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Aconselhamento e dispensa de outros produtos de saúde

No documento Efeito do Bisfenol A a Nível Vascular (páginas 85-88)

Capítulo II – Experiência profissionalizante na vertente de Farmácia Comunitária: Farmácia

6. Aconselhamento e dispensa de outros produtos de saúde

Para além dos medicamentos, a farmácia também tem à disposição dos utentes uma vasta e variada gama de outros produtos de saúde, que constituem uma oportunidade de negócio rentável, dada a sua procura exponencial.

6.1. PRODUTOS DE DERMOFARMÁCIA, COSMÉTICA E HIGIENE

Os Produtos cosméticos encontram-se definidos no Decreto-Lei n.º 113/2010, 21 de Outubro como “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais” (11).

Estes produtos ocupam a maior parte da zona de atendimento da FA, tendo em conta a sazonalidade e as promoções que possam existir e estão armazenados por categorias consoante a sua marca e indicação.

Esta área foi outro dos grandes desafios no decorrer do meu estágio, pois não me senti minimamente preparada para prestar qualquer aconselhamento, devido à falta de conhecimentos sobre estes produtos. Contudo, o apoio constante das farmacêuticas da farmácia e a leitura de flyers e folhetos informativos das marcas vendidas na FA, fez com que eu me fosse familiarizando mais com os produtos existentes no mercado e com as respetivas indicações.

6.2. PRODUTOS PARA ALIMENTAÇÃO ESPECIAL E DIETÉTICA

O Decreto-Lei n.º 74/2010, de 21 de Junho, considera que os géneros alimentícios destinados a alimentação especial são “géneros alimentícios que, devido à sua composição especial ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos alimentos de consumo corrente, são adequados ao objetivo nutricional pretendido e comercializados com a indicação de que

correspondem a esse objetivo”. O produto dietético é definido no Decreto-Lei nº315/70 de 8 de Julho como um “produto de natureza alimentar que, possuindo valor nutritivo exclusivo ou predominante, se distingue dos géneros alimentícios correntes pela sua composição particular e para as modificações de ordem física, química ou biológica ou de outras resultantes do seu processo de fabrico e se destina a completar ou substituir parcialmente os alimentos habituais ou a satisfazer as necessidades nutritivas das pessoas, em que o processo normal de assimilação ou o metabolismo estejam perturbados” (12,13).

Esta categoria de medicamentos integra uma vasta e variada gama de produtos que visa corresponder às necessidades fisiológicas particulares de indivíduos sadios (ex. alimentação de mulheres grávidas, lactantes ou pessoas idosas), pessoas submetidas a esforços físicos não habituais (ex. desportistas) ou indivíduos que se encontram em condições metabólicas anormais e que necessitam de alimentação enriquecida ou empobrecida de determinado nutriente (12).

Durante o meu estágio constatei que os produtos mais solicitados são os dietéticos destinados à alimentação infantil, nomeadamente os leites, boiões de alimentos variados e papas.

6.3. FITOTERAPIA E SUPLEMENTOS NUTRICIONAIS (NUTRACÊUTICOS)

O Estatuto do Medicamento define produto fitoterapêutico, ou medicamento à base de plantas, como “qualquer medicamento que tenha exclusivamente como substâncias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas; uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas” (4). Os produtos fitoterapêuticos mais solicitados na FA destinam-se a problemas gastrointestinais associados a obstipação, de entre os quais, os mais procurados são Bioarga®, Tisana®, Moreno® e Fitos®.

Segundo o que está disposto no Decreto-Lei n.º 136/2003, de 28 de junho os suplementos alimentares são “géneros alimentícios que se destinam a complementar e ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, tais como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas e outras formas semelhantes, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida” (14). Dentro desta categoria, os produtos mais vendidos na FA é o Centrum®, Cerebrum®, Magnesio-B®, Magnesio-Ok®, maioritariamente procurados por estudantes ou idosos.

6.4. PRODUTOS E MEDICAMENTOS DE USO VETERINÁRIO (MUV)

Segundo o Decreto-Lei nº 148/2008, de 29 de julho, Medicamento veterinário é “toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doença em animais ou dos seus sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas” (15).

O Fundão é uma cidade localizada no meio rural, pelo que quando os utentes necessitam de medicamentos e/ou produtos veterinários para os animais que criam, dirigem-se frequentemente à farmácia. Os produtos mais solicitados são os desparasitantes internos e externos, as pilulas com vista à interrupção do cio e interrupção da lactação nas cadelas e gatas, Terramicina, coalho para o leite e algumas vacinas.

No momento da dispensa é essencial alertar o utente para a correta forma de administração e utilização dos mesmos. O farmacêutico deve ainda certificar-se de que o produto é adequado ao animal em questão, bem como ao peso e idade deste.

6.5. DISPOSITIVOS MÉDICOS

O Decreto-Lei n.º 145/2009, de 17 de Junho, define dispositivo médico como “qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo utilizado isoladamente ou em combinação, cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por esses meios, destinado pelo fabricante a ser utilizado em seres humanos para fins de diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença ou de uma lesão ou deficiência; estudo, substituição ou alteração da anatomia ou de um processo fisiológico; controlo da conceção” (16).

Os dispositivos médicos são classificados de acordo com critérios definidos pela Comissão Europeia em:

- Classe I: dispositivos de baixo risco;

- Classe IIa: dispositivos de médio baixo risco; - Classe IIb: dispositivos de alto médio risco; - Classe III: dispositivos de alto risco.

Esta classificação baseia-se nos potenciais riscos inerentes à utilização do dispositivo e os possíveis incidentes relacionados com as características e/ou funcionamento do mesmo, a

duração do contacto do dispositivo com o corpo humano, a invasibilidade do corpo humano e a anatomia afetada pelo uso do dispositivo.

Durante o estágio contactei diariamente com uma grande diversidade de dispositivos médicos, nomeadamente ligaduras, pensos, algodão, fraldas, meias de compressão, termómetros, seringas sem agulha, seringas com agulha, compressas, luvas, preservativos, entre outros.

No documento Efeito do Bisfenol A a Nível Vascular (páginas 85-88)