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Agricultura itinerante

No documento IDAM Técnico em Agropecuária - Agrícola (páginas 108-111)

QUIABO Abelmoschus esculentus (L.) Moench

4. Agricultura itinerante

A agricultura itinerante é um modo de dizer que o método A é melhor que o método B utilizados na agricultura. Consiste em atear fogo na mata, a queimada, para então seguir com o destocamento e semear a terra. Quando a área cultivada esgota-se, outra área é procurada. É aplicada em áreas de agricultura descapitalizada. A produção é feita em pequenas e médias propriedades, como também em grandes latifúndios. Os indígenas a utilizam amplamente.

Possui como características:

- Ao não fazer uso das técnicas corretas de manuseamento como: adubar e construir trechos de água, somados a ação das chuvas ou da falta destas, a terra poderá vir a esgotar-se de uma maneira mais

rápida e levar o agricultor a abandoná-la e usar o método em outra área, o que pode fazer com que tudo torne a acontecer, acarretando em mais desmatamento intenção de fazê-lo, pois como o nome sugere, itinerante, mudar, trocar de lugar.

- Manuseio por mão-de-obra familiar e uso de técnicas tradicionais e rudimentares.

- Alimentos mais produzidos: milho, nabo, mandioca, inhame, rabanete, etc.

- Essa técnica é amplamente conhecida apenas em países em desenvolvimento (PED), localizados na África.

O Arado é um instrumento que serve para lavrar (arar) os campos, revolvendo a terra com o objetivo de descompactá-la e, assim, viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes das plantas. Expõe o subsolo à ação do sol, ajudando a aumentar a temperatura e apressar o degelo. Também enterra restos de culturas agrícolas anteriores ou ervas daninhas porventura existentes. Melhora ainda a infiltração de água no solo e a aeração, além de realizar a construção de curvas de níveis. É uma das etapas agrícolas que antecede a semeadura. Além desse objetivo primacial, a aração permite um maior arejamento do solo, o que possibilita o desenvolvimento dos organismos úteis, como as minhocas, além de, alguns casos, permitir a mistura de nutrientes (adubos, químicos ou orgânicos; corretivos de acidez, etc.). O arado é capaz de descompactar uma camada de solo que pode chegar aos 40 cm de profundidade.

Foi uma das grandes invenções da humanidade, por permitir a produção de crescentes quantidades de alimentos e o estabelecimento de populações estáveis.

Tipos de arado

a) Manual: Também chamado de vanga ou enxadão, feito de madeira ou ferro.

b) Cunha simples: Eram primitivos arados em madeira ou ferro, em forma de L, de tração animal.

c) Aivecas: São arados em ferro na forma de um V, com tombador de terra, para tração animal ou mecânica. É o mais antigo implemento fabricado para a realização do preparo do solo. No Brasil, esse implemento é mais destinado à tração animal.

Possui diversos tipos: aiveca helicoidal destinada a uma lavoura superficial e rápida, deixando um solo com torrões grandes; semi-helicoidal (Universal ou Americana) recomendada para uma lavoura normal, deixando torrões grandes na parte inferior e torrões menores na camada mais superficial; aiveca cilíndrica é recomendada para lavoura com tração animal, deixando torrões de todo o tamanho misturado com o solo pulverizado; aivecas recortadas recomendadas para solos pegajosos.

O arado de aiveca produz uma inversão do solo melhor que a do arado de discos, mas apresenta restrições ao uso em solos com obstáculos, tais como pedras e tocos, caso não haja mecanismos de segurança, com desarme automático. O arado de aiveca pode ser equipado com vários acessórios, que facilitam o corte vertical do solo e evitam o embuchamento.

d) Arado de discos rotativos: Possui grandes discos de aço apoiados em mancais rotativos, para tração mecânica. Surgiu como alternativa ao de aiveca e teve como ponto de partida a grade de discos, sendo o implemento de preparo de solo mais usado no Brasil, devido a sua facilidade de confecção e melhor adaptação às variadas condições de solos. Apesar do movimento giratório dos discos, que corta o solo e a vegetação, esse tipo de arado requer peso para penetrar no solo; o que não acontece no de aiveca, cuja penetração é provocada pela conformação de suas partes ativas.

