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I.IV Estrutura do trabalho

5.2 Bases do comércio internacional

5.2.4 Acordos

Em relação a apresentação dos acordos foi realizada uma divisão e, primeiramente, o GATT e suas Rodadas são apresentados. Em um segundo momento analisam-se os acordos realizados já no âmbito da OMC. Existem quinze acordos realizados nessa segunda etapa, contudo, somente serão analisados aqueles que guardam maior conexão e relevância ao tema tratado na dissertação, que são o Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias e o Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio.

Os acordos que também versam sobre barreiras não tarifárias e não serão tratados aqui são, a título de conhecimento: Acordo sobre medidas de investimentos relacionadas ao comércio, o Acordo sobre inspeção pré-embarque, o Acordo sobre compras governamentais, e o Acordo sobre direitos de propriedade intelectual relacionados ao comércio.

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5.2.4.1 Acordo Geral de Tarifas e Comércio – GATT

O GATT foi assinado em 1947, em Genebra, e vigorou de 1948 até 1995; à época de sua criação apresentava como objetivos o “grande desenvolvimento econômico; o pleno emprego; e a eficaz utilização dos recursos mundiais” (CAPARROZ, 2011, p. 122; 123). Havia menção expressa no GATT sobre a possibilidade da realização de Conferências Comerciais Multilaterais, envolvendo todos os signatários do Acordo; tais Conferências foram denominadas Rodadas e durante a vigência do GATT oito Rodadas foram realizadas.

O GATT é um acordo abrangente com o objetivo de eliminar a discriminação e reduzir tarifas e outras barreiras ao comércio de bens. É um dos acordos da OMC a tratar sobre tal forma de comércio não sendo, todavia, o único, dado que o Anexo 1 A do Acordo da OMC dispõe sobre diversos outros acordos sobre comércio de bens e o Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio é um deles (UNCTAD, 2003, p. 6). Em virtude da abrangência e da forma que foi utilizado, algumas distinções devem ser mencionadas. O Acordo assinado em 1947 foi encerrado em 1996 e, sua última alteração feita em 1965. Seus dispositivos, bem como os instrumentos legais celebrados durante sua vigência, foram integrados ao acordo de 1994 que versava sobre o mesmo tema, mantendo então a nomenclatura GATT (UNCTAD, 2003, p. 7).

Barreiras comerciais são questões inerentes ao Acordo, dado que uma de suas funções é regular o acesso ao mercado. Dessa feita, muitos dispositivos encontrados no documento versam sobre ambas formas de barreiras ao comércio internacional, e especificamente sobre as não tarifárias tem-se o artigo III e o artigo XXVII, alínea b (UNCTAD, 2003, p. 52).

Durante seus quarenta e sete anos de vigência o Acordo passou por fases que claramente representavam a evolução das negociações comerciais internacionais. De acordo com Caparroz (2011, p. 156; 157), é possível distinguir quatro fases durante o período de vigência do Acordo e, nessas fases ocorreram as Rodadas de negociações multilaterais. No total foram realizadas oito Rodadas que estão resumidas na Tabela 5.3. O auge da última Rodada foi, claramente, a assinatura do Acordo de Marraqueche, que cria a OMC (CAPARROZ, 2011, p. 141; 142).

139 Tabela 5.3: Resumo das Rodadas havidas no âmbito do GATT

Rodada Descrição

Rodada de Genebra – 1947 Países envolvidos: 23

Primeiro marco do Acordo; foram celebrados aproximadamente 45 mil acordos para a redução de tarifas. Rodada de Annecy – 1949

Países envolvidos: 13

Celebração de mais acordos sobre redução de tarifas. Treze novos países tornaram-se signatários do Acordo.

Rodada de Torquay – 1951 Países envolvidos: 38

O marco da Rodada foi o sepultamento definitivo da Carta de Havana frente a manifestação da desistência norte-americana em sua ratificação. O GATT se tornou a referência normativa para o comércio internacional.

Rodada de Genebra – 1956 Países envolvidos: 26

Houve mais acordos sobre reduções tarifárias e a admissão do Japão.

Rodada de Dillon – 1960 Países envolvidos: 26

Discussão do impacto da criação da Comunidade Econômica Europeia.

Rodada de Kenedy – 1964 Países envolvidos: 62

Mudança nos procedimentos de negociação para redução tarifária (país-a-país; produto-a-produto). Discussão sobre barreiras não tarifárias.

