos em nosso conteúdo. Nesta aula pudemos aprender quais são as providências administrativas a serem tomadas no caso de acidentes de traba- lho. Também vimos quais são os prazos da garantia de emprego a que possui o acidentado, e descobrimos que a Previdência Social pode ajuizar uma ação
Figura 24.1:Previdência Social Fonte: http://www.previdencia.gov.br
cobrando as despesas das empresas, no caso de ter havido acidente de tra- balho. Com isso é possível concluir, mais uma vez, que a responsabilidade do técnico em segurança do trabalho é significativa.
Atividades de aprendizagem
Como você viu, a Previdência Social alterou a alíquota SAT em 2009. Sua mis- são é pesquisar como as empresas receberam essa modificação de critério.