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MANDIOQUINHA-SALSA 6 (Arracacia xanthorrhiza)

No documento IDAM Técnico em Agropecuária - Agrícola (páginas 48-93)

Apresentação

A mandioquinha salsa (Arracacia xanthorrhiza Bancroft) é uma planta tipicamente sul-americana, dos altos da cadeia dos Andes. O seu centro de origem é a região andina da Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia, onde até hoje faz parte da cultura local, sendo cultivada e consumida pelas comunidades.

Existem várias explicações sobre sua introdução no Brasil. Uma das mais aceitas é a chegada de mudas trazidas da Colômbia para a Sociedade de Agricultura localizada no Rio de Janeiro em 1907. Até então, esta cultura era totalmente desconhecida pelos agricultores brasileiros.

Desde então, seu cultivo espalhou-se pelos estados do Centro-Sul do Brasil. Em cada região recebe uma denominação distinta, como mandioquinha-salsa, baroa, salsa, fiuza, batata-aipo, cenoura-amarela, entre outras. As áreas de altitude elevada e clima mais ameno de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo concentram a maior parte da produção.

A mandioquinha-salsa é cultivada em mais de 20.000 hectares, com uma produção média de 250 mil toneladas/ano. A maior parte da produção é destinada para o mercado in natura. A cultura é uma ótima alternativa para pequenos e médios produtores, especialmente dentro dos conceitos de agricultura familiar, em razão da considerável demanda por mão-de-obra, principalmente nas fases de plantio e colheita, e também pelo seu alto valor de mercado.

6 Disponível em: https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mandioquinha/MandioquinhaSalsa/apresentacao.html.

Introdução

Atualmente, a produção concentra-se na América do Sul, especialmente no Brasil, Colômbia, Venezuela e Equador e, em menor escala, no Peru e na Bolívia. É também cultivada esporadicamente na América Central, em Porto Rico, Costa Rica, Haiti e Cuba, e na Ásia, na Índia e no Sri Lanka.

No Brasil, os dados de produção são escassos, devido à dificuldade de levantamentos realistas e ao fato de que boa parte da produção é comercializada diretamente do produtor a varejistas ou a indústrias beneficiadoras, não passando pelas centrais de abastecimento e, consequentemente, não sendo computada em dados oficiais. A (Tabela 1) apresenta dados de produção dos principais estados produtores.

A cultura da mandioquinha-salsa constitui-se em ótima alternativa para pequenos e médios produtores, especialmente dentro dos conceitos de agricultura familiar, em função da considerável demanda por mão-de-obra, principalmente nas fases de preparo de mudas, plantio e colheita, operações que exigem critério, cuidados e capricho no manuseio. Assume grande importância socioeconômica nas regiões onde o cultivo é intenso. Além disso, tem por características a baixa utilização de insumos e o baixo custo de produção.

A mandioquinha-salsa possui mercado cativo e crescente, estando a produção abaixo da demanda.

Goza ainda da reputação de produto saudável, quase orgânico, condição que deve ser preservada e melhor explorada. É interessante ressaltar a facilidade de adequação da mandioquinha-salsa ao cultivo orgânico, em função de sua rusticidade, o que vai de encontro à crescente demanda por produtos ecologicamente racionais, com qualidade superior em termos de segurança alimentar àqueles produzidos convencionalmente, pela ausência de resíduos de agrotóxicos.

Por se tratar de espécie de propagação vegetativa, isto é, sem o uso de sementes botânicas, e por ser cultura cujo sistema produtivo não utiliza grande quantidade de insumos, o interesse por parte das empresas privadas é praticamente nulo e da comunidade científica, incipiente.

Botânica

A mandioquinha-salsa é uma dicotiledônea, da ordem Umbellales, família Apiaceae (antiga Umbelliferae), gênero Arracacia, espécie Arracacia xanthorrhiza Bancroft. A família das Apiáceas compreende também a cenoura, a salsa, o coentro, o aipo, o funcho, entre outras.

É planta perene que raramente atinge a fase reprodutiva, pois a colheita é realizada antes do florescimento, ao final do estágio vegetativo. O caule, cilíndrico e rugoso, compõe-se de uma cepa, comumente chamada de pescoço, de cuja parte superior saem ramificações curtas denominadas rebentos, filhotes ou propágulos, em número de 10 a 50, conforme a variedade e as condições ambientais, de onde nascem as folhas, de formato pinatisecto. Esse conjunto é chamado comumente de coroa, touça ou touceira.