Rodada de Tóquio – 1973 Países envolvidos: 102

Redução de tarifas e assinatura de acordos plurilaterais (parciais).

Rodada do Uruguai – 1986 Países envolvidos: 123

Abordagem distinta, não focando somente em reduções tarifárias. Envolvimento de países subdesenvolvidos. Revisão dos artigos do GATT. Culminou com o sucesso da criação da OMC.

Fonte: CAPARROZ, 2011, p. 137; 142

5.2.4.2 Acordo sobre barreiras técnicas ao comércio

Em inglês Agreement on Technical Barriers to Trade, conhecido pela sigla TBT, o acordo versa sobre o estabelecimento de barreiras não tarifárias ao comércio internacional. É possível extrair sua essência do preâmbulo, que aduz:

Reconhecendo a importante contribuição que as normas internacionais e os sistemas de avaliação da conformidade podem fazer no sentido de melhorar a eficiência de produção e facilitar o comércio internacional e; Desejando, entretanto, assegurar que os regulamentos e normas técnicas, incluindo procedimentos para embalagem, para a marcação e rotulagem, requisitos e procedimentos para a avaliação da conformidade aos regulamentos técnicos e normas não criem obstáculos desnecessários ao comércio internacional (TBT, WTO, p.1).

Resta claro que o acordo objetiva o impedimento da criação de obstáculos desnecessários ao comércio internacional, consubstanciado nas barreiras não tarifárias. Dessa forma o acordo

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permite que os países estabeleçam normas com o intuito de garantir a manutenção da qualidade e assegurar a segurança de seus produtos e das transações comerciais. Todavia, tais medidas não podem ser arbitrárias ou injustificadas, devem ser embasadas e apresentar justa causa para sua aplicação (CAPARROZ, 2011, p. 177; 178). Insta, por fim, apontar que o acordo menciona medidas relacionadas tanto a regulações técnicas quanto a normas voluntárias, porém, sua aplicação não se estende às normas voluntárias privadas.

Ainda, respeitando o princípio da nacionalidade, a aplicação e desenvolvimento de regulamentos técnicos não permite que produtos estrangeiros sofram tratamento desfavorável do que aqueles concedidos aos nacionais similares. Importante ressaltar que as medidas contidas no TBT aplicam-se à todos os produtos, sejam industriais ou agropecuários, porém, não se aplicam a outras medidas contidas em outros acordos específicos, como é o caso das medidas sanitárias e fitossanitárias (CAPARROZ, 2011, p. 177; 178).

O acordo estabelece procedimentos para a realização da avaliação de conformidade por entidades governamentais (artigos 5 a 7) e por entidades não governamentais (artigo 8). No nono artigo está disposta a possibilidade da adoção de normas internacionais e do estabelecimento de sistemas de avaliação de conformidade com abrangência internacional (TBT, WTO, p. 9). Por fim, há o Comitê de Barreiras Técnicas ao Comércio que atua como um foro de consulta e, quando há a ofensa às regras dispostas pelo acordo, o sistema de solução de controvérsias é acionado (CAPARROZ, 2011, p. 178; 179).

5.2.4.3 Acordo sobre aplicação de medidas sanitárias e fitossanitárias

A OMC (OMC, 1998) introduz a problemática envolvendo as medidas sanitárias e fitossanitárias com uma indagação, descrita como segue: como garantir que os alimentos fornecidos aos consumidores de um país são seguros, em padrões considerados aceitáveis pelo país? E, ao mesmo tempo, como garantir que esses regulamentos relativos à saúde e segurança não são utilizados de forma protecionista?

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É neste cenário, então, que coloca-se o acordo SPS, conforme a sigla em inglês de Sanitary

and Phytossanitary Measures. Ele determina as regras básicas para a segurança de alimentos e para

as normas de saúde de animais e plantas, baseado sempre no conhecimento científico para que não haja arbitrariedade ou discriminação injustificada em seu estabelecimento. A OMC afirma que, por sua natureza, tais medidas podem configurar restrições comerciais, porém, de maneira alguma devem ser utilizadas de forma protecionista com o fito de prejudicar o comércio internacional (OMC, 1998).

Existe, no acordo, conforme Caparroz (2011, p. 176; 177) previsão de tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento, com aplicação de prazos mais longos para o cumprimento de obrigações e, também, o fornecimento de assistência para esses países. (CAPARROZ, 2011, p. 176; 177).