I- Enquadramento teórico: a Animação Sociocultural
3.2. Intervenção por sector e contexto institucional
3.2.4. Actividades desenvolvidas no Centro Social e Paroquial S Martinho de Bougado – Lar
Antes de iniciar o meu trabalho no Centro de Dia desta instituição, fui conhecer as suas instalações, bem como o material existente e fui apresentado pela minha tutora a uma funcionária do centro, que, após conversarmos, me informou que poderia ajudar na realização de trabalhos manuais alusivos ao Natal, isto porque, a instituição todos os anos e por esta época, costuma efectuar uma exposição para mostrar e vender os trabalhos realizados pelos utentes e, informou-me também de algumas dificuldades que os utentes tinham, muitos deles devido à doença de Alzheimer.
Neste centro, durante o período de estágio, estive presente às terças-feiras durante cerca de uma hora, das 11h00 as 12h00, posteriormente, e já durante o estágio, fui informado que iria acompanhar, no último mês, as aulas de ginástica e de Boccia (como indica o horário presente no Anexo II).
Tal como referido na instituição anterior, era importante conhecer o grupo com quem iria trabalhar, para que fosse mais fácil a minha interacção com este. Assim, optei por utilizar a mesma técnica que foi efectuada na apresentação do grupo do Muro de Abrigo, ou seja, a actividade com o novelo de lã e a do “enigma das folhas”, como primeira actividade na primeira semana17. Esta actividade foi realizada no pátio da instituição, onde cerca de trinta utentes se encontravam sentados virados uns para os outros; estavam mais cinco utentes presentes do que o normal, por ser a primeira vez que me encontrava no centro, o que suscitou curiosidade por parte destes. Durante a actividade estiveram presentes dois voluntários, para me auxiliar sempre que fosse necessário, o que por vezes acontecia, para me informarem acerca das dificuldades sentidas por cada utente.
Dado que o grupo era extenso e que alguns utentes tinham dificuldades auditivas, para realizar esta actividade optei por ir ao encontro de cada um, com o novelo, e fazer as perguntas junto deste, e ao fazê-lo reparei que alguns deles tinham dificuldade em lembrar-se da idade e da profissão que tiveram no passado. Ao longo da actividade, notei que, conforme as respostas que ia tendo, a maior parte das senhoras tinham sido domésticas ou tinham trabalhado na agricultura, já os senhores tinham trabalhado maioritariamente no ramo industrial.
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Por fim, terminada a actividade, estive à conversa com alguns dos utentes e apresentei a minha proposta18 da actividade que pretendia realizar na semana seguinte, bem como o material que iria precisar, à funcionária responsável. Esta, por sua vez, sugeriu que trouxesse algumas vezes, desenhos para colorir, dado que os utentes do centro de dia gostavam muito de pintar.
Pensei que estas duas actividades de apresentação que realizei não iriam correr muito bem, devido às dificuldades dos utentes que me foram apresentadas no primeiro dia, mas curiosamente correu bem e senti-me bastante à vontade com o grupo. Estas permitiram desenvolver o autoconhecimento de cada utente, bem como a interacção deste com o grupo.
Na segunda semana, quando me dirigi às instalações do centro de dia, os utentes encontravam-se sentados no pátio, por a sala de actividades estar ocupada e por isso acharam que seria a melhor maneira de efectuar a actividade, mas para que esta pudesse ser feita, eram necessárias algumas mesas, pelo que tive de colocá-las ao pé dos utentes, juntamente com a ajuda de alguns voluntários. Apesar disso, e dadas as condições que na minha opinião não eram as mais favoráveis, deu-se inicio à actividade19 que tinha proposto à responsável na semana anterior, ou seja, a realização de uma capa arquivadora. Ao longo da actividade, apercebi-me que a elaboração desta estava a ser um pouco complexa para o grupo, visto que, alguns deles estavam a sentir dificuldades no recorte das cartolinas, e como não conseguia auxiliá-los todos ao mesmo tempo, optei então por distribuir alguns desenhos a alguns elementos do grupo para colorirem, terminando as capas arquivadoras com os restantes.
