de combustível, um comportamento apregoado pela economia ecológica. Assim, se continuadas as práticas atuais na agroenergia, é de esperar aumento da oferta de óleo de dendê e de biodiesel produzido a partir dessa fonte de matéria-prima.
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Recebido para publicação em 26.04.2010.
Eficiência Tributária dos Estados Brasileiros Mensurada com um Modelo de Fronteira
Estocástica Geograficamente Ponderada
DOCUMENTOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS
Rogério Boueri Miranda
Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília;
Mestrado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas;
Doutorado (Ph.D.) em Economia pela University of Maryland College Park;
Professor da Universidade Católica de Brasília;
Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - DF.
Alexandre Xavier Ywata de Carvalho (Ph.D.)
Engenheiro Mecânico-aeronáutico pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA);
Especialização em Engenharia de Armamento Aéreo pelo ITA;
Mestrado em Estatística pela Universidade de Brasília (UnB);
Doutorado (Ph.D.) em Estatística pela Northwestern University;
Coordenador de Métodos Quantitativos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - DF.
Fernanda Rocha Gomes da Silva
Graduação em Matemática pela Universidade Federal de Goiás;
Mestrado em Matemática;
Cursando Doutorado em Economia pela Universidade Católica de Brasília;
Consultora no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - DF.
RESUMO
Desenvolve e aplica a metodologia de Fronteira Estocástica Geograficamente Ponderada (FEGP) para examinar a eficiência tributária dos estados brasileiros.
Os coeficientes estimados pelo método FEGP situaram-se próximos da estimação tradicional de fronteira estocástica, permitindo, contudo, a apreciação das suas variações geográficas. Detecta que os estados da região Sul têm, bem como Rio de Janeiro e São Paulo, uma maior elasticidade dos tributos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) estadual. Estes estados também apresentaram produtividade relativamente maior com relação ao setor terciário, enquanto os estados do Norte mostram maior produtividade relativa no setor secundário. A produtividade tributária do setor primário cresce de leste para oeste. Na comparação entre os setores, o setor de serviços foi o que apresentou maior produtividade tributária em todos os estados considerados. O total de incremento potencial da arrecadação tributária estadual em 2006 foi estabelecido em R$ 39,6 bilhões, sendo que os estados mais beneficiados de tal acréscimo seriam, em ordem, Rio de Janeiro (R$ 9,3 bilhões), São Paulo (R$
8,4 bilhões) e Santa Catarina (R$ 3,8 bilhões).
PALAVRAS-CHAVE
Tributação. Governos Locais.
1 – INTRODUÇÃO
Países federativos estão sujeitos a ineficiências geradas por comportamento oportunístico de suas diferentes esferas de governo, caso não existam regras e instituições adequadas que estimulem a cooperação.
Se, por um lado, os governos federais têm incentivos a diminuir as bases que são repartidas com os
governos subnacionais e criar despesas que impactam estes últimos, por outro, os governos locais muitas vezes agem como free-riders, criando dívidas não-sustentáveis ou colocando-se em outras situações que impelem o governo federal a resgatá-las.
Uma destas situações diz respeito à exploração adequada, por parte dos governos subnacionais, de suas bases tributárias. Em um sistema federativo, no qual existem transferências intergovernamentais, em muitos casos, os governos locais podem preferir a dependência destas receitas de transferências ao exercício adequado do seu poder de tributação sobre os seus cidadãos, que também são seus eleitores. Dessa forma, as bases tributárias de jurisdição local ficam pouco exploradas, enquanto aquelas de jurisdição federal começam a ser superexploradas, com o intuito de financiar as transferências intergovernamentais.
Portanto, uma medida de esforço tributário para os governos locais poderia servir para aferir se estes estão desempenhando, de forma coerente, os seus poderes de tributação. Tal medida poderia também servir para balizar o sistema de transferências intergovernamentais, bem como diversos outros programas de ajustes fiscais e de investimento federal.
Um problema que surge com as medidas
tradicionais de esforço tributário, em especial quando a medida adotada é a carga tributária, é o de que as bases potenciais de arrecadação são desprezadas. Isso porque, em regiões com bases tributárias distintas, é de esperar não só arrecadação diferente mas também cargas tributárias díspares. Por exemplo, os diversos setores econômicos podem apresentar potenciais distintos quanto à geração de tributos. Então, duas localidades que tenham o mesmo Produto Interno Bruto, mas com composições setoriais diferentes, tenderão a apresentar potencial tributário distinto.
Além disso, aspectos regionais também afetam
este potencial de arrecadação e muitas destas características não têm como ser integralmente captadas pelas variáveis explicativas disponíveis, uma vez que a necessidade de tais variáveis pode até esgotar os graus de liberdade estatísticos necessários à estimação.
O tema da potencialidade tributária começou a ser conduzido de forma específica por Lotz e Mors (1970), que utilizaram as diferenças entre valores atuais e valores estimados da carga tributária, com o propósito de efetuar comparações de esforço fiscal entre países. Em seguida, Bahl (1971) utilizou um modelo de regressão tradicional especificamente para a determinação da arrecadação tributária potencial. Já Chelliah; Baas e Kelly (1975) encontram uma relação negativa entre o grau de abertura da economia e a arrecadação potencial dos países em desenvolvimento, sugerindo que o protecionismo possa ter relação com o ímpeto arrecadador de certos governos nestas nações.
Para o caso brasileiro, existem os trabalhos de Ribeiro (1998) e Schwengber e Ribeiro (1999), que utilizam o modelo de fronteira estocástica para medir o impacto das transferências intergovernamentais sobre o esforço tributário dos receptores. Além disso, Piancastelli (2001) e Piancastelli; Boueri e Vasconcelos (2004) utilizam dados em painel para tentar determinar os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal sobre o esforço tributário dos estados brasileiros.
Este trabalho visa incorporar estes aspectos no modelo de estimação para a determinação do potencial tributário dos estados brasileiros. Para tanto, utilizará um modelo de Fronteira Estocástica que permitirá a inclusão da composição da base tributária de cada Unidade Federativa. Além disso, tal fronteira será estimada com um processo de ponderação geográfica, o qual permitirá que os coeficientes estimados possam absorver as variações regionais existentes em um país tão extenso e diverso, como é o Brasil.
Com esse objetivo, este artigo se divide em cinco seções, incluindo esta introdução. Na segunda, a arrecadação de impostos é caracterizada como o produto de uma função de produção tributária geograficamente diferenciada. A terceira parte trata da metodologia do processo de estimação.
Nela, são abordadas tanto a técnica de estimação da fronteira estocástica como aquela referente à ponderação geográfica dos coeficientes. Na quarta seção, são apresentados e discutidos os resultados das estimações e a quinta seção conclui e sugere extensões.