Da parte inferior da cepa saem as raízes tuberosas, que constituem a parte comercializável. Podem ser alongadas, cilíndricas ou cônicas, com coloração variando de branco a amarelo-intenso ou púrpura-escuro, conforme o clone. Têm película brilhante e tamanho variando até 25cm. São produzidas em número de seis ou mais por planta. O mercado brasileiro, porém, apresenta preferência por raízes de formato cônico alongado e de coloração amarela intensa.

Quanto ao desenvolvimento das raízes de reserva, sua emissão ocorre por volta de 70 dias após o plantio, verificando-se duas fases distintas. O crescimento primário ocorre em comprimento até, aproximadamente, o quarto mês. A partir de então, dá-se o crescimento em diâmetro das raízes tuberosas (crescimento secundário), ocorrendo nesta fase a diferenciação quanto ao formato e tamanho das raízes produzidas.

A inflorescência é composta por um conjunto de umbelas que são formadas em épocas diferentes. Em algumas condições, a cultura floresce e produz sementes botânicas viáveis em quantidades razoáveis, podendo-se utilizá-las em trabalhos de melhoramento genético. Deve-se deixar claro que em mandioquinha-salsa a propagação sexuada, isto é, o uso de sementes botânicas em plantios comerciais, é absolutamente inviável, pelos baixos índices de germinação e vigor da planta de primeira geração e pela desuniformidade da população oriunda de sementes.

É comum, na região Sudeste, em plantios de julho a setembro, observar-se elevado percentual de florescimento no campo. Existe interação com o frio, mas o estresse hídrico em plantas ou mudas maduras é preponderante na indução ao florescimento precoce. Isso coincide com o fato de que nas condições climáticas de seu local de origem, onde ocorrem baixas temperaturas, é rara ou mesmo desconhecida a inflorescência, devido a um regime hídrico bem distribuído.

A produção de mudas na coroa merece atenção quanto à biologia da planta, no tangente ao seu desenvolvimento. Na touceira existem mudas com idades fisiológicas variadas, desde a primeira, utilizada no plantio que no ponto de colheita se encontra extremamente lignificada e com grande quantidade de reservas, às últimas formadas ou em formação ainda, com pequena quantidade de reservas. O uso de mudas juvenis implica em maior vigor e pegamento, desde que a quantidade de reservas seja suficiente para suportar o arranque inicial da planta até a formação de raízes, o que ocorre cerca de 10 dias após o plantio. Essa desuniformidade quanto à idade fisiológica das mudas promove enraizamento e brotação desiguais, fato comumente verificado em plantios realizados diretamente no local definitivo.

Clima

Apresenta boa adaptabilidade a locais com clima semelhante ao de sua origem. No Brasil, é tradicionalmente cultivada no Sudeste e no Sul, em regiões com altitude superior a 800 m e temperatura média anual entre 15° C e 18° C. Entretanto, verifica-se seu cultivo em áreas mais baixas, na Zona da Mata mineira e em baixadas litorâneas de Santa Catarina, assim como sua expansão para o Planalto Central, no Distrito Federal e Goiás, onde a temperatura média anual supera os 20° C.

Quanto à época, em regiões de clima ameno o plantio pode ser efetuado o ano todo. Ocorre predominância de plantios de março a junho, especialmente no Sudeste, em função do maior risco de perdas em épocas quentes e chuvosas. Pelo sistema convencional de cultivo, diretamente no local definitivo, tem-se maiores limitações quanto à época de plantio.

Quando se efetua o plantio pelo método de pré-enraizamento de mudas, reduz-se o risco de perdas.

Pode-se, neste caso, efetuar o plantio dos canteiros sob cultivo protegido em casas de vegetação ou túneis quando o frio é intenso e há risco de geadas ou quando ocorrem chuvas excessivas.

Os plantios realizados no verão apresentam elevado índice de apodrecimento de mudas, devido às elevadas temperatura e precipitação e à exposição do córtex das mudas pela ação do corte realizado no ato do plantio, favorecendo o estabelecimento de bactérias e fungos de solo. Em consequência disso, verifica-se a redução do pegamento e, consequentemente, da produtividade.

