PIMENTÃO 5 Modalidades de cultivo
4. Plantio em telados
É realizado em telados com 2,8 a 3 m de altura de pé-direito, sendo que o mais comum é iniciar com módulos de 2.000 m² cada um. Para sustentação da tela de 30 a 40% de sombreamento, são colocados mourões a cada 8 m, no sentido da largura e do comprimento, onde é fixado arame galvanizado número 12. O plantio é em canteiros coberto com mulching com 80 a 90 cm de largura, para plantio em fileira dupla, ou de 30 a 40 cm, para plantio em fileira simples, nos mesmos espaçamentos do plantio em mulching. O plantio em geral é feito em fileira dupla (tecnologia que agrega aumento de produtividade, porém, com maior risco de incidência de pragas e doenças). O sistema de irrigação é o de gotejamento, e a adubação complementar é via fertirrigação.
A produtividade oscila entre 120 a 150 toneladas por hectare.
Esse sistema é ideal para uso na época da seca, a fim de proteger os frutos contra raios solares, ventos secos, bem como minimizar os impactos das chuvas sobre as plantas.
Tratos culturais
Os tratos culturais são o conjunto de operações realizadas após a semeadura, visando à formação e ao desenvolvimento da planta.
Irrigação
A cultura do pimentão é extremamente exigente em água, em todo seu ciclo produtivo. O monitoramento da irrigação é importante, já que o excesso de água causa incidência de doenças e a falta de água, principalmente nos estágios de floração e desenvolvimento dos frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores, abortamento de frutos e desequilíbrio nutricional, causando o “fundo preto”, doença nutricional do pimentão.
Irrigação por gotejamento
Após o levantamento dos canteiros, deve ser instalado o sistema de irrigação por gotejamento, que é o mais utilizado e apropriado para a cultura do pimentão, principalmente nos plantios protegidos de estufas e telados. Colocar um tubo gotejador para cada linha de plantas, ou seja, se o plantio for de fileira simples, instalar uma linha de gotejadores e, se for de fileira dupla, duas linhas de gotejadores, os quais deverão ser colocados a 10 cm da planta.
Na instalação deve-se colocar o tubo gotejador sempre voltado para cima para reduzir o risco de entupimento. Após a instalação, o sistema de irrigação deve ser ligado para teste, para eliminar possíveis vazamentos e avaliar a uniformidade de aplicação da água. Para a escolha do tubo gotejador a ser utilizado e o espaçamento entre gotejadores, é importante consultar um técnico especialista.
Irrigação por aspersão
Após o levantamento dos canteiros, deve ser instalado o sistema de irrigação por aspersão, em geral montado no espaçamento de 12 x 12 m entre aspersores. A aspersão é mais utilizada no plantio de campo aberto e deve ser feita pelo período da manhã, durante a fase de florescimento das plantas, para evitar a lavagem de pólen.
Devem-se fazer vistorias frequentes para eliminar os vazamentos nas conexões. Com isso, aumentam-se a eficiência e a uniformidade da irrigação e reduz-aumentam-se o consumo de água e energia elétrica.
Manejo de irrigação
O manejo de irrigação tem como finalidade tornar a irrigação mais uniforme, prevenindo a falta ou excesso de água, o que é prejudicial ao desenvolvimento das plantas, afetando a produtividade da cultura.
Irrigás é um equipamento simples, desenvolvido pela Embrapa/Hortaliças, que pode ser de grande ajuda ao agricultor no manejo diário da irrigação. Sua função básica é indicar se o solo está ÚMIDO ou SECO. Na prática, o Irrigás vai ajudar o produtor a responder a duas perguntas básicas que ocorrem antes de irrigar.
Mulching
A cobertura de plástico sobre o solo, conhecida como mulching, é colocada após a instalação e o teste da irrigação. Esses plásticos são comercializados em rolos, com larguras de 120, 140 e 160 cm. A escolha irá depender da largura do canteiro. Inicialmente é feita uma pequena vala de 10 a 15 cm de profundidade ao longo das duas margens do canteiro.
Desenrola-se o filme até o final do canteiro, esticando-o até, no máximo, 10% do seu comprimento e, em seguida, cobre-se suas bordas com terra, com auxílio dos pés e da enxada. Para plantio em fileira dupla, geralmente utiliza-se o mulching na largura de 160 cm e, para o plantio em fileira simples, como a largura do canteiro é menor, a bobina do filme é cortada na borda onde está dobrada, antes de ser desenrolada, ficando com largura de 80 cm.
Já se encontra no mercado plástico, além do convencional que é todo preto (MP), de dupla face, com diferentes tipos, preto de um lado e prata do outro lado (MPP) ou preto de um lado e branco de outro lado (MPB). A instalação deve ser feita com o lado preto virado para baixo, a fim de reduzir o aquecimento do solo, prejudicial no início do desenvolvimento das plantas, e o lado prata ou branco para cima, para minimizar o ataque de algumas pragas. O mulching preto e branco e o mulching preto e prateado previnem a incidência de pragas e doenças, embora custem mais caro.
Transplantio e espaçamento
Deve ser feito quando as mudas atingirem entre quatro e cinco folhas definitivas e com altura de 5 a 8 cm. O transplantio das mudas deve ser realizado nas horas mais frias do dia, de forma que a terra cubra apenas o torrão formado pelo substrato, evitando-se aterrar o colo da muda. Outro cuidado que se deve ter no transplantio é o de cobrir totalmente o furo do mulching para evitar a saída de ar quente, que pode queimar a muda.
Com relação ao espaçamento, no plantio de fileira dupla e simples, já foi descrito no 1º Passo:
Modalidades de cultivo.
