responsabilidade civil III
Para continuidade de nossos estudos, lembramos que os pressupostos básicos da responsabilidade civil são resumidos no seguinte: É uma con-
duta humana ilícita, seja por ação ou omissão, intencional (do- losa) ou por culpa (negligência, imprudência ou imperícia), que cause um dano, e que entre tais requisitos, haja um nexo causal e uma pessoa civilmente responsável (imputabilidade).
De forma resumida:
• Primeiro Pressuposto: Conduta humana ilícita, por ação ou omissão, por dolo ou por culpa;
• Segundo Pressuposto: Existência de um dano;
• Terceiro Pressuposto: Nexo de causa entre a conduta e o dano.
7.1 Segundo pressuposto: existência de
um dano
O conceito de dano, para os estudiosos do Direito, não é muito harmônico. Entretanto, sabe-se que está intimamente ligado à ideia de prejuízo. Portan- to, nem sempre um ato ilícito poderá resultar em um dano, e por essa razão, parece-nos correto afirmar que não haverá a necessidade de reparação do dano se não houver um efetivo prejuízo.
Em relação à vítima, pode ser classificado como individual ou coletivo.
Em qualquer dos casos, será definido como dano material (como já expli- camos anteriormente, é aquele que se pode traduzir em uma quantia em dinheiro. Ex: quebrou o vidro, deverá providenciar outro) ou dano moral (de índole psicológica, ou seja, interna de um indivíduo, que atinge sua perso- nalidade).
7.2 Terceiro pressuposto: existência de
um dano
O nexo nada mais é do que o vínculo, a ligação que se dá entre a conduta ilícita do agente e o dano que o evento causou.
Nesse caso, não haverá vínculo quando o dano não tiver correlação com a conduta humana ilícita.
7.3 Imputabilidade
De maneira simplista, imputabilidade se traduz na possibilidade de se atri- buir a alguém alguma responsabilidade. E para tanto, será necessário verifi- car se essa pessoa possuir alguns requisitos pessoais mínimos. Para melhor exemplificar Venosa (2009, p.66) explica que:
Se o agente, quando da prática do ato ou da omissão, não tinha condi- ções de entender o caráter ilícito da conduta, não pode, em princípio, ser responsabilizado. Nessa premissa, importa verificar o estado mental e a maturidade do agente. Para que o agente seja imputável, exige-se- -lhe capacidade e discernimento. A imputabilidade retrata a culpabili- dade. Não se atinge o patamar da culpa se o agente causador do dano for inimputável.
No mesmo sentido arremata Lopes (2000, p.551) que a imputabilidade “de- fine-se como sendo determinação da condição mínima necessária a ser um fato referido e atribuído a alguém, como o autor do mesmo e com o objetivo de torná-lo passível das consequências”.
Pois bem, várias são as situações em que uma pessoa pode ser inimputável, dentre as quais destacamos: menores de 16 (dezesseis) anos de idade, os que não possuem o necessário entendimento.
Em regra, se o agente causador do dano não detiver imputabilidade, outra pessoa poderá por ele responder pelos prejuízos causados. Exemplo: o pai responderá pelo filho menor de idade, o empregador responderá pelos atos praticados pelos seus empregados, etc.
São exatamente os casos previstos no art. 932 do Código Civil Brasileiro:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e pre- postos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus
Por outro lado, “o incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pesso- as por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes” (Código Civil Brasileiro, art. 928). Essa exceção não é aplicável quando privar o incapaz, ou as pessoas que dele dependem, do necessário para sua sobrevivência.
Resumo
Nesta aula vimos os dois últimos pressupostos para a caracterização da res- ponsabilidade civil, que é o dano e o nexo causal existente entre ele e a con- duta humana ilícita (primeiro dos requisitos). Também foi possível conhecer o que é o instituto da imputabilidade, tema de grande relevância para a responsabilidade civil.
Atividades de aprendizagem
Leia a notícia a seguir e debata com seus colegas como fica a responsabilida- de do motorista de um automóvel que causar sério acidente de trânsito. No caso em questão, o motorista poderá ser considerado inimputável?
Figura 7.1: Bebida e direção Fonte: www.shutterstock.com
MOTORISTA EMBRIAGADO ENVOLVE-SE EM ACIDENTE DE TRÂNSITO. Em uma semana em que ocorreu a morte de três mo-
tociclistas, a Polícia registrou mais um acidente de trânsito envol- vendo uma moto e um carro. No final da tarde de quinta-feira, 26, por volta das 19h, a guarnição da viatura de prefixo [...] foi acio- nada pela sala de operações do 6º BPM para comparecer no bairro Getúlio Vargas, pois entre as ruas Quatro e Cinco teria ocorrido
um acidente de trânsito com lesões corporais. Chegando ao local, os PMs foram informados de que um motoboy transitava pela rua Quatro no sentido bairro/Centro e, ao entrar à direita na rua Cin- co, colidiu com o automóvel [...] que transitava na mesma rua, no sentido contrário, Centro/bairro, sendo que o motorista teria avan- çado na contramão. O motociclista fugiu do local do acidente, mas uma moça que estava na garupa da moto foi localizada quando estava sendo atendida no pronto socorro da Santa Casa. No local do acidente, os PMs notaram que o condutor do carro, E.L.S., de 39 anos, apresentava visíveis sintomas de embriaguez. Diante do fato, o motorista concordou em realizar o teste com o etilômetro, o qual apontou 0,98 miligrama de álcool por litro de sangue.