Em contra-partida, ocorre redução do ciclo vegetativo da cultura, havendo maior precocidade na produção, assim como probabilidade de preços mais elevados por ocasião da colheita. Em pequenas áreas, seu cultivo intercalado a milho em fase final de desenvolvimento vegetativo pode propiciar microclima mais ameno pela cobertura do solo e sombreamento, impedindo que a temperatura superficial do solo se eleve demasiadamente, permitindo melhor estabelecimento da lavoura.

Os restos culturais após a colheita da cultura intercalar podem ser dispostos entre as leiras de mandioquinha-salsa, minimizando os processos erosivos. Trata-se de planta muito resistente ao frio.

Todavia, o plantio em épocas muito frias pode apresentar falhas e redução de produtividade no caso de ocorrência de fortes e numerosas geadas.

No estágio inicial, quando ainda não possui grande quantidade de reservas, as plantas podem esgotar-se no caso da ocorrência de muitas geadas conesgotar-secutivas. Foi o que aconteceu no Estado do Paraná em 2000, quando mais de 20 geadas nos meses de junho e julho, com temperaturas de até -6°C, praticamente dizimaram os plantios, comprometendo inclusive campos já na fase de produção, reduzindo a qualidade das raízes, pela formação de um anel interno escurecido.

Na região Sudeste, no entanto, a não ser em microclimas de extrema altitude, raramente ocorre frio suficiente para eliminar uma lavoura de mandioquinha-salsa, o que pode ocorrer é a queima de folhas, seguida de rebrota às expensas das reservas acumuladas.

Os plantios subsequentes ao inverno, estação caracterizada pelo período mais seco e frio na região Sudeste, promove o pendoamento precoce das plantas (Figura 1). Isso ocorre pela indução promovida pelas condições climáticas à passagem das mudas da fase vegetativa para a fase reprodutiva, em virtude do desfavorecimento da primeira.

A fase reprodutiva se caracteriza pelo florescimento, seguido de formação de sementes. As plantas pendoadas são comumente chamadas de “capitão”, pelo fato de se destacarem no campo de produção.

No início do ciclo da cultura, o florescimento esgota as plantas e não ocorre produção de raízes comerciais.

Se o florescimento ocorre quando a planta já possui uma boa quantidade de reservas, uma coroa com dez filhotes ou mais, ela pode produzir satisfatoriamente. O plantio em épocas limitantes, seja pelo calor e precipitação, seja pelo frio excessivo, pode ser viabilizado pela técnica de pré-enraizamento, associada à seleção de mudas e ao cultivo protegido.

Produção de mudas

A produção de mudas é fase primordial na cultura da mandioquinha-salsa e algumas práticas devem ser consideradas pelos produtores visando à melhoria da qualidade do processo e do produto.

O primeiro passo é a escolha criteriosa de plantas matrizes, com boa sanidade e vigor.

Preferencialmente, devem-se usar mudas juvenis, ou seja, mudas ainda vigorosas e em pleno desenvolvimento. A seleção de filhotes para a obtenção de mudas é primordial para o desenvolvimento uniforme das plantas no campo.

A distribuição dos filhotes na touceira não é uniforme, encontrando-se filhotes mais juvenis tanto na periferia como no interior da touceira. Deve-se utilizar filhotes com idades fisiológicas semelhantes, o que é avaliado pela tamanho da reserva dos propágulos.

A manutenção das mudas, às vezes é necessária entre a colheita e o plantio subseqüente e deve ser feita mantendo-se as touceiras, sem que se destaque os perfilhos. As touceiras devem ser mantidas à sombra, após retiradas as raízes e as folhas, quando presentes, mantendo a base da planta em contato com o solo. Deve-se molhar, em média, duas vezes por semana.

O preparo inicial das mudas consiste do destaque dos perfilhos e lavagem por imersão ou em água corrente para retirada do excesso de impurezas. O tratamento fitossanitário dos filhotes, após o destaque da planta mãe, é prática indispensável.

Recomenda-se sua imersão por 5 a 10 minutos em solução de água sanitária comercial, pela ação do cloro ativo, na proporção de 1 L de água sanitária para 9 l de água, seguida de secagem à sombra, considerando-se o teor médio de 2,2% de hipoclorito de sódio na água sanitária. Após a secagem dos filhotes tratados, efetua-se o preparo das mudas.

Este consiste em efetuar corte em bisel, isto é, em ângulo inclinado, de modo a aumentar a área de enraizamento. Deve-se usar ferramenta afiada e lâmina chata, que corte o filhote sem rachá-lo.