Os utentes ficaram agradados pela solução que lhes apresentei e por estarem a pintar. Um facto que achei curioso foi que alguns elementos gostavam de ter a minha opinião sobre qual a cor que deviam utilizar, não pintado outras partes do desenho sem me consultarem, ao que eu dizia que podiam pintar com as cores que mais lhes agradassem, porque o mais importante era que estivessem a gostar do que estavam a fazer e que lhes permitia desenvolver a criatividade e a destreza manual. Alguns dos trabalhos realizados encontram-se ilustrados na figura 16.
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Proposta presente no apêndice 16.
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Ao longo das actividades os utentes estavam, um pouco, descontentes por sentirem frio. Penso que esta actividade, devido ao que mencionei anteriormente e ao que tinha previsto, não correu da melhor forma, mas apesar disso achei que, perante as dificuldades sentidas pelo grupo no inicio, tive a capacidade de apresentar uma alternativa, que foi ter levado os desenhos para coloriram.
No fim, e tal como na semana anterior, entreguei a proposta20 da actividade seguinte, juntamente com o material necessário, à funcionária responsável, que me informou que não iria conseguir arranjar todo aquele que precisava, informando-me também que na semana seguinte, por ser feriado dia 5 de Outubro de 2010, não iria ser necessária a minha presença na instituição.
Chegada a terceira semana de estágio, a minha actividade21 foi realizada nas sala de actividades com todas as condições necessárias à mesma, e onde os utentes se encontravam sentados e dispostos ao longo de algumas mesas. De seguida, coloquei o material necessário ao pé de cada utente, expliquei em que consistia a actividade, e tal como nas actividades anteriores, mostrei qual seria o resultado final. Importa referir que as actividades efectuadas pelos utentes, eram previamente elaboradas por mim, para que no dia pudesse mostrar qual o resultado final.
Durante a realização desta actividade, dirigi-me a cada um dos utentes, perguntado se precisavam da minha ajuda, ao que alguns respondiam que sim. As dificuldades incidiram-se maioritariamente no inicio, quando foi necessário colocar água nos frascos, pois alguns
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Ver proposta no apêndice 17.
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Plano da actividade presente no apêndice 18.
Figura 16 - Alguns dos trabalhos efectuados (Fonte: Própria)
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utentes tremiam, e no fim, quando foi para colocar um fio de ráfia em torno da tampa deste, devido à falta de força.
A actividade não foi totalmente terminada, como mostram as figuras presentes no apêndice 18, porque estava na hora da refeição dos utentes, onde ficaram por colocar as pétalas no cimo dos frascos, o que foi efectuado na semana seguinte.
Chegada a quarta semana, e como referido anteriormente, o grupo juntou-se na sala de actividades onde terminaram a actividade anterior, para tal dispus as pétalas junto de todos os elementos, onde o objectivo era colar uma no topo de cada frasco. No decorrer deste exercício22, estive sempre à conversa com os utentes e reparei por sinal que alguns deles eram um pouco “preguiçosos”, pois estavam sempre a dizer que não eram capazes de concluir a actividade. Nesta situação dirigi-me a cada um, pedindo para este fazer a actividade e dizendo que seria capaz, o que na minha opinião, me fez pensar que estes precisavam de um pouco de atenção.
Apesar disso, de uma forma geral, a actividade correu bem e os utentes gostaram de ver as bolas de gelatina a crescer no interior de cada frasco. Permitiu assim que estes desenvolvessem a sua habilidade manual. As figuras presentes no apêndice 19 demonstram o resultado final da actividade.
Esta actividade terminou mais cedo do que a hora normal, como tal perguntei ao grupo se pretendia começar a actividade seguinte, já preparada, ao que responderam que não valia a pena, optei então por ocupar o restante tempo para conhecer melhor os utentes, perguntando sobre o que gostavam mais de fazer, se tinham netos, entre outras questões.