É ideal para ser usado em solos secos, duros, pegajosos, com raízes e pedras, nos quais as aivecas apresentam dificuldades de operação. Quando o solo é arenoso e limpo pode-se utilizar discos grandes;

em solos duros com raízes e restos vegetais, recomenda-se utilizar discos menores e com bordas recortadas. Um inconveniente deste tipo de arado é que com o passar dos anos e uma utilização contínua, pode haver uma acumulação de terra nos terraços, pois esse tipo joga a terra para um dos lados. Para evitar esse problema, deve ser adotada a prática de se alternar o sentido de tombamento das leivas.

Outro inconveniente desse tipo de arado é que uma das rodas do trator passa sobre o sulco aberto, compactando o solo. Por outro lado, os arados de discos possuem a vantagem de continuarem operando, mesmo depois que seus órgãos ativos tenham sofrido um desgaste considerável, podendo ser utilizados em solos abrasivos sem perda da sua eficiência.

e) Grade aradora: Também chamado de arado escarificador, possui de cinco a onze ferros ou braços montados em barras paralelas sobre um quadro porta-ferramentas e espaçados entre si de 60 a 70 cm,

em cada barra, de modo a dar um espaçamento efetivo entre sulcos paralelos de 30 a 35 cm. Aumenta a rugosidade do solo, quebra a estrutura do solo a uma profundidade de 20 a 25 cm, aumentando a capacidade de infiltração de água no solo, diminui a evaporação e quebra a camada compactada, abaixo da área de preparo de solo. Por causa de sua maior velocidade, à medida que se aumenta a área da propriedade, há uma preferência pela grade aradora em detrimento do arado de disco. Uma desvantagem da grade aradora é que ela provoca grande pulverização do solo.

Quanto ao tipo de tração, o arado pode ser:

- De tração animal: bovinos ou equinos;

- De tração humana;

- Por tração motorizada, como um trator.

Os arados puxados por tratores podem ser simples, utilizados em pequenas explorações agrícolas, ou múltiplos, utilizados nas grandes explorações.

6. Capina

A capina é o método inicial de erradicação da vegetação daninha e capim na lavoura. No café, a prática ocorre, principalmente, na época das águas, período em que há o predomínio de gramíneas, como a braquiária (Brachiaria decumbens), espécie vegetal que compete fortemente com a planta de café por recursos como água, luz e nutrientes.

Os serviços de Capina poderão ser de dois tipos:

- Capina Manual: é o corte ou retirada total da cobertura vegetal existente em determinados locais, com utilização de ferramenta manual. As ferramentas manuais necessárias para execução dos serviços são: enxada, ancinho, garfo, pá, carrinhos de mão, etc.

A capina manual ainda é muito utilizada pelos agricultores de subsistência, contudo, essa operação só é recomendável para áreas pequenas. A demanda de mão-de-obra é grande e requer um grande contingente de operários em áreas maiores, o que nem sempre se encontra disponível. Como a capina manual é uma operação demorada, deve ser iniciada tão logo as plantas daninhas emerjam.

Especialmente na semeadura "das águas", ocorre reinfestação, sendo necessária mais de uma capina.

Nessa ocasião, as chuvas podem atrasar o início da operação, colocando em risco o controle das plantas daninhas no momento adequado.

- Capina Química: É a atividade de controle das plantas daninhas com uso de herbicida com propriedades capazes de manter as áreas tratadas limpas por longos períodos de tempo, com garantias de segurança ambiental. A toxicidade de um herbicida pode ser indicada pela cor do rótulo de sua embalagem.