Recomendam-se estiletes ou lâminas de serra bem afiadas no esmeril.

Essa prática é fundamental, o corte bem efetuado sem que o filhote lasque, proporciona uma melhor inserção de raízes na cepa da planta, ou seja, as cicatrizes após o destaque das raízes ficam reduzidas, facilitando o destaque na colheita e aumentando sua conservação pós-colheita. Em mudas mal cortadas ou “lascadas”, é comum observar-se o crescimento desigual de raízes nas plantas e raízes com grandes cicatrizes causadas pelo destaque.

Conforme a variedade, a época do ano e o método de plantio utilizado (no local definitivo ou em canteiros de pré-enraizamento), deve-se deixar de 1 a 3 cm de reserva.

Correção do solo

A mandioquinha-salsa apresenta grande adaptabilidade a diversos tipos de solo, desde que se faça um bom manejo da água. No entanto, Deve-se dar preferência a solos de textura mediana A mandioquinha-salsa desenvolve-se melhor em solos de textura média, profundos e bem drenados, já que esta espécie não tolera encharcamento.

Apresenta, no entanto, grande adaptabilidade a diferentes tipos de solos, desde que se faça um preparo e adubação adequados e, principalmente, um bom manejo da água. Solos muito argilosos (“pesados”) ou mal preparados levam à produção de raízes curtas, arredondadas, assemelhando-se a batatas.

Para plantios em épocas chuvosas ou em solos com problemas de drenagem, faz-se necessário o uso de camalhões (leiras) de maior altura, de modo a minimizar o acúmulo de água junto às plantas Por outro lado, em solos muito arenosos, com baixa retenção de umidade, as leiras podem ser mais baixas. Além disso, o gasto com irrigação é sensivelmente maior e a incidência de nematóides, maior.

Solos com elevados teores de matéria orgânica apresentam restrições, pois proporcionam grande desenvolvimento vegetativo em detrimento do acúmulo de reservas e produção de raízes. Além disso, por apresentarem em geral coloração escura, esses solos podem levar à produção de raízes com manchas superficiais escurecidas que não saem com a lavação, depreciando seu aspecto visual. No caso de uso de solos com estas características, não se deve utilizar fertilizantes nitrogenados.

O preparo do solo consiste de aração, seguida de uma ou duas gradagens. Posteriormente, efetua-se o levantamento das leiras, que pode ser manual, com o auxílio de enxadas, ou mecanizado (Figura 1).

O enleiramento deve ser realizado em nível, de modo a conter as águas pluviais ou de irrigação. As leiras devem ter altura entre 20 e 30 cm, dependendo das condições físicas do solo e da pluviosidade do local. Camalhões em torno de 30 cm são indicados para solos de drenagem difícil ou áreas com alta incidência de chuvas. Em solos arenosos, com baixa retenção de umidade, os camalhões podem ser mais baixos, com até 10 cm.

Em pequenas áreas, é comum o levantamento das leiras com enxadas e a formação de pequenas covas sobre as leiras, onde o adubo é aplicado e incorporado superficialmente.

No enleiramento mecanizado, efetua-se inicialmente um sulcamento raso, seguido da distribuição do adubo nos sulcos. Em seguida, faz-se novo sulcamento, mais profundo e intercalado aos sulcos anteriormente formados, de modo que, ao se formar as leiras, o adubo fique disposto sob essas. Em áreas com maior declividade acima de 10% ou quando se utilizam tratores leves, o sulcamento intercalado pode ser dificultado.

Nesse caso, pode-se efetuar o primeiro sulcamento o mais raso possível, praticamente só riscando o solo, com a distribuição do adubo sobre as pequenas leiras formadas. A seguir, faz-se um segundo sulcamento mais profundo no mesmo local do sulco anterior, cobrindo o adubo.

Assim, esse será disposto um pouco abaixo da superfície nas leiras, sendo rapidamente alcançado pelas raízes. Existem máquinas, bastante utilizadas na cultura da batata, que efetuam simultaneamente a adubação e o enleiramento.

A calagem, prática que visa à correção da acidez do solo e o fornecimento de cálcio e magnésio, deve ser baseada na análise de solo e seguir orientação técnica. Deve ser feita com antecedência de 60 dias ou mais, para que ocorram as reações de neutralização do efeito tóxico do alumínio e a disponibilização de nutrientes essenciais às plantas. Neste período, é essencial a presença de umidade no solo. O calcário deve ser incorporado uniformemente a, pelo menos, 20 cm de profundidade.