Tutoramento
Realizado para apoiar o crescimento da cultura, evitar o contato com a terra e facilitar os outros tratos culturais. É fundamental para o aumento da produção e na qualidade do produto.
Existem diferentes sistemas de tutoramento adotados no País, levando em consideração os materiais disponíveis na unidade produtiva ou na região, visando a uma maior aplicabilidade e economia.
Atualmente, os sistemas vertical e de espaldeira são os mais utilizados para campo aberto e protegido (estufa e telado), respectivamente.
Sistema vertical – É o sistema mais simples, colocando-se estaca de madeira ou bambu (o mínimo 1,0 m de altura) ao lado da planta, amarrada em (forma de oito) ao tutor, para apoiar seu crescimento e facilitar os outros tratos culturais.
Sistema de espaldeira – É o sistema que consiste colocar de 5 a 7 fios de arame ou fitilhos de plásticos horizontalmente, distanciados de 30 cm no sentido da linha de plantio, formando uma espaldeira, onde as hastes são amarradas à medida que forem crescendo.
Esse sistema é sustentado por palanques de 2,5 m de altura e bem fixado no solo, distanciados entre 4 a 6 m de um palanque para o outro, nas duas extremidades das filas de plantas.
Condução
Para uma boa cultura do pimentão no plantio protegido, deve-se eliminar todas as brotações laterais das plantas abaixo da primeira bifurcação, além de selecionar, acima dessa, quatro hastes para conduzi-la, eliminando-se as demais. A condução é feita de arames ou fitilhos, por meio do tutoramento. Essa prática tem por objetivo reduzir o desenvolvimento exagerado das plantas, muito comum em cultivo protegido, onde as plantas chegam a três metros de altura.
No plantio em campo aberto, não é necessário eliminar as brotações laterais. No entanto, frutos em excesso devem ser retirados para um melhor desenvolvimento dos frutos restantes. Além de melhorar o peso médio dos frutos, previne que o excesso de peso cause danos nos galhos laterais.
Adubação complementar/Fertirrigação Adubação de cobertura
No plantio a campo aberto, utiliza-se a adubação complementar via solo, comumente denominada de adubação de cobertura. O objetivo é fornecer nutrientes principalmente à base de nitrogênio e potássio nos estágios que a planta mais necessita, uma vez que esses nutrientes facilmente saem do alcance das raízes. Recomendam-se utilizar, após o transplante e pegamento das mudas, a cada 15 dias, preferencialmente fertilizantes formulados (20-00-20) durante a fase vegetativa e (12-00-33) na fase de frutificação sempre observando o estágio nutricional das plantas.
Fertirrigação
No plantio em sistemas protegidos, utiliza-se a adubação complementar via água, denominada fertirrigação, que é uma técnica de aplicação simultânea de fertilizantes e água. O sistema de irrigação utilizado é o gotejamento. É uma das maneiras mais eficientes e econômicas de aplicar fertilizantes às plantas, devido principalmente à economia de mão de obra.
A adubação de plantio é complementada pela aplicação da fertirrigação e pode chegar a 90% da necessidade total de nitrogênio e potássio e de 10 a 30% da necessidade de fósforo.
Na escolha do fertilizante a ser utilizado, devem-se levar em conta a solubilidade, o custo e a compatibilidade entre os sais a serem misturados na solução, tendo em vista a possibilidade de formação de compostos insolúveis com riscos de entupimentos dos gotejadores.
O pimentão é muito eficiente na retirada do potássio e pouco eficiente na retirada de nitrogênio da planta. Por isso, a relação ideal de nitrogênio/potássio é de aproximadamente 1:1. No entanto, é fundamental observar o aspecto geral das plantas, principalmente o comprimento dos entrenós, que devem estar próximos de 8 cm, acima dos quais deve-se reduzir a aplicação de nitrogênio e vice-versa.
Outros fatores a serem observados são o clima, o índice salino do fertilizante, a fase da cultura e o aparente estado nutricional da planta.
Controle de pragas e doenças
Na cultura do pimentão, apesar dos avanços tecnológicos incorporados aos sistemas de produção, as pragas e as doenças continuam sendo sérios problemas na produção e pós-colheita dessa hortaliça.
Várias são as medidas utilizadas para o manejo integrado de pragas e doenças, tais como cultivares resistentes, manejo cultural, químico e outros. Assim, haverá menor uso de agrotóxicos, evitando-se o seu emprego indiscriminado.
Medidas gerais no controle de doenças e pragas:
• Evitar o plantio em solos contaminados por cultivos anteriores;
• Fazer rotação de culturas, evitando plantio da mesma família do pimentão (solanaceae);
• Fazer o monitoramento da irrigação, pois o excesso de água é o fator que mais propicia o desenvolvimento de doenças do solo;
• Adquirir sementes ou mudas de boa qualidade, de empresas idôneas, visando à prevenção de doenças;
• Fazer adubação equilibrada, baseada na análise do solo. Além de prevenir doenças nutricionais, permite que as plantas resistam mais às doenças;
• Escolher cultivares e cultivares híbridas, adaptadas ao clima, época de plantio e mercado e que apresentem resistência às doenças;
• Usar agrotóxicos, de maneira preventiva, quando as condições forem favoráveis à incidências de doenças e pragas.
Com relação às pragas que mais atacam a cultura do pimentão, destacam-se, pela ordem de importância econômica, o ácaro, o pulgão, o tripes e a mosca-branca (que são transmissores de viroses), as traças, as lagartas e as lesmas.
MANDIOQUINHA-SALSA6