A toxicidade da maioria dos agrotóxicos é expressa em valores referentes à Dose Média Letal (DL50), por via oral, representada por miligramas do ingrediente ativo do produto por quilograma de peso vivo, necessários para matar 50% da população de ratos ou de outro animal teste. A DL50 é usada para estabelecer as medidas de segurança a serem seguidas para reduzir os riscos que o produto pode apresentar à saúde humana.

Os agrotóxicos são agrupados em classes, de acordo com a sua toxicidade:

Classes toxicológicas dos agrotóxicos com base na DL50.

Rótulo

O rótulo do produto é a principal forma de comunicação entre o fabricante e os usuários. As informações constantes no rótulo são resultados de anos de pesquisa e testes realizados com o produto antes de receber a autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para ser comercializado. Portanto, antes de manusear qualquer agrotóxico, deve ser feita leitura criteriosa de seu rótulo. Impressas nas embalagens ou anexadas a elas devem ser encontradas as seguintes informações:

- as pragas que o agrotóxico deve controlar;

- as culturas para as quais o agrotóxico pode ser aplicado;

- as dosagens recomendadas para cada situação;

- a classificação toxicológica do agrotóxico;

- a forma pela qual o agrotóxico pode ser utilizado;

- o local onde o agrotóxico pode ser aplicado;

- a época em que o agrotóxico deve ser usado: pré-plantio, pré-emergência ou pós-emergência;

- o período de carência, ou seja, o intervalo de tempo, em dias, que deve ser observado entre a aplicação do agrotóxico e a colheita do produto agrícola. A observância do período de carência é, portanto, essencial para que o alimento colhido não possua resíduo do agrotóxico em níveis acima do limite máximo permitido pelo Ministério da Saúde. A comercialização de produtos agrícolas contendo resíduo de agrotóxico em níveis acima do limite máximo fixado por aquele Ministério é ilegal;

- se o agrotóxico pode ser misturado a outros de uso frequente, em situações semelhantes; e - se o agrotóxico pode causar injúria às culturas para as quais é recomendado.

7. Cercas

Uma cerca é uma estrutura autossustentável projetada para restringir ou prevenir o acesso ao interior de sua área. Diferencia-se de um muro por ser uma construção mais leve e vazada (feita de madeira, metal ou concreto, entre outros) enquanto o muro é normalmente construído com tijolos ou concreto, bloqueando a visão e a passagem a seu interior.

8. Pós-colheita

O termo Pós-Colheita refere-se ao estudo e ao conjunto de técnicas aplicadas à conservação e armazenamento de produtos agrícolas como grãos, frutas, hortaliças, tubérculos, entre outras logo após a colheita até o consumo ou processamento. Essas técnicas são importantes pois, ao contrário dos alimentos de origem animal, os tecidos destes produtos permanecem íntegros e mantendo seus processos fisiológicos e bioquímicos normais. As mesmas técnicas, com suas devidas especificidades, são aplicada também a produtos agrícolas não comestíveis como flores e plantas ornamentais, por exemplo.

Dependendo dos tratamentos dados, os produtos terão níveis diferentes de qualidade final assim como diferentes perdas em função de deterioração desses produtos. Em cada etapa é necessário a aplicação de um conjunto de técnicas para garantir a manutenção da qualidade. Atualmente existem tecnologias disponíveis para todas as etapas dessa cadeia que visam a manutenção da qualidade, o aumento da vida de prateleira e da oferta de produtos "in natura". Entre essas técnicas estão o uso de temperaturas baixas, atmosfera modificada, atmosfera controlada, limpeza, sanificação, bem como a combinação destas.

O objetivo fundamental da tecnologia pós-colheita, portanto, é manter os produtos agrícolas recém colhidos em condições adequadas, evitando perda de umidade e o desenvolvimento de alterações químicas indesejáveis, além de evitar danos físicos e retardar a deterioração desses produtos.

No documento IDAM Técnico em Agropecuária - Agrícola (páginas 108-111)

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