Para o cultivo da mandioquinha-salsa, considera-se como adequados os valores de pH de 5,5 a 6,5, saturação por bases (v) em torno de 70%, teor de magnésio mínimo de 0,9 cmolc.dm-3 e relação Ca: Mg em torno 3 a 4:1. A quantidade de calcário a ser aplicada pode ser calculada utilizando-se um dos seguintes critérios:

Adubação e nutrição

A recomendação de adubação deve ser baseada na análise de solo e seguir orientação técnica de um profissional com experiência na cultura e conhecimento teórico da dinâmica de nutrientes. Os trabalhos com adubação e nutrição em mandioquinha-salsa são escassos, sendo que, na maioria das vezes, a fertilização empregada é empírica.

Resumidamente, um campo produtivo de mandioquinha-salsa deve ser inicialmente bem nutrido de modo a que se formem plantas vigorosas. A partir de aproximadamente 100 dias após o plantio, deve-se propiciar um ambiente favorável ao acúmulo de reservas, ou seja, reduzir progressivamente as irrigações e, praticamente, salvo raras exceções, eliminar as adubações. Do meio do ciclo para o final da cultura, folhas em senescência na parte basal são comuns, demonstrando que a planta está translocando os fotoassimilados, produzidos pelas folhas através da fotossíntese, e formando raízes de reserva.

A adubação orgânica pode ser útil em solos arenosos, com a aplicação de 3 a 6 t.ha-¹ de composto orgânico ou esterco de curral curtido. Conforme a situação, a adubação verde com gramíneas e leguminosas em cultivo solteiro ou consorciado, incorporando-se os restos vegetais previamente ao plantio também é interessante. Assim, pode-se aumentar a capacidade de retenção de água e nutrientes em solos deste tipo. Contudo, deve-se ter cuidado com o excesso de matéria orgânica, para que não haja excessivo viço da parte aérea, promovido por elevados teores de nitrogênio.

Da mesma forma, cuidado especial deve ser dado aos adubos nitrogenados, visto que o nitrogênio em excesso pode favorecer sobremaneira a formação de uma frondosa parte aérea em detrimento do acúmulo de reservas e consequente formação de raízes comerciais. Além disso, uma parte aérea muito exuberante pode ser mais atrativa a pragas e doenças, até mesmo por propiciar um microclima mais favorável ao seu desenvolvimento, em função do maior fechamento da lavoura.

Devem-se efetuar duas adubações de cobertura aos (30-45 dias e aos 60-90 dias). Aplicações mais tardias não são recomendadas devido aos problemas causados pelo excesso de nitrogênio. Entretanto, em casos específicos, no caso de ocorrência de intensa deficiência de nitrogênio, cujos sintomas são caracterizados pelo amarelecimento foliar, começando pelas folhas mais velhas, e drástica redução do crescimento, pode-se efetuar adubações de cobertura para a recuperação da lavoura, ainda que retardando um pouco o ciclo da cultura.

O fósforo está diretamente relacionado à produtividade de raízes. Devido a sua baixa mobilidade no solo, o fósforo aplicado em cobertura geralmente não apresenta efeitos satisfatórios. Portanto, a adubação fosfatada deve ser efetuada no plantio, de modo que o adubo se localize na região onde as raízes vão se desenvolver.

Considerando o longo ciclo da cultura, pode-se utilizar uma fonte de fósforo de solubilidade mediana, como os termofosfatos, no fornecimento de parte da dosagem recomendada. Esses apresentam, em sua maioria, a vantagem adicional de conter micronutrientes em sua composição. O uso de fosfatos naturais, de lenta solubilidade, também é viável, de modo a construir a fertilidade do solo.

A carência de fósforo provoca acentuada redução do crescimento da parte aérea e das raízes e coloração verde-escura a azulada nas folhas. No caso de surgimento de sintomas em lavouras em fase de desenvolvimento, pode-se minimizar a carência por meio de aplicações foliares complementares,

A carência de fósforo provoca acentuada redução do crescimento da parte aérea e das raízes e coloração verde-escura a azulada nas folhas. No caso de surgimento de sintomas em lavouras em fase de desenvolvimento, pode-se minimizar a carência por meio de aplicações foliares complementares,

No documento IDAM Técnico em Agropecuária - Agrícola (páginas 48-93)

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