No fim, alguns utentes ajudaram-me a arrumar o material que restava da actividade e estivemos um pouco à conversa, onde depois me dirigi à funcionária responsável pelo sector, para entregar a proposta23 para a actividade da semana seguinte.
Nesta semana, e a quinta do meu estágio, aquando a chegada à instituição, alguns dos utentes perguntaram-me se sempre iriam fazer saquinhos perfumados24, uma vez que lhes tinha informado sobre tal na semana anterior. Depois de lhes confirmar, coloquei o material (algum fornecido pela instituição e o restante por mim) junto de cada elemento do grupo, e
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Plano do exercício presente no apêndice 19.
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Proposta presente no apêndice 19.
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individualmente elaboraram os saquinhos. Durante a actividade ajudei o grupo em todas as etapas, onde pude constatar que na última, em que era necessário fazer um nó ao fio que fechava o saquinho, alguns dos utentes sentiram dificuldades, pelo que os incentivei e os tentei animar, fazendo com que concluíssem os saquinhos. Esta actividade permitiu, para além de cada um superar o pessimismo e a falta de capacidade, desenvolver a habilidade e a técnica manual do grupo.
Para que esta se tornasse mais animada, desafiei alguns dos utentes a cantar músicas conhecidas e do seu tempo, ao que alguns participaram de forma animada. Esta actividade foi realizada em duas semanas (na quinta e na sexta semana), pois na primeira, a funcionária responsável visualizou o desenvolvimento e o resultado da actividade realizada e sugeriu que fossem feitos mais saquinhos, uma vez que são produtos que iriam agradar os visitantes da exposição. Sendo assim, a proposta apresentada para realizar uma outra actividade, ficou válida para a sétima semana. O resultado final das duas semanas encontra-se no apêndice 20.
Na sétima semana de estágio, que me dirigi ao centro de Dia do Lar Padre Joaquim Ribeiro, comemorava-se o dia de S. Martinho, e como tal, decidi levar alguns desenhos alusivos a este dia e ao Outono25, para que os utentes pudessem colorir, uma vez que a responsável me tinha informado que esta era uma das actividades que o grupo mais gostava de fazer.
Durante a actividade os utentes pediam a minha ajuda para saberem quais as cores que utilizavam para colorir os desenhos, ao que lhes dizia para pintarem conforme queriam. Também auxiliei uma senhora de 92 anos a pintar o seu desenho, pois encontrava-se triste e afirmava que não conseguia pintar. Alguns utentes pintaram mais do que um desenho, no entanto houve outros que não conseguiram acabar de pintar o seu, terminando-o depois do almoço, o que aconteceu com um senhor, que me informou que iria terminar o seu desenho assim que terminasse de almoçar e me avisou antes da aula de ginástica, que já o tinha concluído. Ao fim da actividade, entreguei a minha proposta26 para a semana seguinte, à funcionária responsável, para que tivesse conhecimento e para que pudesse arranjar e disponibilizar os materiais necessários. Algumas imagens desta actividade bem como alguns exemplos dos desenhos coloridos encontram-se no apêndice 21.
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Plano da actividade no apêndice 21.
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Na oitava semana de estágio, a actividade foi realizada no bar do Lar, uma vez que a sala de actividades se encontrava ocupada. Foram colocadas as cadeiras e as mesas, de forma a que o grupo estivesse junto para realizar a actividade, e os materiais em cima das mesas. Devido ao facto deste local se encontrar no piso de baixo, apenas participaram os utentes com mais mobilidade o que levou a que participasse um menor número do que o habitual.
Iniciada a actividade27, esta consistia em elaborar postais de Natal. Para isso, comecei por “dividir” o grupo, organizando-o consoante as suas capacidades, isto é, os que melhor recortavam, os que melhor dobravam, que eram na sua maioria do sexo masculino; os restantes, na sua maioria mulheres, pintavam. À medida que os desenhos ficavam terminados, estes eram colados nas cartolinas previamente cortadas e dobradas, que assumiam diferentes formas e cores. Esta actividade permitiu que o grupo trabalhasse em conjunto e que desenvolvesse algumas das suas capacidades, entre elas a criatividade e a imaginação, uma vez que os postais eram decorados consoante o gosto de cada um dos utentes. O resultado final pode ser visto no apêndice 22.
