Relatora - Desa. Vera Andrighi Sexta Turma Cível
EMENTA
AGRAVO DE INSTRUMENTO. REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS. ANTECIPAÇÃO DA TUTELA. GENITOR CONDENADO EM PROCESSO CRIMINAL POR CRIME DE SEQUESTRO CONTRA A GENITORA. MEDIDAS PRO- TETIVAS. MENOR COM 03 ANOS DE IDADE. MUDANÇA DO GENITOR PARA GOIÂNIA/GO.
I - O casal não tem mais relacionamento sequer amistoso, o que dificulta acordo sobre regulamentação de visitas. A animosidade está demonstrada nas atitudes do agravado-autor, em razão do processo de sequestro e cárcere privado contra a agravante-ré. II - A criança só tem 03 anos de idade, o que por si só justifica a visita exclusivamente diurna e acompanhada. Por essas razões, bem como pela proibição imposta ao agravado-autor de não se aproximar da agravante-ré no local de seu trabalho ou em sua residência, as visitas serão fixadas em domingos alternados, entre às 13h e 18h, em local a ser definido pela agravante-ré e mediante acompanhamento de familiares, os quais deverão ser indicados em Juízo.
III - Agravo provido.
ACÓRDÃO
Acordam os Senhores Desembargadores da 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Vera Andrighi - Relatora, Ana Maria Duarte Amarante Brito - Vogal, Jair Soares - Vogal, sob a presidência da Senhora Desembargadora Vera Andrighi, em proferir a seguinte decisão: conhecido. Deu-se provimento. Unânime, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.
Brasília (DF), 19 de outubro de 2011.
RELATÓRIO
L. R. S. interpôs agravo de instrumento da r. decisão (fls. 24/5) que, na ação de regulamentação de visitas ajuizada por M. M. A., fixou provisoriamente os dias e horários das visitas paterna ao menor I. M. S., nos seguintes termos e no que importa:
“(…)
Ante o exposto, concede ao requerente o direito de visitas ao seu filho; em consequência, fixo o direito de visitas a ser exercido por ele, provisoriamente, aos sábados e domingos, quinzenalmente, podendo retirá-lo do lar materno às 08 (oito) horas de sábado e devolvê-lo até as 19 (dezenove) horas de domingo, bem como tê-lo em sua companhia nos períodos de férias escolares na primeira quinzena de julho e de janeiro como também no dia dos pais, independentemente de ser dia de visita, no horário compreendido entre 08hs e 18hs, até decisão final.”
A agravante-ré esclarece que desde novembro/10 não detém vínculo afetivo com o agravado-autor e que esse não possui contato com o filho em comum há três meses e meio. Relata que foi vítima de sequestro do agravado-autor que, não se conformado com a ruptura da união entre o casal, levou-a abruptamente de seu local de trabalho até a Ponte JK/DF e ameaçou cometer suicídio. Narra que o agravado-autor foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada em razão dos fatos. Diz que, atualmente, o agravado-autor está cumprindo as condições da suspensão processual. Afirma que o agravado-autor se mudou para Goiânia/GO, causando distanciamento entre pai e filho.
Nesses termos, requer a concessão de efeito suspensivo; e, no mérito, a reforma da r. decisão para que as visitas sejam fixadas apenas em domingos alternados, das 13h às 18h, devidamente acompanhadas por membros da família.
Recurso isento de preparo.
Deferi efeito suspensivo parcial à r. decisão, até o julgamento final, para que as visitas ocorram em domingos alternados entre às 13h e 18h, em local a ser definido pela agravante-ré, mediante acompanhamento de membros de sua família, os quais deverão ser indicados em Juízo.
O agravado não apresentou contrarrazões (fl. 60).
A Exma. Procuradora de Justiça Eline Levi Paranhos exarou o r. parecer (fls. 65/8), no qual oficia pelo conhecimento e provimento do recurso para que as visitas ocorram em domingos alternados entre as 13h e 18h, em local a ser definido pela agravante mediante acompanhamento de membros de sua família.
É o relatório.
VOTOS
Desa. Vera Andrighi (Relatora) - Conheço do agravo de instrumento,
O agravado ajuizou ação de regulamentação de visitas contra a agravante almejando a fixação de dias e horários para visitar seu filho menor, I. M. S., de apenas 03 anos de idade. Requer que as visitas se deem em sábados e domingos alternados, das 8h do sábado até às 19h do domingo, durante os primeiros quinze dias das férias escolares (janeiro/julho), nas festividades de fim de ano e no dia do aniversário do menor de forma alternada e, por fim, no dia dos pais e do aniversário do genitor, com ele (fls. 12/3).
Em antecipação da tutela, o i. Magistrado a quo fixou as visitas da seguinte forma, in verbis:
“(…)
Ante o exposto, concede ao requerente o direito de visitas ao seu filho; em consequência, fixo o direito de visitas a ser exercido por ele, provisoriamente, aos sábados e domingos, quinzenalmente, podendo retirá-lo do lar materno às 08 (oito) horas de sábado e devolvê-lo até as 19 (dezenove) horas de domingo, bem como tê-lo em sua companhia nos períodos de férias escolares na primeira quinzena de julho e de janeiro como também no dia dos pais, independentemente de ser dia de visita, no horário compreendido entre 08hs e 18hs, até decisão final.”
Ao argumento da periculosidade do agravado-autor, uma vez que foi condenado pelo crime de sequestro contra a agravante-ré, pretende-se a reforma das visitas a fim de monitorá-las por meio de familiares, bem como coibir o pernoite. Afirma- se, ainda, que a criança e o pai não se veem há mais de três meses e que o genitor se mudou para Goiânia/GO.
Com razão a agravante-ré.
O agravado-autor foi denunciado no dia 10/08/10 pelo cometimento da infração penal de sequestro contra a agravante-ré, nos termos do art. 148, caput do CP e na forma do art. 5º, inc. III, da Lei 11.340/06, e sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia 03/08/10 pelo 2º Juizado Especial Cível e Criminal e 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Samambaia/DF (fls. 44/4).
Demais disso, foram aplicadas medidas restritivas ao agravado-autor a fim de preservar e garantir a integralidade física e psicológica da agravante-ré, a saber: a) proibição da aproximação da ofendida e dos filhos dela, devendo aguardar uma distância mínima de 200 (duzentos) metros; b) proibição de contato com a ofendida por qualquer meio de comunicação; c) proibição de frequentar o local de trabalho e a residência da vítima; d) suspensão de visitas aos dependentes menores (fls. 46/7).
Por fim, a proposta de suspensão processual ao agravado-autor pelo Ministério Público foi recebida pelo i. Magistrado a quo, mediante as devidas condições, e a proibição de contato com menor foi revogada (fls. 48/9).
Há, ainda, declaração neste agravo de instrumento de que o agravante-autor se mudou para a cidade de Goiânia/GO no dia 14/03/11 por motivo de trabalho (fl. 35). Nesse contexto, revela-se que o casal não tem mais relacionamento sequer amistoso, o que dificulta acordo sobre regulamentação de visitas. A animosidade está demonstrada nas atitudes do agravado-autor, em razão do processo de sequestro e cárcere privado contra a agravante-ré; além de, durante a vida em comum (na casa da mãe da agravante), ter ocorrido várias agressões físicas.
Não obstante esses fatos graves, a criança só tem 03 anos e 03 meses (fl. 20), o que por si só justifica a visita exclusivamente diurna e acompanhada. Por essas razões, bem como pela proibição imposta ao agravado-autor de não se aproximar da agravante-ré no local de seu trabalho ou em sua residência, as visitas serão fixadas em domingos alternados, entre às 13h e 18h, em local a ser definido pela agravante-ré e mediante acompanhamento de familiares, os quais deverão ser indicados em Juízo.
Nesse sentido oficiou a d. Procuradora de Justiça Eline Levi Paranhos no parecer de fls. 65/8, a qual peço licença para transcrever como razões de decidir, no que importa, in verbis:
“Com efeito, o deferimento de tutela antecipada nos moldes estabelecidos na ação de regulamentação de visitas, é indicativo de situação de risco ao menor em razão de sua faixa etária e das atitudes descompensadas praticadas por seu genitor.
Note-se pela vasta documentação acostada aos autos que a convivência entre os genitores tornou-se impossível, haja vista a ocorrência de várias agressões físicas, conforme se vê na denúncia às fls. 34 a 37 e no Inquérito nº 2010.09.1.015712-9, que deter- minou ao indiciado/agravado, dente algumas medidas protetivas, que não se aproximasse do local de trabalho e da residência da vítima/agravante (fls. 46-v e 49).
(...)
Diante desse quadro, tendo como preponderante o resguardo do interesse superior da criança, deve ser reformada a decisão, até a finalização da dilação probatória em primeiro grau, secundada pelo inafastável estudo psicossocial forense.”
Isso posto, conheço do agravo de instrumento e dou provimento para fixar as visitas do genitor M. M. A. à seu filho I. M. S. em domingos alternados, entre às
13h e 18h, em local a ser definido pela agravante-ré e mediante acompanhamento de familiares, os quais deverão ser indicados em Juízo. Intime-se a agravante-ré para que informe o local e os acompanhantes das visitas.
É o voto.
Desa. Ana Maria Duarte Amarante Brito (Vogal) - Com o Relator. Des. Jair Soares (Vogal) - Com o Relator.
DECISÃO
Conhecido. Deu-se provimento. Unânime.