Por fim, foi entregue da minha parte à funcionária, a proposta28 para a actividade da semana seguinte.
Na penúltima semana, em que estive no Centro de Dia, realizei mais uma actividade29 para ser exposta, juntamente com as outras já efectuadas, na exposição que viria a ser realizada. Esta consistia em elaborar pequenos blocos de notas, onde cada um continha uma letra do abecedário, que era feita a partir de materiais como o feijão. Esta suscitou algumas dificuldades ao grupo, devido ao facto de a cola líquida se colar aos dedos e de o feijão utilizado ser pequeno. Apesar disso, a execução desta actividade proporcionou ao grupo o desenvolvimento da precisão manual e das suas aptidões técnico-manuais, assim como o convívio entre todos os elementos, uma vez que a boa disposição se instalou ao longo de toda a actividade, onde alguns dos elementos cantaram.
Ao fim, uma das senhoras do grupo, informou-me que ainda não tinha terminado o postal que tinha começado a fazer na semana anterior, ao que disse para não se preocupar e na próxima semana, tanto os postais como os blocos de notas seriam terminados.
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Plano da actividade presente no apêndice 22.
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Proposta presente no apêndice 22.
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Tal como referido anteriormente, a última semana de estágio, permitiu ao grupo concluir os trabalhos que anteriormente não foram terminados30 (figura 17). O grupo reuniu- se no bar da instituição, uma vez que não foi possível abrir a sala de actividades, o que levou a que o número de elementos fosse menor, uma vez que só alguns deles é que tinham mobilidade para se dirigir para este lugar (figura 18).
Ao grupo juntou-se um novo elemento, tinha chegado no dia anterior à instituição e estava sempre aborrecido, o que, na minha opinião, era devido ao facto de ainda não estar familiarizado às pessoas nem à instituição. Durante a actividade, como este falava muito alto, alguns dos elementos do grupo não gostava, o que os levava a fazer comentários depreciativos. Ao ver a situação, expliquei ao grupo que o novo colega precisava de apoio e de ajuda para se integrar. Neste dia, dei um pouco mais de atenção ao novo elemento do grupo para tentar integrá-lo no mesmo, o que foi um pouco difícil ao início, uma vez que este não queria participar nas actividades. Depois de alguma insistência, consegui que colocasse as barbas numa imagem do pai natal de um postal, o que achou engraçado, mostrando vontade de fazer mais.
Nesta instituição, penso que todos os utentes ficaram satisfeitos com o meu trabalho, isto porque todos eles puderam participar das mais diversas formas, achando-se úteis de
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Plano da actividade presente no apêndice 24.
Figura 18 - Grupo de trabalho (Fonte: Própria)
Figura 17 - Alguns trabalhos terminados (Fonte. Própria)
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alguma forma. Isto deveu-se talvez ao facto de ter planeado actividades simples, onde tive em atenção as capacidades do grupo, e por isso penso que qualquer pessoa as poderia fazer.
No último mês, e como referido anteriormente, estive a acompanhar as aulas de ginástica, realizadas com a Professora Neusa com os utentes do Centro de Dia. Estas tinham lugar num espaço dedicado à ginástica, no Lar Padre Joaquim Ribeiro, às terças-feiras, das 15h às 16h31.
Estas aulas de ginástica assumem um papel bastante importante, em todos os utentes, mas para que estes possam desfrutar de uma vida saudável, é necessário que tenham independência, e é na actividade física que realizam no Centro de Dia, que a encontram, é esta que lhes permite participar num processo social de convivência de modo a que mantenham boas condições físicas, para uma melhor qualidade de vida.
A prática de exercício físico neste grupo, não só é importante para melhorar a condição física deste, mas também é um bem necessário para fugir à depressão e conviver socialmente. Sempre que respeitado nas suas condições e nos seus limites, este reage de uma forma muito positiva e participativa à actividade física, o que acontecia aquando a realização destas actividades, onde era iniciada por mim e pela Professora Neusa, na maioria das vezes na sala de convívio, uma conversa com todo o grupo de utentes, para que o pudéssemos motivar à prática de exercício e para que estes participassem nas actividades que iriam ser realizadas. Eram dadas também algumas informações acerca do corpo e das capacidades de cada um para que este tivesse essa noção e aprendesse a lidar com a mudança do mesmo, tirando proveito de sua condição física e com isso, prevenindo e mantendo a sua autonomia plena, pois, e como cita Jacob (2007: 54), com a idade estas capacidades vão-se perdendo, chegando ao ponto de se perder o próprio esquema corporal. É possível ajudar o idoso a readquirir estas competências e a prevenir o seu declínio, com exercícios psicomotores, assim como com actividades de estimulação sensorial.
Para o desenvolvimento das capacidades perdidas pelos utentes, aplica-se um esquema de exercícios a serem realizados por estes, o que foi efectuado no Centro de Dia e que se encontram presentes no apêndice 25, de forma detalhada. Todos estes exercícios são importante para cada elemento do grupo, uma vez que, e como menciona Jacob (2007: 54) o exercício físico regular pode aumentar a força muscular e a resistência muscular, aumentar a flexibilidade, aumentar o fluxo sanguíneo para os músculos, diminuir lesões musculares, melhorar a coordenação e promover o convívio.
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Apesar de participarem nas actividades físicas propostas, reparei que o grupo de utentes preferia ficar acomodado nos sofás e cadeiras, sendo poucos os elementos que se dirigiam ao espaço da actividade, por vontade própria. Por este motivo, e como já referido, eu e a Professora, iniciávamos um diálogo para que estes se motivassem. A música, por vezes também estava presente na realização das actividades, para que os utentes se divertissem e fizessem com maior facilidade os exercícios propostos. Neste centro de dia, participei nos exercícios, ajudei a Professora na realização dos mesmos e na exemplificação destes, na movimentação dos utentes, auxiliando-os também a fazer os exercícios propostos. Estes tinham como objectivo trabalhar os membros superiores, inferiores e o tronco, como demonstram as imagens presentes no apêndice 25. Para a realização destes exercícios, muitas das vezes eram utilizados diversos materiais, entre eles bolas de borracha.
Para além das dificuldades físicas que estes utentes têm, reparei que estes realizavam os exercícios com muita roupa, o que dificultava alguns movimentos ao longo da actividade. Nesta, também se tentava que os utentes com menor dificuldade ajudassem os de maior, fazendo com que estes interagissem e convivessem.
Após as actividades físicas que os utentes realizavam e que foram já referidas, estes dirigiam-se ao espaço das refeições para lancharem. Enquanto decorria o lanche, aproveitava para preparar o recinto onde iria ser realizada a sessão de Boccia, posicionando as cadeiras e o material nos devidos lugares, bem como as cadeiras para as pessoas da instituição que assistiam. Ao fim, por volta das 16h20, e enquanto o Professor Cândido, que iria realizar a actividade, não se encontrava no local, reencaminhava os utentes para o espaço, ajudando-os a prepararem-se para o jogo. Neste eram formados pequenos grupos, onde jogavam seis elementos de cada e durava cerca de uma hora.
Na primeira semana, e antes de ser dado inicio ao primeiro jogo, o Professor explicou ao grupo como funcionava o jogo e quais os seus objectivos (apêndice 26), seguindo para a prática, onde nas semanas seguintes coordenei o jogo, juntamente com o Professor. Este, inicialmente, era apenas direccionado para pessoas com paralisia cerebral, mas, posteriormente, foi adaptado para pessoas de terceira idade, sob forma de lhes proporcionar um misto de desporto e de convívio, permitindo-lhes deste modo um envelhecimento activo.